o primeiro acidente doméstico a gente não esquece

neste domingo, no finalzinho do dia, tivemos nosso primeiro acidente doméstico importante (ou seja — que precisou de exames/intervenção): o otto prendeu os 4 dedinhos da mão direita no vão da porta (do lado da dobradiça), bem no meio dos dedos 🙁

eu estava cozinhando, enquanto ele brincava na despensa, como sempre faz. mas pela primeira vez decidiu enfiar seus dedinhos no vão e abrir a porta… até prender.

não consigo esquecer a carinha dele, começando a chorar e me chamando “mamãe, eu prendi os dedinhos na porta…”. eu, desesperada pra ajudar, não percebi que bastava “fechar” ele atrás da porta de novo pros dedos soltarem. fiquei ali, tentando entender o mecanismo, e enquanto isso os dedinhos presos. como não fechei a porta o suficiente pra conseguir soltar, soltei os dedinhos arranhando a parte gordinha. ficou bastante inchado, e arranhou de leve (por sorte não cortou). colocamos gelo, e o pai levou pro PS em pleno domingo à noite. depois do resultado do exame (que não deu nada), liguei pra pediatra, que pediu um exame feito por um ortopedista pediátrico, já que nessa idade os ossos são muito pequenos e maleáveis, não é qualquer médico que sabe avaliar.

fizemos o exame no dia seguinte, e tudo estava bem, tudo perfeito. a mãozinha já tinha desinchado bem, felizmente, e ele amanheceu desenhando e usando a mão normalmente.

mas fiquei de coração partido com ele chorando e olhando a mãozinha, pedindo ajuda e depois reclamando da dor (ou do susto, não dá pra saber direito). fiquei me sentindo culpada, não pelo acidente em si, mas por não conseguir ter sangue-frio suficiente pra ajudá-lo mais rápido e de forma mais eficiente. é como um filme que passa pela cabeça mil vezes depois (“poderia ter feito isso, e aquilo, e aquilo outro…”). tudo inútil, claro.

fiquei pensando em como é difícil esse papel de pai e mãe, de proteger a criança. porque é disso que se trata — nosso trabalho é protegê-lo. e eu falhei. sei que vai acontecer muitas vezes ainda, e que no limite eu não posso protegê-lo de tudo (afinal, ele precisa descobrir os limites do mundo por conta própria também, oras), mas eu queria. sofrimento de filho é pior que o nosso próprio.

e — clichê dos clichês — só agora consigo ter plena empatia pela situação da minha mãe, de 3 crianças muito peraltas. por mais que racionalmente seja possível entender o que passa uma mãe, sua preocupação com os filhos, sem ter filhos esse entendimento racional é basicamente nada. nenhum conhecimento prepara a gente pra tempestade de emoções que é ver seu filho chorando, machucado, com dor. por menor que seja, é muito difícil. antecipo muitos anos de sofrimento compartilhado pela frente, diante das molecagens que ele começou a aprontar…

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e no meio disso tudo, com a mãozinha machucada e inchada, enquanto o pai se vestia para ir com ele ao PS, ele comeu um prato de arroz, feijão, carninha e chuchu. porque era isso que eu fazia enquanto ele se escondia atrás da porta: o jantar.

se comportou como um lorde no exame com a médica plantonista, com o moço do raio-X, com o ortopedista, e com a médica (era retorno de consulta, por coincidência, no dia seguinte). avisou que ela poderia examiná-lo, mas “sem ouvir o coração. não quero o estetoscópio”. a médica, claro, se encantou por ele saber o que é o aparelho, e por falar tão direitinho. nosso menino curioso e louco por palavras difíceis e um tiquinho hipocondríaco 🙂

no final tudo ficou bem, e voltamos à normalidade. mas o primeiro acidente a gente não esquece (eu acho. na dúvida, fica o registro!)

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PS: ele teve um outro acidente (com corte e sangue, no supercílio), mas foi na escola. nós só vimos o resultado, que virou uma cicatriz até charmosinha.

tantas palavras

as conversas com o otto estão muito engraçadas, ele definitivamente “pegou o jeito” e está se comunicando muito bem verbalmente. ele não é exatamente tagarela ou extrovertido, mas passa suas ideias com precisão, e usando vocabulário bem interessante pra idade (ou pelo menos é o que nos dizem!)

resolvi neste post juntar algumas das frases/coisas mais divertidas que ouvimos ultimamente, porque as mudanças acontecem tão rápido que não consigo registrar, e quero poder mostrar pra ele quando for maior 🙂

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ele anda apaixonado por fotos, e agora quer fotografar inclusive sua “obra”, os desenhos de giz no chão. “o otto vai tirar foto do desenho”, e fotografa com a maior pose de fotógrafo de verdade.

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o adorado morris lessmore, na interpretação dele, é mézimór péssicor.

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dia desses, bravo porque o pai não queria fazer algo que ele mandou (bem mandão, o menino), ele fala: “o papai precisa obedecer o otto!” (do jeitinho que a gente fala que ele precisa nos obedecer :D)

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provavelmente imitando a maria, babá que cuida dele à tarde, que fala bastante “não faça isso, otto!” numa entonação bem particular e querida, ele repete pra tudo que não o agrada: “não faça isso, mamãe/papai/maria!”. o mais curioso é que ele fala isso inclusive pra outras crianças, que fazem com ele algo que não gosta (como tirar um brinquedo, ou coisa assim). bem sério, sempre mantendo a distância física, um rapazinho comedido.

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o otto quando dá chilique e chora (normalmente porque não damos/tiramos algo que ele quer), entra no modo repetição da mesma frase, como se a repetição fosse mágica e fizesse as coisas acontecerem. “dá po otto, dá po otto, dá po otto!” (em geral 3 vezes), gritando e chorando. sempre repetimos a mesma reação: explicar pra ele que chorar e gritar não funciona, que só vamos evoluir na conversa se ele parar de gritar e chorar.

muitas vezes ele explica (chorando, e gritando): “o otto tá bravo! o otto tá chorando! O OTTO TÁ GRITANDO!”. e nós, segurando o riso (é muito engraçado um serzinho tão pequeno e tão bravo…), mantemos a posição de “gritando não sai coelho desse mato”. em no máximo 1 minuto ele percebe que não funciona mesmo, para subitamente e avisa: “o otto parou.”, pra gente continuar a conversa. e daí geralmente vai bem, ele entende e pronto.

às vezes ele pede colo no meio do chilique (e eu dou, desde que não grite no meu ouvido), percebe que só vamos dar atenção depois que parar, e para. como se não fosse nada. e ainda explica: “a mamãe ficou brava com o otto. o otto chorou.”

<3

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das frases mais engraçadas (em especial quando combinada com o gesto da mão) e que mais faz sucesso com adultos é o “estou saStifeito!” depois do almoço. com a mãozinha, indicando que não quer mais comida.

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“mamãe, conta a história do pão?” (ou do número 8, ou da nai, ou da folhinha, ou do vovô…) tudo agora ele quer que conte uma história, explique de onde veio, porque veio, pra onde vai. e a gente inventa, ou simplesmente conta mesmo a história das coisas. cem vezes.

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ainda não consegui me acostumar com frases como “isso é muito legal, mamãe” ou “do que a gente vai brincar agora, mamãe?”, “o que é isso, mamãe?” que mostram como ele sabe o que quer, o quer gosta, e convida a fazer algo com ele. são poucos meses ainda de interação verbal (9 meses somente desde o início da fala), e é espantoso como o domínio da língua evolui.

mas no fundo, acho que o que mais me espanta e encanta é que a fala abre uma janela enorme para a mente, o raciocínio da criança, todo um processo que antes acontecia sem que percebêssemos claramente. agora podemos trocar ideias, negociar, interagir muito mais.

sei que a comunicação não-verbal é essencial, e deve permanecer e se desenvolver (inclusive a coisa que mais adoro por enquanto na experiência de ter filhos é o contato físico, sem palavras, que é intenso e lindo), mas esse canal de comunicação verbal é mágico e incrivelmente prazeroso.

diário do otto: 2 anos e 4 meses

otto-borogodó,

(ou piolhinho, tatu, tatuzinho, belzebu, bebê, godinho, meugato, gatito, pequeninho, menino, moleque)

sim, você agora se apresenta com nome e sobrenome. ouviu alguém falando “ó do borogodó”, e obviamente assumiu que era OTTO borodogó, e assim chama a si mesmo às vezes. mas aprendeu também a falar seu nome e sobrenome completo, “otto marvalhas balestrero” e é a coisa mais linda do mundo <3

neste último mês houve uma mudança significativa, que nos surpreendeu: subitamente você começou a cantar! não sabíamos que podia acontecer assim, do dia pra noite, mas com você assim foi. não cantava nada, absolutamente nada, só ouvia, atento, mexendo a boquinha imitando, mas sem som. e de repente, BUM: canta uma música toda, todinha. atirei o pau no gato, a casa, fui no tororó, e até clareana (“água, terra, fogo e aaaaaaarrrrr…”). sim, é claro que você só cantaria, ou arriscaria, com a certeza absoluta de acertar. nosso pequeno perfeccionista, você nasceu com a mãe certa, que vai insistir até seu último suspiro que se arrisque, tente, erre muito, pra poder acertar mais que errar, e se divertir mais que ter medo.

também mudou outra coisa, você começou a fazer perguntas diretas: “o que é isso?” ou “como chama esse?”. não começamos ainda os porquês, mas estamos aguardando ansiosamente, já que gostamos muito de perguntas-e-respostas.

você agora dorme juntinho comigo, desistimos da troca cama-berço-berço-cama. dormimos, e expulsamos o papai por enquanto. até que você se acostume com seu berço, e que queira dormir na sua cama. e por mais que haja quem pense que não muda, você já pede pra ir para o seu quarto, e de dia dorme bem no seu berço. e por enquanto, confesso que aproveito essa fase, tão curta, pra abraçar você, e ficar pertinho, de um jeito que sei que não será mais possível dentro em breve. meu bebê grande, menino carinhoso da mamãe.

sim, você é um menino observador, tranquilo, muito carinhoso e piadista (sabe tirar sarro da gente, entende piadas simples…). gosta cada vez mais das atividades físicas (com nosso incentivo), e continua apaixonado pelas letras e números, mas sem tanta fascinação agora que aprendeu todas as letras e contou até 20, ou mais. acho excelente que você conta errado, de propósito, subverte a ordem e não incentivamos que seja certo ou errado. queremos que você seja feliz, ria, se divirta. isso é mais importante que saber, fazer, decorar.

continua comendo muito bem, não recusa nada, não tem medo de tentar coisas novas. tenta, às vezes gosta e às vezes não. às vezes come tudo (mais frequente), às vezes recusa tudo, e diz não-não-não. ou NÃAAAA, que é a nova do mês. e chacoalha a cabeça, sai correndo, morrendo de rir de fugir das coisas e de ser do contra. essa sua idade, que chamam de “terrible twos”, às vezes é realmente terrível, especialmente quando tudo é NÃO, e se aplica até para coisas que você quer e gosta. está com fome, e fala NÃO só pra exercitar seu poder de fazê-lo. achamos que é importante que você o faça (e é engraçado às vezes), mas tem hora que cansa, confesso.

sua rotina de dormir agora é simples: você dorme na nossa cama, e acabou. planejamos levar você de volta pra sua cama, agora que já entende que é sua caminha, seu quarto e tal, vamos ver como funciona. mas desencanamos, e vamos esperar que você manifeste o desejo de ter seu espaço qualquer hora. por enquanto, não nos atrapalha (e dormimos, ufa, finalmente).

você tem lembrado da escola, professoras e amigos, o que é muito fofo. parece ter saudade da escola, e ficamos muito felizes. ficamos amigos dos pais de um dos seus amigos, ambos dinamarqueses vivendo no brasil, eles são muito legais e parecidos conosco, o que é uma surpresa. tínhamos medo dessa parte, dos pais dos seus amigos, mas por enquanto, tudo bem. até o aniversário dele (halfdan) foi legal, divertido, pra você e pra nós.

este mês foi dezembro, o primeiro natal que realmente você entendeu alguma coisa, apesar de não falarmos de papai noel e você ter dormido antes da ceia 🙂 mas ganhou presentes, gostou muito, e passamos uns dias na praia. sua visita à praia foi um acontecimento: já tínhamos ido à praia, mas desta vez você realmente participou, e AMOU. a cada onda você pulava, gritava e gargalhava de felicidade, foi a coisa mais linda. e nadou no rio “sozinho” (com bóias, né), brincou na areia, tomou picolé, se divertiu demais. e nadou no marzão aberto, num passeio de barco a parati, com os peixinhos (como na música). o pescador que nos levou mergulhou e trouxe um lindo ouriço, que você adorou, e lembrou dele por dias e dias (“o toninho mergulhou no mar e trouxe um ouriço!”). visitamos os aquários de ubatuba e SP, pra que você visse os peixinhos que tanto gosta. mas o que mais o encantou foram os cavalos-marinhos (e como não?)

temos nos divertido bastante cuidando de você, cantando, contando histórias, brincando na piscina, na rua, no jardim, conversando. cada dia é mais legal, melhor, e aprendemos mais sobre você, sua personalidade, e nos divertimos com suas ideiazinhas. você agora pede as músicas que quer ouvir e está especialmente apaixonado por “peixinhos do mar” (do milton nascimento) e “canto do povo de algum lugar”, do caetano, que foi a 1a música que ouviu fora da barriga, quando estava na UTI e seu pai cantava sempre, enquanto olhava você e segurava seus pezinhos, mãozinhas, enquanto aprendíamos a amar essa criaturinha incrível que você era e é.

aqui estão as fotos dos seus 2 anos e 4 meses. sempre achamos que não é possível amar mais, mas olha… nosso amor só aumenta! e todos os dias nos divertimos (e cansamos :D) muito com você, temos sido muito felizes.

um beijo com amor da sua mamãe.

contra fatos não há argumentos

a maria, que é babá do otto desde que ele nasceu e que cuida de nós desde que mudamos para vinhedo (quase 5 anos, já!), é muito carinhosa com ele, e com todo mundo. daquelas pessoas bem doces, que diz “eu te amo”, abraça e beija. uma linda!

pois ontem ela, carinhosa como sempre, virou pro otto e disse: “o otto mora no meu coração!”. ele não titubeou: “não, maria! o otto mora na rua araxá XXX*, na casinha dele!” 😀

(*) ele sabe o número certinho, só não coloquei por segurança. ele adora dizer pras pessoas onde mora, e no caminho de casa ele até dá instruções do caminho… “agora desce, agora vira, faz a CUIVA…” <3

diário do otto: 2 anos e 3 meses

otto,

tem sido mais difícil pra mim escrever mês a mês, porque agora tudo se mistura e já não lembro mais direito exatamente o que pertence a este mês. você nos surpreende diariamente com tiradas engraçadas, frases cada vez mais complexas e ideias curiosas vindas 100% da sua cabecinha 😀

todo dia tenho coisinhas novas pra contar sobre você. desconfio que essa sua fase de criança deve ser uma das mais divertidas. essa semana você cismou que se fala OTTO-borogodó (e morre de rir quando repete isso). também conheceu um amigo da mamãe que se chama hugo, como seu monstrinho de pano preferido, e ficou muito espantado com o nome, e repetia com olhos arregalados “ele chama HUGO, mamãe!”.

e você fala tão direitinho que dá gosto. “abre a rede pra eu balançar, vovó?” e 30seg depois “abre pra mim, vovó!”. (mas o ÍBULON eu não consigo corrigir, porque é fofo demais <3).

na escola está tudo bem, você gosta muito de ir e pergunta das tias e dos amigos E AMIGAS (aparentemente você não gostou dessa história de gênero masculino ser neutro no coletivo), embora às vezes fique grudento na hora de eu ir embora. na maior parte das vezes você fica bem, e até fala “TRABALHA, mamãe!”, me mandando embora 🙂 e você foi mordido pela 1a (e 2a…) vez na escola, o que nos deixou muito chateados, mas passou.

uma coisa que nos deixa muito felizes é que você é um menino carinhoso, que gosta de beijar, abraçar e ficar juntinho. nós adoramos! e por mais que eu reclame de ter que fazer você dormir todo dia (1 hora, 1 hora e meia…) e dormir com você na cama com muita frequência, tenho certeza que vou sentir falta quando você ficar independente e dormir na sua caminha. é gostoso abraçar você ou mesmo me ajeitar quando você resolve dormir EM CIMA de mim. o contato físico é uma das coisas que mais tenho gostado dessa história toda de ser mãe.

no geral você é uma criança educada, tranquila, obediente e muito divertida. não é montagem minha nas fotos — você está sorrindo sempre, fazendo graça e conversando com a gente. uma delícia de menino, que nos faz muito felizes!

sua alimentação agora é praticamente igual à nossa, que no geral é mesmo muito saudável. comemos em casa durante a semana, comida toda preparada aqui mesmo. muitos legumes, verduras, frutas, carne vermelha e branca, queijos, ovos (muitos ovos!) e peixes. nos fins de semana saímos para almoçar geralmente no domingo, e você se diverte bastante. já aprendeu a pedir comida pro garçom e não se faz de rogado: “moço, qué papá! uma shalada e batata fita!”. juro, é isso que você sempre pede. de vez em quando pede também carninha  ou farofa.

o sono mudou — você dorme agora a noite toda, mas nem sempre na sua cama. cansamos do esquema de fazer você dormir na sua cama, fazemos dormir na nossa cama, levamos pra sua e quando você acorda vem dormir comigo. seu pai foi expulso pro quarto de hóspedes, coitado. esperamos que essa fase não dure muito, mas francamente aceitamos qualquer arranjo que nos deixe finalmente dormir depois de 2 anos insones…

uma coisa que nos chama bastante a atenção é como você desenvolveu bastante nesse último mês a percepção sobre o funcionamento das coisas. aprendeu a abrir e fechar torneira, a embalagem de pomada (e agora alcança o interruptor, SOCORRO). entende o funcionamento das torneiras de água quente e fria (e identifica pelas letras…), diferencia esquerda e direita, entre muitas outras coisas. dia desses você pegou o garfo e falou “mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura-bolo… (pausa) ele não tem mata-piolho!” 🙂

essa semana você teve estomatite pela primeira vez, algumas aftas apareceram na boca e você reclamou que “a língua incomoda, mamãe!”. seu pediatra avisou que podia ser vírus, e hoje você empipocou… mas fora isso, sua saúde é de ferro! fora o nariz meio travado quando muda o tempo (herança dos seus pais alérgicos), tudo muito bem.

uma coisa linda que aconteceu esse mês é que você começou a pedir pra que eu conte histórias sobre as pessoas. começou pedindo “conta a história do tio weno e da tia mawá po otto dumí?” e eu contei, claro. conto do meu jeito, com foco nas coisas que você conhece e talvez lembre…

“era uma vez o tio weno e a tia mawá que viraram palhaços! eles chamam frederico e cremilda, e quando se conheceram se adoraram tanto tanto que começaram a namorar…”

e você faz perguntas, e repete partes da história, é uma graça. até que essa semana você pediu “mamãe, conta a história do papai, da mamãe e do otto?” e seu pai (e eu também, ok) ficou todo emocionado.

agora a mamãe conta a nossa história toda noite no escuro antes de dormir, pra que um dia você se pergunte de onde vêm essas lembranças de antes de nascer, e de tão pequeno… e vou te contar, já bem maior, que grande parte das nossas lembranças de infância são memórias re-construídas, por mamães tagarelas e inventivas como eu.

nossos dias têm sido deliciosos, cheios de conversas e surpresas, pequenas coisas boas acontecendo todos os dias. e muito cansativos também, não vou mentir. trabalhar o dia todo + educar e brincar com você é bastante coisa pra uma mamãe quarentona só.

aqui estão as muitas fotos que tenho de você com 2 anos e 3 meses. cada dia mais lindo, e ainda loirão! achamos que você vai ter o cabelo do seu tio kito, que é castanho claro e fica loiro quando cresce.

um beijo cheio de amor da sua “mamãe zel” (e do “papai fer” também :)).

sujeito-verbo-predicado

o otto vem arriscando frases aos poucos, do jeito perfeccionista dele, mas normalmente ele fala de si mesmo na terceira pessoa (o otto quer, o otto pegou), e chama cada um pelo seu próprio “título”: a tia paula, a mamãe, o papai, etc.

o jeitinho dele montar as frases é um caso à parte: sempre muito lentamente, saboreando cada palavra e quase podemos ver os neuroniozinhos trabalhando pra articular as coisas “direito”. isso porque não ficamos corrigindo o menino, a gente no máximo repete o que ele fala do jeito certo, sutilmente, por exemplo: ele diz “venhanta, mamãe!” e eu repito “ah, é pra mamãe LEVANTAR?” e assim vai. eu em especial tenho uma preocupação em deixá-lo se arriscar, tentar mais, já que ele é tão contido.

e essa semana ele me pegou de surpresa, com uma frase tão completa, corretinha e cheia de significado. todo dia tomamoa banho juntos na banheira, eu e ele, antes de dormir. nesta hora, entre 18:30 e 19:00 começa o ritual de preparação da hora de dormir. ele adora a hora da banheira — corre pra ver a banheira enchendo de água, joga os brinquedos dentro, “ajuda” (aham) a pegar pijama, fralda, escova de dentes, água, etc.

pois entramos no banho os 2, ele sempre comenta que a água “tá quente”, e começamos a brincar. nesse dia ele sentou e olhou bem fixo pra mim (eu já pude “ver” a cabecinha dele funcionando, antes dele começar a falar, pela carinha) e disse, bem pausadamente:

“eu gosto de tomar banho com você!”

eu sorri, abracei ele e disse que gostava muito de tomar banho com ele também. e comecei a rir muito, porque a carinha dele foi tão engraçada, e a frase tão certinha! e comecei ao mesmo tempo a chorar, emocionada, porque me dei conta que ele tinha dito EU e não “o otto” e VOCÊ e não “a mamãe”. e, é claro, porque pela primeiríssima vez ele estava expressando verbalmente seu apreço por mim, pela minha companhia.

quão incrível é poder presenciar tantas primeiras vezes na vida de alguém?

a emoção de ver um ser humano distinguir a si mesmo do outro, e expressar seus sentimentos em palavras escolhidas por ele mesmo, é imensa. é claro que ele expressa seu amor de muitas outras formas, como só as crianças conseguem. me sinto muito amada por ele, várias vezes por dia. mas essa expressão de gostar da minha companhia foi emocionante demais pra mim. mais emocionante que o nascimento dele, andar ou mesmo falar a primeira palavra.

há coisa mais incrível e humana que se comunicar?

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e pouco tempo depois dessa experiência intensa, leio esse lindo artigo (em inglês) sobre “as últimas vezes” dos nossos filhos. e chorei, chorei, porque é tão verdadeiro e a gente simplesmente não se dá conta.

ele fala sobre o quanto valorizamos as primeiras vezes (como essa minha história) e esquecemos das últimas vezes. por exemplo — quando será a última vez que o otto vai pedir para dormir na cama junto conosco? quando será a última vez que vai pedir “denguinho” (abraço apertado, no colo) pra mamãe e pro papai?

as crianças crescem, as fases mudam, e todos os dias deve haver uma “última vez” sem que a gente perceba. na ânsia da próxima novidade, do próximo “marco de desenvolvimento”, deixamos de viver este momento incrível e, aliás, único de fato existente, que é o presente.

o passado não existe, é só lembrança; o futuro é um sonho. mais, muito mais, vale a vivência de agora. seja num abraço, numa frase incompleta, no riso e no choro, no cansaço. o sono deste imediato instante é mais valioso que as tardes preguiçosas de anos atrás e que as férias no fim do ano.

e é verdade: para cada fase e momento que eu desejei ardentemente que acabasse há alguma coisa que eu sinto falta.

altos e baixos

o otto está muito, muito engraçado testando várias coisas no vocabulário recém-adquirido, entre elas o diminutivo. não sei se é porque usamos muito, involuntariamente, mas ele está com mania de tudo INHO. ottinho, soninho, denguinho, saladinha, JOTINHA (até as letras ele diminui)…

especialmente quando ele quer nos sensibilizar ou fazer gracinha, é tudo “inho”, mas ontem chegou no limite da cara de pau (e da graça) — ele fez alguma malcriação, acho que jogou a garrafa de água no chão e se recusou a pegar. fui lá e fiz ele pegar, ele esperneou, chorou, fez o maior drama e aí pediu o IPAD. aproveitei a deixa, avisei que não senhor, não ia ter ipad porque tinha sido mal educado, que na próxima vez não jogasse a garrafa e pegasse quando depois.

aí começou o berreiro, lágrimas e lágrimas, e depois de vários nãos ele tentou: IPADINHOOOOOO. não dei, mas tive que me esconder pra não morrer de rir 😀

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e tem o inverso — ele alterna entre INHOS e GANDÃO. ele adora quando a gente fala que alguma coisa é maior, grande, e repete com um tom bem dramático — GANDÃOOOOO (normalmente fazendo gesto de grandão com as mãos também).

essa semana, nos devaneios antes de dormir, já deitado e no escuro, ele começa: caminhão… gandãaaaaaooooo… enóooooooime!… trator!

e a gente vai resistindo à tentação de morder e apertar, de tanta fofura <3

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ele também tem explorado bastante o quente/frio, quente/gelado (ou GELADINHO), mas vive confundindo. o que ele nunca confunde é em cima e embaixo, que fala direitinho. ele já entendeu o que é pesado, ainda não vi falando que nada é “leve”, no entanto.

dentro e fora me parece que ainda confunde um pouco quando se trata de recipiente, mas dentro e fora de casa ele sabe muito bem o que é 🙂

diário do otto: 1 ano e 11 meses

otto,

nosso pirilampo, tatuzinho, gordinho-gostoso, belzebuzinho, lourinho, peste, spríto (de porco), meninão da mami. você está tão crescido, tão bonito, tão divertido que fica até difícil sair de manhã pra trabalhar!

você acorda todo dia (na minha cama. seu pai te resgata cedinho e leva pra cama, pra gente poder dormir mais um pouquinho), abre um sorrisão enorme pra mim e quer o “aipéd”. aí, sentadinho na cama, fica vendo vídeos e dançando quando escuta as musiquinhas, enquanto eu tento dormir mais um pouquinho… por mais que eu queira dormir, é uma delícia você puxando meus braços com suas mãozinhas gordas pra eu te abraçar enquanto você ouve música e vê os vídeos.

às 7:30h chega a maria, e você quer mamar e ver “o têm” (aquele desenho medonho do thomas e seus amigos). tomo banho enquanto você faz bagunça na cozinha com a “maía” e a “patícia”, e tomamos café da manhã juntos. enquanto a mamãe toma café com leite, pão com manteiga e 1/2 mamão você se acaba de comer “quejinho” (cottage, às colheradas), “ofinho” (ovos cozidos, você adora e pede sempre), pão, biscoito e às vezes uma fruta.

suas frases estão mais longas e mais engraçadas, e as palavras que antes até saíam direitinho agora saem uma maluquice, porque você bagunça tudo de propósito, só pra ver a gente rir. “pamápo!” você diz; “e o que é pamápo, otto?!” seu pai pergunta, e você gargalha, correndo pela casa e repetindo “pamápo! pamápo!”. ainda não descobrimos o que é.

seus verbos estão incrivelmente bons, apesar de muitas frases ainda serem ao estilo do mestre yoda — “quêjo, pedaço, otto, dá”. o que mais nos impressiona são os gerúndios, porque você usa muito certinho (“andá, sozinho”. colocamos você no chão, e você sai andando dizendo “andando!”).

uma mudança significativa que senti no decorrer do mês é que você me parece mais sensível às broncas, tem ficado muito mais chateado por ser contrariado e aparenta estar realmente sentido com coisas que parecem muito simples pra nós. por exemplo: um simples não para alguma coisa que você não pode pegar (um copo de vidro, sei lá) é um drama, e você chora, chora. as horas de trocar fralda (especialmente com a babá) têm sido um DRAMA, você não quer tirar a fralda de jeito nenhum. e o cachorro-que-ri, que foi um sucesso no seu aniversário e te fez gargalhar agora é motivo de choro desconsolado. o cachorro ri e se debate e você chora, chora, chora. (mas sabe lá porque você quer ver DE NOVO. e chorar DE NOVO).

fora esses momentos muito sentimentais (que têm acontecido às vezes no meio da noite pro desgosto do seu pai), você não tem demonstrado medo de nada diferente. nem de escuro (“ecurinho”, quando apagamos a luz pra dormir), bichos, nada. o barulho ainda incomoda você (rojão, bomba, bexiga estourando, carros/motos acelerando alto, etc.) mas neste caso até EU tenho vontade de chorar, me solidarizo.

sua alimentação continua uma maravilha, você come muito bem e de tudo, e mesmo quando recusa alguma coisa come o restante. quando pergunto o que você comer, num restaurante, você diz “shalada” (ou “fauófa” ou “batata fita”) e é fã número 1 de cebola crua em rodelas. precisamos servir em TODAS as refeições. seu bafo anda um horror 😀

as noites de sono têm variado. às vezes dorme muito bem, às vezes muito mal. vamos vivendo um dia de cada vez, sempre torcendo pro dia da “noite tranquila” chegar. há quem diga que tal coisa não existe, mas não custa sonhar!

nós achamos que você nunca se interessaria por bichinhos pra dormir, mas eis que você adotou o hugo, um monstrinho preto e lindo que trouxe pra você de uma viagem. além de ser muito fofo você abraçando ele, você pede pra gente buscar e pede pra gente abraçar ele… <3 “hugo. abacinho!”

meu amor, meu meninão grande, os dias têm sido mais divertidos, bonitos e interessantes do que jamais imaginei. ver você crescer, aprender e se tornar uma criaturinha grande está sendo uma enorme aventura e um prazer.

amo você, monstrinho. beijo da mami.

(suas fotos com 23 meses)

opostos e frases

como é típico da idade, o otto já aprendeu alguns opostos (sem que a gente percebesse): quente/gelado (apesar de confundir os 2); pesado/leve; dentro/fora; em cima/embaixo.

e está arriscando cada vez mais frases, como “num tem mais nada!”, “qué shalada”, “põe cóqui” (crocs <3), “andá iquéta, papai” (a bicicleta, que ele ama), “pa casinha” (quando está cansado). um pouquinho por dia ele vai colocando mais palavras no vocabulário, e arriscando mais e mais.

ele também aprendeu a falar “ai, mãe!” com um tom meio bufante, de adolescente, que é hilário. ele não sabe porque achamos tanta graça, e espero que demore a entender o significado da expressão 🙂

a lembrança dos nomes das pessoas, e amigos, é frequente, como uma repetição de ensaio. todo dia ele lembra: “amigo… ” e começa a lista de pessoas e bichos que ele gosta e lembra. uma fofura ele falando “manuela, gigio…”, os cachorros que ele vê todo dia a caminho do parquinho.

comprei pra ele um tapete de EVA com letras (não achei um de números), e achar as letras, tirar e encaixar é a nova diversão. ele pede: “o jota! o tê”. e brinca de “ler”, qualquer texto que vê. ele olha textos, coloca o dedinho como quem lê e fala “a-e-i-o-u” ou repete o nome do livro de histórias que lemos toda noite… uma fofura!

as primeiras frases, e a cabecinha com ideias

o otto entendeu o que é “amigo” (ou seja — alguém que ele gosta muito, ou coisa parecida), e agora repete os nomes dos amigos com frequência, como para relembrar. vira e mexe ele fala dos “amigos”: prego (pégo, o jardineiro), cáudia (a letti), maína (a marina da letti), obéito (roberto, marido da letti). é, ele ama a família toda 🙂

mas uma noite dessas ele estava deitado comigo, já no escuro, hora de dormir, depois de um dia intenso de brincadeira na casa de um amigo que tem 3 filhos: andré (8), julia (6) e helena (3). e começou o seguinte diálogo:

o: “amigo! andé… juila… quem maish?”

(eu em silêncio, não respondi. sou partidária de não dialogar depois de dar boa noite)

o: quase senta na cama, coloca o dedinho na têmpora e fala pra mim “pensha!!!”

derreti, claro, e apertei muito o menino 🙂

**

essa semana ele disse a primeira frase completa, olhando um desenho de barquinho de papel (que minha sogra faz pra ele sempre que encontra): “vovó malu… fez… po Otto!”

<3

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e agora está se soltando mais com frases curtas, como “ábi pa mim” (a porta), “tomá banho” e a mais nova, no meio da noite ele acorda, chama o pai e fala “fálda. vazô.” (e quer que troque).

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ninguém pode mais ficar sentado, agora, que ele pega pela mão e chama: “venhanta!” 🙂

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como se a fofura geral da idade não fosse suficiente, ele agora só chama a tia paula de “paulinha”. assim, direitinho, o dia todo. “fêm, paulinha!”.

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as coisas mais fofas que ele fala nessa idade acontecem na hora de dormir. temos uma rotina muito bem definida há muitos meses, que começa com o banho (que pulamos às vezes nos dias muito frios), pijama, escovar os dentes, beber água, ler o livro e deitar.

o pai inventou uma brincadeira com os livros disponíveis (são 2), ele chama as opções de cardápio, e agora ele se refere à hora da leitura como “ápio”. o pai lê o nome do livro e o nome dos 4 autores (franceses), e ele acha o máximo! repete do jeito que consegue, e morremos de rir com a pronúncia (muito boa, aliás) dos nomes franceses.

f: — otto, quantos autores tem esse livro?

o: — qáto!

f: “valeRRí vidô…”

o: vidô!

f: “… cateRRíne tessandiê…”

o: sandiê!

f: “láuRRe baliancuR…”

o: cuRrrrr!

f: e “guiléRme tRanói”

o: tanói!

e aí é o festival de folhear o livro procurando os bichos que ele prefere, e nomear e contar cada um. contar as histórias que é bom, já desisti. agora só invento alguma coisa em cima do desenho do livro, pelo tempo que ele permite que paremos em cada página.

porque, afinal, pra quê regras? saltitamos pelos bichos, rimos juntos dos nomes, brincadeiras e pronúncias até a hora de deitar e finalmente dormir.

é a hora mais deliciosa do meu dia, sem sombra de dúvida.