mãe chata

No drama da lição de hoje, tivemos chiliques de ambos os lados por motivo de criança que se recusa a seguir instruções e quer fazer tudo do seu jeito.

 

Até que eu desisti e falei FODACE (ou em versão traduzida pra criança — não faz então, e sofra as consequências); e ele fez a porra da lição lá do jeito dele.

 

Nem jantar servi. Deixei ele se virar com a comida que deixei na mesa (normalmente eu sirvo, arrumo tudo, mãe de comercial de margarina).

 

— “também não vou guardar nada!”

 

(FODACE. Silêncio.)

 

— “… tá bom, tá bom, eu guardo.”

 

Guardou. Mas enquanto guardava…

 

O: “sabe, mamãe, você não tá sendo legal.”

 

Eu: (YOU HAVE NO IDEA, KIDDO) “nem você.”

 

O: “mas eu só não tou lendo legal AGORA. Nas outras horas eu sou.”

 

Eu: hm. “É verdade. E eu, sou chata sempre ou só agora?”

 

Quem mandou perguntar?

 

O: “sempre. Você não me deixa fazer só o que eu quero.”

 

Eu: “é, não mesmo.”

 

E hoje ainda é segunda.

 

Agora entendi porque meus pais enchiam a cara.

lição de casa

Momento lição do Otto. O texto é sobre diversidade cultural e respeito pelas diferenças.

 

O: “na minha escola não tem respeito NENHUM!”

 

Eu: “afe, por quê? O que acontece?”

 

O: “ninguém deixa a professora falar! Nem consigo fazer combinados, ninguém para de falar!”

 

Eu: (hahahhahaha) “entendi. Isso acontece porque as crianças ainda não aprenderam isso, Otto. Logo elas aprendem.”

 

O: (enfaticamente com as mãos) “mas eu sei isso faz MUITO tempo!”

 

😂😂😂

 

E aí teve essa pergunta aí sobre diferenças culturais. Ninguém pode dizer que ele não é assertivo, né?

respira!

Gente, que dó. É o Otto *todo santo dia*.

 

Ontem peguei ele na escola 10min mais cedo (eles têm o final do período pra brincar no pátio):

 

O: “ahhh mamãe, eu queria brincar mais um pouco!”

 

Eu: “não tem problema! Se quiser ficar mais a mamãe espera você, pode brincar e depois vamos.”

 

O: “mas eu não quero chegar em casa depois que o sol sumiu…”

 

Eu: “hmmm. Entendi. Mas aí tem que escolher né? Ou brinca mais aqui ou aproveita o sol lá em casa. As duas coisas não dá.”

 

Não pode brincar pra sempre? 💔

dirty job

Toda uma DR sobre hora de assistir desenho, comportamentos mais ou menos adequados e a importância da tarefa para a boa manutenção do relacionamento filho <> pais. Tudo aparentemente OK.

 

Eu: “ótimo, Otto! Então vá lá fazer sua tarefa e depois jantar.”

 

O: (bufando) “ain. O trabalho sujo sempre sobra pra mim!”

 

🙄😂

Ensino Fundamental: dia 1

[fev-2017]

Começou o ensino fundamental e todos sofrem aqui em casa. Fomos orientados a definir regras claras pro Otto pra ajudar a equalizar um pouco o ambiente da escola com o de casa (ou seja — a escola começa a ter regras mais rígidas, e se aqui “pode tudo” fica difícil convencê-lo de que a escola pode ser legal).

 

O que entendemos é que mais importante que ser rígido / inflexível é que ele entenda que disciplina é parte da vida, seja onde ele estiver. A escola pega leve no 1o ano, mas tem “matérias” e tem tarefas.

 

Ele tá odiando, claro. E #todassofre.

 

Ele reclama que as tarefas são muito fáceis, que ele já sabe fazer tudo. E que “ele não é obrigado” (dê autonomia para um cerumaninho e ele agarra com unhas e dentes).

 

Expliquei que não é questão de “ser obrigado”, mas de estar lá exatamente pra isso: realizar as tarefas com os colegas e com as professoras. A experiência em si, não só o conteúdo. E se manifestar, falar com as professoras e os colegas. Que ele pode questionar e perguntar mas TEM QUE participar.

 

Chegando em casa, mostrei a grade de atividades da semana. Avisei que tem o intervalo pra brincar, mas que tem também agora outras coisas pra fazer.

 

Ele me olha bem sério e diz “mas mamãe — toda criança tem o direito de brincar!”

 

E começa a chorar, abraçado comigo.

 

**

 

Alguém faz uma intervenção, por favor, que estamos a um cabelo de pegar o menino e ir morar no mato feito curumim.

 

💔

 

**

 

Update: E não é que a escola é super rígida não, tá? Ele não quer ser dirigido, seguir instruções. Ele questiona TUDO, até porque tem que colocar o nome na folha!!!! 😱

diário do otto: 7 anos e 5 meses

otto,

você já aprendeu que sua mãe é cabeça de vento, e lembra disso quando me distraio. sua mãe se dispersa, e começa coisas e não termina… e está tudo bem. as pessoas são diferentes, e você também vai aprender que alguns defeitos são também qualidades (é por ser cabeça de vento que consigo me desapegar de problemas, e seguir, ser feliz hoje, sem me preocupar tanto com o futuro ou remoer o passado).

mas já me distraí — seu último diário foi escrito com 4 anos e meio, mais ou menos, e nem consigo começar a dizer o quanto tudo mudou desde então.

naquela ocasião você tinha mudado de escola, e nós tínhamos mudado de casa. a casa que construímos juntos, a casa azul.

foram 2 anos naquela casa, 2 anos em que percebemos que tanto a casa nova quanto a escola nova não estavam funcionando como queríamos. você continuava tão curioso e inteligente como sempre, mas ainda muito resistente com a escola. socializando um pouco melhor, mas longe do ideal. nossa casa era linda, mas enorme, e muito mais custosa do que nós queríamos.

você aprendeu inglês, fez aulas de música com o Elias — criamos juntos partituras malucas, tocadas a 8 mãos (e pés, e corpos :)). amávamos aqueles sábados de manhã, tocando e cantando, mesmo sendo tão difícil pra você ser membro da orquestra, e não o maestro. você amava desenhar nas portas enormes de vidro da sala, histórias incríveis de naves espaciais e planetas. você fez seu primeiro amigo de verdade, o pedrinho, com quem você ainda brinca e de quem gosta muito. e nós amamos os pais dele, o que nos ajudou a aproximar vocês. conhecemos também a vitória, com quem você gostava muito de brincar, uma menina divertida e amorosa.

foram dias cheios de sol e tentativas frustradas, mas teve muita beleza e alegria também. e se tem alguma coisa que eu quero te contar desse período todo, meu querido, é que não se pode desistir. dificuldades fazem parte de estar vivo, pensar e sentir. dificuldades nos obrigam a rever onde estamos, pra onde vamos, pra onde queremos ir, e mudar. eu sei que mudar e sair da rotina é difícil pra você, mas acredite em mim: é bom. avaliar as coisas e perceber que algo não vai bem é fundamental para crescer e ser feliz.

às vezes acho que minha maior missão como sua mãe é ensiná-lo a se adaptar. a perceber o entorno, aprender, e mudar. sua mãe é muito boa nisso, meu amor, e farei meu melhor para ensiná-lo sobre como se adaptar.

mas foram dias difíceis; você sempre odiou acordar cedo pra ir pra escola, e cada dia era uma batalha. decidimos então mudar, de novo, e encontramos outra turma (ainda na mesma escola) à tarde, pra reduzir seu tempo na escola e evitar o stress da manhã. iniciamos seu tratamento de terapia ocupacional física com a Giovana, já que sua coordenação grossa não era nada boa (a fina sempre foi muito boa). as coisas melhoraram sim, mas muito lentamente e menos do que queríamos. nesta turma não encontramos nenhum amigo pra você e nem pra nós. descobrimos que essa turma era muito fechada e não nos aceitou (nem a você nem a nós).

neste meio tempo vendemos nossa casa azul e encontramos uma nova casa, menor, porém com quintal muito maior e muito verde, exatamente como queríamos. nos mudamos para o meio das colinas, na casa em que estamos hoje. nossa vida é mais tranquila, e depois de 1 ano aqui, construímos nossa pequena piscina. foi aqui que você começou a aprender a nadar, ensinado pelo seu pai <3

ao mudarmos, decidimos começar uma terapia de família, para aprender como ajudá-lo a se aproximar de outras crianças, que é ainda uma questão pra você. foi quando encontramos a Mariana, que vem nos ajudando a ajudar você (lembre que seus pais não tinham amigos com crianças, nem primos, nem vizinhos com crianças… nós isolamos você num mundo de adultos!). fomos aos poucos aprendendo o que você precisa para se relacionar melhor, o que nos levou a mais uma mudança… sua escola não estava ajudando em nada nos pontos em que você precisava. apesar de legais, suas professoras não tinham condições de ajudar você por falta de apoio da escola.

você, meu querido, aqui nesta fotografia dos seus 7 anos, tem dificuldade de se relacionar com crianças da sua idade. negociar seu espaço, e seus desejos, e ser flexível para os desejos dos outros é difícil pra você. e por isso é tão importante neste momento da sua vida ter apoio não só nosso, como seus pais, mas da terapia e especialmente da escola, onde as suas relações sociais acontecem. sua escola precisa ajudar você, e a nós também como pais, a integrá-lo com as crianças.

estamos neste momento procurando uma nova escola pra você, que possa nos apoiar a iniciar essa nova fase da sua vida. você nunca teve dificuldade na parte cognitiva, muito pelo contrário, sempre foi um menino muito inteligente, curioso, aprende rápido e muitas vezes sozinho. mas a socialização é também parte do aprendizado dessa fase, e estamos buscando essa ajuda numa nova escola.

seu relacionamento com as pessoas melhorou conforme você cresceu, e tenho certeza que vai melhorar mais e mais. você é um menino inteligente, carinhoso, divertido. escreve histórias, faz desenhos muito legais e cheios de movimentos e ação. você ama lego, e jogos de resolver problemas. adora filmes (voltou a amar o wall-e, mas nos últimos 2 anos sua paixão eram os filmes de lego — batman, ninjago, e todos os heróis dessas franquias), adora música, e continua comendo bem, embora agora cheio de vontades (“eu não gosto mais de beterraba”; “agora eu gosto de pepino de novo”). nunca sei como vai estar seu gosto naquela refeição, mas uma coisa não mudou: o amor pelo macarrão e pela comida japonesa 🙂

você tem dormido melhor, mas ainda nos chama às vezes à noite. e quer companhia na hora de dormir. por enquanto, continuamos dando o que você pede. não é fácil, mas pra nós é também gostoso estar pertinho de você nessa hora tão divertida, no final do dia, quando você faz as perguntas mais malucas. e parece entrar num estado de devaneio filosófico, fazendo perguntas sobre o sentido da vida.

inclusive aproveito e te conto que acho que a vida não tem sentido, viu, otto? não é hora de dizer isso pra você assim, na lata, mas de forma indireta tentamos mostrar exatamente isso pra você: o que existe é o agora, este instante. e por mais que nos preocupemos, como quaisquer pais, e façamos vários esforços no sentido de prepará-lo para a vida da melhor forma, estamos aqui e agora amando os momentos que temos. estamos oferecendo o que podemos neste instante, e torcendo muito pra que tudo que podemos oferecer seja suficiente para que você seja independente e, eventualmente, feliz.

amamos você mais que tudo, meu querido. a vida é boa, e você também.

um beijo da mamãe.

o machismo na escola

Falemos sobre o machismo atrapalhando nossa vida e nos irritando, versão “todos perdem”.

 

Aqui em casa o Fernando é que faz a função “horário comercial” da casa, já que eu estou mergulhada até o topo da cabeça em trabalho das 8 às 18h. Eu busco o Otto na escola quase todo dia, mas o restante das atividades do Otto (levar pra escola, médico, dentista e outras atividades extras) e de funcionamento da casa (supermercado, manutenção) são dele, que tem flexibilidade.

 

A luta começa na direção da escola, que insiste em ligar pro meu celular quando há alguma emergência ou necessidade de contato — já aconteceu de eu sair correndo de reunião importante porque me ligaram da enfermaria (pequenos acidentes); tive que ligar pro Fer pra ele ir buscar, e aí fico arrancando os cabelos no trabalho preocupada, sem poder fazer muita coisa. Demorou meses pra ligarem pra ele e não pra mim.

 

Os recados “práticos” são todos direcionados à mãe. Mandar toalha, mandar garrafa, pensem aí em coisas pra fazer. Tudo a mãe. Nem o pai pedindo mandam pra ele.

 

Mas tem mais. O Fer quer (mentira; precisa) participar do grupo de WhatsApp DAS MÃES. Porque não existe grupo de “pais”, “cuidadores”, “responsáveis”, “GENITORES”. Não, são mães.

 

E as mães ficam mega resistentes em receber homens no grupo.

 

(Pausa para entender mulheres serem resistentes à presença de homens em qualquer lugar, dados os FATOS HORRÍVEIS que acontecem conosco todo dia, né)

 

Bem, mas aí o Fer procura essas mães e explica que ele é que cuida das coisas do dia a dia do Otto e que gostaria de participar. Depois de alguma resistência, aceitam.

 

MAS (é aqui que a coisa fica triste) elas interpretam que o Fer cuida do Otto **sozinho**. Que eu, a mãe, não existo, não ligo, não participo, sei lá, fugi com o circo.

 

Porque a única coisa que faz sentido numa história na qual o pai é protagonista na criação e cuidado do seu filho é aquela em que a mãe não existe, ou é uma porralouca, e o pai — ó, tenhamos compaixão dele e vamos “aceitá-lo” — é um herói solitário.

 

A ideia da existência de um arranjo tão simples quanto este que Fer e eu temos é muito menos provável pras pessoas do que a ideia de uma mãe que não existe na vida do filho.

 

Eu acordo com meu filho, resolvo várias coisas em conjunto com o pai sobre ele, vou às visitas do médico sempre que posso, pego ele quase todo dia na escola, levo ele na escola quando o pai não pode, ajudo na lição, dou jantar, dou banho, visto, leio histórias, durmo com ele, escovo os dentes, compro roupas e sapatos, separo roupas pequenas e velhas, organizo brinquedos, compro livros, falo com a terapeuta no WhatsApp, entro em contato com as mães dos amigos que são minhas amigas pra combinar programas, penso em programas de fim de semana, desenho, faço escultura, organizo festa, cozinho tudo que é coisa que ele gosta (de fim de semana e dia de semana), sento pra brincar com ele, mas…

 

… eu não tou livre todo dia pra dirigir e levá-lo pra escola na hora do almoço, e nem pra levar pra festinha no meio do dia. A ausente.

 

(Mais uma pausa aqui pra considerarmos o quanto a flexibilidade de horário faria bem à igualdade de gêneros, não é?)

 

Não culpo essas mulheres. Elas nem entendem o quanto a visão machista da função de criar um filho está cristalizada em suas mentes.

 

Culpo a sociedade, e faço minha parte pra mudá-la. Contarei essas histórias quantas vezes forem necessárias e pra quem quiser ouvir, porque os homens precisam ser mais presentes nas atividades domésticas e as mulheres precisam não só cobrar que eles sejam, mas valorizar isso. Nível “se você não limpa casa e não cuida de criança, não serve pra ser meu parceiro e pai dos meus filhos”.

 

O principal conselho que tenho para moças jovens é — escolham bem seus / suas parceiros/as.

o drama da escola

[1-set-2016]

Bom, houve a mudança de horário, de turma, depois de muito pensarmos e conversarmos com o Otto. Ele afirmou que queria “estudar à tarde e em português”.

 

A professora dele quase chorou, porque AMA o menino (“ele é incrível!”), e combinou de fazer um piquenique de despedida com a outra turma, que segundo ela estava inconformada com a saída dele. Uma amiguinha mandou uma mensagem pra ele via WhatsApp da mãe, dizendo que estava triste e adorava ele. Fofos, todos eles, ficamos comovidos.

 

As salas são próximas, e uma parte do horário coincide. Ao chegar ontem na escola pra deixar o Otto, Fernando ficou de olho enquanto ele entrava e viu a seguinte cena: ele, distraído, ao invés de ir pra sala nova, foi pra sala antiga. As crianças, quando viram ele chegando, correram loucamente na direção dele, felizes, “o Otto voltou, o Otto voltou!” e ele, quando se deu conta, saiu correndo de volta pra sala nova, **se esquivando das tentativas de abraço**.

 

Já administrada a situação, ele esclarece aos amigos da turma anterior, num clima de “circulando”:

 

“Eu agora TENHO OUTRA EQUIPE.”

 

Vocês não me perguntem qual é a mágica que essa criança faz pra ser tão amada por todo mundo na escola, mesmo sendo tão mala, porque só pode ser feitiçaria e não fui eu quem fez.

 

**

 

Enquanto o mundo tá essa loucura ali fora, aqui no meu microcosmos as coisas tão loucas também: decidimos mudar o Otto de turma na escola, depois de muito pensar (e consultá-lo).

 

Acordar não naturalmente, antes de 6:30h, é um problema desde que começou na escola. Ele sempre acorda cedo (nunca depois de 8:30, mas quase nunca antes de 6:30), mas levantar e estar PRONTO demora muito mais que dá pra demorar pra sair pra escola. E assim, nossas manhãs são sempre um inferno. Sempre atrasados, sempre brigando, por 4 longos anos.

 

No último ano ele estava numa escola internacional, das 7:20 às 15h. Tudo em inglês. E chegava em casa esgotado (não física, mas mentalmente), apesar de não reclamar da escola. Logo após as últimas férias — suponho que mais maduro, crescendo — ele começou a pedir: posso sair mais cedo da escola? Eles podem falar português? “Eu queria entender tudo que é pra eu fazer.”

 

A percepção dele de que estava cansativo e que não estava entendendo como queria (apesar da professora JURAR que ele entende) foi a gota d’água, e resolvemos trocar de horário e de curso. Decidimos manter na mesma escola, pra não radicalizar demais, e observar.

 

Começamos essa semana. Por enquanto tudo bem, mas… já já conto como foi a transição 🙂 Só pérolas. <3

 

**

 

Mas tem mais. Acharam que seria fácil e tranquilo? Não, claro. Ele não quer sair de casa, essa é a grande questão. Então estando na escola ele diz que tá adorando, mas pra sair…

Hoje o Fernando penou pra convencer, mas conseguiu. No carro, já indo, depois de minutos de silêncio ele fala com voz seríssima:

“Você conseguiu me fazer gostar do horário novo da escola… … Parabéns.”

O_o

**

Conversando com a vó Maria Lucia e a tia Paula ele avisa em tom meio “desculpaí, pessoal” que “olha, eu adoro vocês. Mas eu gosto mais da minha mamãe…”

❤️💛💚💙💜

O drama da escola (que ainda não acabou em 2017…)

[16-ago-2015]

Prestes a completar 5 anos, o Otto finalmente começou a gostar da escola a ponto de ficar desapontado no sábado quando descobriu que não ia! <3

 

Ainda é uma criança introvertida e diferente das demais (e não tenho nada contra; espero poder ajudá-lo a saber que ser diferente não é errado), mas já se integrou com as crianças, está mais solto em geral, se importa menos com barulho e bagunça, sabe se colocar e impor no meio das demais crianças e está ficando uma praguinha! Parece até que já tem seu primeiro amigo escolhido por ele mesmo (ele tem vários amigos filhos de pessoas queridas, mas que ele acolheu através de nós e não exatamente escolheu).

 

Foram 3 anos difíceis pra nós, desde que ele começou a ir à escola. Talvez mais pra mim — sou extrovertida, era daquelas crianças arroz de festa, relacionamentos sociais pra mim são muito fáceis. Foi muito difícil observar meu filho sendo tão fechado, resistente ao contato social. Só consigo pensar “ele vai sofrer!”, e ninguém quer nem pensar em ver o filho sofrer.

 

Procuramos ajuda, mudamos algumas pequenas coisas e subitamente ele começou a mudar. O que me deixa mais pasma é que a mudança foi sutil mas essencial: começamos a mostrar pra ele (através de feedback constante) que somos pessoas como ele, que têm vontades, desejos, frustrações; convidamos o menino a olhar pro outro, através de nós, e perceber a ação / reação, causa e conseqüência.

 

Minha interpretação é que nossa forma de lidar com ele até então foi de respeito, mas no fundo com condescendência — ele é criança, deixa ele, quando crescer ele aprende – entende. Esperávamos dele uma postura de adulto e ao mesmo tempo tratando como “café com leite”. Ele se expressa como adulto, mas com maturidade emocional de bebê, já que a gente não dava o retorno real, amenizava as conseqüências das pequenas atitudes. As “grandes coisas” a gente ensinou com regras claras, mas todas as pequenas coisas, do dia a dia, ficaram pra lá.

 

Quando começamos a ficar atentos e mostrar, nas pequenas coisas, como nos sentíamos, ele aprendeu rapidinho. Começamos a mostrar que esperávamos dele um comportamento de empatia conosco, que não íamos mais aceitar menos só porque ele é criança. Obrigado, por favor, com licença, ajudar em pequenas tarefas, esperar para ser ouvido, lidar com a frustração, compartilhar coisas / momentos / tarefas, terminar o que começou. São coisas simples, mas que fundamentam as regras de convívio sutilmente e nos fazem perceber que O OUTRO existe, e é importante. Que não somos isolados, que dependemos dos outros. Que é uma troca.

 

Por excesso de respeito e amor, por esquecer que antes de ser criança ele é uma pessoa neste mundo, independente de nós, potencializamos a introversão do menino.

 

Mas ele mudou, e rápido. Humanos são adaptáveis, extraordinários, não é à toa que dominamos esse mundo.

 

Também mudei. Ele, sem querer, me ensinou a observar mais, respeitar a capacidade do outro, apreciar o fato de que posso aprender com qualquer um, em especial com ele.

 

**

 

Resolvi ser mãe pela experiência antropológica, lembram? Deseje, e receba 😀

YOU MANIACS!

19:52h, depois de 1h de reclamação pra fazer uma tarefa de CÓPIA:

 

“EU ODEIO SER CRIANÇA!!!!!”

 

Experimenta pagar boleto, Otto, e a gente conversa.

 

**

 

“EU NUNCA VOU FAZER A TAREFA!”

 

(Gritando)

 

Fernando: “já falamos pra não gritar. Amanhã você fica sem desenho.”

 

Otto:

 

**

 

O: (chorando) “se vocês me amam tanto assim, não deviam fazer isso comigo!”

 

(Gastando o zap na 1a rodada, moleque?)

 

Eu: (ajoelhada e olhando bem no olho) “é exatamente porque a gente te ama muito que estamos te ensinando que precisa cumprir os combinados.”

 

Me abraçou em silêncio, bem forte.

 

Favor tocar uma música, Maestro Zezinho.