Escolhendo sabiamente

Otto odeia escola, todo mundo já sabe e tal. Hoje é sexta, não vai ter aula, tem preparação pra uma gincana que vai ter à noite, e ele não quer ir pra gincana porque “é muito barulhento” (estamos de acordo).

Fernando vem me consultar — “já que ele não quer ir pra gincana mesmo, que tal se liberarmos ele da escola e ele vai comigo fazer as coisas que eu preciso fazer?”. Achei ok, um dia livre pro rapazinho.

Fer: “Otto, ao invés de ir pra escola e preparar pra gincana, que tal você ir comigo fazer as coisas que eu tenho que fazer?”

O: “hm, que coisas?”

Fer: “vou no contador, buscar umas coisas na loja que fomos no fim de semana…”

O: “prefiro ir pra escola.”

🤣🤣🤣🤣🤣

Pois é, meu filho, perceba que vida de criança não é tão ruim assim quando comparada às tarefas chatíssimas de adultos 😀

Almoço de domingo

Domingo, preguiça de fazer almoço, alternativas:

Eu: “Otto, o que você acha de pedir um yakisoba?”

O: “hm, 50% de mim gosta dessa ideia.”

Eu: (hahahhahaha) “sei, e os outros 50% querem o que?”

O: “um estrogonofe com arroz e batata palha”

Eu: “ahhh, isso a vó Vera faz amanhã pra você!”

Fernando: “e tem alguma coisa que os dois 50% concordam em comer?”

O: “tem: COXINHA.”

HAHHAHAHHAHAHAHHAAHHA

Fer tá lá se arrumando pra sair e comprar coxinha de almoço. Tem que aproveitar enquanto pode né? ❤️

High maintenance

Otto hoje recebeu duas visitas muitos queridas — um primo e um tio-avô. Ficaram aqui durante a tarde com ele pra matar a saudade.

Chego do trabalho, pergunto como foi o dia:

— “ufa, ser amigo dá bastante trabalho, né?”

Bem-vindos ao mundo dos introvertidos 🙄🤣

Ilusão de ótica

Ontem fomos no Museu da Ilusão, que está no shopping Dom Pedro (recomendo muito, é BEM legal. Vá em 3 pessoas ou mais, que é mais barato), e adoramos todos.

Hoje Otto acorda e a 1a pergunta é:

“Mamãe, o Cebolinha quando está de frente tem 5 fios de cabelo; quando está de perfil TAMBÉM tem 5 fios de cabelo… como isso é possível?!”

Te aguardo chegar pra responder, Fernando 🤣🤣🤣

Aranhas são ovíparas né

Quando a criança é a pessoa mais adulta da casa, assistindo desenho:

Vó Vera: “nossa, o homem aranha tem mãe?!”

Otto: “claro, como você acha que ele nasceu?!”

Vó: “de um ovo, quem sabe?”

Otto: 🙄

Do contra

Isso é o Otto contando pra avó Vera — MUITO empolgado e feliz — que vai se mudar pros Estados Unidos!

Foi mais ou menos assim:

Nós: “meu amor, a mamãe recebeu uma proposta de trabalho muito legal, e nós vamos nos mudar para os USA.”

O: “mas eu não quero me mudar…”

Nós: “a gente imagina, meu amor. Mas vai ter muita coisa legal!”

O: “tem mais legos do que aqui?”

Nós: “muito mais!!! Tem tudo!”

O: “OBA!!!! Mas eu vou querer levar meus brinquedos, meus livros favoritos, minhas coisas.”

Nós: “você pode levar tudo que quiser, meu amor.”

O: “o problema é que não vou entender nada que se pessoas falam, né?”

Nós: “por um tempo, vai ser difícil. Mas você vai aprender rápido, e a gente também. Você vai ter ajuda na escola, e nossa também.”

O: “como se fala – ‘eu sou do Brasil?’”

Nós: “I am from Brazil!”

(Ele repete, com pronúncia muito melhor que a nossa hahhahaha)

Fernando: “ah, e a gente pode trazer alguém aqui em casa pra conversar com você em inglês pra acostumar, o que acha?”

(Tentar não custa…)

O: “acho ótima ideia!”

Falamos sobre muitas coisas que ele ama, entre elas patinação no gelo (sempre quis aprender). Falamos das escolas, que adoramos porque têm laboratórios de ciências.

O: “até de química??? OBAAAAAAA!!!”

O: “puxa, pena que eu não nasci lá né?”

Saiu pulando, feliz da vida, pra contar pra avó que vai morar nos Estados Unidos.

**

Alguém chama o Padre Karras, porque a quiança tá possuída.

😱

<3

Quem não conhece direito o Otto, aproveitando o aniversário, esse episódio resume a quiança.

Fernando pergunta alguma coisa pra mim, querendo que eu ajudasse a decidir:

Eu: “ah, não sei não. escolhe com o seu coração :D”

Otto: “mas quem escolhe é o cérebro, o coração não escolhe nada.”

Fuén 😀

No religion

Entrei num post que pedia opinião sobre ensino de religião nas escolas, e opinei: sou contra ensino de religião nas escolas. Religião, pra mim, se ensina em casa, é questão privada e não pública.

(Inclusive acho que pais não deviam impor nenhuma religião aos filhos. Todos deviam ter direito de escolher ter religião ou não)

Aí fui ler comentários, e não eram ruins como eu esperava, mas basicamente todos com a mesma tônica: religião (mesmo quando contemplando a diversidade) associada ao ensino de valores. Compaixão, gentileza, bondade, empatia, altruísmo, pode colocar seu valor favorito na lista — todos usados como SINÔNIMO de religião.

A tentação é grande, mas esse não é um post pra criticar religiões, mas antes lembrar que a religião não é necessária (e no meu caso nem desejada) para ensinar valores. Todos os valores, sem exceção, podem ser ensinados sem nenhuma associação com religiões.

Inclusive penso que ensinar valores sem apelar para recompensas divinas é melhor, e mais honesto. Ser bom, empático e altruísta sem esperar nada em troca é um exercício importante.

Amar ao próximo, fazer o bem — gostaria que todos ensinassem isso aos nossos filhos sem precisar de instituição.

Marketing, coisa do demo

Propaganda é uma coisa do mal, gente.

Otto não assiste TV nem aberta nem fechada, só NetFlix. Só que minha mãe e eu amamos os Irmãos à Obra, e o Otto começou a assistir com a gente.

É MUITA propaganda, um inferno. A ponto de eu pegar ranço da Trivago, que é uma das mais repetitivas.

Agorinha, assistindo com minha mãe, escutamos ele dizer:

— “vovó, eu vou usar o Trivago! É muito legal!”

E a vó: “ah, é? E o que eles fazem?”

— “eles ajudam a gente a encontrar hotéis.”

Esse caso pode parecer inócuo, mas imagine as mensagens marteladas o tempo todo nos intervalos dos programas que a gente gosta falando COMPRE BATOM ou SEJA MAGRA ou SEJA JOVEM?

É foda.

**

Ainda sobre propaganda, Otto agorinha:

“Eu queria ter aquele negócio da televisão, que de dia não me dá sono e de noite me ajuda a dormir melhor”

Propaganda de remédio pra gripe, gente. Naldecon, acho.

🙄

Homo Sapiens

Trouxe de viagem pro Otto um livro lindo de ciências, porque ele tá obcecado com química. Na primeira noite ele já me disse “posso estudar o livro que você me deu antes de dormir?”. Como negar? ❤

Fomos direto pra parte de química, que começava com os átomos e a tabela periódica. O encantamento dele com a tabela, o número atômico e como se formam as moléculas foi muito lindo de ver. Fiquei emocionada de verdade — o humano foi feito pra aprender né? Cheio de curiosidade e desejo de desvendar mistérios, encontrar padrões, descobrir coisas.

Em que momento nos perdemos, e paramos de ser curiosos descobridores de coisas incríveis?

Eu quis ser mãe por motivos antropológicos, porque muito me interessava a experiência de criar outro humano (mesmo que não viesse do meu corpo). Mal sabia eu o quanto essa jornada de reconhecer os passos que trilhamos para nos tornarmos adultos seria apaixonante. Observando meu filho, lembro de mim mesma quando criança, do meu encantamento com o aprendizado, da magia das ciências todas, do amor pelo conhecimento.

Aprendo tudo de novo, só que melhor, com Google (meodeos que coisa incrível), com tempo, com paixão.

A parte ruim é que quanto mais aprendemos juntos, em casa, mais ele odeia a escola. Tenho fé que em algum momento ele perceba que pode “pedir” mais também da escola, como pede de nós.