da páscoa e outras tradições familiares

Antes de ser mãe eu não percebia tão bem as pequenas nuances da criação da memória, e das lembranças afetivas. Não me dava conta da maravilha do ritual da preparação das refeições em família — porque no dia a dia era mecânico, prático, mas nas festividades, estar junto fazendo algo em comum era a essência da comemoração. O resultado (a comida, comer) era só mais uma coisa. O sabor daquelas refeições era maravilhoso porque o processo todo de preparação alimentava o coração. O estômago e a boca só acompanham e reverberam o amor e a felicidade de estar junto, mãos com mãos, fazendo um pouco da nossa história conjunta.

Faço absoluta questão de construir para o Otto essas memórias conjuntas. O preparo de um peixe, a poda das plantas, a canção cantada em coro. Porque nada do que eu deixar pra ele vai ser mais importante ou duradouro que as memórias profundas, aquelas que assaltam a gente no domingo de manhã ao provar um pedaço de chocolate.

Te amo Mami VeraKellyKitoArina. Mandem um beijo pro meu Papi aí. Manhãs de Páscoa me lembram vocês.

happiness only real when shared.

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Esse ano, ao invés de patinhas, resolvi fazer charada  Como foi a 1a vez que o Otto teve contato, tivemos que dar dicas de como funciona. Quando ele entendeu, adorou, e correu pro castelo pra achar a cesta de ovos 

(E esse ano ele adorou a cenoura mas quis comer o chocolate! Hahahhahaha)

a festa de aniversário

terceiro ano de festa de aniversário pro menino, e as questões continuam as mesmas — quem convidar? o que preparar para crianças e adultos comerem?

talvez estas questões fossem menos relevantes se tivéssemos família pequena, ou recursos ilimitados. nossa família é grande, e não estou disposta a fazer comida para 80 pessoas. o que me leva à questão da comida: é importante pra mim que o que vamos comer seja preparado em casa. não gosto da ideia de fazer uma festa (seja pro otto ou pra qualquer de nós) comprando a comida.

este ano, fazendo a lista de convidados potenciais, me dei conta de que era gente demais. tem o impacto de volume de comida e gente na casa, claro, mas o mais importante é que quanto mais gente, menos interação. nunca consigo conversar com as pessoas nas festas, mesmo quando são pequenas, e gosto de receber gente em casa justamente pra interagir. então quanto menos melhor. e o otto não é (pelo menos ainda) o tipo de criança que gosta de multidão, barulho e bagunça. ele gosta de brincar com as pessoas um-a-um, detesta barulhos altos (ainda bem, eu também), é muito mais introvertido que extrovertido. então, ao contrário do que eu sempre faço, estou reduzindo cada vez mais os convidados das festas, e sempre pessoas muito próximas.

preparar a comida é um grande prazer pra mim. não é uma questão de orgulho de dona de casa perfeita, não, é muito mais o prazer que me dá conceber o que servir, preparar e ver as pessoas comendo. o processo de elaboração e preparo me faz feliz; alimentar pessoas me faz feliz. então aproveito as oportunidades como essas para ser feliz antes e durante (depois vem a louça e a bagunça, que não me deixam tão feliz) 😉

na lista de convidados estarão esse ano nossa família (pai, mãe, irmãos, tios, primos) e os amigos que convivem com o otto com frequência (afinal, a festa é pra ele!). não convidamos nenhum amiguinho da escola porque ele não gosta de nenhum em especial por enquanto, não tem “amigos”, são só as crianças que vão pra escola com ele.

no cardápio, sempre procuro colocar opções saudáveis, mas sem odarice, que acho um saco. do mesmo jeito que fico chocada com as festas de criança que só servem comida podre (quilos de açúcar, chocolate, refrigerante, fritura) também não gosto de imitação de comida de festa com tudo natureba. festa é festa, é exceção. é dia de assar o javali, de servir cerejas turcas, experimentar chocolate, de tirar o cristal do armário. sou adepta da comida honesta, mas sempre feita pra celebrar.

o otto não consumiu açúcar nenhum (e nem sal; e nem tempero) até depois de 1 ano de idade. na festa de aniversário dele teve brigadeiro e bolo, tudo com açúcar, normal. eu estava disposta a deixá-lo provar o que quisesse na sua própria festa, mesmo não oferecendo nada disso em casa, nunca. só pedi que as pessoas não insistissem pra que ele comesse, que deixassem que a escolha fosse dele. todos respeitaram (avós inclusos), e ele não comeu NADA de açúcar, porque não quis, não se interessou. comeu pão, se não me engano, carne desfiada, enfim.

na festa de 2 anos fiz da mesma forma — bolo, brigadeiro, etc. ele comeu pipoca loucamente, pão, experimentou o bolo (1 garfada, e largou), cuspiu o brigadeiro e pronto.

nas festas de outras crianças ele tem pedido pra experimentar o bolo e doces, mas sempre larga depois da 1a mordida. definitivamente não é uma criança de doces (chocolate ele tem comido com mais gosto, mas sempre os pedaços mais “puros”, sem muitas melecas). os salgados ele come o que tiver, mas também não é grande fã, ele gosta mesmo é de pão/torrada e comida.

este ano decidi fazer 1 bolinho pequeno de maçã pra cantar parabéns e cortar (é o preferido dele), e alguns cupcakes de fubá (que ele adora) e outros de chocolate, além do brigadeiro (de colher, que ele adora, e de enrolar que eu adoro). farei também pão recheado de linguiça, torta de cogumelos, pão de queijo e pipoca. farei também pão e legumes crus (cenoura, salsão, pepino, brócoli) pra comer com molhinhos (queijo, alho e curry), e frutas que possam ser comidas com as mãos (cereja, uva, morango). suco natural, refri pra quem tomar, cerveja, sitara que sempre fazemos, e é isso.

comida honesta, feita em casa por mim e pela família (todos me ajudam! adoro), mas sem ser a-chata-da-comida-saudável. até porque a hora de ser saudável não é na festa, né, é no dia a dia. e isso temos feito muito bem 🙂

família e princípios — essas coisas de antigamente

hoje no facebook me deparei com 2 artigos que motivaram textos distintos, mas que resolvi juntar por aqui, porque os assuntos são afins: de um lado, mais um programa de TV promovendo o consumismo infantil, para além de quaisquer limites do aceitável; de outro lado um artigo asqueroso de um jornal paranaense afirmando que crianças adotadas por homossexuais não fazem parte de uma família. família = mulher, homem, crianças.

(o título do artigo: a PERVERSÃO da adoção)

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sempre achei criança e o universo infantil um tanto enfadonho, enquanto adulta-e-sem-filhos. via crianças mal educadas e sem noção, e torcia o nariz pra elas. “criança no geral é chato, né?”. depois de ter meu filho e começar a conviver com crianças mais intensamente (a minha e as dos outros) percebi que meu incômodo fora mal direcionado a vida toda. crianças são incríveis (porém MUITO cansativas, isso é real), o problema são SEMPRE os adultos que as cercam, em especial os pais. os adultos ao redor transformam promessas de seres humanos normais em criaturas sem-noção-e-sem-discernimento.

vejam o exemplo do programa de TV: qual adulto empenhado em educar seu filho e transformá-lo num cidadão do mundo atual (redução de consumo, respeito pela diversidade, etc.) entraria nessa onda de “festas milionárias”? aliás, pra quê festas de criança tão consumistas e fora da realidade de 99% do mundo? o que as crianças aprendem, em eventos como esses? e eu sei, esse é o exagero do exagero, mas pensem nas festas “comuns” em buffets, totalmente pasteurizadas, deixando presente no baú da porta. as crianças nem recebem mais os presentes (e os abraços) dos convidados. o afeto deixou de ser foco FAZ TEMPO, virou coleta de presentes, comilança de frituras e uma zona de crianças sem limite, cuidadas por monitores que são pagos pra não estrangular nossos filhos sem noção.

e mesmo com tantos exemplos de “famílias” fazendo besteira atrás de besteira na educação dos seus filhos, procriando feito coelhos e colocando milhares de pessoas no mundo sem a menor preocupação de torná-las serem humanos decentes, o asno do artigo sobre adoção ainda defende a estrutura “familiar tradicional”. sem nenhum medo de errar afirmo que pais adotivos homossexuais e as tais comunidades hippies (ahn?!) serão melhores pais para os seus filhos que estes imbecis das festas milionárias, ou os tantos imbecis que simplesmente colocam crianças no mundo sem nenhum empenho em educá-las.

para se constituir família não é preciso ter filhos, pra começar, meu senhor. há famílias SEM filhos também. não é preciso 1 homem + 1 mulher + crianças. este senhor vive na idade das trevas, assim como seu coração seco e duro, apoiado pelo seu pobre cérebro limitado.

precisamos dar às crianças afeto, tempo, dedicação. dinheiros, coisas, e “famílias margarina” são dispensáveis, secundários e, no limite, irrelevantes.

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tá difícil ser gente decente nesse mundo, é muito difícil criar filhos ensinando valores diferentes destes que aparecem cada dia mais por aí. muita força nessa subida, viu.

diário do otto: 2 anos, 24 meses \o/

otto, meu menino grande:

esse foi um lindo mês, e como algumas pessoas tinham me contado, melhora a cada dia. você está enorme, esperto, e muito muito engraçado. essa fase de começar a ter (e verbalizar) ideias da sua cabecinha é incrível, as frases e palavras mais fofas aparecem quando menos esperamos e é impossível não morrer de fofura a cada nova situação.

enquanto escrevo você está no seu quarto, conversando com a maria (sua babá), morrendo de rir das coisas que ela fala, e tagarelando. estamos muito orgulhosos de você, que tem um temperamento tão doce e observador, é bem-humorado e esperto.

este mês, além da sua festa de aniversário (conto já como foi), tem uma novidade: decidimos colocar você na escola, finalmente! pretendo escrever um post só sobre isso, mas já conto que depois de visitar 3 escolas, escolhemos uma waldorf para sua primeira infância. o principal fator para a decisão foi realmente a estrutura da escola — muito verde, atividades artísticas e alimentação alinhada com com o que oferecemos em casa pra você. estamos ansiosos pra que você comece, e que dê certo!

neste mês você se desenvolveu bastante na linguagem, especialmente formando frases e criando estruturas por sua própria conta. a conjugação verbal continua espantosa (muito certinha), e você adora os gerúndios — sempre fala coisas como “quer andar… andando!”, “pingando” quando abrimos o chuveiro por exemplo, e sabe direitinho o passado/presente (andou, andei). mas ainda insiste em falar “venhanta!” e “trazeu” ao invés de trouxe 🙂

ontem mesmo morremos de rir de você, que levou uma bronca por ficar de pé na banheira e falou “nem pensar!” quando disse que não podia ficar de pé. de onde você tira essas expressões? 🙂

atualmente você conta até 20, reconhece todos os números e já conhece todas as letras do alfabeto, é incrível. não só quando a gente pede pra mostrar a letra, mas reconhece também nos textos (as maiúsculas somente, por enquanto). é uma graça você falando “I de vovô ivan” e “k de kito”. mas a letra mais engraçada de todas é o Y = “íbulon”! não é que a gente queira que você leia/conte tão cedo, mas é TÃO bonitinho você sabendo essas coisinhas que a gente acaba incentivando mesmo sem querer.

as coisas que você mais gosta de fazer ainda são passear pela grama e pela areia, desenhar com giz, carrinhos e todos os brinquedos com barulho. ah, e o ipad, claro! notamos que agora você se interessa mais pelas outras crianças, e quer interagir (ou seja — hora de ir para a escola mesmo). ficamos um pouco preocupados, pois você é bastante contido, e mesmo quando outras crianças tiram brinquedos de você, nunca reage ou tenta reaver. você coloca as mãozinhas pra trás e fica bravo, pede de volta mas não “se defende”. por outro lado, achei muito fofo quando a sophia (sua amiguinha de 9 meses, filha do alexei e da fer) pegou seus brinquedos bem na sua frente e você não arrancou da mão dela, simplesmente falou (bem bravo): SHOLTA! é muito bonitinho ver como você não é agressivo, mesmo quando está bravo.

sua festa foi para poucas pessoas, somente os mais chegados mesmo da família (20 pessoas), e preparamos tudo em casa: brigadeiros de chocolate belga, bolo gelado de coco, carne louca, bolo salgado de frango com requeijão, pipoca, frutas, queijos, refri, suco, cerveja. bem simples, parecido com as festas de quando eu e seu pai éramos crianças, tudo feito com carinho e em casa. a caixa do bolo foi sua avó vera quem deu, e nós decoramos com a ajuda do tio weno e mawá. a carne e o frango a patrícia que nos ajuda em casa fez. os brigadeiros o tio weno fez e a tia ziza, vovós e mawá enrolaram. o bolo eu mesma fiz, e embalamos pedaço a pedaço. a vovó vera montou e decorou o bolo salgado, e depois arrumamos a mesa de aniversário, com bexigas lindas que o weno fez.

a tia tina, flávio e jojô vieram no sábado ver você. no domingo estavam aqui: vovós, vovô ivan, tias ziza, paula e kelly, sheilinha e thiago, sandra, césar, weno e mawá, alexei e fer com a sophia, lea, julia, denize e teo, alê, laura (sua paixão!) e clara. todos muito felizes por estarem juntos e comemorando mais um ano seu. a festa foi linda, tranquila e muito feliz. sua carinha na hora do parabéns foi impagável — você sorria o tempo todo, olhando um por um, e no final pediu “de novo!”. tivemos óculos para brincar, e sua foto mais linda foi com o coração nos olhos, veja:

 
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foi um dia muito feliz. fiz pra você um caderninho com fotos impressas dos seus 24 meses, para que as pessoas deixassem recado, se quisessem. os recados são lindos, espero que você goste e guarde com carinho quando crescer e aprender a ler!

sua alimentação continua ótima, você come de tudo e com muito gosto, não dá trabalho algum. seu sono tem variado, mas no geral melhorou (principalmente porque quando você dá trabalho a gente dorme junto, e pelo menos consigo dormir :D). você agora tira uma soneca de 1-2h depois do almoço, e dorme entre 19:30h e 20:00h e vai até 6:30h, quando vai pra nossa cama e fica vendo vídeos no ipad até as 7:30h. com o início da escola, isso provavelmente vai mudar! vamos ver como ficará.

meu amor, parabéns pelos seus 2 anos. amo muito você, que tem me ensinado todo dia como é bonito acompanhar o crescimento de outro ser humano, e que também me faz lembrar do quanto é importante sorrir, brincar e ser feliz.

com todo amor do mundo, mamãe.

(fotos da sua festa de 2 anos, e fotos suas com 24 meses.)