em uma palavra: empatia

pretendo escrever sobre este assunto pela última vez, não só porque não sou engajada e nem tenho tempo para bandeiras mas principalmente porque ser mãe é muito, muito mais que parir. é, eu sei que quando estamos grávidas do primeiro e único filho sentimos que aquilo é a coisa mais importante e intensa e uau! e etc. mas a verdade é que o restante, o que vem depois, é mais intenso, mais punk, mais incrível e (é óbvio, mas enfim…) mais importante.

já afirmei aqui inúmeras vezes que sou 100% a favor de parto natural. sem drogas, sem intervenção, completamente humanizado. e que acredito que quem faz o parto é, sim, a mãe. processo fisiológico, complexo, intenso e cheio de significado, e que deve sim ser conduzido pela grávida. médicos devem ser apoio, suporte, ajuda, e nada mais. a menos, é claro, que a gravidez ou o parto sejam caso médico, o que é realmente a minoria.

acho que os médicos são mal preparados para lidar com partos. tratam como procedimento médico, não sabem lidar com o imprevisto, são muito inseguros quanto ao processo fisiológico e se apegam em horas, dias, tamanho. muitas métricas para tentar controlar o que não é tão simples controlar (e por que afinal precisa ser controlado?). acho que os médicos têm muito a aprender com as parteiras, e as próprias parturientes. deviam aprender a acompanhar o processo, e se adaptar à realidade de cada ser humano que atendem, aprendendo a cada experiência, ao invés de repetir mecanicamente procedimentos. aliás, todos os médicos deviam ser assim, não? (mas essa discussão de perfil do médico é OUTRA, não cabe aqui)

dito isso, lembro que meu parto foi um pesadelo. a gravidez foi perfeita, eu sonhava (e me preparei) para um parto natural e humanizado, ainda que dentro de uma maternidade, que foi minha opção. na prática, fiz uma cesárea de emergência e meu filho quase morreu. além de ter passado por um risco IMENSO de ter sequelas. felizmente ele aparentemente não tem sequelas (nunca saberemos com 100% de certeza, na verdade), mas a experiência do parto emergencial e filho na UTI por 8 dias foi horrível, não desejo pra ninguém.

ordenhei desde o primeiro dia, quando o otto nasceu, e jogava o leite fora, pois ele não podia ainda se alimentar e não era possível congelar no hospital. essa rotina, além de fisicamente desgastante foi muito difícil, pois me lembrava a cada ordenha que ele devia estar ali, se alimentando, e estava numa estufa na UTI. fer e eu visitávamos o menino a cada 3h no mínimo, às vezes mais, e só saímos quando nos expulsavam, ou quando eu precisava descansar. passei por uma cirurgia muito pesada e estava ali, andando pra cima e pra baixo pra visitar meu filho, cantar pra ele, acariciar seu corpinho pela parede da estufa. e no quinto dia depois de nascido eu pude finalmente pegá-lo no colo e dar o peito, e ele mamou tranquilamente, sem dificuldade. e eu tinha tanto medo de perdê-lo, dele ter algum problema, que nem me deixei apaixonar nestes primeiros dias. vivi dias de sombra, anestesia emocional. foi só quando ele chegou em casa que me permiti sentir amor, emoção, apego, e tudo o mais que precisava sentir. adoeci enquanto ele estava na UTI, e era tudo emocional. stress, medo, tudo misturado.

meu plano de parto deu todo errado. mas eu continuava a mesma pessoa, procurando fazer o que achava melhor pra mim e pra ele, a partir dali, depois do trauma todo. e aqui é que começa o que eu realmente quero dizer pra vocês sobre os movimentos e grupos de parto humanizado e “maternagem” (vejam que é preciso inclusive inventar uma palavra nova para a atividade mais antiga desde que o primeiro animal apareceu nesta terra).

não existe apoio, conforto e nem empatia deste grupo seleto de mulheres que “buscam os melhor para si mesmas e para seus filhos” quando acontece de você parir seu filho via cesárea. a única explicação possível é que você foi ENGANADA (ou seja: é ignorante ou idiota). e que infelizmente seu parto não é um parto, é uma cirurgia. e que seu vínculo com seu filho jamais será igual ao que as mães-de-verdade têm, porque afinal o vínculo se estabelece no instante em que a criança nasce e é colocada no seu colo ou no seu peito.

vocês leram tudo que escrevi ali em cima, sobre minhas crenças antes da maldição da cesárea se abater? ofereço mais informação: consumo alimentos orgânicos, sempre prefiro este tipo para o meu filho e para minha família. tudo feito em casa. sou contra deixar bebê chorando, sou a favor de amamentação em livre demanda (e assim fiz, até quando o otto quis e meu horário de trabalho permitiu), não tenho nada contra os pais dormirem junto com os bebês, e acho que lugar de bebê é no colo.

parece que sou parte da minoria, e que me daria muito bem nestas comunidades, certo? ERRADO.

procurei informação e apoio através da leitura de blogs e sites sobre parto, amamentação, maternidade em geral, e em todos que se preocupam com as coisas que eu me preocupo predominam as xiitas. ou você abraça completamente a “causa”, ou é mãe-de-cesárea. não há lugar, nestas comunidades, para mulheres que fazem opções diferentes das que elas propõem como perfeitas ou “naturais”. exemplifico: quando relatei meu caso, ouvi / li coisas como “ah, mas isso só aconteceu porque você foi para o hospital e aceitou a indução do parto. se tivesse ficado em casa, o menino poderia ter nascido sem complicações”. é, ele poderia ter morrido também, já que eu estava com 38 anos tendo meu primeiro filho e ele teve compressão de cordão. mas vamos convenientemente esquecer essa probabilidade.

também li que meu cansaço e saco cheio com o bebê pequeno, a rotina intensa de amamentação eram consequência do meu parto. cesárea = não tem vínculo = fico cansada e de saco cheio de cuidar de bebê o dia todo.

aí eu pergunto: por que mulheres que são minoria, e estão lutando pelo direito a parir e criar seus filhos de uma forma alternativa, anti-mainstream, são tão incapazes de sentir empatia por outras, como eu, que estão MUITO mais próximas delas do que das mães que marcam hora da cesárea logo depois da manicure e alimentam os filhos com danoninho?

eu respondo — porque elas deviam estar lutando pelo seu próprio direito de escolha, mas estão lutando na verdade contra as escolhas DOS OUTROS. é tudo ou nada: se você fez uma cesárea e não se arrepende e não tem ódio de médicos e do “sistema”, você é um DELES, e não merece simpatia alguma.

mas elas são minoria, então por que você se importa e reclama? porque a causa delas É A MINHA TAMBÉM, só que elas estão estragando tudo! e é minha causa parcialmente, claro, pois não concordo com o pacote todo. mas quando pessoas radicais e que, no fundo, só se importam com “a causa” predominam, a mensagem importante que está por trás disso tudo se enfraquece. eu mesma me sinto muito menos inclinada a defender essa bandeira, já que fui excluída da “patota” porque não guardo rancor contra minha médica e nem acho que cometi nenhum erro. foi como foi, e sigamos.

alguém cruel pode dizer que eu sou contra esses grupos porque fui excluída, que é puro rancor e despeito porque não “consegui” parir. já devem ter dito, aliás, se me lembro de alguns comentários aqui no blog. a verdade é bem mais simples e menos intrincada emocionalmente: eu sou pró escolha. em todas, absolutamente TODAS as instâncias da vida, desde a concepção de um filho até o dia da própria morte. e estas senhoras tão cheias de boas intenções, no frenesi do “empowerment”, esquecem que todas as escolhas são possíveis e ABSOLUTAMENTE TODAS devem ser respeitadas.

acho incrível alguém se permitir dizer a uma mãe que seu amor por seu filho é menor porque ele nasceu através de um corte na barriga e não através da vagina, ou porque mamou na mamadeira e não no peito. seja por ignorância ou por escolha, esse julgamento devia estar fora de questão. o empenho devia estar na informação, educação, apoio e não no julgamento! afinal, por ignorância ou simples opção, escolhas devem ser respeitadas.

no mais, vida longa a todos os blogs e sites com informação sobre parto natural, amamentação, contato prolongado com o bebê. a grande maioria das mulheres realmente precisa de mais informação para tomar decisões melhores e com mais confiança, sem precisar delegar a outros a decisão sobre seu corpo e sua vida.

update 1: excelente artigo sobre tolerância, completamente relacionado a esse assunto, dica da denize barros.

update 2: não mencionei isso no post, mas é tão importante que resolvi atualizar. tenho certeza que o parto/amamentação no peito/proximidade da mãe nos primeiros meses de vida faz MUITA diferença para o bebê. mas se fosse TÃO determinante, pobres dos seres humanos adotados, não? estariam condenados para o resto da vida! não duvido se encontrar por aí alguém dizendo que amor pelos filhos adotivos não é igual ao que temos pelos filhos biológicos.

amamentação: quando fui demitida

pois é. planejei tanto, ordenhei por 2 meses, esquematizei os horários pra poder trabalhar e amamentar, e no fim das contas quem decidiu mesmo como ia funcionar foi o otto!

quando ele chegou em casa, eu fiz um esquema de livre demanda mas com intervalo máximo de 2h a cada mamada de dia e no máximo 4h à noite. só no terceiro mês ele mesmo começou a espaçar um pouco mais as mamadas (3h), mas nunca deixei passar disso porque quando ele ficava com fome era um berreiro e demorava pra ele acalmar e mamar direito. preferi não arriscar e dar a teta logo, pro menino não ficar bravo.

ele sempre foi um bebê muito “objetivo” pra mamar – não enrolava no peito, mamava direitinho e largava quando não queria mais. a impressão que sempre tive é que o peito pra ele era mesmo comida, milk delivery :D ele fazia uma gracinha ou outra, mas quando estava satisfeito largava e não queria ficar de jeito nenhum.

quando ele começou a comer (que coincidiu com o nascimento dos dentes), percebi que o interesse pelo peito diminuiu. com 6 meses ele já tinha 2 dentes, com 7 meses já tinha 5 e com 8 estava com 7 dentes (e agora com 9 parece que estão vindo os caninos). quanto mais os dentes vinham, mais ele parecia faminto por comida mais que por leite. começou a mamar como “lanche”, parece, e começou a me morder. as mordidas no início eram tímidas, mas ele foi empolgando e mordendo forte, puxando, um horror. e achava a maior graça quando eu brigava com ele, o cachorro!

pois prestes a completar 9 meses as mordidas pioraram, e ele passou a recusar o peito de vez. aprendeu a dizer não do jeito dele (fazendo brrrrr com a boca), e bastava olhar pro peito e fazia brrrrr! se eu insistisse, ele mordia. a única forma de fazê-lo mamar era dormindo.

quando completou 9 meses ele realmente se recusou a mamar de manhã e à noite, e eu decidi que não tinha sentido em insistir. ele está comendo bem, e mama suplemento desde que completou 8 meses  — meu leite diminuiu muito, coincidentemente (?) depois que comecei a ordenhar no trabalho.

verdade é que ainda tentei um pouquinho, sempre que dava. mas a reação era a mesma: brrrr e mordida.

ok, bebê, entendi o recado. fui demitida da função de provedora de leite. com 9 meses decidiu que já era hora de largar a teta. tou vendo que a minha vida vai ser *super* fácil.

e como eu me senti? meio deixada de lado né :D mas nada dramático. o processo foi gradual, e partiu realmente dele. prefiro assim que um bebê mamando até os 2 anos e tendo que ser desmamado à força. por pior que seja, é sempre melhor ser demitida que demitir…

diário do otto: 9 meses

otto,

já estou ficando sem novas expressões pra contar como cada mês traz uma nova dificuldade, sabe? :) até entendo quem diz que “melhora com o tempo”, mas a verdade é que cuidar de bebês é difícil. vocês não falam, e a gente tem que fazer das tripas coração pra entender o que fazer pra ajudar vocês a serem mais felizes!

esse mês você teve sua primeira doença, a roséola, e nos matou de preocupação. olhando friamente, não havia motivo para pânico, mas a gente é inexperiente, meu filho. somos dois marmanjos de quase quarenta anos e não sabemos nada de como funcionam os bebês, uma lástima. então ficamos apavorados, procurando informações sobre o que você poderia ter. todos os médicos que consultamos em 3 dias (3, veja bem…) disseram a mesma coisa: paciência, deixe a febre evoluir e os novos sintomas aparecerem. e assim foi: 3 dias de febre e falta de apetite e depois as bolinhas, pra nosso alívio. agora vamos tentar ser menos desesperados em outras oportunidades, porque já fomos avisados que crianças adoecem bastante nestes primeiros 5 anos de vida. aiai!

bom, fora isso, você continua comendo feito um ogrinho, gosta de tudo que a gente oferece (mas prefere carne, pera e caqui). e foi no dia em que completou 9 meses que você praticamente disse NÃO pro peito :( você ainda não fala, mas aprendeu a fazer BRRR com a boca pra tudo que não quer. vale pra comida, bebida e tudo o mais (sentar/deitar), e agora vale pro peito também.

estava tentando manter a rotina de amamentação 2x por dia, até quando você quisesse (eu esperava que fosse até pelo menos 1 ano), mas depois de semanas levando mordidas frequentes no peito e agora com o BRR, acho que acabou essa fase mesmo. estou racionalmente convencida que você não quer mais mamar no peito, e não estou exatamente sofrendo, mas a verdade é que continuo tentando (inutilmente, você morde e ri, e faz BRRR). provavelmente vou desistir de vez a partir dessa semana, pois farei minha primeira viagem de trabalho (3 dias, 4 noites) e aí acabou a teta mesmo. foi bom enquanto durou, e vou lembrar sempre da sua carinha linda e feliz mamando na teta (pelo menos até o sétimo mês…).

esse mês você começou a fazer algumas coisas novas: bater palminha (primeiro quando cantávamos parabéns, depois pra qualquer coisa :D), dar tchau (mas você parou depois que aprendeu a bater palmas, e as palmas servem também pra dar tchau!) e chacoalhar o corpinho de um jeito muito engraçado quando quer andar pela casa com a nossa ajuda. você empurra a barriguinha pra frente e pra trás, e parece uma minhoca louca, hahahaha!

você continua sem muito interesse em engatinhar, mas se joga no chão e fica “nadando no seco”, sem conseguir se mexer a não ser rolando. você rola muito bem pra lá e pra cá, mas não apóia o peso nos joelhos ainda. em compensação, você ADORA ficar de pé e andar pela casa com a  nossa ajuda segurando suas mãozinhas. aliás, você não anda, corre. e chuta tudo o que vê pela frente, principalmente bolas. você ama brincar de bola, e já chuta desde que conseguiu ficar de pé, é incrível.

outra coisa curiosa: você cortou o cabelo pela terceira vez desde que nasceu (cortamos aos 4 meses, 6 e agora com 8), porque seu cabelo é muito bagunçado, cresce lateralmente e fica parecendo o ravengar. quando você era menor era pior ainda – o cabelo era bagunçado, ralo, esquisito, afe. agora tá lindo, com o cabelo cheinho e arrumado.

você continua “falando” bastante, seu repertório agora inclui consoantes novas: mé, mã, nã (além do tzi, dái e bói). morro de curiosidade pra ver como vai ser você falando! seus dentinhos estão de vento em popa, já são 7 e creio que os 2 caninos vem vindo aí. parece um tubarãozinho assassino, morde nossa bochecha, o ombro e tudo o mais que vê pela frente.

seu sono continua difícil, embora tenha melhorado depois da mamadeira noturna. nos dias de febre foi um horror, acordando de hora em hora. mas tenho fé que você está amadurecendo e aprendendo, aos poucos, a dormir.

outra novidade iniciada aos 9 meses exatos foi começar a estranhar as pessoas e se agarrar em nós. nunca tinha acontecido, e de repente você fecha a cara e até chora quando alguém estranho chega muito perto ou tenta interagir com você. que mecanismo de defesa será esse dos bebês, me pergunto. muito curioso.

estamos cansados, confesso. mas você é um menino tão bem-humorado, lindo e sorridente que é difícil ficar brava com você mesmo quando tem chororô e manha. você acorda sorrindo e brincando, está sempre alegre e de bom humor, é uma felicidade estar junto de você. mesmo quando temos vontade de chamar a mamãe-saruê, ainda amamos você mais que tudo no mundo.

mais um mês pela frente, menino. que seja assim, cada vez melhor!

beijo da mamãe.

(veja aqui suas fotos com 9 meses)

amamentação e alimentação: quase 9 meses, e tudo vai bem

depois de muita resistência, especialmente da minha parte, adotamos a mamadeira para complementar as mamadas do menino, quando ele completou 8 meses. a verdade é que foi simples, e ajudou muito no período da noite, desde então ele tem dormido cada vez melhor.

nosso pediatra sempre foi da linha “pare de amamentar de madrugada depois dos 6 meses”, e eu bem que tentei, mas o menino tinha fome. entre deixá-lo chorando e amamentar, amamentei. mas acontece o leite materno é absorvido mais rápido, é fato, e o intervalo tinha que ser de no máximo 4h entre cada mamada à noite…

é desumano uma mulher trabalhar o dia todo e amamentar a noite toda. aliás, que dureza é amamentar a noite toda mesmo que você não trabalhe o dia todo, é muito puxado. com o bebê comendo bem, ganhando peso e com ótima saúde, pra que se sacrificar? eu realmente estou convencida que pra ser boa mãe não é preciso (e nem desejável) sofrer, dar o sangue, etc.

diante do meu desejo de continuar trabalhando e ter noites de mais sossego e ser feliz, decidi testar a mamadeira. fiquei com medo dele não querer mais o peito, depois da mamadeira, mas sabia que aos 8 meses esse risco é menor. ele já sabe mamar no peito, beber no copo e mamar na mamadeira, sem confundir as coisas. pois tentamos, e foi ótimo!

atualmente ele mama no peito às 6:30h e às 19h, e na mamadeira lá pelas 8h (120ml), 15h (210ml), 20:30h (já dormindo, 150ml) e entre meia-noite e 1 da manhã 210ml.

as quantidades da mamadeira foram adaptadas por nós mesmos, a recomendação do pediatra foi 210ml às 15h e meia-noite (as outras nós damos por conta, porque achamos que ele mama pouco no peito). fico contente que ele continua mamando no peito, porque não é a fonte primária de alimento dele mas é um suplemento essencial para sua imunidade, funcionamento do intestino e, é claro, chamego com a mãe ;)

além das mamadas, ele tem se alimentado de sólidos muito bem: 1/2 mamão todos os dias de manhã, 1 pera (às vezes inteira de uma vez, às vezes em 2 período do dia), 1 laranja (não gosta mais do suco, quer a fruta) e 1 caqui ou banana ou melão. e almoça 1 prato de sopa cheio de sopa de legumes com alguma proteína (carne vermelha, frango ou gema cozida de ovo) e janta 1 prato cheio de sopa cheio de legumes somente.

iniciamos a papinha e as frutas em purê, bem líquido, para ensiná-lo a engolir. quando ele começou a engolir bem e “mastigar” (ele faz o movimento direitinho), mais ou menos no sétimo mês, paramos de fazer papa e deixamos tudo em pedaços. foi na mesma época que ele começou a não querer o suco e sim a fruta, e recusa coisas muito melequentas (prefere mastigar os pedaços).

aliás, é impressionante como a natureza é perfeita. o otto teve dentes muito cedo, os primeiros nasceram com 5 meses e com 8 meses ele tem 7 dentes já nascidos (e mais vindo por aí). junto com os dentes veio o interesse pela comida e o movimento de mastigação. ele sempre aceitou alimentos sólidos muito bem, e come com o maior prazer.

da minha parte, continuarei a dar o peito enquanto ele quiser. neste mês, com novos dentes vindo por aí, ele mordeu meu peito algumas vezes, e foi bem doloroso. dei bronca, tirei o peito, comecei a dar o peito com ele dormindo, mas não desisti. depois de 1 ou 2 semanas desse comportamento, passou e agora ele mama normal de novo.

ou seja: é possível manter a amamentação com a mamadeira, com os dentes e com a alimentação sólida. basta um pouco de paciência, sorte :) e boa vontade.

amamentação: depois de 2 meses…

… muitas coisas mudaram.

mantive a rotina de ordenha/amamentação como programado, mas o leite da ordenha diminuiu gradativamente, até chegar a 40ml por tirada :( (no início eu tirava 150ml por vez).

acho que um fator importante para a diminuição do leite foi o fato do otto demandar menos leite mesmo, quando estava mamando, pois é mais interessado na comida sólida que no leite. até o suco ele tem gostado cada vez menos, preferindo as frutas inteiras. outro fator acho que foi a eliminação da mamada da madrugada, diminuindo a frequência de demanda (que pode também reduzir a quantidade).

uma das coisas que poderia ter feito quando percebi que o leite estava diminuindo é aumentar a frequência de ordenha e das mamadas do otto, pra estimular e produzir mais. mas sinceramente, seria um sacrifício (acordar de novo a madrugada toda, fazer mais pausas ainda no trabalho) que eu não estava disposta a fazer. até porque ele já está com 8 meses, e mamou só leite materno até agora. tá bom, né?

junto com essa diminuição começou a ficar cada vez mais horrível o período da noite: ele nunca dormiu a noite toda, acorda várias vezes desde que nasceu (normalmente pra mamar, mas pra pedir colo também). até o sétimo mês mantive a rotina de mamar de madrugada, mas resolvi parar, pelo bem da minha sanidade no dia seguinte no trabalho. e como ele mamava cada vez menos a cada mamada no peito, a noite estava um inferno de choradeira…

e durante o dia, tudo uma beleza (mesmo com menos leite), pois ele come MUITO bem e não tem fome. esse menino sem fome é um anjo. depois de conversarmos com o pediatra, ele sugeriu dar NAN (ou equivalente) na mamada da noite, 210ml, pra testar, e continuar dando o peito nas demais mamadas quando possível.

ele adorou o NAN, tomou tudo e passou a dormir muito melhor, felizmente. ainda acorda pedindo colo, mas agora sabemos que não é fome (e ele volta a dormir sem muito choro).

mantive então 2 mamadas por dia (7h e 19h) no peito, e 2 mamadas na mamadeira (15h e 23h/meia-noite). ele ainda tem os benefícios do leite materno, mas sem que eu precise me matar de dar o peito.

pude então parar com a ordenha, que apesar de ser tranquila demanda bom planejamento e 2 intervalos por dia no trabalho. ainda que tenho sorte de poder fazer esses 2 intervalos, e ter onde armazenar, etc.

resumindo, estou feliz por ter podido alimentá-lo exclusivamente com leite materno até os 8 meses, e por continuar amamentando parcialmente a partir de agora. continuo contando como está sendo a rotina, até que ele pare de mamar quando quiser ou até quando eu não aguentar mais :) (seja por saco cheio, seja por causa das mordidas do mocinho com 7 dentes)

diário do otto: 8 meses

otto,

menino, que mês! achei que seu mês anterior tinha sido difícil, mas descobri que sempre pode ficar mais difícil ainda… nesse mês seu sono continuou um horror, acordando a noite toda e chorando. e pra piorar, você já não sossegava mais no colo, praticamente esperneava no nosso colo e chorava, até que depois de muito chacoalhar na santa bola você dormia. seu pai estava um zumbi (ele ficou com você essas noites todas até hoje) e eu também, já que não é muito fácil dormir com seu choro.

um dia seu pai estava trabalhando em SP, fiquei sozinha com você à noite e, depois de dormir pontualmente às 19:30h como é seu costumo, às 22h você começou a chorar no berço. peguei você pra ninar de novo, como sempre, mas nada funcionava. você – dormindo! – chorava e esperneava no colo. depois de 15min de tentativa, desisti e resolvi seguir a recomendação do seu pediatra de ensinar você a dormir de novo no berço.

coloquei você lá, e fiquei do seu lado, pegando na sua mãozinha, fazendo carinho e devolvendo a chupeta que você cuspia. achei que você ia aprender a engatinhar dormindo, porque levantava o corpo quase todo, como quem quer sentar ou andar, empurrava as perninhas e rolava de um lado pro outro. até que depois de 30min de drama você deitou de lado, segurando minha mão, e dormiu!

a boa notícia é que era possível ensinar você a dormir no berço ao invés de no colo, a má notícia é que você continou acordando todas as noites, várias vezes. houve noites de chorar por quase 2h, e nada consolava você. mesmo no colo, às vezes, era muito difícil fazer você acalmar, só o peito resolvia (e decidimos voltar a amamentar você de madrugada, pois só assim você sossegava). mas não dava mais pra amamentar você a cada 2 ou 3 horas, pois eu precisa va trabalhar no outro dia.

depois de 10 dias sem dormir direito, eu e seu pai consultamos o pediatra, que achou que você podia estar com fome. as dicas foram as noites mal dormidas e a quantidade que você come durante o dia. sério, bebê: você está comendo feito gente grande. 2 pratos enormes cheios de papinha por dia, mais umas 3 ou 4 frutas e mais o leite (7h, 15h, 19h, meia-noite e às vezes madrugada também).

além disso, percebi que você estava mamando pouco, só pra aquecer a barriga, seu interesse de verdade é pela comida (a nossa inclusive). e nas minhas 2 ordenhas diárias, o leite começou a diminuir muito. no início eu ordenhava 150ml a cada vez, e foi diminuindo aos poucos até que nesta última semana caiu pra 40ml somente!

decidimos então dar NAN pra você, à noite, 210ml. você mamou de tarde pra experimentar (adorou) e pela primeira vez desde que nasceu você dormiu a noite toda, acordando só um tiquinho e dormindo de novo!

testamos algumas combinações de peito+mamadeira nessa última mamada da noite, mas não funcionou. então agora estou amamentando você às 7h e às 19h somente, e damos 2 mamadeiras por dia (15h e meia-noite). a verdade é que você é um ogrinho faminto, e todo seu incômodo na madrugada era fome mesmo. esperamos que agora você durma melhor, e nós também.

suas frutas preferidas continuam as mesmas: pera e laranja. mas sua paixão mesmo é a papinha (de carne é a que mais gosta), que você come morrendo de feliz. esse mês você aprontou uma bem engraçada – começou a “comer” a mesa do quintal cada vez que demoramos a dar a papinha, é muito engraçado. aliás, você é um bebê super engraçado e bem humorado. está sempre rindo, brincando, fazendo sons engraçados (ba-ba, bói-bói, dei-dei, tiiiii) e gritando pela casa. 

você sempre gostou dos brinquedos coloridos e gostosos de pegar, e dos que têm barulho, mas agora sua paixão são as bolas. qualquer bola deixa você maluco e dando gritinhos. e você CHUTA as bolas que vê pela frente, é incrível! não sabemos como você aprendeu isso, achamos que veio no DNA :) e você ganhou da mamãe um brinquedo que virou favorito também, o morcego moacir. é um morceguinho lindo, de asas de cetim, que compramos num “família vende tudo”. fofo e tosquinho, igual a você :)

ainda não vimos muitas tentativas suas de engatinhar, você fica “nadando no seco” quando colocamos de bruço, e fica rapidamente bravo. em compensação, aprendeu a levantar e ficar de pé com nossa ajuda, e só quer ficar de pé e andar. você anda direitinho, quando seguramos você, e não gosta que segure nas mãos (temos que segurar no sovaco, deixando suas mãos livres). brincamos de andar com você várias vezes por dia, porque você adora andar pela casa correndo atrás da bola de pilates, que é maior que você…

ah, e agora você tem chiliques. quando fica bravo, estica os bracinhos e dá gritinhos, chilicando. a coisa mais fofa e birrenta do mundo. morremos de rir! (por enquanto, né. já sei que logo logo se o senhor continuar de chilique teremos que ter uma conversinha…)

e seu sétimo dentinho nasceu! vimos que ele estava nascido no seu aniversário de 8 meses. se continuar assim, com 1 aninho você vai ter a dentadura completa! :D

dizem que há bebês que com sua idade dão tchau, choram quando as pessoas vão embora e “estranham estranhos”. você continua sem chorar com estranhos (mas não abre sorrisões pra qualquer um, como antes), não dá tchau nem a pau e não reclama quando ninguém vai embora. mas está cada dia mais grudento, pedindo colo e querendo companhia. e nós estamos sempre aqui, juntinho de você e grudados, nosso macaquinho.

mais um mês com você na nossa vida, trazendo surpresas, alegrias e muito cansaço :) mas também muito amor. veja nas fotos como você é feliz e brincalhão!

todo amor do mundo, da mamãe.

ir ou não ir ao pediatra?

crédito seja dado: esse post foi motivado por um RT da @maedemerda deste post.

bem, medicina é um assunto que adoro, e inclusive se fosse escolher outra profissão hoje, escolheria ser médica com certeza (talvez neuro ou psiquiatria). além de gostar, respeito os profissionais e gosto de realizar acompanhamento preventivo da minha saúde – não espero ficar doente para procurar médicos. por isso mesmo, tento achar médicos que sejam mais próximos do “médico de família”, que me conheça e possa me dar dicas de como me cuidar melhor e evitar doenças.

quando se trata do meu filho, nem preciso dizer que sigo as mesmas regras. descobri quando ele nasceu que é de praxe acompanhar a saúde do bebê mensalmente, nos primeiros meses, e depois as consultas espaçam mais um pouco. achei ótimo, porque queria mesmo acompanhar de perto o desenvolvimento dele, e entender quais são as questões críticas de desenvolvimento e saúde da criança, assunto do qual não entendia nada.

o texto que me motivou a escrever esse post argumenta contra as consultas frequentes ao pediatra, e embora eu respeite motivações e opiniões diferentes da minha, faço questão de – no meu espaço – oferecer um contraponto.

se você é mãe experiente e fica tranquila em não acompanhar o desenvolvimento do seu filho com um profissional, excelente pra você: vai economizar tempo e dinheiro. o que vale é o seu conforto com o acompanhamento do seu filho, afinal. se tudo está bem, e você está confiante, ótimo. e pode ser também que você não seja tão experiente mas esteja cercada de pais/mães experientes que podem ajudá-la a avaliar se o desenvolvimento do seu filho está de acordo.

eu não sou mãe experiente, não tenho ninguém experiente e que eu confie 100% pra me dizer se tudo está bem, então prefiro que um médico especialista no assunto me oriente e acompanhe comigo o desenvolvimento do meu filho. caso precise de intervenção, que negociemos como fazê-lo.

palavra-chave, atenção: COMIGO. vou insistir num ponto que volta aqui nesse blog com frequência – assumir as responsabilidades pelo que faz, ser ativa no papel de gestante e mãe. médico não é deus e nem dono do mundo, e eu não sou retardada. pesquiso, converso com pessoas mais experientes, e construo meu repertório. as consultas com o médico são conversas, troca de idéias, negociações entre nós – pais responsáveis e decisores – e o médico, nosso consultor especialista.

escolhi o pediatra a dedo, conforme alguns requisitos: formação, experiência, indicação e, é claro, afinidade conosco. e as consultas são como devem ser: conversas entre adultos, que têm opiniões e experiências diversas. nosso pediatra entende de amamentação, alimentação, cuidados em geral e a saúde e desenvolvimento do bebê. há coisas que eu levo para as consultas que ele não sabe tão bem (amamentação, por exemplo) – e não há conflito algum. ele respeita nossas decisões que, apesar das diretrizes dele, às vezes não são as que ele tomaria. e nós confiamos no que ele diz, utilizando as recomendações da forma que achamos mais adequada.

em suma: a decisão é nossa, ele é somente um conselheiro, que nos diz como está o bebê e o que é bom/ruim na experiência dele. mas sempre deixa claro: a decisão é de vocês. e é mesmo, sempre, seja seu médico tão bom quanto o nosso ou um pé-de-chinelo.

dizer que consultar com um pediatra mensalmente é ruim porque ele pode direcionar decisões equivocadas é assumir a própria ignorância, morrer abraçada com ela. informe-se, pesquise, e use o médico de forma inteligente, se precisar de ajuda. se o médico for ruim, troque, caramba. e, enfim, se achar desnecessário, não use. mas não venha me dizer que parou de amamentar porque o médico mandou, né? precisa ser muito ignorante pra entrar numa nessa.

deve ter mesmo por aí uma porção de médicos ruins a ponto de dizerem que a mãe tem “pouco” leite, não sabe orientar e tal, mas acreditem (porque marido trabalha com inteligência de mercado e por acaso já pesquisou exatamente sobre esse assunto – orientação de pediatras sobre alimentação suplementar para crianças): a MAIORIA das vezes quem quer parar de amamentar, dar remédio ou suplementar é a mãe neurótica. o médico só prescreve porque as loucas insistem (e se eles não receitam, elas procuram outro que receite).

a menos que a mãe seja muito ignorante E o médico seja muito ruim, a responsabilidade pelas cagadas no cuidado de bebês e crianças é das mães e pais mesmo. e, como sempre, colocando a culpa no médico, porque ninguém mais pensa sozinho nesse mundo e não sabe questionar e concluir coisas por contra própria. a culpa é sempre do outro.

eu gosto de saber quanto meu filho pesa, mede, pedir orientação do pediatra que trata centenas de crianças por mês e tem 20 anos de experiência. mas isso não significa que “fiz porque o pediatra mandou”. ele orienta, mas NÓS decidimos. feito gente grande, como deve ser.

amamentação: estabelecendo a rotina de ordenha

iniciei a rotina de ordenhar no trabalho há 1 semana, e tudo vai indo bem, graças às dicas valiosas da raquel_ny. ela foi a única que realmente conseguiu me ajudar, pois vivencia essa experiência no dia a dia. por isso me motivo tanto a compartilhar essa experiência aqui no blog: se puder ajudar qualquer mulher nessa condição, fico feliz.

recapitulando: iniciei a rotina de ordenha 2 vezes por dia (meio da manhã e meio da tarde) cerca de 3 semanas antes de voltar ao trabalho, pois queria que o otto estivesse 100% adaptado quando eu voltasse. aproveitei também pra congelar o excedente de leite eventual, pra emergências.

coisas que você precisa saber/fazer/ter para manter somente leite materno para o bebê quando voltar a trabalhar:

calcular quanto mais ou menos será necessário armazenar por mamada (calcule aqui). esse cálculo é importante para saber quanto você deverá congelar/descongelar por mamada ou por dia. por exemplo: o otto teoricamente precisa de 76-112ml por mamada, então eu sempre congelo no máximo 200ml (2 mamadas no dia). fazendo assim, você evita desperdício e sabe que o mínimo necessário pro bebê está garantido;

– comprar vidros com tampa de rosca (ou outra que vede bem) para congelar o leite, na porção que você vai precisar descongelar (depende de quanto seu bebê precisa mamar e quantas mamadas por dia, claro). eu mantenho 3 dias de mamada de reserva (ou seja: se parar de ordenhar por 2 dias não tem problema, tem leite ainda pra ele), você pode fazer uma reserva maior se quiser;

– alugar ou comprar a máquina de ordenha, e eu recomendo a medela pump in style, que é ótima. ela vem junto com a bolsinha, frascos e gelo de mentirinha pra conservar o leite refrigerado;

– negociar na empresa sobre os horários de ordenha. no meu caso, não tive problema nenhum, simplesmente bloqueio 2 períodos de 30min por dia (11h e 15h), ordenho, guardo os frascos na geladeira e lavo as conchas;

– negociar na empresa um local fechado e reservado para a ordenha. o ideal é ambiente estéril, mas desencanei desse luxo. consegui 2 salas fechadas que uso conforme a disponibilidade, enquanto não fecham a minha sala com persianas;

– lembre de oferecer o leite ordenhado para o bebê no copinho normal ou no copo de suco. evite a mamadeira, pois o bebê pode “desistir” do peito. lembre que mamar no peito exige esforço do bebê – se ele percebe que tem uma “teta” que libera o leite mais fácil e rápido (a mamadeira), adeus peito. isso é mais importante ainda quando o bebê é muito pequeno (menos de 6 meses). o otto se adaptou bem ao copo de suco e continua mamando no peito normalmente depois de 4 semanas de peito+ordenha;

– nos fins de semana, pode dar o peito normalmente. parece que é até bom, ajuda a manter a “produção”;

– não se preocupe se a quantidade de leite ordenhado variar (ha! fácil falar :) eu me preocupo), pois é normal. a quantidade de leite ordenhado não é equivalente a quanto você produz de leite (o bebê suga mais do que a máquina consegue tirar), e enquanto o bebê mamar e você ordenhar, não vai faltar. a variação pode ser consequência da alimentação, sono, hormônios e outras coisas;

– o leite ordenhado pode ficar na geladeira normal até 12h. sobre o armazenamento e duração do leite congelado, li informações diferentes, variando de 1 semana apenas a vários meses. eu tenho armazenado por cerca de 5 dias no máximo, mas armazenaria mais tempo sem problemas. creio que é importante, no entando, garantir que seu freezer é bom e não fica sendo aberto o tempo todo…

– lembre de nunca encher o pote de leite a ser congelado até a borda, pois o leite expande muito quando congela e pode quebrar o vidro;

– eu não tenho esterelizado nada que uso, só lavo com água e sabão;

– para usar o leite, descongele no dia de usar (deixe na parte de baixo da geladeira ) e aqueça em banho-maria até ficar na temperatura do corpo. já li recomendações de que deve ser sempre outra pessoa (e não a mãe) a dar o leite ordenhado (para o bebê associar a mãe ao peito);

– chegando em casa, a primeira coisa que faço (segunda! a primeira é apertar o gordo) é congelar o leite que trouxe no dia (vou usando o estoque primeiro e guardando o que ordenhei);

– finalmente: alimente-se bem, descanse (ha ha ha) e beba muita água pra manter o corpo saudável e continuar produzindo leite!

se lembrar de mais dicas, vou adicionando. se alguém mais tiver dicas, deixe nos comentários pra outras se beneficiarem, tá?

amamentação: voltando ao trabalho

graças às dicas essenciais da raquel_ny e bianca do posso amamentar, tudo está correndo muito bem!

o otto se alimentou exclusivamente de leite até completar 5 meses, quando comecei a introduzir outros alimentos na dieta e mantive as mamadas a cada 3 ou 4 horas. quando ele completou 6 meses, aluguei uma máquina de ordenha dupla e comecei a tirar o leite 2 vezes por dia (fim da manhã e início da tarde) e oferecer no copinho de suco. as demais mamadas continuaram normalmente. ele reclamou um pouco de tomar leite no copinho por 1 ou 2 dias, mas depois acostumou e toma com muito gosto.

eu já tinha experiência com ordenha, pois precisei ordenhar quando o otto nasceu por 5 dias até que ele pudesse mamar. fazia a ordenha manual na UTI e comprei uma máquina simples de ordenha, que usava quando ia descartar o leite. ordenhar manualmente é muito difícil, e na máquina eu achava fácil (além de sair mais leite). no início achei que não teria dificuldade de usar a máquina e tirar o leite, mas estava enganada…

depois do terceiro mês, o peito já não enche tanto e fica mais “murcho”. aprendi que nesta época o corpo já voltou ao normal (hormonalmente), se adaptou à rotina e à quantidade normalmente necessária de leite. o leite é produzido enquanto o bebê suga, e atende exatamente à demanda que ele faz. é por isso que temos a sensação de “descer o leite” alguns segundos depois que o bebê começa a mamar.

pois que quando fui ordenhar (com a máquina) depois de 6 meses, simplesmente não saía NADA. ou quase nada. fui no kellymom.com (site excelente, recomendo muito) calcular a quantidade de leite necessária para o otto a cada mamada (espante-se como eu: não depende da idade dele e tampouco do peso!), e descobri que podia variar de 76-112ml (para o otto especificamente). apavorei!

a raquel_ny me salvou, compartilhando a experiência dela ordenhando e mandando os links da kellymom, que ajudaram muito. a primeira dica dela foi: a máquina da medela, pump in style, é essencial. procurei para alugar no brasil (porque comprar é caríssimo) e achei no cantinho da mamãe. aluguei sem dificuldade, com os frascos, frasqueira e tudo (R$108 por mês) e experimentei. sucesso absoluto! de primeira consegui ordenhar cerca de 120ml, mais que suficiente para a mamada do otto. a babá dava o leite no copinho de suco, e congelei o que sobrava.

continuei nessa rotina (ainda em casa) durante a semana, e de fim de semana voltei a dar o peito somente, normal. não vi diferença na forma dele mamar, mas percebi que ele ficou mais dengoso quando estava no peito, mais grudadinho :) uma graça!

quando voltei a trabalhar, tinha 3 dias de leite (2 mamadas por dia) já congelado, para emergências. então no primeiro dia ela descongelou (dentro da geladeira – tirou do freezer para a geladeira normal), aqueceu em banho-maria e deu o leite congelado primeiro. quando eu chego em casa, junto o conteúdo dos frasquinhos em potes de vidro (de geléia, cerca de 250ml) e congelo, identificando a data na tampa. assim, mantemos sempre um estoque, e ela vai dando o leite que está congelado há mais tempo.

no trabalho tenho conseguido tirar cerca de 100ml (a quantidade varia conforme o dia, a hora), e tem sido suficiente. bloqueei minha agenda duas vezes por dia por 30min, vou para uma sala fechada e ordenho por 10min (o leite acaba depois disso, que é o tempo que ele normalmente mama). fecho os vidros, guardo, seco as conchas. guardo os frascos na frasqueira, que fica no frigobar, lavo as conchas com água, seco e guardo num ziploc para a próxima ordenha.

deixo a máquina no trabalho, só trago pra casa os frascos (dentro da frasqueira, com aqueles “gelos de plástico”) para manter gelado e congelo o leite do dia quando chego. só na sexta-feira trago as conchas para ficar secando ao ar livre.

tudo funcionando perfeitamente, nesta primeira semana. espero conseguir manter a rotina!

amamentação: o que funcionou pra mim

você vai ler muita coisa por aí, tem muito site sobre o assunto, e não vou ter paciência de caçar de novo. vou contar então o que funcionou pra mim, e quem sabe você aí que veio procurar ajuda pode aproveitar…

alimentação

todo mundo vai dizer a mesma coisa, e ouça, porque têm razão: tome muita água. se você acha que toma bastante, pode dobrar, porque vai precisar. digo isso com segurança, porque eu sempre tomei pelo menos 1,5L por dia (normalmente 2L) e quando comecei a amamentar precisei aumentar pra pelo menos 3L (eu acabo medindo, porque uso garrafa de água pra poder carregar pela casa).

percebi que precisava aumentar a quantidade porque nas primeiras semanas amamentando meu intestino simplesmente travou. meu intestino é ótimo, e estava muito bem durante a gravidez e logo depois do parto (mesmo sendo cirurgia). quando o otto começou a mamar, travou tudo e me toquei: falta de água. meu corpo estava sugando TODA a água, e a prioridade obviamente não era meu intestino. só melhorei quando quase dobrei a quantidade de água, e depois de 1 ou 2 semanas regularizou geral. lembre que nos 2 ou 3 primeiros meses de amamentação o seu corpo ainda não produz quantidade exata de leite, e no meu caso eu tinha muito mais leite do que o otto conseguia mamar.

minha sugestão é que você tenha uma garrafa de 1,5L consigo sempre, e encha várias vezes ao dia (e à noite…). faz muita diferença!

quanto à comida, eu parei de comer algumas coisas, a saber: álcool, café, hortaliças e verduras que dão gases (brócoli, couve-flor, repolho), grãos que dão gases (feijão, grão de bico) e pimenta (refrigentante eu já tinha parado na gravidez, e mantive a abstinência).

algumas coisas eu moderei (comia bem pouco): açúcar, chocolate, alho e cebola. nos 3 primeiros meses fiz uma dieta bem restrita, porque tinha medo de dar cólica no otto. já vi gente dizendo que não tem nada a ver, mas preferi não arriscar.

pelo menos UMA dessas coisas na lista eu comprovei por experiência que dava gases no otto: açúcar. bastava eu exagerar no doce e o menina tinha gases, um horror.

e pra quem quer incentivo pra amamentar, tem pelo menos um: perdi 13kg em 3 meses (engordei 6kg na gravidez).

posição e procedimento

fui ensinada a amamentar o bebê sentada, com o bebê levemente reclinado pra cima, apoiando a cabecinha dele com meu braço, e assim fiz. aos poucos, achei a posição sentada que me favorecia (no caso, posição “de índio”), pois meu peito é grande e eu sou pequena. prefiro sempre cruzar as pernas e colocar o bebê meio “no meio” das pernas, é mais fácil pra mim. almofadas de amamentação não funcionaram bem pra mim. e nos dias de calor, colocava um travesseiro entre eu e o otto, porque ele é muito calorento e o contato direto de pele com pele fazia ele suar muito e se irritar.

acredito que melhor posição pra amamentar o bebê é aquela que a mãe se sente confortável e o bebê também, e não creio que haja uma regra.

pra mim, no entanto, uma coisa era importante: manter o bebê reclinado (quase querendo ficar na vertical), evitando ficar completamente na horizontal. o motivo é simples e fisiológico: os bebês nascem com seus esfíncters digestivos frouxos, e só depois do sexto mês é que vão ficar “firmes” e funcionar direito. então fiz o possível para que o otto não tivesse refluxo excessivo (que é incômodo pra ele e pra nós também, que ficamos “vomitados”), mantendo-o reclinado e fazendo arrotar direitinho ao fim da mamada.

essa questão fisiológica é o motivo de todos os bebês terem refluxo, em maior ou menor quantidade. alguns têm refluxo patológico, que necessita de intervenção e medicação, a maioria é normal mesmo. por isso o bebê tem retorno de leite (“gorfa” :)) e queijinho. alguns bebês, como otto, são glutões e não sabem o limite (acho que nenhum bebê sabe, eles mamam até cansar) da mamada. quando mamam demais, têm refluxo do excesso de leite, que traz consigo um pouco do ácido junto e pode irritar o esôfago. o otto teve esofagite (embora não tivesse refluxo visível) e teve de tomar label por 1 mês. o sintoma da esofagite é fácil de ver: o bebê se joga pra trás, esticando o pescoço quando acaba de mamar, e chora. esticar o pescoço é um reflexo de alívio da queimação que a esofagite provoca, e ele chora de incômodo. depois de 1 mês de label ele ficou ótimo, e nunca chegou a perder peso.

as medidas que tomamos pra evitar o refluxo funcionaram: ele praticamente não “voltava” leite, aconteceu poucas vezes e bem no início. a relação entre posição+arrotar e voltar o leite era direta, bastava deitar o menino demais na mamada e não arrotar que voltava leite. e aí era uma chatice: ele chorava, tínhamos que trocar toda a roupa (porque nunca deixei o menino sujo de leite, fede e fica gelado no frio), etc.

esse é um dos motivos pelos quais nunca nem quis dar mamar pra ele deitado (ele deitado e eu também). algumas mães dizem que pra elas funciona bem, que elas dormem e o bebê também, mas eu não considerei isso uma boa prática, diante dos fatos de como funciona a fisiologia do bebê. sei que é mais prático, e que o meu jeito me cansava muito mais, mas enfim, escolhi assim e fiquei contente com a minha escolha.

outra coisa que acabei adotando por experimentação com otto foi fazer arrotar com mais frequência. até o fim do segundo mês ele mamava a cada 2h, durante 30 a 40 minutos. percebi que quando ele mamava o tempo todo sem arrotar no meio, tinha gases e chorava para arrotar. provavelmente porque ele sempre foi comilão e mamava desesperado, engolindo muito ar. seja qual for o motivo, fato é que ele se beneficiou das paradas (a cada 10min) e parou de ter problema de gases depois que adotei as “paradas obrigatórias” a cada 10min mais ou menos. no terceiro mês eu interrompia a cada 15min e no quarto mês ele começou a mamar por 10 minutos apenas, e não precisei mais interromper.

fazer arrotar sempre foi essencial para o conforto dele, evitando gases e refluxo, então sempre fizemos arrotar, mesmo que ele mamasse dormindo, e funcionou super bem. ele sempre ganhou peso, teve pouquíssimo refluxo e problemas de gases.

calendário

decidi amamentar no que se chama livre-demanda (o bebê quer mamar, dá o peito), mas com algumas regrinhas. nos 2 primeiros meses do otto era fácil saber quando ele estava com fome: bastava colocar a mão (ou qualquer coisa, na verdade) perto da boca e ele fazia “boquinha de mamar”. ele próximo acabou estabelecendo um calendário de mamar de 2 em 2 horas, menos de madrugada (eu o acordava a cada 4h pra mamar, caso ele não acordasse). a decisão de acordá-lo foi tomada com o pediatra, e concordei com o racional: mais de 4h sem mamar pode causar hipoglicemia enquanto o bebê ainda não tem peso suficiente. achei que valia a pena acordá-lo pra que ele ganhasse peso nos 2 primeiros meses.

no terceiro mês percebi que ele não precisava mais mamar a cada 2h (ele mamava e pedia, mas parava rápido, pois não estava de fato com fome), e aumentei para 3h. ele aceitou bem, e se eu percebesse que ele tinha fome antes, dava o peito antes. o que aconteceu com o otto é que era difícil saber se estava com fome nessa idade, a “boquinha de mamar” não funcionava mais pois ele passou a morder tudo que via pela frente. outro fator complicante foi a personalidade dele: caso ele ficasse com muita fome, chorava MUITO e não mamava. ele simplesmente chorava, com o peito na frente dele, e não parava. tínhamos que fazê-lo parar de chorar (dormir ou distrair) pra oferecer o peito, era um inferno. por isso mantive o calendário “fixo” de 3 em 3 horas, pra não ter perigo dele ficar com fome e surtar.

foi só no quinto mês, quando comecei a dar outros alimentos que espacei as mamadas para 4 ou 5 horas de intervalo, e agora tudo funciona muito bem. ele mama bem, mesmo comendo outras coisas, e não surta mais.

ele está com 6 meses e meio, e ainda não eliminei a mamada da madrugada (ele mama à meia-noite e às 4 da manhã, normalmente), pois ele está numa fase de muitas transições, estou evitando mais uma ao mesmo tempo. espero em breve eliminar essa mamada das 4h.