criação com apego

Com algumas diferenças, essa foi a opção que fizemos aqui na forma de criar o Otto. Ele sempre odiou sling, então ficava muito no colo. Sempre pegamos no colo quando chorava, nunca deixamos chorando. Mamava quando queria. Dorme na nossa cama até agora. Sempre escutamos o que ele quer, e negociamos o que fazer e não fazer os 3, ele não é menos considerado por ter 3 anos.

E não, ele não pode fazer tudo o que quer. Aqui adotamos o castigo (sentamos junto com ele pra pensar e conversar sobre o que aconteceu). Quando ele não é legal conosco ou com outras pessoas, procuramos fazer com que haja consequências que ele entenda. Tiramos coisas que ele gosta, por exemplo. Pedimos que ele diga obrigado e por favor, aqui, porque é assim que o tratamos e queremos tratamento igual da parte dele. Não gritamos com ele e não deixamos que ele grite conosco.

E por enquanto estamos contentes com o resultado. Alguns dias são mais difíceis que outros, mas no geral o comportamento dele é bem alinhado com o nosso, a convivência com as outras pessoas também é boa e tranquila. As pessoas elogiam o comportamento dele, que é uma criança bem querida.

Cada família tem uma dinâmica, não acho que exista forma “certa” de educar. Importante é ter mais gente feliz, confiante e boa com seus semelhantes neste mundo. Essa é a nossa meta pra ele, e esse caminho eu acho que leva pra lá 🙂

a festa de aniversário

terceiro ano de festa de aniversário pro menino, e as questões continuam as mesmas — quem convidar? o que preparar para crianças e adultos comerem?

talvez estas questões fossem menos relevantes se tivéssemos família pequena, ou recursos ilimitados. nossa família é grande, e não estou disposta a fazer comida para 80 pessoas. o que me leva à questão da comida: é importante pra mim que o que vamos comer seja preparado em casa. não gosto da ideia de fazer uma festa (seja pro otto ou pra qualquer de nós) comprando a comida.

este ano, fazendo a lista de convidados potenciais, me dei conta de que era gente demais. tem o impacto de volume de comida e gente na casa, claro, mas o mais importante é que quanto mais gente, menos interação. nunca consigo conversar com as pessoas nas festas, mesmo quando são pequenas, e gosto de receber gente em casa justamente pra interagir. então quanto menos melhor. e o otto não é (pelo menos ainda) o tipo de criança que gosta de multidão, barulho e bagunça. ele gosta de brincar com as pessoas um-a-um, detesta barulhos altos (ainda bem, eu também), é muito mais introvertido que extrovertido. então, ao contrário do que eu sempre faço, estou reduzindo cada vez mais os convidados das festas, e sempre pessoas muito próximas.

preparar a comida é um grande prazer pra mim. não é uma questão de orgulho de dona de casa perfeita, não, é muito mais o prazer que me dá conceber o que servir, preparar e ver as pessoas comendo. o processo de elaboração e preparo me faz feliz; alimentar pessoas me faz feliz. então aproveito as oportunidades como essas para ser feliz antes e durante (depois vem a louça e a bagunça, que não me deixam tão feliz) 😉

na lista de convidados estarão esse ano nossa família (pai, mãe, irmãos, tios, primos) e os amigos que convivem com o otto com frequência (afinal, a festa é pra ele!). não convidamos nenhum amiguinho da escola porque ele não gosta de nenhum em especial por enquanto, não tem “amigos”, são só as crianças que vão pra escola com ele.

no cardápio, sempre procuro colocar opções saudáveis, mas sem odarice, que acho um saco. do mesmo jeito que fico chocada com as festas de criança que só servem comida podre (quilos de açúcar, chocolate, refrigerante, fritura) também não gosto de imitação de comida de festa com tudo natureba. festa é festa, é exceção. é dia de assar o javali, de servir cerejas turcas, experimentar chocolate, de tirar o cristal do armário. sou adepta da comida honesta, mas sempre feita pra celebrar.

o otto não consumiu açúcar nenhum (e nem sal; e nem tempero) até depois de 1 ano de idade. na festa de aniversário dele teve brigadeiro e bolo, tudo com açúcar, normal. eu estava disposta a deixá-lo provar o que quisesse na sua própria festa, mesmo não oferecendo nada disso em casa, nunca. só pedi que as pessoas não insistissem pra que ele comesse, que deixassem que a escolha fosse dele. todos respeitaram (avós inclusos), e ele não comeu NADA de açúcar, porque não quis, não se interessou. comeu pão, se não me engano, carne desfiada, enfim.

na festa de 2 anos fiz da mesma forma — bolo, brigadeiro, etc. ele comeu pipoca loucamente, pão, experimentou o bolo (1 garfada, e largou), cuspiu o brigadeiro e pronto.

nas festas de outras crianças ele tem pedido pra experimentar o bolo e doces, mas sempre larga depois da 1a mordida. definitivamente não é uma criança de doces (chocolate ele tem comido com mais gosto, mas sempre os pedaços mais “puros”, sem muitas melecas). os salgados ele come o que tiver, mas também não é grande fã, ele gosta mesmo é de pão/torrada e comida.

este ano decidi fazer 1 bolinho pequeno de maçã pra cantar parabéns e cortar (é o preferido dele), e alguns cupcakes de fubá (que ele adora) e outros de chocolate, além do brigadeiro (de colher, que ele adora, e de enrolar que eu adoro). farei também pão recheado de linguiça, torta de cogumelos, pão de queijo e pipoca. farei também pão e legumes crus (cenoura, salsão, pepino, brócoli) pra comer com molhinhos (queijo, alho e curry), e frutas que possam ser comidas com as mãos (cereja, uva, morango). suco natural, refri pra quem tomar, cerveja, sitara que sempre fazemos, e é isso.

comida honesta, feita em casa por mim e pela família (todos me ajudam! adoro), mas sem ser a-chata-da-comida-saudável. até porque a hora de ser saudável não é na festa, né, é no dia a dia. e isso temos feito muito bem 🙂

o desfralde, essa merda :)

ah, a beleza do desenvolvimento humano! uma das coisas mais interessantes de se tornar pai/mãe/cuidador é aprender que somos resultado de anos de treino e aprendizado, que coisas tão corriqueiras e automáticas para adultos quanto fazer cocô e xixi na privada, usar papel higiênico e lavar as mãos foram aprendidos em algum momento. é meio óbvio que não nascemos sabendo essas coisas, mas como esquecemos o processo de aprendizado, é espantoso acompanhar cada pequeno passo pelos olhos de quem ensina. e perceber (não sem ganhar um pouco de humildade, com sorte) que um dia nós também não soubemos como fazer cocô e xixi na privada. kudos para meus pais, parentes e professores, que me ajudaram nesse aprendizado tão essencial e para o qual até este momento eu nunca tinha dado bola.

(o mesmo vale para o processo de aprendizado da linguagem, mas isso é assunto pra outro post)

em meados de janeiro (otto estava com 2 anos e 4 meses, 28 meses) iniciamos o processo de desfralde, por alguns motivos/sinais: ele começou a ficar resistente a colocar fralda; ele comunica bem o que quer/não quer, viabilizando o processo de aprendizado; ele se interessa pelo cocô e xixi, dar descarga, etc.; ele começou a procurar “privacidade” ao fazer xixi (e em especial o cocô). todos os lugares em que li sobre o assunto indicam que esses são bons sinais de que ele está pronto para iniciar o processo. mas…

… são 2 meses de tentativa, e o processo está lento. iniciamos tirando a fralda, contando pra ele que íamos começar a fazer xixi na privada (ou nas plantinhas, ou no ralo do chuveiro…), “que nem o papai” (que teve que voltar a adotar o xixi de pé, que ele não costuma fazer em casa, por pura conveniência — sentar é mais prático e não tem risco de sujar nada :D), e cocô também. desde muito pequenino acostumamos a dar tchau pro xixi e cocô (jogamos na privada, quando a consistência permite), então é um processo que ele já conhece.

bem, o xixi de pé ele amou, claro. mas só agora, depois de 2 meses, ele percebe em 50% das vezes que precisa fazer xixi e pede. os outros 50% ou somos nós que insistimos (e ele resiste, sempre) pra tentar fazer ou ele faz na calça mesmo. uma coisa que fazemos desde o começo (e é mais difícil do que parece) é não reagir mal quando ele faz xixi ou cocô na calça, no chão, enfim. procuramos lidar com naturalidade, explicar que tá tudo bem, que quem sabe na próxima vez ele lembra de pedir, etc. quando é xixi, deixo ele com a cueca/short molhado um tiquinho (pra perceber o molhado, o que aconteceu) e aí troco. o cocô não tem jeito, tem que ser imediato mesmo.

em relação ao xixi sentimos progresso, ele já segura por um bom tempo e algumas vezes pede pra fazer. o cocô, por outro lado, o progresso é zero — ele nunca pediu pra fazer e simplesmente não aceita sentar e “tentar”, nem no penico e nem na privada com o redutor. ele parece preferir fazer cocô em pé ou agachado, e sentar é um problemão. aí é isso: cocô sempre na calça, apesar de ser sempre nos mesmos horário e percebermos quando vai rolar e tentar convencê-lo a sentar e fazer na privada/penico.

não sabemos o que fazer quanto a isso, e não queremos que ele se chateie com o processo, então vamos deixando e limpando muita roupa, e o chão, quando escapa. consultando amigas, nos disseram que para o cocô o controle dos esfíncters realmente precisa estar mais desenvolvido, então nos resta esperar e continuar tentando. uma amiga mencionou tentar ver se ele topa fazer cocô agachado, no penico. nunca tentei, vou tentar essa semana. e também recomendaram deixar ele brincar de subir escada e andar de bicicleta/velocípede, que ajuda a fortalecer e desenvolver a musculatura da região. vamos tentar também, e ver o que acontece.

enquanto isso, nos deparamos com situações como a de ontem, em que ele estava tomando banho de banheira comigo e agachou. eu desconfiei, e perguntei mil vezes se ele não queria tentar fazer cocô na privada, porque “no banho não pode, o cocô não toma banho com a gente, e blá blá blá”, e ele se recusou. até que ele vira e me diz “o otto NÃO fez cocô!” e lá vem o COCOZÃO boiando ao nosso redor… 😀

aí imaginem a correria pra sair da banheira, lavar os 2 (sorte que o cocô dele é bem firme, o prejuízo foi mínimo), se livrar do cocô (parabéns, papai, o pescador de cocô!), lavar a banheira com água escaldante, etc. e no processo todo, ele acompanhando e achando o máximo observar o cocô dele lá, na banheira. quis dar tchau, ajudar a limpar e tudo o mais.

a maternidade não é super divertida? 🙂 imagino que lindo deve ser o processo de ensinar a criança a se limpar sozinha… looking forward to it (NOT)

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e aí ouço as histórias de desfralde mais lindas do mundo, como um amigo cuja filha com 1 ano e meio (!) que pediu para tirar a fralda, por conta própria. e nunca mais usou, sem NENHUM incidente. inclusive à noite (ela acordava os pais pra fazer xixi no meio da noite, percebam o nível). e morro de inveja, né.

a propósito, todo mundo me disse que meninas desfraldam mais rápido que meninos, não sei se é lenda, mas no geral somos mais rápidas em tudo, não? 🙂

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DICAS SÃO BEM-VINDAS. PLEASE.

criando um gourmet

o título é uma piada, é claro, porque eu jamais faria esforço para criar um gourmet. não por nada, é que acho uma bobagem sem fim chamar culinária de arte. cozinhar é viver. e meu interesse principal é mostrar ao meu filho (e a quem me acompanha nessa vida, sempre que possível)  que comer é legal, divertido e gostoso (além de necessário). e que não é preciso tantos aditivos e subterfúgios pra realçar alimentos, eles são ótimos quando puros (crus ou não).

tenho escrito bastante sobre alimentação do otto desde que ele nasceu. no seu primeiro aniversário fiz questão de fazer um bolo bem lindo e diferente eu mesma (nada contra quem compra bolo do filho, ok? mas pra mim isso é importante, e faço questão de preparar eu mesma como parte do processo de comemoração). no aniversário de 2 anos, fiz questão de fazer todas as comidas servidas na festa em casa, com a ajuda das avós, amigos, tios e tias.

o processo de elaboração da comida (começando pela decisão do cardápio, passando pela preparação e arrumação na mesa) é uma das coisas mais deliciosas das comemorações. há uma quantidade enorme de amor nessa preparação, escolha de ingredientes, em todos os passos. não é só comida que se mastiga e engole, é a camaradagem na cozinha, as brincadeiras durante a preparação, a mesa sendo arrumada, o resultado final, a conversa sobre o resultado.

e assim também é no dia a dia — comer é socializar, interagir. dar de comer é cuidar, e amar. a comida do otto sempre foi feita com cuidado, técnica e amor, seja por mim ou pela babá dele, que tem com a comida a mesma relação que nós da casa. talvez por isso ela esteja trabalhando tão bem conosco há 5 anos, sempre tão bem alinhada com nossos valores. ela e eu começamos o processo de alimentação do otto juntas, e ela (com 2 filhos e 1 neta) me ensinou muito também. preparei no papel a lista de alimentos dele quando começamos o processo, experimentei tudo que ele comia, mudamos as combinações conforme a reação dele à comida, e dia a dia apresentamos a ele o maravilhoso mundo dos alimentos. e como resultado, o otto ama comer e experimentar coisas novas!

o otto nunca comeu papinhas industrializadas. comprei uma vez, para testar “na rua”,  como backup (caso ele recusasse a comida feita em casa), mas nunca foi necessário. a verdade é que ele só comeu papinha por 2 meses (até o final dos 7 meses), pois logo que se acostumou com a papinha começamos a dar pedaços de legumes, frutas e carnes (aos 9 meses). e logo que percebemos que ele mastigava, começamos a separar os alimentos bem claramente no prato, e começou a comer arroz, feijão amassado, e tudo o mais. com 12 meses ele comia salada, prato principal e fruta de sobremesa, como um adulto. sal e temperos mais fortes só colocamos a partir dos 2 anos (apesar de sempre ter comido tudo do jeito que era servido quando estávamos na rua). outra coisa que não incentivamos foi tomar suco de fruta, sempre preferimos dar a fruta diretamente (e ele gosta mais). o único suco que damos é de laranja, feito na hora, pela manhã, já que ele não toma leite.

antes de 12 meses, o que fazíamos era levar a comida dele em potinhos, pra onde íamos. e quando possível (faço isso até hoje, aliás), ele almoça antes de sairmos, especialmente quando não temos controle sobre o cardápio. há poucas coisas realmente proibidas na alimentação dele — (*) refrigerante e álcool 😀 — então comer fora não é problema. como em casa ele come de forma muito regular e correta (salada + prato principal + fruta), não nos importamos que ele coma coisas piores nos fins de semana. a verdade é que depois dos 12 primeiros meses de “doutrina” dos alimentos (sem sal, sem tempero, tudo colorido e separadinho no prato, muita variedade) ele não tem medo de experimentar nada, e quer provar de tudo. gosta de variedade, não dá muita bola pra doces (come, mas sem muita fissura) e não se acostumou a tomar líquidos junto das refeições. seguimos a recomendação do pediatra dele de preferir sempre comer a fruta ao invés de tomar suco, e ele acostumou.

hoje em dia ele almoça e toma o lanche da manhã na escola — menu ovo-lacto-vegetariano e orgânico, já falo sobre isso — e toma café, lanche da tarde e janta em casa. sempre comida preparada por algum de nós (pai, mãe ou babá) ou pela cantina da escola, preferencialmente alimentos orgânicos (ovos e frango sempre orgânicos). faço bolo 1 vez por semana, quando o pai toma sorvete ele toma também, quando a mãe quer pipoca ele come também 🙂 e nos fins de semana, comemos o que decidimos na hora.

um dos fatores de decisão sobre a escola que ele frequentaria foi o cardápio de almoço e lanche. nos incomodou demais a quantidade de alimentos que nos recusamos a consumir que são servidos nestas escolas, entre eles: pãozinho “sevenboys”, margarina (!), suco de caixinha, frango e ovos não orgânicos. nada de fruta ou castanhas de lanche, porque “as crianças não comem”.

somos absolutamente contra restrição de proteína animal para crianças. diferente do que muita gente afirma, em especial para crianças, é recomendada a suplementação em caso de dietas vegetarianas. não faz sentido algum pra mim optar por suplementar artificialmente com vitaminas que podem ser obtidas diretamente dos alimentos. entendo a opção de um adulto em ser vegetariano, é válido e legítimo, mas não acho correto impor a mesma decisão (que nem é decisão, afinal) a uma criança. mas vegetarianismo é como religião — não dá pra discutir, porque passa por crença e motivação moral e ética. então falo somente por mim: se meu filho decidir ser vegetariano (ou judeu, enfim), é opção dele, quando tiver discernimento para decidir. privá-lo de proteína animal em sua fase de crescimento por uma convicção, sem ter 100% de certeza das implicações no seu crescimento e desenvolvimento? não mesmo.

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me motivei a escrever este post porque muitas pessoas me parabenizam pelo ótimo apetite e disposição pra comer do otto. e eu acho estranho, porque no fundo sempre acho que esse amor pela comida e pela experiência de comer é inato, é dele. mas pensando racionalmente (e lendo muito do que se escreve por aí sobre hábitos alimentares de crianças), acho que não é só isso mesmo. repensei algumas das nossas práticas alimentares da casa, e acho que têm sim impacto no comportamento dele. e resolvi compartilhar, apesar de não haver comprovação nenhuma e eu não poder garantir que vai funcionar com todas as crianças. mas quem sabe né? tentar não custa.

1) seja a mudança que você quer ver no mundo. você, ou as pessoas que convivem com a criança, são chatos pra comer, não comem de tudo? esqueça. vocês são os exemplos, e não existe o “faça o que eu digo mas não faça o que eu faço”. a alimentação do outro é uma das coisas que é impossível controlar, mesmo quando o outro tem só 8 meses de idade.

2) ofereça o mesmo alimento repetidas vezes, em especial no começo do processo de alimentação. o pediatra do otto sugeriu que servíssemos a mesma fruta por 7 dias, mesmo que ele recusasse, e só então trocasse a fruta. pra que ele conhecesse a fruta, a cara, o cheiro, o gosto, a textura. as crianças recusam tudo que não for leite da mãe, no começo. resistir à mudança é parte da natureza humana, é preciso insistir para ensinar que coisas novas podem ser legais, depois que deixam de ser novas. aos poucos eles aprendem que coisas novas podem ser interessantes (mas continuam recusando no começo. continue oferecendo)

3) nunca insista à força. nunca. essa briga você vai perder. não é possível obrigar alguém a se alimentar de forma consistente. é preciso criar o interesse, e principalmente tornar a hora da refeição um momento agradável, feliz, gostoso. não quer comer? não coma. coma você, mostre prazer em comer. as crianças funcionam por imitação. aconteceu mil vezes do otto não querer alguma coisa, até outra pessoa experimentar — aí ele queria. e amava, e repetia.

4) sempre ofereça muita variedade. as crianças gostam de brincar com a comida, de se divertir enquanto comem. além disso, é importante ter a opção de recusar — se você colocar só 2 alimentos, e ela recusar 1 deles, sobrou só 1. se você oferecer 5 tipos de alimentos e ela recusar 2, ainda sobraram 3. é normal a criança se recusar a comer alguma coisa, faz parte inclusive do processo de auto-afirmação. deixe que a criança tenha a opção de escolher. faça porções pequenas, para não desperdiçar, e pronto (dependendo do caso eu guardo o que ele não quis, e sirvo de novo em outra refeição, e ele come!)

5) a propósito — acostume-se com o não. lide com o não de forma natural, como lida com o sim. a criança precisa sentir que o não/sim têm o mesmo peso, senão a recusa vira arma contra você!

6) não rotule o gosto da criança pela recusa. um “não” não significa que ela não gosta do alimento, mas que naquele momento ela não o quer. quando a gente rotula o gosto da criança rapidamente demais, as opções começam a ficar escassas, e pior, a criança não terá oportunidade de mudar de ideia, porque você não vai mais oferecer! ou pior: vai se convencer (por sua causa!) que ela realmente não gosta de X. policie-se, evite rotular, insista, tente de novo e surpreenda-se.

7) faça pratos bonitos. misture sabores e texturas. não cozinhe demais os legumes, assim que a criança começar a mastigar. mastigar é divertido, e faz parte do processo digestivo. não faça “melecas” misturadas e purês, separe os alimentos claramente no prato. ensine o nome dos alimentos, aproveite a refeição para ensinar sabores (azedo, amargo, doce, salgado, etc.), texturas, cores. não tenha medo de deixar a criança experimentar ardidos, azedos, amargos. elas podem gostar!

8) seu filho não é você. ele pode ter gostos diferentes dos seus, então não limite o gosto dele tomando como base o que você gosta/desgosta. não é porque você odeia melancia (meu caso) que não vai servir para a criança (otto ama). criança não gosta só de doce, não. não tenha medo de dar alimentos crus (sempre limpos e sob supervisão, claro), castanhas, coisas “duras”. ensine seu filho a comer essas coisas.

9) coma junto com seu filho. eles comem melhor quando a gente come, e se interessam pelo que nós colocamos no prato. o otto experimentou cebola crua porque viu no meu prato, quis, experimentou e amou. come todo dia, e muito, se deixar. não existem alimentos “de criança”, eles precisam experimentar de tudo.

10) ensine seu filho a reconhecer os alimentos “in natura”. mostre as frutas, legumes, verduras, temperos (se puder, no jardim ou na horta). mostre os bichos que ele come. mostre ovos, deixe ele quebrar ovos pra fazer bolo, colocar a mão na farinha, experimentar açúcar, sal, canela. comida não é um prato feito na mesa, é um processo. eles amam aprender sobre o processo, e ajudar na preparação. isso cria uma afinidade e interesse pela comida que não tem preço.

11) evite temperos em excesso nos alimentos (sal, alho, cebola, louro, enfim). temperos são coadjuvantes, somente. apreciar o sabor original dos alimentos é maravilhoso, e só é possível se você não mascarar com temperos. dê ao seu filho a chance de saber qual é o gosto do brócolis puro, sem sal nem azeite nem alho nem nada. quando puder mostrar a diferença entre cru e cozido, mostre. é um aprendizado delicioso (inclusive pra você! aproveite a oportunidade pra re-conhecer seu paladar :D)

(update em 25/março/2013)

12) desencane da sujeira. experimentar com as mãos, esfregar na mesa, no prato, no corpo inclusive, faz parte. comer é também um ato sensorial, que a gente afina com o tempo (curte a textura só na boca), mas pra eles é tudo novo. eles ainda não controlam totalmente o movimento fino, então deixe pegar com as mãos, explorar. dê comida num lugar que seja fácil de limpar, e simplesmente coloque as roupas (e o resto) pra lavar depois. mania de limpeza e organização não combinam com bebês 😉

13) não ache que a refeição vai acontecer em 15min. se estiver com horário pra terminar, comece MUITO antes. eles demoram muito mais tempo que a gente pra comer, normalmente, e isso independe da fome. a refeição não é tempo só de se alimentar, mas de explorar, aprender, conhecer, e se relacionar com quem está dando a refeição. se estiver dando muito trabalho ou estiver de saco cheio (enche o saco às vezes, tá?), peça pra outra pessoa ajudar, alternando com você. aliás…

14) mamãe, experimente deixar outras pessoas darem a comida, você pode ter uma surpresa. por conta da nossa ansiedade pra criança comer, ou pressa, ou asco da bagunça, a criança percebe que aquele momento ela está no controle, e usa-e-abusa. muitas das relações de cuidado são quedas de braço entre cuidador/criança, elas estão justamente na fase de aprender sobre controle nos relacionamentos. quebre o ciclo, mude a rotina, e observe como as coisas mudam.

eu teria muito mais pra escrever sobre isso, mas acho que tá bom pra agora. espero que seja útil pra alguém 🙂

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(*) pensei melhor e a lista não é tão pequena. fazem parte dela: sucos adoçados, chocolate de forma geral (ele só come quando a gente come, e é raro), bolacha recheada (dependendo de nós é jamais, em casa não entra), doces “de criança” tipo pirulito, balas, chiclete, salgadinhos de saquinho (nunca são comprados por nós também) estão na lista de no-no. evitarei ativamente que ele coma enquanto for possível. atualmente ele nem sabe o que é bala, pirulito, por exemplo. bolacha ele come, se oferecer, porque de vez em quando compramos um cookies orgânicos, e ele sabe a “cara” do alimento. mas não gosta muito, pra ser sincera. já doritos ele amou (puxou à mãe).

mézimor péssicor

ou, em inglês padrão, morris lessmore, protagonista de umas das apps preferidas do otto e também de uma das histórias que ele mais gosta de ler com a gente antes de dormir.

pra quem não conhece, tenho o prazer de apresentar the fantastic flying book of morris lessmore, ou numa linda tradução do livro para o português, os fantásticos livros voadores de modesto máximo. você pode escolher a mídia, é tudo lindo: o curta, ganhador de oscar em 2012, entre outros prêmios; a aplicação para ipad, que é apaixonante e interativa (além de contar com uma impecável narração); o livro, que usa o mesmo texto da aplicação e é muito bonito também.

não me lembro de onde veio a app, quem indicou (não conhecia o curta e nem o livro), mas nos apaixonamos imediatamente. o otto demorou um pouco para curtir de verdade, mas depois ficou fã e volta com frequência para a história, e interage muito bem. é muito lindo quando contamos a história usando o livro, pois ele complementa com as informações que estão na app (que é mais completa), e lembra inclusive das músicas!

resumindo, essa é a história de morris, apaixonado por palavras, livros e histórias. um dia, um furacão levou tudo o que ele tinha, inclusive as histórias do seu livro pessoal, e ele, sem destino, saiu andando pelo mundo. encontrou então uma linda moça que voava, arrastada por um esquadrão de livros voadores! ela pediu que um dos livros o acompanhasse, e este livro o levou à biblioteca dos livros voadores, onde sua história com os livros começou. e mais não conto, pra não estragar a história 🙂

recomendo muito o curta, a app e o livro para todos, mas em especial para as crianças. essa história de amor aos livros é linda, e muito emocionante.