a história da chupeta

chupeta sempre foi um assunto que eu considerei simples antes de ser mãe: não darei  para o meu filho, já que não tem nenhum benefício.

mas aí seu filho nasce num parto complicadíssimo e passa 8 dias na UTI, onde você pode visitá-lo somente a cada 3h, e as coisas mudam. ele chorava, sem ninguém amamentando ou pegando no colo, então as enfermeiras deram chupeta pra ele e uma boa parte do tempo isso era suficiente pra ele não chorar. quando a fome apertava ele chorava MUITO — quando eu chegava pra amamentar, ouvia de longe o menino gritando de fome, e além da preocupação com a situação (ele estava na UTI em observação, pra ver se não havia nenhuma seqüela do parto) eu ainda sofria horrores de não poder dar o peito na hora que ele quisesse.

dessa forma, minha opinião sobre a chupeta tornou-se irrelevante e cedi. não suportava a ideia de deixá-lo chorando sem colo e sem peito. a chupeta é um substituto ruim, mas me pareceu melhor que a alternativa. não me arrependo.

voltando para casa, tínhamos muito medo e total inexperiência. a chupeta não atrapalhou em nada a amamentação (ele pegou o peito perfeitamente de primeira, e assim foi até que decidiu desmamar por conta própria aos 9 meses), mas acredito que pelos 8 dias na UTI ele associou o peito a comida e não ao efeito calmante, e simplesmente não aceitava mamar como forma de conforto ou mesmo para dormir. mamar, pro Otto, sempre foi objetivo: acabou a fome, acabou o peito. os incômodos e o sono nunca foram resolvidos com o peito, ele não pegava de forma nenhuma sem fome. colo sempre foi essencial, ele ficava mais calmo e muitas vezes parava de chorar estando no colo (andando, de preferência), mas o peito era buffet mesmo.

acho até que por isso aos 9 meses, quando ele já tinha muitos dentes (>7 com certeza) e comia de tudo, desinteressou do peito. pegava pra mamar, e ele mordia o peito, cuspia e ria. não queria mesmo, pra minha frustração (se pudesse, teria amamentado até sei lá quando, era muito legal, em especial depois da 1a fase de mamar a cada 2h).

mas enfim, devido a esse detalhe do peito não acalmar a criança, a chupeta tornou-se uma âncora, porque acalmava o menino imediatamente. talvez se tivéssemos suportado o choro nos primeiros dias e “ensinado” pra ele que o peito era uma boa alternativa à chupeta, ele tivesse aprendido. mas se você tem filhos e lembra o que a gente sente quando o recém-nascido chora, há de ter empatia com nossa situação e entender que a chupeta já não parecia tão ruim.

conforme a época crítica de RN foi passando, reduzimos o uso da chupeta para apenas a hora de dormir (e sempre que podíamos, tirávamos da boca dele enquanto dormia). quando ele parou de mamar no peito, adotamos a mamadeira (que ele aceitou na boa, bem parecida com a chupeta) para dar leite, porém paramos quando ele completou 2 anos. por mais que tivéssemos cedido à chupeta e à mamadeira, sempre tivemos a preocupação de minimizar o uso e evitar problema buco-maxilares. e escovamos os dentes dele pelo menos 2x/dia desde que os dentes nasceram, aos 6 meses.

(além de acharmos bem complicado a criança usar chupeta o tempo todo)

aos 3 anos levamos o otto a uma dentista pela primeira vez, e pra nosso alívio ela afirmou que não havia nenhuma consequência do uso da chupeta na dentição, nem nada que fosse visível. ele tem os mesmos problemas alérgicos de nariz que eu e o pai, que não acho que têm relação com chupeta, a genética explica 100% (mas veja que disse ACHO, já que não investigamos nem sou especialista no assunto). sorte, ou é porque o uso da chupeta nunca foi muito intenso.

o otto sempre deu trabalho pra dormir, e a chupeta também era uma muleta enorme. naquele momento crítico do sono, da chatice do cansaço, a chupeta ajudava a acalmar e ele dormia. não nos parecia OK deixá-lo chorando pedindo a chupeta e simplesmente não dar, ele parecia tão pequeno ainda! nós estávamos aqui há mais de ano sofrendo com o momento de tirar a chupeta, já que tampouco nos parecia legal inventar alguma história maluca pra tirar a chupeta (dar pro papai noel, pro coelho da páscoa, pros ETs…).

até que há 1 ou 2 meses a boquinha dele apareceu meio assada, como que rachada de frio. achamos que podia ser de dormir com a chupeta, pois ficava bem vermelho acima do lábio superior. decidimos tirar a chupeta por uns dias pra ver como ficava, e explicar pra ele que não ia usar a chupeta porque estava machucando a boquinha. não era uma tentativa de tirar a chupeta, era mesmo um jeito de testar uma hipótese.

na 1a noite ele pediu a tetê, e explicamos a situação. ele reclamou (não lembro se chorou, mas reclamou), explicamos de novo, ele acabou cedendo. pra nosso espanto (e alívio) dormiu normalmente, sem chupeta. fizemos o mesmo no próximo dia, e nos demais, até que a boquinha melhorou. ele continuou pedindo a tetê, mas cada vez menos enfaticamente. continuamos explicando, e quando a boca melhorou percebemos que podíamos eliminar a chupeta sem drama. alguns dias depois, ele já não pediu mais, como se a chupeta nunca tivesse existido! e o sono continua bom, normal, dormindo rápido quando cansado e mais devagar quando está menos cansado.

no fim a assadura na boca não era da chupeta, é causada por ele mesmo, que passa muito a língua no lábio quando o tempo está muito seco. tenho passado batom hidratante e melhora 🙂

não sei se tiramos a chupeta tarde demais, e nem se existe algum problema causado por ela que nem descobrimos, mas essa foi mais uma das muitas lições de ilusão de controle e certeza que a maternidade me trouxe: nem sempre a gente consegue fazer as coisas do jeito que considera ideal; as coisas acontecem no tempo em que precisam acontecer, e não quando a gente quer — precisamos estar atentos se agir na hora certa quando ela aparece!

apanhado do facebook: agosto

Chegou dia 1, que eu adoro em todos os meses , mas chegou também pra meu espanto (onde foi o resto do ano?) Agosto, que há 4 anos virou meu mês favorito.

Há 4 anos eu estava em casa, com uma barriga do tamanho do mundo, arrumando o quarto do menino, lavando roupas minúsculas e vendo a jabuticabeira florir.

Todos os anos, agora, passo esse mês de Agosto tentando lembrar da vida antes de ser mãe desse rapazinho, e parece outra vida. Era boa, às vezes era inclusive melhor, mas era outra.

No meio do inverno, me aqueço com as lembranças e esse amor tão novo, tão intenso.

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Fiquei tão feliz hoje — fomos a um encontro com pessoas do meu trabalho e suas famílias, e como sempre não tive grandes esperanças do Otto ser sociável, em especial com as crianças da idade dele (com adultos o processo é lento mas acontece).

Além do evento ser uma delícia, o Otto não só se interessou pelas crianças (OK, não as da idade dele, mas pelo menos eram crianças!), como chegou a ir sozinho falar com elas e chamar para brincar! \o/

Mas, sempre estilo Otto-o-diferente: vendo as crianças brincando juntas, um monte de meninos, ele chega perto e fala: “Meninos, cheguei!”

(Bonitinho é ver os meninos tão receptivos, chamando ele e tentando enturmar. Dá um quentinho no coração vendo crianças do bem ♥)

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Fernando está criando um monstro.

Eu gosto de trazer coisinhas pro Otto de vez em quando, quando chego da rua. Às vezes é um adesivo, um brinquedinho, um papel, um giz, algo de comer. E ele adora, claro, então vira e mexe, quando eu chego, ele além de me dar o melhor sorriso e abraço do mundo (nada se compara à carinha de feliz do filho quando a gente chega ♥), ele quer saber se “eu trouxe alguma coisinha”. Às vezes tem, às vezes não, e tudo bem.

Hoje tinha — comprei um monte de frutas lindas que tem perto do meu trabalho, e em especial um saquinho de cerejas pra ele.

Cheguei, abracei, beijei, ele pergunta: “tem alguma coisinha?” e lembrei que tinha.

Eu, mega empolgada: “Tem! Trouxe cereja!!”
Otto, desapontadíssimo: “oba.”
(Assim, com minúscula mesmo)
Eu, -fuén-: “O que você queria?”
Otto: “M&M, tem????”

Fer: “Tem, o papai trouxe!”

OLHA, TECONTAR! 😛

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Otto enlouquecido com a visita do vô Gê, batendo papo agorinha:

Otto: “tem planetas lá fora?”
Vô: “o que você acha? Você conhece os planetas?”
Otto: “conheço, e acho que eles estão chegando!”

(Está anoitecendo e as estrelas começam a aparecer)

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Hoje meu menininho completa 4 anos. Ontem eu disse que ele faria aniversário, e ele falou “mas eu quero que seja seu aniversário também!”

Expliquei pra ele que era meu aniversário também, já que no dia em que ele nasceu uma mamãe nasceu também. Que todo ano, no dia 27 de Agosto, eu também comemoro meu aniversário de mãe e fico muito feliz.

Eu, que amo o dia do meu aniversário, também tenho há 4 anos mais um dia no ano que é o dia mais feliz <3

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Presentes de aniversário: bonequinhos da Eva e Wall-e.

“Ela é linda!” (Sobre a Eva)

“Eu adorei!”

Não dá pra explicar a felicidade de ver o filho da gente feliz. É sobrenatural.

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Fiquei tão impressionada com o Wall-e que o Otto desenhou que fui perguntar pro Fer e Maria se eles não tinham desenhado!

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Texto muito didático sobre essa técnica que eu uso há alguns anos (e não sabia que tinha esse nome), e é maravilhosa. Aprendi em cursos sobre feedback e depois lendo o livro “a auto-estima do seu filho” tudo fez ainda mais sentido.

Não é fácil aplicar, já aviso. Tenho dificuldade por exemplo com a escuta empática. Mas é essencial praticar, mesmo que nem sempre dê certo. A intenção é tão ou mais importante que o resultado.

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Meu filho, esse que eu amo mais que tudo, me matando de vergonha: todo mundo chegando pra festa de aniversário com presente, e ao entregar pro Otto escuta algo como — “mas sabe o que eu queria MESMO de presente? O Chick Hicks”.

A gente escuta a mesma coisa há meses, e não achamos pra comprar. Encomendamos com a Raquel, e nem sei o que será quando o bendito chegar.

diário do otto: 4 anos

“as entradas no meu rosto

e os meus cabelos brancos

aparecem a cada ano

no final do mês de agosto”

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otto,

há 4 anos eu ainda não tinha 40 anos, e ainda era exclusivamente filha. as jabuticabeiras todas estavam em flor, o varal cheio de roupinhas minúsculas, o seu quarto já estava arrumado e nós esperávamos o desconhecido. lembro daqueles dias de fim de inverno, cheio de luz, flores, muitos tomates (adorava comer tomates durante sua gravidez) e uma espera que parecia interminável. é engraçado lembrar como eu não sabia, não tinha ideia, nem de leve, do que seria a vida algumas poucas horas depois.

agosto nunca foi um mês especial pra mim, mas depois de você tornou-se o mês mais intenso do ano aqui por dentro. o mês de março, que é meu aniversário, é cheio de alegria e euforia (amo completar mais um ano!), mas seu mês é puro sentimento. seja pela espera, chegada ou entrada em nossas vidas junto com a primavera.

tornei-me mãe de supetão (a gravidez não me preparou para o que viria. será que prepara alguém?), mesmo achando que estava preparada. ao chegar de forma completamente diferente do que eu tinha planejado, você já me ensinou que nem sempre temos controle de tudo; o período na UTI me lembrou que toda minha força e fé estão em mim, nos outros humanos que nos cercam, e não em algum deus ou entidade superior (sempre tive esperança que tudo aconteceria da forma mais perfeita e possível, que tudo ficaria bem); sua chegada em casa criou uma nova família, um mundo novo, pessoas novas.

não foram 4 anos fáceis, em especial os primeiros meses. percebo agora que (exatamente como temia) não estava preparada para ceder, doar, deixar ir a vida anterior. resisti, e por isso machucou tanto. não é que seja fácil (não é. lembre, caso eu não esteja mais aqui quando e se você decidir ser pai), mas tudo se torna muito mais difícil quando não deixamos a correnteza nos levar, e eu nadei à toa por muito tempo, até entender que jamais as coisas seriam iguais, e isso não é necessariamente ruim.

pois agora, 4 anos depois, quero repetir pra você uma frase que meu professor de ioga sempre dizia e demorei a internalizar: a dor é inevitável (física ou não), mas o sofrimento é opcional. em muitos momentos esqueci a dor (existência ou ausência) e me dediquei a sofrer. sofri com as noites insones, o cansaço, o medo, a preocupação. melhor seria ter simplesmente sentido tudo que cada um desses fatos trazia, e deixar passar, feito água.

muito mais fácil falar que fazer, meu amor. mas vale a tentativa, porque depois de passado o tempo, que dá perspectiva e lucidez, vejo que podia ter sofrido muito menos se fosse simplesmente menos controladora.

neste seu aniversário, mais que sua festa, presentes, abraços e amor, deixo aqui um conselho para a vida: não tente controlar nada. planeje, sonhe, realize, brigue pelo que você acredita e quer, mas não se machuque resistindo ao que é inevitável, ou muito difícil. tente ser flexível, sinta quando o pensamento não ajudar mais. olhe pra dentro, e liberte-se dos limites ou metas que você se auto-impôs.

seja feliz, seja livre.

amo você mais que o mundo, mais que tudo.

um beijo, mamãe.

 

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preciso também contar como foram esses meses, não? foram lindos. teve escola, família, construção da casa nova (tá quase pronta! mais 3 meses e acho que mudamos), mudanças pequenas e grandes no dia a dia, sua personalidade cada vez se mostrando mais — assertivo, direto, introvertido, carinhoso, sério. um menino especial, muito diferente das demais crianças que conhecemos, e em especial muito diferente de mim. o que é fonte de inúmeras preocupações (não sei lidar com o que não conheço, e sofro) e espanto (encantamento, medo, surpresa. você traz um mundo de aprendizado pra mim diariamente).

você tem brincado muito com bonecos e carrinhos, inventando roteiros e histórias, sozinho na maior parte do tempo. ainda não vemos você muito interessado em outras crianças da sua idade, mas num período de 3 meses passamos de “muito preocupados” com sua falta de interesse por amigos para “ok, é assim que ele é” depois de uma mudança significativa no seu comportamento bem no meio das férias. você se tornou subitamente mais falante, interativo, chama as pessoas (adultos ou crianças maiores) para brincar, faz perguntas até para desconhecidos e parece mais confortável em locais desconhecidos. ainda achamos que você deve ter mais interações sociais da sua idade, mas nossa preocupação com isso diminuiu muito. esperamos que você cada vez mais se solte, e consiga transitar sem problema em ambientes sociais, não porque é o “certo” mas porque vai ajudá-lo muito na vida 🙂

sobre as férias: fomos para ubatuba visitar o vovô Ivan e tio Kito , paramos em angra e no rio, e na volta conhecemos petrópolis, terminando com um divertido acampamento em itatiaia. foi sua primeira vez acampando, e você amou cada momento. foram 20 dias de férias com você, e pela primeira vez em muito tempo eu não cansei das férias, e confesso que queria ficar junto mais um pouquinho, aproveitando nosso tempo juntos como família.

nossos dias têm sido bons, meu filho querido, não me canso de fotografar e contar como somos felizes na maior parte do tempo. é lindo ver um ser humano crescer, e é mais lindo ainda quando podemos contribuir e participar <3

aqui você encontra fotos de todo o período: 3a9m, 3a10m, 3a11m.

e a partir de agora me comprometo a continuar contando as histórias frequentemente, mas o diário deve ficar anual (ou semestral). espero que você goste de um dia acompanhar como foi sua infância em tantos detalhes 🙂

apanhado do facebook: julho

Existe um outro tipo de felicidade, que descobri faz pouco tempo: a que vem da felicidade do nosso filho  É tão gostosa, tão emocionante. É louco sentir-se feliz simplesmente porque outro o é (e diferente de quando amamos qualquer outra pessoa. Amor de filho é uma coisa bem fora do radar, bem louca).

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O dia foi louco: acordamos na barra, fizemos castelos de areia, passamos por aquela linda estrada velha para a Tijuca (mágica!), andamos de metrô, encontramos amiga querida de forma planejada, subimos aquela maluquice do Pão de Açúcar (medo, paúra — Otto amou), e descemos quando já era noite. Foi a 1a vez que vi a cidade se acender do alto da montanha.

No meio da rua, à noitinha, enquanto corremos atrás de um menino doido de sono e de um táxi, somos encontrados pela Fernanda, que nos reconheceu e nos abraçamos no meio da rua pela primeira vez (espero que 1a de muitas), com sua filha que de tão linda parece uma ninfa.

Depois disso, entramos num táxi para o universo paralelo e tivemos um episódio de chilique homérico com direito a gritos de aaaaaiiiiiii, chutes e desejos secretos do serviço carioca de disque-homem-do-saco, que só se tornou mais surreal quando passou subitamente com um pedido de “quero um leite com ovomaltine”, na maior calma do universo.

E o dia não seria completo sem o toque final do banho e pijama (novo chilique) seguidos da mãe de cesárea que não percebeu que o shampoo tinha vazado na necessaire e a escova de dentes do menino virou uma mistura de pasta Weleda e sabão (só percebi algo errado quando a escovação virou uma espuma incomum).

O final, previsível, foi infeliz: “ok, tudo sob controle, Otto. Toma aqui um gole de água e COSPE A ÁGUA DE SABÃO, que nem os bichinhos de Madagascar, tá?”

“Pode engolir, mamãe?”

“NÃOOOO!”

Ele engoliu o sabão, é claro.

Boa noite.

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Fomos hoje pela 1a vez ao cinema com o Otto! \o/ Vimos “como treinar seu dragão 2” e ele assistiu bonzinho do começo ao fim. Levantou, sentou no colo e no chão, mas falou sussurrando como ensinamos (uma graça!), e foi um lorde.


OBS: mas ele reclamou de uma coisa (com a qual eu super concordo) — “o som é muito alto, mamãe!”.

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Não que eu precisasse de prova, mas essa semana achei lindo ver como o exemplo funciona melhor que o ensinamento: Otto queria entrar no banheiro, e o Fernando estava tomando banho. Ele foi sozinho, eu só escutei: ele bateu na porta e perguntou “posso entrar?”, como uma pessoinha grande! Nunca ensinamos isso pra ele, nenhuma vez, porque achamos que ele ainda é pequeno, e porque raramente as portas aqui são fechadas 

Achei tão lindo!

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(História do Fernando , mas que eu preciso contar. Basta eu sair dessa casa por umas horinhas e coisas assim acontecem!)

Diz que o Otto queria de todo jeito experimentar uns docinhos que temos num pote de vidro junto à cafeteira, pra fazer graça pra visitas. São docinhos de anis, que ambos odiamos (compramos porque o vidro é lindo, e os docinhos também, nem olhamos o sabor), mas o Fer deixou ele provar. Ele gostou (!!) e ganhou mais 1, e a orientação de não pegar mais.

Fer foi pra cozinha lavar louça e deixou o menino livre. Segundo me explicou, o “senso aranha” de pai apitou e ele foi conferir o que o moleque estava fazendo. Ele estava com um pote de açúcar em cubos na mão, e mastigando, entretido.

Apesar do flagra, não se abalou e informou ao pai: “desse eu não gostei…”

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Otto é um menino muito surpreendente. Ontem ele pegou algumas pecinhas de Lego, juntou com 2 peças que têm rodinhas, fez um quadrado em cima e trouxe pra me mostrar: “olha, mamãe, é o Wall-e!” (realmente muito parecido com a forma do robô, com as rodas embaixo).

Brincando comigo e com o “Wall-e” na cama, eu estava deitada no meio do caminho da brincadeira, e ele então me diz (exatamente assim, perfeito): “o Wall-e está querendo ir nessa direção, mamãe, eu acho que você deveria dar licença”.

Até a gente estranha um pouco esse jeito sério, mas não consigo deixar de achar fascinante essa personalidade tão peculiar dele <3

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O paladar do Otto é totalmente ogro mesmo: hoje comeu joelho de porco com chucrute (pela 1a vez) e gostou, e escolhendo sorvete pela cor, quis o verde. Era pistache (eu adoro, mas…), então pedi pra moça dar um tico pra ele provar antes. “Eu gostei!” e mandou ver no pistache.

Curry, pimenta, queijos fedidos, chocolate amargo, alho, cebola e pistache: check.

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Hoje por puro acaso o Otto assistiu seu primeiro concerto, uma peça de Ravel para 2 pianos. A sala era pequena, com cadeiras, aquele esquema “adulto”, e ficamos um pouco apreensivos com o comportamento dele, mas resolvemos tentar (explicamos antes, e sentamos em local fácil de sair se necessário).

Ele ficou em silêncio, assistiu a peça toda e aplaudiu muito feliz no final Na verdade ele falou, sussurrando, como ensinamos, pra perguntar: “vocês estão felizes? Eu estou feliz!”

Na sequência tocariam uma peça de Saint-Saëns, mas preferimos não arriscar  Uma vitória por vez.

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A gente ficou pensando essa semana como é louco que o Otto já viajou com 3a10m mais que a maioria das pessoas desse mundo, mais que a maior parte dos que conhecemos. O álbum de férias dele é um espanto  Espero que a gente consiga manter nossa meta de deixar como herança pra ele o gosto por viajar e o interesse por outras pessoas e culturas no mundo.

Não tem nada mais legal que viajar.

apanhado do facebook: junho

Morri de fofura extrema: Otto nos chamou pra brincar de adivinhar qual é o bicho fazendo mímica!   

(Pense num menininho deste tamanhinho imitando elefante, cachorro e macaco!)

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É tão pequeno, mas eu amo muito quando o Otto se refere a mim como “a minha mamãe” 

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Todo dia é um drama pra acordar o Otto, às 6:40h, nível novela, com direito a criança se jogando com a cara enterrada no travesseiro, gritando “quero dormiiiiiiiiirrrrr!”.

Sábado, 1o dia das férias. Horário que o menino acorda, felizão:

SEIS DA MANHÃ.

Olha, só amando muito mesmo.

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Otto hoje me perguntando sobre os sabonetes em formato de mini-corações do lavabo:

“Pra que servem esses… coracinhos?”  

apanhado do facebook: maio

Brincando com o Otto no banho, ele é o Sully e eu sou o Mike (Monstros SA). Ofereço (Mike) um ouriço do mar de presente pra ele (Sully), e me aparece essa:

Otto/Sully: “vou dar esse ouriço de presente pra minha filha!”
Eu/Mike: (!!!) “legal, e qual é o nome dela?”
Otto/Sully: “é ZEL!”

(Coloque aqui uma poça de purpurina)

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Otto agora na hora de sair:

“Bom dia, mamãe! Amanhã  (no futuro, não importa quanto tempo) eu vou mandar uma mensagem pra você tá?”

Hahahahaha! 

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Paramos pra comer uma pizza no meio do caminho, o Otto reclama: “aqui não é Marília! Eu não quero pizza!”

Entramos, pedimos pizza. Ele comeu 2 pedaços (sem fome, tadinho), oFernando pediu a conta. A moça atendendo pergunta “quer sobremesa?”, não queremos.

A moça sai andando e o Otto grita: “PÉRA! Eu quero sobremesa!”. Ela volta, lê o menu e ele grita “OBA!”.

Toma um sorvete do tamanho do mundo e estamos de volta à estrada esperando com fé que tudo continue estável no processador de alimentos sentado ali atrás nas próximas 2h.

Oremos.

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Para registro: depois de 3 anos e 9 meses, hoje aconteceu pela 1a vez do Otto dormir no sofá enquanto via desenho no youtube (o Fernando dormiu antes, do lado dele).

Agora oficialmente ele é um dos nossos 

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Diálogos com a figura de 3 anos:


19h, depois de um dia cheio. Chegamos em casa, começou a negociação:

Otto: “posso ver um desenho?”
Nós: “não, amor. Tá escuro, já está tarde, temos que tomar banho, escovar os dentes, colocar pijama…”
Otto: “mas nós PODERÍAMOS ver um desenho antes, não acha uma boa ideia?”
Nós: (hahahhahaha) “não, não é uma boa ideia 

xx

(Otto no banho brincando de barco, eu esperando no quarto)

Otto: “ô mamãe do Ottoooo!”
Eu: “oi, Otto, fala!”
Otto: “aqui é o BARCO, não é o Otto!”

xx

(Banho tomado, prestes a escovar os dentes)

Eu: “quer comer alguma coisa antes de dormir?”
Otto: “posso comer uma fruta?”
Eu: “claro, o que você quer?”
Otto: “um queijo do Wallace, quente!”
Fernando: “ô, fruta dessa eu também vou querer 

apanhado do facebook: abril

A lógica imbatível das crianças 


Fernando: “já demos tchau pra vó Maria Lucia, pra tia Paula e até pro vô Gê. Agora já vamos voltar pra casa, pode dar tchau pra Marília!”

Otto: “não, pra Marília não!”

Fer: ” por que não?”

Otto: “Porque Marília não tem OLHO, papai!”

<3

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Otto hoje estava insuportável. Chorão, manhoso, reclamando de tudo. Estava já perdendo a paciência, quando chegou o motorista e fui me trocar, avisei ele que estava saindo, e tudo ficou claro: “eu não quero que você vá pro Chile, mamãe” 

Foi a 1a vez que ele reclamou, desde que nasceu. Nunca chorou quando eu saí, e nunca saí escondido. Ele me beijou e abraçou, deu tchau e desejou boa viagem, sem chorar ou reclamar. Mas explicou antes que eu saísse: “eu não gosto que você vá pro Chile”.

Eu também não gosto, pequeno.

Suponho que vocês tenham ouvido daí o barulhinho do meu coração se partindo. <\3

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Temos um problema de Páscoa: dei pro Otto um coelho de chocolate e ele se recusa a comer, porque “o coelho não quer ficar sem alguma parte, mamãe!”

A sugestão do Fernando é guardar até ele esquecer, e esquartejar o pobre tal que o Otto não reconheça os pedaços e coma sem culpa.

Me pergunto como será quando ele se der conta de onde vêm o salame, o frango, o bife…

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E hoje logo cedo teve mais um round da mãe-palhaça versus menino-pé-no-chão.


Hoje na entrada da escola teve teatrinho de Páscoa, e eu fui. Mas eu queria fazer uma brincadeira, e decidi prender o cabelo com “orelhinhas”. Fiquei na dúvida entre uma orelhinha toda presa no alto ou prender tipo maria-chiquinha estilo orelhão de cocker. Deixei uma de cada tipo pra ver se o Otto tinha opinião. Ele tinha.

(Fernando me viu de orelhas e riu, claro, como uma pessoa normal)

Eu: “Otto, a mamãe vai fazer orelhas no cabelo pra ir ver o teatro de Páscoa!”

Otto: “mamãe, você já tem duas orelhas!” (ele foi inclusive conferir com as mãos, as duas estavam lá)

Eu: “eu sei, meu amor, mas é de brincadeira. Qual delas você prefere — a pequena ou a grande?”

Otto: “mamãe, eu prefiro sem orelhas.”

Fui sem, né. Fuén.

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hoje percebemos um problema no delicado equilíbrio familiar: toda sexta (ou véspera de feriado, claro) é dia de pizza aqui em casa, desde que casamos. e a pizza é de 3 sabores: são 2 ou 3 pedaços pra mim (depende da fome), os demais pro Fernando.

só que agora o Otto também quer comer pizza no nosso ritual sagrado, e nós estamos felizes por incluí-lo nessa importante tradição da família paulistana, mas… o menino come TRÊS PEDAÇOS DE PIZZA. sozinho (se desse mais, acho que comia mais).

o Fer está de dieta, portanto. ou teremos que pedir 2 pizzas 

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Morrendo de rir aqui com Fernando — Otto passou o dia cantarolando “down to earth” do Peter Gabriel (ele ama Wall-e, lembrem), mas do jeito dele, já que não fala inglês, né. SUPER gozado (filmei, depois subo).

Acabamos de vir conferir o menino, que cantava DORMINDO a música!

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Hahahhahahaha (morrendo de rir) do Otto:

— “TRIIIM-TRIIIM!”
(Pega uma embalagem de brilho labial que estava em cima da pia e coloca NO OUVIDO, à guisa de telefone)
— “Alô, controle de pragas! Como posso ajudá-lo?”

x


DESSE JEITO. Um patrocínio de Wallace & Gromit n’A batalha dos vegetais! 😀

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Não acho que encontrar crianças que gostem de vegetais seja uma missão impossível, conheço várias. E cada vez mais acho que os primeiros meses de alimentação são essenciais para “moldar” a relação da criança com a comida.

(Lembrando que pais neuróticos com alimentação ou cheio de restrições eles mesmos = … Adivinha?)

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levamos (significa — o Fernando levou, eu só agendei :D) o Otto no dentista pela 1a vez esse ano, com 3a7m. morríamos de medo, porque ele é daquele jeito, né (“NÃO ME PEGA!”). na 1a visita ele obviamente soltou um “NÃO ME PEGA” pra pobre dentista, mas logo ficou amigo dela e amou a cadeira cheia de funções. incrivelmente ele já deixou olhar os dentes todos na 1a vez, e pra nossa tranquilidade está tudo ótimo, só precisava mesmo limpar, já que aparentemente nem a escovação nem a pasta-placebo da Weleda estão dando conta.

ele voltou então pra limpeza, e depois de inspecionar TODO o equipamento, ficou encucado com a água que sai do caninho: “mas de ONDE vem essa água?” perguntou pra dentista, encantada com a lógica do menino analítico.

também aproveitamos pra perguntar sobre o uso da chupeta (ele ainda usa pra dormir, somente), e pelo menos nele não teve efeito absolutamente nenhum: nenhuma alteração, tudo perfeito.

agora é planejar pra tirar de vez, ainda esse ano. ele não é exatamente dependente da chupeta (dorme sem, às vezes esquece de pedir), mas tem um relacionamento ali… e do jeito que ele sempre foi chato pra dormir, morremos de medo de mudar qualquer coisinha na rotina.

a ver. vamos lá pra mais uma mudança 

(mas pelo menos os dentes estão perfeitos. segundo a dentista, o fato de não comer doces quase nunca, se alimentar bem e escovar pelo menos 2x/dia é o segredo. e olha que ele tem dentinhos desde 5 meses e meio!)

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Otto: “Mamãe, você sabia que ontem eu fiz cocô no chão?”
Eu: (PAVOR) “Não! Mas onde foi?”
Otto: (rindo) “No chão da sala de brincar!”
Eu e Fernando: (AHHH! <o>) “Que sala de brincar?!”
Otto: “A da tia Kelly! Mas foi muito mais ontem!”

3a7m, aprendendo a posicionar fatos no tempo.

(Em tempo: Ufa.)

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Eu não sei onde o Otto aprende essas coisas, sério. Hoje passei na saída da escola dele pra dar um beijo (estava indo pra Valinhos), ele ficou todo feliz. Aí expliquei que ia embora, até mais tarde, beijo e “Tchau, amor!”. Estava saindo e ele me solta essa: “Tchau nada, vem aqui!”. Assim, bem mandão (como sempre, né, Kelly?)

Pior que eu voltei  #mãemole

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Descobri uma coisa que eu odeio mais que acordar cedo — acordar o Otto cedo.

O menino acorda devagar, e gosta de dormir até umas 8h (isso porque vai dormir normalmente às 20h). O processo é lento e doloroso. Além de não ter ideia de quando vamos ensinar o rapazinho a se vestir, porque se fosse depender disso pra sair de manhã teríamos que acordar às 5h pra sair 7:30h.

Se naquela época de bebê pequeno alguém me dissesse que eu ia preferir ele acordando às 6h a ter que acordá-lo, eu teria rido. (E eu preferiria)

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Ensinando pro Otto a respeitar o NÃO alheio, o que o outro gosta / não gosta, o limite físico do outro, o desejo de não querer alguma coisa.

Como é difícil! Porque a única coisa que recebemos em troca ao abrir mão do nosso desejo é a apreciação do outro. Mas isso também é tanto, e tão grande. Quero que ele perceba, logo que possível. Mas o mundo-umbigo dele ainda não permite, acho.

E enquanto isso ele chora e me explica que “quando alguém fala que não quer uma coisa, mas EU QUERO uma coisa!”.

É bonito ver um humano se formar, mas aprender a escolher dói. A gente acostuma, mas dói.

da páscoa e outras tradições familiares

Antes de ser mãe eu não percebia tão bem as pequenas nuances da criação da memória, e das lembranças afetivas. Não me dava conta da maravilha do ritual da preparação das refeições em família — porque no dia a dia era mecânico, prático, mas nas festividades, estar junto fazendo algo em comum era a essência da comemoração. O resultado (a comida, comer) era só mais uma coisa. O sabor daquelas refeições era maravilhoso porque o processo todo de preparação alimentava o coração. O estômago e a boca só acompanham e reverberam o amor e a felicidade de estar junto, mãos com mãos, fazendo um pouco da nossa história conjunta.

Faço absoluta questão de construir para o Otto essas memórias conjuntas. O preparo de um peixe, a poda das plantas, a canção cantada em coro. Porque nada do que eu deixar pra ele vai ser mais importante ou duradouro que as memórias profundas, aquelas que assaltam a gente no domingo de manhã ao provar um pedaço de chocolate.

Te amo Mami VeraKellyKitoArina. Mandem um beijo pro meu Papi aí. Manhãs de Páscoa me lembram vocês.

happiness only real when shared.

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Esse ano, ao invés de patinhas, resolvi fazer charada  Como foi a 1a vez que o Otto teve contato, tivemos que dar dicas de como funciona. Quando ele entendeu, adorou, e correu pro castelo pra achar a cesta de ovos 

(E esse ano ele adorou a cenoura mas quis comer o chocolate! Hahahhahaha)

apanhado do facebook: março

Antes que fique muito longe, vou contar uma das histórias engraçadas da viagem com o Otto. Nos USA é bem comum todo lugar turístico ter lojas de bugigangas. Camiseta, pedra, canivete, tudo que é coisa. E bem no meio da passagem, tornando a tentação grande demais. Na região da Rota 66 e Grand Canyon, tinha demais, e a gente sempre parava pra ver porque as coisas eram muito legais. Até que.


Numa das lojas, num hotel, deixamos o Otto solto, ela estava vazia, que mal tem né? Orientamos pra não pegar coisas e boa. Daqui a pouco escutamos ele berrando, vamos lá — tem uma senhora conduzindo o menino (fisicamente, mas daquele jeito distante de americano) pra fora do escritório, restrito a funcionários. Ele tentou entrar, ela não deixou, e gentilmente levou ele pra fora.

O menino odeia contato físico de desconhecidos (às vezes até de conhecidos) e fez um drama digno de novela. Choroooooou, no colo, de soluçar. A senhora ficou até sem graça, coitada. Enfim, passou.

Pois depois, cada vez que avisávamos que íamos parar num hotel o Otto fazia uma cara séria, e perguntava “mas não tem LOJA esse hotel né?”, numa entonação que dizia LOJA = CÂMARA DE TORTURA.

Pobre dele, ficamos com pena, mas foi inevitável gargalhar todas as vezes que ele perguntava se ia ter LOJA.

(Ou — como ensinar o não-consumismo pavlovianamente)

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A Nai tá de férias com a tia Paula desde que viajamos, e como o Otto não é muito fã de cães, achamos que ele não ia ligar. Mas ele ligou  Depois de uns dias, e até na viagem, ele perguntava: “onde tá a Nai?” — “de férias com a tia Paula!”. Ele pensa, e fala bem sério “mas eu quero que ela volte, tá?” <3

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Hoje ele me ajudou (mesmo!) a fazer o jantar: picou pimentão e cogumelo (esse último fez direitinho), tomate, pepino. E agora tá felizão, comendo <3

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E para registro, o Otto experimentou pela primeira vez na vida bala (PEZ – roubou da prima e amou) e mc lanche feliz NUM MOTEL EM VEGAS.

Comeu a maçã (quantidade ridícula de pouca), descartou o pão do hambúrguer e comeu a carne e o queijo, só. Ignorou a batata. Jantar sensacional! #paisdecesárea

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Sou super extrovertida, e sou mãe de uma criança introspectiva. É super difícil, porque além de ter expectativa de que ele seja como eu, fico preocupada achando que algo está errado com ele por não ser como o mundo espera que todos sejam.

Ele não é de conversar e gostar de contato físico com a maioria das pessoas, inclusive e principalmente as da idade dele (na escola por exemplo), o que me deixa apreensiva e preocupada (o que será dele, com esse comportamento, mais tarde?!). Mas esses dias aqui com ele me deixaram mais tranquila, pois ele é uma matraca com a Júlia e a Kelly, e até brincou com a Viv da Raquel, mesmo tendo encontrado e ficado só um pouco com elas.

Como é difícil aceitar e conviver com pessoas diferentes de nós, afe. Quando são nossos filhos então, o desafio é ainda maior.

apanhado do facebook: fevereiro

O: “você quer um pedacinho do meu pão, mamãe?”

Eu: “quero, dá!”
O: (impish smile) “eu não vou te dar NADA!” (E enfia tudo que tinha na boca)

Lembrei de você, Arina! (Cc Vera e Kelly)

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Hoje quando fui tirar o menino do banho ele abriu os braços, sorriu e disse “sabe que eu gosto MUUITO de você, mamãe?” e eu virei uma poça de purpurina derretida. #caiuumcisco

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Ótimo texto sobre carregar o bebê (inclusive os maiores) junto ao corpo e principalmente sobre a descoberta das coisas pelos pais, junto dos filhos.

Eu pensava, imediatamente antes de ler esse texto, no quanto o Otto (e nós, claro) é privilegiado e feliz por viver todos os dias em contato constante com a natureza. A exploração das plantas, terra, pedras, areia, bichinhos, sempre foi a diversão preferida dele, desde de 3 ou 4 meses. A gente andava com ele pelo jardim e ele olhava e tocava tudo, encantado. A lua, contei outro dia, sempre foi um espanto. E as estrelas, as flores, folhas, frutos, sementes, formigas, besouros. Carros, caminhões, bicicletas e skates (já maiorzinho) são incríveis, e ele ama.

Como as pessoas criam seus filhos em apartamentos é algo que me escapa. Eu sei que é possível, claro, a questão é: o que essas crianças FAZEM, sem estímulo da natureza, que ajuda tanto a despertar os sentidos e a curiosidade?

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Fiquei aqui pensando que uma coisa que ajudaria muito a diminuir a misoginia no mundo seria parar de ensinar nossos meninos que ser machão agressivo tosco é legal.

Uma das coisas que tenho adorado na pedagogia Waldorf é que as brincadeiras e atividades envolvem atividades cotidianas como limpar, cozinhar, consertar, costurar, construir, fazer artes manuais. Pra meninos e meninas, igualmente.

Os meninos cuidam das bonecas, as meninas constroem, e vice-versa.

O mundo seria mais igual se fôssemos ensinados igualmente desde sempre.

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Eu não aguento as conjugações verbais, juro. É muito  (cc Anna)

Eu: “Otto, vou sair do banho e colocar pijama enquanto você brinca na água mais um pouco. O que você acha?”

Otto: “Ah, eu acho muito estranho, mamãe. Eu preferia que você ficasse aqui comigo brincando!”

Desse jeitinho, tudo certinho. E eu fico, né.

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gente, o Otto hoje cantando a música do jumento, TODA, quase morro de fofura 

(e lembrei de você, Eliana)

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Otto ama a lua desde bebezinho, ele ficava encarando a lua no céu mesmo de dia, com um sorrisão e falava “uáá!”

Hoje deixei a janela aberta até anoitecer, e a lua nasceu bem na linha de visão da minha cama, onde ele dorme.

De pijama, pronto pra dormir, fui fechar a janela e ele pediu: “mamãe, deixa a janela aberta que eu quero ver a lua só mais um pouquinho!”

Como negar? 

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Meu filho lindo de 3 anos pede com cara de gato de botas: “mamãe, posso comer uns biscoitos com leite?”

Menino jantou direitinho, por que não?

Não. Porque o #paidecesárea COMEU TODOS OS BISCOITOS! <o>

Fim.

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O Otto com 3 anos entende, e o Facebook não:

(Tomando banho comigo)

Otto: “você tem teta, né mamãe?”
Eu: “tenho sim, amor! Tenho DUAS! 
Otto: (olhando pro próprio peito) “olha! Eu também tenho teta!”

É tudo teta, gente. Larga de frescura.

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gente, o otto aprendeu o método/formato “quando as pessoas dizem pra gente fazer X, eu NÃO QUERO fazer X, você entendeu?”. e tá usando pra tudo.

por exemplo: “quando as pessoas dizem pra gente TOMAR BANHO, eu não quero tomar banho, você entendeu?”

é engraçado nas primeiras vezes, mas depois começa a irritar, sabe? 

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Decreto para todos os fins encerrado o desfralde do Otto \o/

São três semanas sem nenhum incidente, usando banheiro em tudo que é lugar e fraldas secas depois de 10, 12h durante a noite, dormindo. (Agora resta criar coragem e não colocar mais a fralda preventiva :D)


Nós tentamos o desfralde a 1a vez 1 ano atrás (ele estava com 2a3m) e desistimos, porque ele claramente estava resistente. Deixamos chegar o próximo verão e começamos de novo, e aí foi tranquilo. Realmente a criança precisa estar pronta e disposta, não adianta forçar.

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Vou compartilhar de novo, com um recado pra quem tem desejo de ter filhos: esses momentos de observação das pequenas e grandes descobertas do ser humano em desenvolvimento são absurdos de tão mágicos. A gente fica “cego de tanto ver”, e as crianças que vemos crescer de perto nos curam da cegueira.

E é dessa experiência antropológica que eu falo quando digo que nunca sonhei ser mãe, mas ISSO me interessa.

E é MEGA foda. Vale o trabalho animal que dá criar criaturas.

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Fora a fase do “quando um adulto diz…”, que tá hilária. Hoje foi “quando um adulto diz que a gente tem que fazer alguma coisa, a gente não PRECISA fazer, sabe?”

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Otto tava a pura inspiração hoje <3

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“A Eva é muito brava, e o Wall-e é feliz”, explicando pra avó sobre os personagens do filme.

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Maria: “meu amor, vem cá!” (chamando o menino)
Otto: “o amor saiu!”

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Otto chamando a avó Maria Lucia e eu: “olha aqui, MEMINAS!”

Eu não sei o que é mais fofo — ele chamando a gente de “meninas” ou o meMinas.

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Eu: “gato, tá bem tarde, o desenho não acabou mas a gente precisa parar e amanhã continua, tá bom?”

Otto: “tá bom.”

(5 segundos depois…)

Otto: “já tá amanhã?”

Ô PECADO. </3