apanhado do facebook: agosto

o otto tá cada dia mais engraçado, e nessa fase de usar todas as palavras que a gente usa, matando a gente de rir.

essa semana a maria levou ele pra passear em um dos parquinhos do condomínio, e ele queria brincar em um brinquedo que estava sendo consertado. o moço da manutenção explicou pra ele que não dava pra brincar naquela hora, que a tinta estava secando.

alguns minutos depois, ele volta pro moço da manutenção e fala: “você pode VERIFICAR se a tinta já secou?!”

 

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3 anos do meu menininho hoje \o/

Não tem preço a carinha dele hoje cedo, sorrindo e me falando “hoje é meu aniversário, né?”  

Cantamos parabéns, felizes, com 1 cupcake no café da manhã, e hoje na escola dele tem música, coroa e parabéns.

E é meu aniversário como mãe também, papel que ainda não me serve direito, como uma roupa que não estamos acostumados a vestir.

Esse misto de amor, cansaço, felicidade e saco cheio é uma maluquice. Pra quem queria a experiência antropológica da maternidade, acho que o objetivo está 100% cumprido, e de quebra ganhei um amor maior que o mundo e que cresce a cada dia, inexplicavelmente.

 

diário do otto: 2 anos e 11 meses

otto,

esse foi um mês puxado. nós 3 ficamos doentes, de cama até, e você teve uma infecção de ouvido e pneumonia leve, o que nos deixou muito apreensivos. nunca tinha visto você tão caidinho antes, acho que foi a virose mais forte que você teve nestes quase 3 anos (e pra ser sincera, uma das viroses mais fortes que eu tive na vida toda!). agora estamos todos recuperados, mas além disso eu estive fora 2 das 6 últimas semanas, e acho que isso também pesou, pra você e pra mim. (e pro seu pai, claro que ficou com você nesses dias doentinho e sentindo falta da mamãe).

você nunca chorou com a minha ausência, sempre ficou muito bem enquanto estou fora, seja no trabalho aqui pertinho ou viajando. agora que você já pode usar o telefone e o facetime, tento falar com você, mas normalmente você quer só dizer OI e TCHAU, e acabou (“posso apertar o botão vermelho, papai?”). sei de você pelo seu pai, que me manda fotos, e na maior parte do tempo não sinto saudade e nem sofro. sei que logo volto.

mas quando chega o dia de ir embora, parece que meu coração não cabe em mim. fico ansiosa, e conto as horas pra chegar e encontrar você. parece que a saudade se concentra toda na viagem de volta, e quanto mais perto chega, mais eu sinto.

dessa vez foi diferente, acho que é porque você está mais crescido. quando cheguei, você não estava, e quando você chegou do seu passeio e me viu… nunca vou esquecer seu sorriso enorme, seus olhos que sorriem mais que sua boca, e sua felicidade. abracei você, que não parava de me olhar e sorrir-sorrir-sorrir, me abraçando forte. um amor tão grande, a felicidade de estar junto e me ver ali com você…

nunca foi tão bom voltar pra casa <3

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foi somente 1 semana nos estados unidos, dessa última vez, mas quando cheguei você era outro. “eu não sou bebê, mamãe, eu sou um RAPAZ!”, você me corrige. e está absolutamente certo.

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você é, de fato, um rapazinho. ainda com fraldas (ou sem elas, enfim) e sem se entender com o banheiro, mas deixemos isso pra lá 😉

sua rotina continua a mesma, tudo nos conformes, e seu sono é bom mas ainda na nossa cama. e tenho a impressão que nós é que estamos adiando indefinidamente essa mudança, porque afinal é tão cômodo que você durma a noite toda… em algum momento vamos mudar. só não sei quando!

você agora se interessa muito mais pelos filmes, adora a close shave (cujos bonequinhos você herdou do papai), wall-e, lilo e stitch e detona, ralph. adoramos assistir com você!

chocolate é algo que entrou na sua lista de preferências e pedidos, igualzinho ao seu pai (doces em geral nem tanto, mas chocolate… paixão).

e estamos oficialmente na idade do NÃO, e agora a forma como você diz não é mais elaborada e muito mais engraçada. além de se recusar a fazer qualquer coisa que alguém sugira (não importa o que é e nem se você realmente quer), você recusa com frases completas e gestos pra enfatizar, como um bom descendente de italiano — “eu NÃO vou comer, eu NÃO quero comer, e eu NÃO VOU!” (pontuado por muitas mãos indignadas reforçando o argumento).

mas a mais nova e mais divertida é a frase “eu não vou discutir isso com você!”, tirada diretamente da boca do seu pai, que está muito feliz (só que não) em ver você se apropriar da sua “argumentação” 😛

aliás, estamos aprendendo cada dia mais que ser pai/mãe é difícil inclusive porque nossos filhos são espelhos claríssimos de nós mesmos. tudo o que fazemos retorna pra nós, refletido e muitas vezes incômodo. você nos ensina através do seu aprendizado, trazendo de volta ao mundo sua interpretação do que vive e vê.

meu rapazinho, você tem senso de humor. e é carinhoso, risonho, cheio de ideias e opiniões. ver você crescer e ser um pouco de nós e muito de você é lindo e emocionante.

no mês do seu aniversário fico sempre nostálgica, lembrando daquelas semanas imediatamente antes da sua chegada. os dias de sol, as flores da jabuticabeira, os tomates maduros (eu só comia tomate quando você morava dentro da barriga!), a preparação do seu quarto, as roupas no varal, aquela vida que parece até que foi outra, antes de você chegar.

são três anos, e parece que foi ontem; parece também uma vida toda, como se cada momento fosse enorme e durasse pra sempre.

que dure pra sempre, cada dia.

um beijo da mamãe.

PS: as fotos e vídeos dos seus 2 anos e 11 meses estão aqui.

apanhado do facebook: julho

uso muito o facebook, em especial para compartilhar meu dia a dia com a família e amigos distantes. e percebi que tem muita coisa lá que deveria estar aqui, pro otto ler quando crescer. então segue uma compilação 🙂

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O Otto explicando pros bonequinhos da Wendy e Wallace que “eu vou assistir vocês agora, tá?”  ‪#‎acloseshave‬

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A fase aqui é: não quer colocar fralda; não quer usar o banheiro; não quer que tire a roupa suja. Dá CHILIQUE pra tirar. Super legal, urru.

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As conclusões infantis em relação à língua são divertidas demais de observar. O Otto tende a falar “obrigada”, pois convive com muitas mulheres, é o que ele ouve. Hoje, enquanto explicava pra ele que se diz “obrigado”, no caso dele que é menino, comparei: “o Otto e o papai falam obrigadO, a mamãe fala obrigadA”.

E ele, rindo de mim, corrigiu: “eu e o papai falamos obrigadOS, mamãe!” 

Sabido demais, ele menino 

(E com senso de humor goofy, que é o que me deixa mais cheia de orgulho. Se conseguir ensiná-lo a rir de bobagens e de si mesmo já vai ser a melhor herança que poderia receber)

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Eu gosto de repetição. De música, de comida, de livros, quadrinhos, de filme. Vejo/leio a mesma coisa dezenas de vezes sem enjoar.

Exatamente por isso nunca me assustaram os avisos dos amigos com filhos de “criança adora repetição”. Até que o Otto se interessou por filmes e desenhos, em especial “a close shave”, e as repetições já devem estar na ordem de centena. Como se não bastasse, quando não está vendo, ele quer que eu conte a história do desenho!

Confesso que repetição agora tomou uma nova dimensão 

Alguém aí sabe explicar o porquê dessa obsessão infantil pela repetição das histórias?

(Enquanto isso eu decoro até as falas do filme)

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– Quem é responsável pela conduta dos adolescentes?

“Em alguns lares, a mãe prepara toda a comida, lava todos os pratos, faz todo o serviço de casa, e as crianças não recebem nenhuma tarefa ou responsabilidade. Isso não está certo. 

Espera-se que as crianças executem pequenos afazeres domésticos, dentro de sua capacidade e limitações da idade. Deve-se ensinar a cada uma o senso de responsabilidade e autorrespeito, como um membro da família justo e colaborador.”

*trecho retirado do livro “Só O Amor’, de Sri Daya Mata

Essencial. Sou da opinião que crianças e adolescentes devem ter tarefas em casa compatíveis com a idade e maturidade, sempre.

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Crianças pequenas contando naturalmente são assim: um livro que ele gosta muito tem uma página com uma família de 5 cachorros, colocados na foto em ordem de tamanho (menor > maior).

Ele olha bem, e começa a me explicar: “olha mamãe — mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura-bolo e mata-piolho!”

<3

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da série “criando um CEO involuntariamente”:

otto, 2a9m, acaba de jantar e informa: “tou satisfeito. agora vou pruma reunião e já volto!”

(e quer usar meu computador)

nem waldorf salva, gente <3

 

apanhado do facebook: para não perder (Fev-Mai)

percebi que falo muito sobre o Otto no facebook, coisas engraçadas ou insights sobre maternidade de forma geral que cabem muito bem aqui, então estou compilando mês a mês, e resgatei esses posts para não esquecer 🙂

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[maio] Hoje o Otto deixou a gente tomando café na cozinha e sentou no chão do quarto pra “ler”. Ficou lá sozinho, “lendo”, feito um ser humano e não essas criaturas de outro planeta que são as crianças pequenas.

Não sei explicar direito a emoção de ver uma criaturinha desse tamanho com um livro no colo, “lendo”.

<3 <3 <3

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[may] Otto, 2a8m, aprendendo a se virar: queria diminuir a intensidade do ventilador e não lembrando da palavra, pede pra tia Paula — “desaumenta o vento por favor?” 

Boa sexta!

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[abril] Tenha filhos e se sinta desprezada a partir dos 2 anos de idade da criatura: oFernando viaja pra SP, fica MEIO DIA fora e ele pergunta do pai. Eu saio do país por 4 dias, adivinhem quantas vezes ele perguntou de mim?

(cri-cri)

Ainda bem que não entrei nessa de ser a mãe-necessária-dedicada-100% senão nessa hora ia cortar os pulsos com a faquinha de bolo pullmann.

(Mas que é um moleque ingrato isso é :D)

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[abril] hoje o otto (2a7m) perguntou um POR QUE pela primeira vez  ele já pergunta “o que é” e “como é” faz um tempo, mas “por que” eu não tinha ouvido ainda.

“mamãe, por que o carro da frente tá piscando a luz?”

achei tão lindo que já expliquei todo o código de trânsito pra ele 

  <3 <3 <3

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[fevereiro] Eu compartilho fotos do Otto comendo porque é muito gostoso ver como ele se alimenta com gosto. Ele se diverte e gosta muito de comer. Não tenho “orgulho” dele comer bem e de tudo, porque acho que isso é inato, pelo menos a maior parte.

Mas tenho sim muito orgulho de proporcionar pra ele uma vida com hábitos alimentares bons e divertidos, podendo comer absolutamente tudo, pegar fruta no pé, experimentar temperos, legumes e verduras tiradas da terra. Poder levar uma vida junto à natureza, brincando no mato e na terra é mérito nosso sim, por ter feito essa opção.

Não me arrependo nem por 1 segundo de ter vindo morar no interior. A gente merece uma vida melhor, mais próxima da natureza, e o Otto também.

diário do otto: 2 anos e 5 meses

otto,

os dias e os meses passam mais rápido do que consigo escrever. coloquei como meta escrever esse seu diário mensalmente, mas não sei por quanto tempo vai durar. se não registro mensalmente, esqueço muita coisa, mas ao mesmo tempo é tudo rápido demais e não tenho conseguido acompanhar tanta mudança! quero manter o registro mensal pelo menos até seus 3 anos, depois vamos ver.

decidi conseguir pra você uma câmera fotográfica digital velhinha, pois você está obcecado com fotografia (o processo, não o resultado). você não dá bola pra ver como fica, você gosta é de “enquadrar” (muitas aspas, porque embora você faça todo o ritual do enquadramento, da escola do objeto da fotografia, na prática não sai nada parecido com uma foto enquadrada. pelo menos dentro dos padrões, digamos) e clicar. de vez em quando você pede pra ver fotos, mas é raro. você curte é clicar mesmo 🙂

sua rotina continua bastante rígida, e agora acho que também acostumamos com a existência de mais um morador na casa (pra quem não passou por isso pode parecer estranho, mas a chegada de um novo membro da família que muda toda a rotina da casa é difícil, demora a adaptação!). você acorda por volta de 7:30h, toma café da manhã (pão, queijo, suco, ovos, frutas às vezes), vai pra escola (ou passeia com a maria, quando está de férias), toma um lanche (frutas, normalmente) no passeio/escola, toma banho, almoça 12:30h, escova os dentes e dorme 1,5h-2h. toma um lanche quando acorda (iogurte ou fruta, ou ambos), molha as plantinhas, lava o quintal com a maria ou vai dar comida pros patinhos/peixinhos, janta às 17:30h, brinca com o papai e mamãe (na varanda, de giz, ou anda de bicicleta), toma banho com a mamãe por volta de 19:30h, escova os dentes, lê historinha e no máximo 20:30h estamos com as luzes apagadas pra dormir.

todos os dias fazemos basicamente a mesma coisa, com alguma variação no fim de semana, quando fazemos passeios diferentes e tomamos café da manhã na padaria aos domingos. também é nos fins de semana que comemos coisas diferentes, levamos você pra restaurantes, até pra se acostumar, já que gostamos bastante de comer fora. no dia a dia, você é uma criança que come arroz, feijão, carnes variadas, muitos legumes, verduras, frutas e castanhas. dos industrializados, você consome queijo, requeijão e iogurte sempre (nada de leite, depois de tirarmos a mamadeira. não gosta mesmo!), biscoito de polvilho, cookies orgânicos  e pipoca de vez em quando, bolo caseiro (maçã e fubá são seus preferidos), sorvete quando o papai toma, e água. suco, só de laranja, feito na hora de manhã. é muito raro você comer doces (a verdade é que você não se interessa), nunca comeu balas, bolachas recheadas (provou maizena e maria, mas não gostou), refrigerante. comeu doritos uma vez na casa de uns amigos (gostou!), e chocolate se der você come e gosta. procuramos não proibir nada que seja exceção (a menos de refrigerante, que tratamos como bebida de adultos e ponto final, e coisas que são de adulto mesmo). não queremos que você veja as comidas como BOAS ou MÁS, preferimos dar bons exemplos, pra que você crie bons hábitos ao invés de repetir discursos que não são seus. quando você tiver idade para decidir, esperamos que nossos exemplos + a relação não-neurótica com a comida sejam boas fundações.

uma coisa muito legal que notei neste mês que passou é que você começou a inventar coisas, fantasiar nas brincadeiras. antes, as brincadeiras eram muito mais exploratórias, descobrir como as coisas funcionam ou simplesmente experimentar cores por exemplo com o giz, deixar as coisas caírem pra ver o que acontece. agora você “mente”, e inventa coisas que não existem, isso começou recentemente, notei esses dias. você pega o gizão, por exemplo, e finge que é uma câmera, e tira fotos (olha lá a fixação :)); você “faz um café bem cheiroso e gostoso” com a água do banho e oferece pra mim <3 entre outras coisas. não tinha ideia que a imaginação, o faz-de-conta, começavam tão cedo.

sua coordenação motora está excelente, você já corre melhor, embora não seja uma criança exatamente ágil e rápida. você não se arrisca muito, é sempre cauteloso nos brinquedos, nas tentativas mais físicas, e parece ter um pouco de medo de altura. mas seus medos são bem controlados, e você expressa bem o que o incomoda, o que nos deixa felizes. você já desenha círculos fechados muito bem, o que segundo ouvimos de pessoas diferentes é um pouco adiantado pra sua idade. mas isso não nos surpreende, já que você pratica bastante e gosta de desenhar com giz (no chão, no papel, em qualquer lugar :D)

você come sozinho, mas como demora muito e suja tudo, a gente costuma ajudar. o que está errado, claro, mas somos impacientes, você vai perceber. nossa expectativa é que agora que você vai almoçar na escola, isso mude e você fique mesmo independente de nós pra comer, em breve. começamos a tentar tirar sua fralda (o que na prática significa que simplesmente tiramos, e pronto, pra ver o que acontece durante o dia), e você ainda não pede pra fazer xixi nem cocô, apesar de parecer que já percebe que tem vontade (mas não fala nada). nossa expectativa é que sem fralda você perceba melhor seu corpo, e que isso aconteça naturalmente nas próximas semanas. vamos ver!

uma outra coisa que me chamou a atenção é que você finalmente começou a cantar músicas junto com a gente, e já se percebe sua entonação, uma tentativa de se ajustar à tonalidade da música! além disso, percebi você batendo os pés ou mãos, no ritmo, quando eu canto pra você. antes você acompanhava mas sem acertar o ritmo, e o tom não existia (nem tentativa, era monocórdico). queria entender mais do desenvolvimento musical em crianças para poder falar sobre o assunto. vou pesquisar.

você se desinteressou pelos joguinhos de ipad e iphone, e continua imune à TV. desistimos de tentar fazer você ver TV, até porque nos incomoda bastante a publicidade nos canais infantis. seguiremos mostrando coisas no ipad (vídeos, música e jogos), pelo menos temos controle das propagandas. ainda assim, você passa poucos minutos por dia brincando com o iphone/ipad, então isso não nos preocupa.

você emagreceu e cresceu bastante, já não se parece mais um bebê, é um meninão grande agora! continua loiro como seu tio era quando criança, os cabelinhos mais lindos do mundo. continuamos tirando muitas fotos, é claro, que você pode ver aqui.

um beijo enorme da mamãe que te ama cada dia mais!

Juntinhos os 3

diário do otto: 2 anos e 4 meses

otto-borogodó,

(ou piolhinho, tatu, tatuzinho, belzebu, bebê, godinho, meugato, gatito, pequeninho, menino, moleque)

sim, você agora se apresenta com nome e sobrenome. ouviu alguém falando “ó do borogodó”, e obviamente assumiu que era OTTO borodogó, e assim chama a si mesmo às vezes. mas aprendeu também a falar seu nome e sobrenome completo, “otto marvalhas balestrero” e é a coisa mais linda do mundo <3

neste último mês houve uma mudança significativa, que nos surpreendeu: subitamente você começou a cantar! não sabíamos que podia acontecer assim, do dia pra noite, mas com você assim foi. não cantava nada, absolutamente nada, só ouvia, atento, mexendo a boquinha imitando, mas sem som. e de repente, BUM: canta uma música toda, todinha. atirei o pau no gato, a casa, fui no tororó, e até clareana (“água, terra, fogo e aaaaaaarrrrr…”). sim, é claro que você só cantaria, ou arriscaria, com a certeza absoluta de acertar. nosso pequeno perfeccionista, você nasceu com a mãe certa, que vai insistir até seu último suspiro que se arrisque, tente, erre muito, pra poder acertar mais que errar, e se divertir mais que ter medo.

também mudou outra coisa, você começou a fazer perguntas diretas: “o que é isso?” ou “como chama esse?”. não começamos ainda os porquês, mas estamos aguardando ansiosamente, já que gostamos muito de perguntas-e-respostas.

você agora dorme juntinho comigo, desistimos da troca cama-berço-berço-cama. dormimos, e expulsamos o papai por enquanto. até que você se acostume com seu berço, e que queira dormir na sua cama. e por mais que haja quem pense que não muda, você já pede pra ir para o seu quarto, e de dia dorme bem no seu berço. e por enquanto, confesso que aproveito essa fase, tão curta, pra abraçar você, e ficar pertinho, de um jeito que sei que não será mais possível dentro em breve. meu bebê grande, menino carinhoso da mamãe.

sim, você é um menino observador, tranquilo, muito carinhoso e piadista (sabe tirar sarro da gente, entende piadas simples…). gosta cada vez mais das atividades físicas (com nosso incentivo), e continua apaixonado pelas letras e números, mas sem tanta fascinação agora que aprendeu todas as letras e contou até 20, ou mais. acho excelente que você conta errado, de propósito, subverte a ordem e não incentivamos que seja certo ou errado. queremos que você seja feliz, ria, se divirta. isso é mais importante que saber, fazer, decorar.

continua comendo muito bem, não recusa nada, não tem medo de tentar coisas novas. tenta, às vezes gosta e às vezes não. às vezes come tudo (mais frequente), às vezes recusa tudo, e diz não-não-não. ou NÃAAAA, que é a nova do mês. e chacoalha a cabeça, sai correndo, morrendo de rir de fugir das coisas e de ser do contra. essa sua idade, que chamam de “terrible twos”, às vezes é realmente terrível, especialmente quando tudo é NÃO, e se aplica até para coisas que você quer e gosta. está com fome, e fala NÃO só pra exercitar seu poder de fazê-lo. achamos que é importante que você o faça (e é engraçado às vezes), mas tem hora que cansa, confesso.

sua rotina de dormir agora é simples: você dorme na nossa cama, e acabou. planejamos levar você de volta pra sua cama, agora que já entende que é sua caminha, seu quarto e tal, vamos ver como funciona. mas desencanamos, e vamos esperar que você manifeste o desejo de ter seu espaço qualquer hora. por enquanto, não nos atrapalha (e dormimos, ufa, finalmente).

você tem lembrado da escola, professoras e amigos, o que é muito fofo. parece ter saudade da escola, e ficamos muito felizes. ficamos amigos dos pais de um dos seus amigos, ambos dinamarqueses vivendo no brasil, eles são muito legais e parecidos conosco, o que é uma surpresa. tínhamos medo dessa parte, dos pais dos seus amigos, mas por enquanto, tudo bem. até o aniversário dele (halfdan) foi legal, divertido, pra você e pra nós.

este mês foi dezembro, o primeiro natal que realmente você entendeu alguma coisa, apesar de não falarmos de papai noel e você ter dormido antes da ceia 🙂 mas ganhou presentes, gostou muito, e passamos uns dias na praia. sua visita à praia foi um acontecimento: já tínhamos ido à praia, mas desta vez você realmente participou, e AMOU. a cada onda você pulava, gritava e gargalhava de felicidade, foi a coisa mais linda. e nadou no rio “sozinho” (com bóias, né), brincou na areia, tomou picolé, se divertiu demais. e nadou no marzão aberto, num passeio de barco a parati, com os peixinhos (como na música). o pescador que nos levou mergulhou e trouxe um lindo ouriço, que você adorou, e lembrou dele por dias e dias (“o toninho mergulhou no mar e trouxe um ouriço!”). visitamos os aquários de ubatuba e SP, pra que você visse os peixinhos que tanto gosta. mas o que mais o encantou foram os cavalos-marinhos (e como não?)

temos nos divertido bastante cuidando de você, cantando, contando histórias, brincando na piscina, na rua, no jardim, conversando. cada dia é mais legal, melhor, e aprendemos mais sobre você, sua personalidade, e nos divertimos com suas ideiazinhas. você agora pede as músicas que quer ouvir e está especialmente apaixonado por “peixinhos do mar” (do milton nascimento) e “canto do povo de algum lugar”, do caetano, que foi a 1a música que ouviu fora da barriga, quando estava na UTI e seu pai cantava sempre, enquanto olhava você e segurava seus pezinhos, mãozinhas, enquanto aprendíamos a amar essa criaturinha incrível que você era e é.

aqui estão as fotos dos seus 2 anos e 4 meses. sempre achamos que não é possível amar mais, mas olha… nosso amor só aumenta! e todos os dias nos divertimos (e cansamos :D) muito com você, temos sido muito felizes.

um beijo com amor da sua mamãe.

contra fatos não há argumentos

a maria, que é babá do otto desde que ele nasceu e que cuida de nós desde que mudamos para vinhedo (quase 5 anos, já!), é muito carinhosa com ele, e com todo mundo. daquelas pessoas bem doces, que diz “eu te amo”, abraça e beija. uma linda!

pois ontem ela, carinhosa como sempre, virou pro otto e disse: “o otto mora no meu coração!”. ele não titubeou: “não, maria! o otto mora na rua araxá XXX*, na casinha dele!” 😀

(*) ele sabe o número certinho, só não coloquei por segurança. ele adora dizer pras pessoas onde mora, e no caminho de casa ele até dá instruções do caminho… “agora desce, agora vira, faz a CUIVA…” <3

diário do otto: 2 anos e 3 meses

otto,

tem sido mais difícil pra mim escrever mês a mês, porque agora tudo se mistura e já não lembro mais direito exatamente o que pertence a este mês. você nos surpreende diariamente com tiradas engraçadas, frases cada vez mais complexas e ideias curiosas vindas 100% da sua cabecinha 😀

todo dia tenho coisinhas novas pra contar sobre você. desconfio que essa sua fase de criança deve ser uma das mais divertidas. essa semana você cismou que se fala OTTO-borogodó (e morre de rir quando repete isso). também conheceu um amigo da mamãe que se chama hugo, como seu monstrinho de pano preferido, e ficou muito espantado com o nome, e repetia com olhos arregalados “ele chama HUGO, mamãe!”.

e você fala tão direitinho que dá gosto. “abre a rede pra eu balançar, vovó?” e 30seg depois “abre pra mim, vovó!”. (mas o ÍBULON eu não consigo corrigir, porque é fofo demais <3).

na escola está tudo bem, você gosta muito de ir e pergunta das tias e dos amigos E AMIGAS (aparentemente você não gostou dessa história de gênero masculino ser neutro no coletivo), embora às vezes fique grudento na hora de eu ir embora. na maior parte das vezes você fica bem, e até fala “TRABALHA, mamãe!”, me mandando embora 🙂 e você foi mordido pela 1a (e 2a…) vez na escola, o que nos deixou muito chateados, mas passou.

uma coisa que nos deixa muito felizes é que você é um menino carinhoso, que gosta de beijar, abraçar e ficar juntinho. nós adoramos! e por mais que eu reclame de ter que fazer você dormir todo dia (1 hora, 1 hora e meia…) e dormir com você na cama com muita frequência, tenho certeza que vou sentir falta quando você ficar independente e dormir na sua caminha. é gostoso abraçar você ou mesmo me ajeitar quando você resolve dormir EM CIMA de mim. o contato físico é uma das coisas que mais tenho gostado dessa história toda de ser mãe.

no geral você é uma criança educada, tranquila, obediente e muito divertida. não é montagem minha nas fotos — você está sorrindo sempre, fazendo graça e conversando com a gente. uma delícia de menino, que nos faz muito felizes!

sua alimentação agora é praticamente igual à nossa, que no geral é mesmo muito saudável. comemos em casa durante a semana, comida toda preparada aqui mesmo. muitos legumes, verduras, frutas, carne vermelha e branca, queijos, ovos (muitos ovos!) e peixes. nos fins de semana saímos para almoçar geralmente no domingo, e você se diverte bastante. já aprendeu a pedir comida pro garçom e não se faz de rogado: “moço, qué papá! uma shalada e batata fita!”. juro, é isso que você sempre pede. de vez em quando pede também carninha  ou farofa.

o sono mudou — você dorme agora a noite toda, mas nem sempre na sua cama. cansamos do esquema de fazer você dormir na sua cama, fazemos dormir na nossa cama, levamos pra sua e quando você acorda vem dormir comigo. seu pai foi expulso pro quarto de hóspedes, coitado. esperamos que essa fase não dure muito, mas francamente aceitamos qualquer arranjo que nos deixe finalmente dormir depois de 2 anos insones…

uma coisa que nos chama bastante a atenção é como você desenvolveu bastante nesse último mês a percepção sobre o funcionamento das coisas. aprendeu a abrir e fechar torneira, a embalagem de pomada (e agora alcança o interruptor, SOCORRO). entende o funcionamento das torneiras de água quente e fria (e identifica pelas letras…), diferencia esquerda e direita, entre muitas outras coisas. dia desses você pegou o garfo e falou “mindinho, seu vizinho, pai de todos, fura-bolo… (pausa) ele não tem mata-piolho!” 🙂

essa semana você teve estomatite pela primeira vez, algumas aftas apareceram na boca e você reclamou que “a língua incomoda, mamãe!”. seu pediatra avisou que podia ser vírus, e hoje você empipocou… mas fora isso, sua saúde é de ferro! fora o nariz meio travado quando muda o tempo (herança dos seus pais alérgicos), tudo muito bem.

uma coisa linda que aconteceu esse mês é que você começou a pedir pra que eu conte histórias sobre as pessoas. começou pedindo “conta a história do tio weno e da tia mawá po otto dumí?” e eu contei, claro. conto do meu jeito, com foco nas coisas que você conhece e talvez lembre…

“era uma vez o tio weno e a tia mawá que viraram palhaços! eles chamam frederico e cremilda, e quando se conheceram se adoraram tanto tanto que começaram a namorar…”

e você faz perguntas, e repete partes da história, é uma graça. até que essa semana você pediu “mamãe, conta a história do papai, da mamãe e do otto?” e seu pai (e eu também, ok) ficou todo emocionado.

agora a mamãe conta a nossa história toda noite no escuro antes de dormir, pra que um dia você se pergunte de onde vêm essas lembranças de antes de nascer, e de tão pequeno… e vou te contar, já bem maior, que grande parte das nossas lembranças de infância são memórias re-construídas, por mamães tagarelas e inventivas como eu.

nossos dias têm sido deliciosos, cheios de conversas e surpresas, pequenas coisas boas acontecendo todos os dias. e muito cansativos também, não vou mentir. trabalhar o dia todo + educar e brincar com você é bastante coisa pra uma mamãe quarentona só.

aqui estão as muitas fotos que tenho de você com 2 anos e 3 meses. cada dia mais lindo, e ainda loirão! achamos que você vai ter o cabelo do seu tio kito, que é castanho claro e fica loiro quando cresce.

um beijo cheio de amor da sua “mamãe zel” (e do “papai fer” também :)).

diário do otto: 2 anos e 1+2 meses

otto,

bebê, esses 2 meses foram tão intensos e cheios de novidades que a mamãe não conseguiu escrever 2 posts, um para cada mês. tá tudo misturado e acumulado, como acho que será daqui pra diante.

você começou na escola, e contei aqui um pouco sobre seu primeiro dia. foi lindo e muito fofo, mas não durou. 10 dias depois, seu pai viajou a trabalho e você começou a dar trabalho para ficar na escola. ficou dengoso e muito grudento comigo, e reclamando de ir pra escola — “não góta da ecólinha!” virou seu mote. nos disseram que é normal, pois quando a novidade vira rotina, a maior parte das crianças já não quer mais mesmo ir. mas insistimos, e seu pai recomeçou sua adaptação… até que você pegou uma gripe e ficou bem caidinho. preferimos manter você em casa até melhorar, e foram mais 10 dias de molho (culminando com uma amigdalite bacteriana bem chata). e logo depois que você ficou doente a mamãe também adoeceu e precisou fazer uma cirurgia (retirada da vesícula), o que acabou causando mudanças e incômodos. mas 5 dias depois a mamãe estava ótima e tudo voltou ao normal — você voltou pra escola e a mamãe pro trabalho.

mas houve uma mudança enorme logo após sua gripe — você começou a dormir a noite toda, sem interrupção para mamar ou trocar fralda! graças ao seu nariz entupido, decidimos parar com o leite (que piora a secreção de muco) e ver o que acontecia, até porque você estava recusando leite quando percebia o que era. e funcionou! agora estamos tentando compensar o leite com queijo e iogurte, estamos progredindo.

você continua comendo bem, porém está numa fase muito chata de ser do contra pra tudo (inclusive pra comer), como contei nesse post. agora temos que deixar você fazer as coisas do seu jeito, ou não oferecer muitas opções, prs que você se sinta no controle da situação e decida sempre que possível. chega a ser muito engraçado, mas tem horas que realmente irrita, pois tudo demora mais e dá trabalho. mas vamos seguindo tentando rir e nos divertir com sua independência e ideiazinhas próprias.

seu vocabulário e articulação melhoraram muito! você continua falando pausadamente, e pensando bem antes de falar, mas cada vez melhor e mais certinho. você usa os tempos verbais corretamente na maior parte das vezes, os plurais, e entende bem alguns opostos (em cima/embaixo, quente/frio, fora/dentro, pesado/leve, etc.). já sabe os nomes de todos seus amiguinhos na escola, das professoras e volta falando sobre eles. “o que você fez hoje na escola, otto?” “brinquei com os amigos e as amigas!” 🙂

você agora é fã de gelatina e de pudim de pão, além das coisas que já gostava. ah, e sorvete de SOCOLÁTI também agrada sempre 🙂

agora vemos você mais comprido que gordinho, com os braços e pernas mais proporcionais, já se parece mesmo um menino e não um bebê. cada dia mais lindo, mais engraçado, interagindo com a gente, inventando brincadeiras (sua preferida atualmente é esconde-esconde, embora você só queira ser achado, e não se esconder :)) e falando coisas malucas da sua cabecinha. estamos amando essa fase, mais que todas as outras, e tenho certeza que teremos saudade dessa sua idade.

apesar de você estar se tornando um menino, e se comportar como um mini-adulto, ainda é meu bebê e dorme abraçadinho, pede colo e procura a mamãe quando está com medo, triste ou quer um beijo. é impossível não ficar besta de paixão e amar você mais e mais a cada dia.

por mais que seja difícil e chata essa sua fase de dizer não pra tudo e querer fazer tudo sozinho, é motivo também de muito orgulho e alegria perceber você entendendo que é um indivíduo e procurando seu espaço. tudo o que mais quero é que você seja um menino (e um adulto) feliz, independente, dono do seu nariz. que saiba que pode contar conosco sempre, mas que também saiba que queremos que você encontre seu caminho, sua forma de viver.

aqui tem fotos dos seus 25 meses, e aqui dos 26 meses. divirta-se, meu amor!

te amo muito, um beijo da mamãe.

dialética aos 2 anos

pra quem não sabe, entre 18 e 30 meses a maior parte dos bebês passa por um período de mudança significativo de comportamento, apelidado pelos americanos de terrible twos (referência aos 2 anos de idade). achei um artigo interessante sobre essa fase aqui.

a principal característica dessa fase é a demonstração de independência, exercício da vontade através do “não” e reforço do “eu”. e isso deve ser considerado positivo pelos pais — significa que o bebê está de fato se desenvolvendo neurologicamente conforme o esperado, pois é justamente nesta fase que o bebê entende que é um ser separado dos pais (mais especialmente da mãe), que tem suas próprias vontades, pensamentos, desejos e que pode exercitá-los. já vi quem chamasse essa fase de “adolescência do bebê” e faz todo o sentido, já que a adolescência é mesmo marcada pelo desejo do jovem de destacar-se da sua família, e criar seu próprio mundo e espaço independentes.

o otto já apresenta sinais de independência há muitos meses, mas nada muito marcante, são pequenas coisas que percebemos no dia a dia: dizer não para coisas que ele normalmente gosta ou resistir a trocar a fralda na hora que precisa trocar. com um pouco de jeito e alguma técnica é possível contornar sem stress.

mas ontem ele chegou a um novo nível: além de dizer “não” pra absolutamente tudo que era pedido ou oferecido, na hora do jantar ele olha o prato de salada (que adora) e diz “não qué querê!” 🙂 e comeu tudo, como sempre, mas no seu tempo, do seu jeito.

temos dormido juntos na minha cama, antes de colocá-lo no seu berço (ele demora pra dormir, acho mais prático fazer assim que ficar plantada do lado do berço dele). deitado na cama, no escuro, ele vira pra mim e diz: “tá do contra!” (repetindo algo que falaram pra ele durante o dia, com certeza). eu ri, e falei que não tem problema, que pode ser “do contra” também.

normalmente ele dorme abraçado comigo, ou segurando no meu braço. mas ontem quando o abracei, como faço toda noite, ele disse “não abaça, dumí shójinho!”. me segurei pra não rir, falei “claro, pode dormir sozinho, a mamãe tá aqui se você precisar”. dei um beijo de boa noite e deixei ele quieto. em alguns minutos ele pediu a hilda (coruja de pano) e o hugo (monstro de pano), que fazem companhia pra ele no berço. peguei os dois, e ele realmente não veio me abraçar — ficou tentando conversar comigo (depois de dar boa noite eu não converso mais com ele, só fico ali junto) e depois de insistir na conversa e ver que não ia funcionar, ele virou e dormiu sozinho com seus bichinhos!

achei uma graça (e muito significativo) que logo depois de começar na escola ele também tenha começado a manifestar seu poder de decisão, sua individualidade, a ponto de querer dormir (a parte mais complicada de toda sua rotina, desde que nasceu) so-zi-nho. e que tenha iniciado o ritual de separação da mãe, através da transferência do apego para os  bichinhos (achamos que ele ia pular essa fase, mas pelo jeito ainda está por vir).

minha forma de lidar com essa necessidade de independência é oferecendo opções quando possível (leia o último link que coloquei nesse texto), pra que ele possa de fato exercer sua vontade. deixo que ele diga não, e não forço quando não é preciso. adio um pouco a troca da fralda, deixo que ele escolha no prato o que quer comer, misturo fruta com salada com sopa, pra que ele decida o que quer primeiro, deixo que ele tenha pelo menos a sensação de que está no controle de algumas coisas. na grande maioria das vezes funciona — ele fica muito feliz de poder fazer as coisas do seu jeito, fica confiante e normalmente não confronta de novo.

ele tem testado um pouco mais os limites físicos também, e tenta fazer coisas “perigosas” (o que têm potencial de causar acidentes). quando o risco do acidente é baixo, tenho procurado deixar acontecer, sob supervisão (cair, por exemplo), pra que ele entenda causa-consequência.

mas não sou do tipo que negocia tudo o tempo inteiro: tem hora que não dá pra ceder, nem conversar, nem negociar. certas coisas são NÃO mesmo, com letras maiúsculas, e aí simplesmente exerço autoridade e pronto. às vezes é preciso trocar fraldas à força (porque não posso discutir naquele momento, e temos que sair, por exemplo), tirar coisas perigosas da mão dele ou desgrudá-lo do armário que ele resolveu se pendurar (e pode cair em cima dele). sempre converso e explico os motivos, mas quando precisa ser rápido, é inconveniente ou arriscado, não dou opção.

aliás, se tem coisa que detesto é observar essas mães bovinas, que falam com voz mole e com a bunda imóvel na cadeira, enquanto vêem os filhos fazendo merda. “fulaninhooô, coloca o sapaaaaato que a gente precisa ir pra casa. vou contar até 2 milhões, hein?!”. quero morrer. tem que colocar o sapato e sair e a criança tá enrolando? levanta essa bunda e coloca à força, pronto. depois, em casa, conversa e explica.

por enquanto estamos conseguindo lidar bem com a fase “do contra”. cedendo às vezes, confrontando outras. até pra que ele saiba que sim, pode e deve exercitar suas vontades, mas não sempre. que às vezes ele precisa sim se adequar às pessoas ao redor, mesmo que fique chateado.

como não tenho medo de cara feia e nem ligo pra chororô, quando ele fica bravo ou chora eu consolo, pego no colo e explico: eu sei que é difícil ser contrariado, não fazer o que a gente quer. pode chorar, a mamãe te entende.

mas não é e continua sendo não.