em uma palavra: empatia

pretendo escrever sobre este assunto pela última vez, não só porque não sou engajada e nem tenho tempo para bandeiras mas principalmente porque ser mãe é muito, muito mais que parir. é, eu sei que quando estamos grávidas do primeiro e único filho sentimos que aquilo é a coisa mais importante e intensa e uau! e etc. mas a verdade é que o restante, o que vem depois, é mais intenso, mais punk, mais incrível e (é óbvio, mas enfim…) mais importante.

já afirmei aqui inúmeras vezes que sou 100% a favor de parto natural. sem drogas, sem intervenção, completamente humanizado. e que acredito que quem faz o parto é, sim, a mãe. processo fisiológico, complexo, intenso e cheio de significado, e que deve sim ser conduzido pela grávida. médicos devem ser apoio, suporte, ajuda, e nada mais. a menos, é claro, que a gravidez ou o parto sejam caso médico, o que é realmente a minoria.

acho que os médicos são mal preparados para lidar com partos. tratam como procedimento médico, não sabem lidar com o imprevisto, são muito inseguros quanto ao processo fisiológico e se apegam em horas, dias, tamanho. muitas métricas para tentar controlar o que não é tão simples controlar (e por que afinal precisa ser controlado?). acho que os médicos têm muito a aprender com as parteiras, e as próprias parturientes. deviam aprender a acompanhar o processo, e se adaptar à realidade de cada ser humano que atendem, aprendendo a cada experiência, ao invés de repetir mecanicamente procedimentos. aliás, todos os médicos deviam ser assim, não? (mas essa discussão de perfil do médico é OUTRA, não cabe aqui)

dito isso, lembro que meu parto foi um pesadelo. a gravidez foi perfeita, eu sonhava (e me preparei) para um parto natural e humanizado, ainda que dentro de uma maternidade, que foi minha opção. na prática, fiz uma cesárea de emergência e meu filho quase morreu. além de ter passado por um risco IMENSO de ter sequelas. felizmente ele aparentemente não tem sequelas (nunca saberemos com 100% de certeza, na verdade), mas a experiência do parto emergencial e filho na UTI por 8 dias foi horrível, não desejo pra ninguém.

ordenhei desde o primeiro dia, quando o otto nasceu, e jogava o leite fora, pois ele não podia ainda se alimentar e não era possível congelar no hospital. essa rotina, além de fisicamente desgastante foi muito difícil, pois me lembrava a cada ordenha que ele devia estar ali, se alimentando, e estava numa estufa na UTI. fer e eu visitávamos o menino a cada 3h no mínimo, às vezes mais, e só saímos quando nos expulsavam, ou quando eu precisava descansar. passei por uma cirurgia muito pesada e estava ali, andando pra cima e pra baixo pra visitar meu filho, cantar pra ele, acariciar seu corpinho pela parede da estufa. e no quinto dia depois de nascido eu pude finalmente pegá-lo no colo e dar o peito, e ele mamou tranquilamente, sem dificuldade. e eu tinha tanto medo de perdê-lo, dele ter algum problema, que nem me deixei apaixonar nestes primeiros dias. vivi dias de sombra, anestesia emocional. foi só quando ele chegou em casa que me permiti sentir amor, emoção, apego, e tudo o mais que precisava sentir. adoeci enquanto ele estava na UTI, e era tudo emocional. stress, medo, tudo misturado.

meu plano de parto deu todo errado. mas eu continuava a mesma pessoa, procurando fazer o que achava melhor pra mim e pra ele, a partir dali, depois do trauma todo. e aqui é que começa o que eu realmente quero dizer pra vocês sobre os movimentos e grupos de parto humanizado e “maternagem” (vejam que é preciso inclusive inventar uma palavra nova para a atividade mais antiga desde que o primeiro animal apareceu nesta terra).

não existe apoio, conforto e nem empatia deste grupo seleto de mulheres que “buscam os melhor para si mesmas e para seus filhos” quando acontece de você parir seu filho via cesárea. a única explicação possível é que você foi ENGANADA (ou seja: é ignorante ou idiota). e que infelizmente seu parto não é um parto, é uma cirurgia. e que seu vínculo com seu filho jamais será igual ao que as mães-de-verdade têm, porque afinal o vínculo se estabelece no instante em que a criança nasce e é colocada no seu colo ou no seu peito.

vocês leram tudo que escrevi ali em cima, sobre minhas crenças antes da maldição da cesárea se abater? ofereço mais informação: consumo alimentos orgânicos, sempre prefiro este tipo para o meu filho e para minha família. tudo feito em casa. sou contra deixar bebê chorando, sou a favor de amamentação em livre demanda (e assim fiz, até quando o otto quis e meu horário de trabalho permitiu), não tenho nada contra os pais dormirem junto com os bebês, e acho que lugar de bebê é no colo.

parece que sou parte da minoria, e que me daria muito bem nestas comunidades, certo? ERRADO.

procurei informação e apoio através da leitura de blogs e sites sobre parto, amamentação, maternidade em geral, e em todos que se preocupam com as coisas que eu me preocupo predominam as xiitas. ou você abraça completamente a “causa”, ou é mãe-de-cesárea. não há lugar, nestas comunidades, para mulheres que fazem opções diferentes das que elas propõem como perfeitas ou “naturais”. exemplifico: quando relatei meu caso, ouvi / li coisas como “ah, mas isso só aconteceu porque você foi para o hospital e aceitou a indução do parto. se tivesse ficado em casa, o menino poderia ter nascido sem complicações”. é, ele poderia ter morrido também, já que eu estava com 38 anos tendo meu primeiro filho e ele teve compressão de cordão. mas vamos convenientemente esquecer essa probabilidade.

também li que meu cansaço e saco cheio com o bebê pequeno, a rotina intensa de amamentação eram consequência do meu parto. cesárea = não tem vínculo = fico cansada e de saco cheio de cuidar de bebê o dia todo.

aí eu pergunto: por que mulheres que são minoria, e estão lutando pelo direito a parir e criar seus filhos de uma forma alternativa, anti-mainstream, são tão incapazes de sentir empatia por outras, como eu, que estão MUITO mais próximas delas do que das mães que marcam hora da cesárea logo depois da manicure e alimentam os filhos com danoninho?

eu respondo — porque elas deviam estar lutando pelo seu próprio direito de escolha, mas estão lutando na verdade contra as escolhas DOS OUTROS. é tudo ou nada: se você fez uma cesárea e não se arrepende e não tem ódio de médicos e do “sistema”, você é um DELES, e não merece simpatia alguma.

mas elas são minoria, então por que você se importa e reclama? porque a causa delas É A MINHA TAMBÉM, só que elas estão estragando tudo! e é minha causa parcialmente, claro, pois não concordo com o pacote todo. mas quando pessoas radicais e que, no fundo, só se importam com “a causa” predominam, a mensagem importante que está por trás disso tudo se enfraquece. eu mesma me sinto muito menos inclinada a defender essa bandeira, já que fui excluída da “patota” porque não guardo rancor contra minha médica e nem acho que cometi nenhum erro. foi como foi, e sigamos.

alguém cruel pode dizer que eu sou contra esses grupos porque fui excluída, que é puro rancor e despeito porque não “consegui” parir. já devem ter dito, aliás, se me lembro de alguns comentários aqui no blog. a verdade é bem mais simples e menos intrincada emocionalmente: eu sou pró escolha. em todas, absolutamente TODAS as instâncias da vida, desde a concepção de um filho até o dia da própria morte. e estas senhoras tão cheias de boas intenções, no frenesi do “empowerment”, esquecem que todas as escolhas são possíveis e ABSOLUTAMENTE TODAS devem ser respeitadas.

acho incrível alguém se permitir dizer a uma mãe que seu amor por seu filho é menor porque ele nasceu através de um corte na barriga e não através da vagina, ou porque mamou na mamadeira e não no peito. seja por ignorância ou por escolha, esse julgamento devia estar fora de questão. o empenho devia estar na informação, educação, apoio e não no julgamento! afinal, por ignorância ou simples opção, escolhas devem ser respeitadas.

no mais, vida longa a todos os blogs e sites com informação sobre parto natural, amamentação, contato prolongado com o bebê. a grande maioria das mulheres realmente precisa de mais informação para tomar decisões melhores e com mais confiança, sem precisar delegar a outros a decisão sobre seu corpo e sua vida.

update 1: excelente artigo sobre tolerância, completamente relacionado a esse assunto, dica da denize barros.

update 2: não mencionei isso no post, mas é tão importante que resolvi atualizar. tenho certeza que o parto/amamentação no peito/proximidade da mãe nos primeiros meses de vida faz MUITA diferença para o bebê. mas se fosse TÃO determinante, pobres dos seres humanos adotados, não? estariam condenados para o resto da vida! não duvido se encontrar por aí alguém dizendo que amor pelos filhos adotivos não é igual ao que temos pelos filhos biológicos.

gravidez depois dos 30

eu devia escrever sobre gravidez depois dos 35, porque engravidei aos 37 e tive o otto com 38. tou mais pra década de 40 que 30, mas… 🙂

obviamente cada gravidez é única, e eu não tive a experiência de ter um bebê aos 18 ou 28 pra comparar, mas ouvi bastante sobre a experiência da minha mãe (primeira filha aos 18) e da minha irmã (única filha aos 28). com base na observação e na minha experiência pessoal, acho que é possível dar alguns pitacos úteis pra outras mulheres.

antes de mais nada: se pudesse voltar atrás, teria engravidado bem mais cedo (mantendo o mesmo pai pro bebê :)). o motivo é simples: as fêmeas humanas foram feitas para engravidar logo depois que menstruam,  o que pra mim significa que mais cedo é melhor. gravidez é um processo que exige muito do corpo, e nem preciso dizer que cuidar de crianças exige ainda mais (disposição, energia, tônus, etc.). é verdade que muitas mulheres “se cuidam” e se mantêm ativas e etc. etc. etc., mas tou falando do padrão. uma mulher de 38 com corpinho e fôlego de 18 é raro, concordam? uma mulher de 38 com útero e períneo de 18, tipo… não existe.

dito isso, reflito sobre o impacto que um filho teria tido na minha carreira e educação. seria inviável (e irresponsável) ser mãe aos 18, mas aos 25 seria perfeitamente possível. já estava formada, estabelecida na profissão e poderia conciliar as coisas. provavelmente trabalharia menos, teria restrições e é provável que não tivesse arriscado tanto quanto arrisquei. em contrapartida, é muito provável também que não tivesse progredido tão rápido e não pudesse encarar as oportunidades que encarei. acho que minha carreira teria tido uma perda, sim. por outro lado, estou num ponto de salto de carreira neste momento e tenho um bebê de 6 meses. bad, bad idea. acho que o fim dos 20 e início dos 30 são ideais para ter filhos, do ponto de vista de carreira.

e minha vida pessoal? a maior perda, desse ponto de vista, teria sido em relação a viagens. viajei muito dos 18 aos 38, conheço muitos lugares no mundo, conheço relativamente bem nosso país, fiz viagens maravilhosas. várias delas seriam impossíveis com um bebê ou criança (ou seriam muito chatas). mas essa sou eu – tem gente com a minha idade que não viajou nem uma fração do que viajei. isso importa pra mim, é onde eu mais gosto de gastar dinheiro na vida. ainda não acabei de pagar meu apartamento, mas conheço montes de países da europa… escolhas que fiz, e faria novamente. mas com um filho pequeno seria muito difícil. novamente, deste ponto de vista, o período ideal seria ainda fim dos 20 e início dos 30. pensem que o bebê nascendo quando você faz 30, com 37 ou 38 já dá pra fazer viagens incríveis que a criatura aproveite também! sensacional.

minha mãe tinha 18 quando eu nasci, e teve mais 2 filhos nos 2 anos seguintes. passou dos 18 aos 22 em casa cuidando de nós e depois foi trabalhar fora pra nos sustentar. não tinha estudo, profissão, grana, nada. com muito esforço conseguiu nos criar e não fez basicamente nada por si mesma! só depois que ficamos adultos, quando estava com 40 anos, é que ela começou a ter que pensar em si mesma (o que foi um choque e um problema também, assunto pra outro post).

minha irmã teve a ju com 28, já formada, trabalhando, completamente estabelecida. já tinha feito suas viagens, curtiu o casamento por alguns anos e aí teve o bebê. hoje, com 38 quase completos, ela tem uma menina de 9 anos que já consegue acompanhá-los nas viagens e programas (embora nem sempre ela queira, é verdade :)), continua investindo na carreira e na formação nestes anos, tudo correu muito bem. temos quase a mesma idade, mas vejo que a combinação trabalho/filho/momento da vida dela é mais vantajosa que a minha.

estou com 39 recém completados, condição financeira ótima, aproveitei o casamento, viagens e outras coisas, e tenho um bebê lindo de 6 meses. mas pra retomar as coisas que gosto (viajar, estudar, investir na minha carreira, sair pra jantar, etc.) vai levar alguns anos. quando puder curtir de verdade as viagens com o otto vou estar com quase 50 anos!

do ponto de vista físico, também acho que adiar a decisão de ter filhos é mau negócio. o corpo sente mais, a gravidez é mais arriscada sim (principalmente se for a primeira) e fazer parto natural pode ser mais complicado. lembro que minha gravidez foi 10 (perfeita, de livro), sou saudável, mas o parto foi um horror. acontece com mulheres mais jovens também, mas desconfio que seja menos frequente…

resumindo, mulher amiga que quer muito ter filhos: não espere muito, não. há vantagens, sim, mas acho que pesando tudo, ter filhos um pouco mais cedo é melhor que tê-los um pouco mais tarde.

aproveitando o ensejo…

uma mãe odara anônima resolveu deixar comentários no post anterior porque se sentiu ofendida pelas minhas opiniões. segundo ela, eu (1) estou generalizando, (2) estou incomodada com o fato de haver mulheres que adoram viver para seus filhos, (3) estou dizendo que minhas verdades são únicas e (4) estou me contradizendo no assunto “babá” por exemplo.

não publiquei o comment porque não gosto de bater palma pra louco dançar. aprendi depois de 10 anos de blog que os anônimos gostam de criar caso, mas não querem se comprometer com nada, ficam escondidinhos no anonimato só jogando lenha na fogueira e saem de cena intactos quando convém. não curto, acho covarde e deixo pra lá.

mas gostei da provocação dela, especialmente porque é fácil de provar que ela está errada 🙂 está errada porque me lê com má vontade e se entrega ao rancor. eu chutaria que isso se dá porque toquei em algum ponto dolorido dela, sem saber. não fosse assim, ela não se daria ao trabalho de vir aqui deixar 2 comments enormes… alguma coisa pegou. aprendi uma coisa nos meus anos de terapia, que vou compartilhar por pura generosidade: quando algo que alguém diz/escreve (e não é direcionado pessoalmente a você e não ofende uma raça, gênero, etc.) ofende e magoa você como se fosse pessoal, faça uma auto-análise. algo no que foi dito está ressoando algum problema SEU escondido. o autor não tinha intenção de magoar você, já que ele sequer o conhece, perceba.

convenhamos, a pessoa vestiu uma carapuça ENORME. e veio aqui tentar diminuir a importância da minha opinião e vivência pra se sentir melhor. já vi esse filme, e não caio mais. sigamos.

não vejo generalização nenhuma aqui nesse blog quando falo das MINHAS experiências. e por favor, não vamos cometer erros primários de interpretação de texto, tais como achar que “você vai sentir arrependimento por X ou Y” é uma generalização. isso é recurso de narrativa, ok? não vou nem explicar, isso é básico.

eu não me incomodo em absoluto com mulheres odara (embora ache esquisito). eu me incomodo muitíssimo com o discurso xiita e ditador destas mulheres espalhado pela web, que massacra as demais mulheres, acusando-as de serem mães piores e prejudicarem seus filhos por não corresponderem ao ideal de perfeição. isso está claríssimo em todos os meus textos, só não entende quem está de má vontade mesmo.

acho que sobre verdades únicas nem preciso comentar. se tem alguém no mundo dos blogs pessoais que já acertou e errou (mais que acertou), mudou de idéia e admitiu ter mudado de idéia sou eu. nunca tive medo disso, ainda não tenho, e nunca digo que há verdade única. esse discurso é típico de quem está na defensiva e sem argumento. vou pular.

e aí tem a acusação de eu ser contra babá e agora achar certo e defender. tenho excelente memória, e pra quem não tem meu post sobre o assunto está aqui. eu sei no que acredito, sou uma mulher muito inteligente e não há contradição nenhuma no meu discurso antes e depois de parir. não que fosse um problema haver contradição, isso não invalidaria minha opinião anterior e nem a atual (de novo, recurso pobre pra diminuir a opinião do outro…). continuo sendo contra as babás de uniforminho, que acompanham bebês com os pais em lugares públicos e dormem no emprego. nada mudou. a nossa babá é como uma creche de luxo, porque podemos pagar, oras. ela trabalha de segunda a sexta das 7:30h às 17:30h (horário em que estou fora trabalhando), é registrada, ganha um ótimo salário e é muito bem tratada, como profissional que é. e quando necessário eu contrato folguista de fim de semana, para poder fazer outras atividades, já que não conto com família disponível pra me ajudar com o bebê quando quero por exemplo cortar o cabelo e meu marido está ocupado.

(me ocorreu que talvez as mães-odara não cortem cabelos, não se depilem, por isso não precisam de ajuda extra quando querem se cuidar 😉 ou são das mães sem noção que deixam seus filhos chatos soltos e incomodando as pessoas em salões, que deus nos livre!)

bom, odara, viu como eu fico feliz em responder? não tenho nada a temer, estou tranquila com minha opinião e a forma como a expresso. estou aqui, exposta, colocando às claras várias opiniões e sentimentos que muitas mulheres têm medo de admitir (tipo querer devolver o bebê pra fábrica) graças às supostas “mães perfeitas” que fazem tudo parecer tão fácil e simples e gostoso. continuarei firme e forte aqui, baby. as mães e mulheres que ficam aliviadas em ler opiniões aqui são motivo suficiente pra que eu continue, e não me deixe abater por provocações como a sua.

algumas considerações sobre estar no poder

por conta de ler histórias de parto e amamentação, continuo pensando no meu parto e como se deu o processo. fui e sou defensora do parto natural, com o mínimo de intervenção, mas tenho achado os discursos a esse respeito cada vez mais xiitas e “viajantes”.

não tenho nenhuma dúvida que o parto natural é melhor para a mãe e para o bebê. acredito nisso não por nenhum motivo místico, emocional ou romântico, mas porque sou 100% crente na natureza e na evolução. nossa espécie evoluiu e foi bem sucedida com nossas fêmeas parindo seus bebês desta forma, portanto esta é sim a forma PERFEITA. ponto final. a verdade é que as cesáreas de emergência (como a minha) ou por necessidade, são anomalias. e exatamente por isso devem sem exceções. no mundo animal, uma fêmea que tem seu primeiro filhote aos 38 anos (idosa, para fins reprodutivos) tem menos chance mesmo de ser bem-sucedida. fato biológico, não há argumento.

mas somos humanos, e vamos contra a natureza diária e insistentemente, e eu não sou diferente. adiei até os 38 anos a decisão de engravidar, e embora tenha tido uma excelente gravidez, o parto e pós-parto foram bem ruins. completamente o oposto do parto fisiológico, natural e sem problemas, como seria o correto. assumo as consequências da minha escolha, mas tenho os olhos abertos pra todas elas: engravidei tarde; decidi induzir o parto por medo de esperar até a 42a semana; decidi realizar a cirurgia de emergência quando meu filho e eu ficamos em risco.

tenho falado bastante aqui e no meu blog nestes anos todos sobre escolhas e arcar com as consequências delas. novamente, acho que é disso que também se trata quando entramos no assunto parto e amamentação (pra não falar da educação dos filhos).

sou contra procedimento cirúrgico nem necessidade quando se trata de parto, porque como já disse, acredito na perfeição da natureza. mas isso, de longe, não é o que mais me incomoda na opção pela cesárea (e outras opções, como vocês verão). muito me irrita é a ignorância acerca do processo, a transferência de responsabilidade para outro(s) e, só como bônus, a total falta de interesse pelo crescimento individual (tornar-se alguém melhor). explico.

o processo: em algum momento, deixamos pra trás o mecanismo que faz de nós a espécie mais bem-sucedida deste planeta, a transferência de conhecimento. a cada geração temos mulheres mais ignorantes que nunca acerca de gravidez, parto, amamentação e bebês. o conhecimento passado de mãe/pai para filhas e filhos é essencial. compartilhar histórias, aprendizado e cultura é o que faz de nós o que somos. não podemos perder isso. nos transformamos em poços de cultura inútil e não sabemos mais o básico. as mulheres morrem de medo de parto, de bebês, de relacionamentos. nossa espécie se encaminha pra onde, pergunto eu? não acho uma evolução positiva.

transferência de responsabilidade: é inaceitável tantas mulheres feitas fazendo cesárea porque o médico mandou, porque o médico disse isso ou aquilo, ou porque “minha mãe não teve dilatação, eu também não terei”. engravidar, parir, ter filhos enfim é justamente o processo de independência maior, é tornar-se adulto. ou seja, é a hora de você começar a assumir responsabilidades SUAS e sair da aba dos seus pais. ou dos seus médicos, neste caso. assuma suas escolhas! só que pra isso, é preciso falar do próximo assunto…

auto-conhecimento, crescimento pessoal: é possível ser melhor e evoluir sem se conhecer? talvez, mas eu duvido. para todos os animais, crescer e procriar acontecem naturalmente, bem como a independência dos pais (na verdade, isso acontece na MARRA). pra nós, esse crescimento e a independência cada vez têm sido mais adiados, e às vezes nem acontecem. filhos se tornam pais incompetentes justamente porque chegaram à maturidade sexual e reprodutiva sem amadurecer emocional e socialmente. e vão criando seus filhos que vão repetir o mesmo padrão. a capacidade de gerar um filho devia trazer consigo uma revelação biológica e emocional: SOU ADULTO. preciso ser alguém mais independente, melhor, mais capacitado, para poder criar um filho bem-sucedido, que sobreviva a mim com louvor. querer ser melhor, se conhecer, é parte de ser humano, diferente dos outros bichos. por algum motivo bizarro, simplesmente estamos deixamos de lado essa capacidade e procriamos como coelhos.

resumindo: o casal engravida, não sabe nada sobre gravidez ou parto ou bebês e prefere continuar não sabendo, delega todas as decisões a um médico ou pai/mãe (seja no parto, seja na criação e cuidado das crianças) e cria seus filhos como se fossem seus irmãos menores, com muita “consultoria externa”. veja que não falo de ajuda (que é absolutamente necessária), mas de abrir mão da responsabilidade voluntariamente, pro médico, avós ou a escola. “o médico mandou, minha mãe me disse”, etc.

finalmente, volto ao assunto: eu, defensora do parto natural, tive de me submeter a uma cesárea de emergência. irônico, ahn? também achei, na ocasião, fiquei me sentindo péssima. foi quase como um castigo pra mim. honestamente não me senti mal, deprimida e nem fracassada, mas foi frustrante sim. só que elaborando melhor nestes meses, concluí o seguinte: não me senti mal com a situação, porque apesar de ter me submetido a um procedimento invasivo e meu filho ter ficado afastado de mim por 8 longos dias, todas as decisões sem exceção foram tomadas por mim.

levei a gravidez adiante somente quando quis (para o bem e para o mal); meu pré-natal foi feito da forma que eu quis, mudei de médico várias vezes para melhor atender ao que eu desejava; fiz indução do parto porque quis, concordei com a médica que era a melhor opção, e teria me recusado se realmente quisesse diferente; fui eu que decidi ir para a cirurgia de emergência, a médica me deu a opção de esperar mais e eu não quis; concordei 100% com todos os procedimentos na UTI para o meu bebê e perguntei sobre TUDO que foi feito.

minha conclusão é que mais importante que o TIPO de parto é o quanto você participou de fato e fez valer sua vontade e sua crença. o quanto você se envolveu e tomou pra si o conhecimento, as decisões e obviamente as consequências delas. estou convencida que este é o motivo de eu estar tranquila e em paz quanto ao meu parto, que foi diametralmente oposto ao que eu “sonhei”. a frustração se dá pelo fato de não poder viver a experiência (já que não quero engravidar de novo), e não por ter “saído do meu plano”. eu fui protagonista no meu parto, mesmo com a médica tirando o bebê de dentro da minha barriga, caras mães-odaras-do-parto-natural. continuei protagonista no acompanhamento do meu filho na UTI, ordenhando colostro pra ele se recuperar mais rápido, e dando o peito ainda na UTI. sem drama, sem stress, sem expectativas não realistas.

e a conclusão mais importante de todas veio essa semana: o parto acaba se tornando “o momento de epifania da vida” para mulheres que têm problemas não resolvidos nesta seara, que idolizam ou demonizam suas próprias mães e têm expectativas românticas sobre a maternidade. pra mim, é só um processo fisiológico que eu acho massa e queria experimentar. acabou. o importante mesmo disso tudo é o bebê, a vida que se inicia (pra todos os envolvidos) a partir daquele momento.

o resto é assunto pra terapia.

41 semanas ou “deu, né?”

todo mundo que já se deu ao trabalho de fazer uma pequena pesquisa sobre assunto sabe que a gestação pode chegar até as 42 semanas sem nenhum problema, basta acompanhar direitinho. mas por outro lado qualquer um que já pesquisou um tiquinho também sabe que o parto normal é melhor para a mãe e para o bebê, certo? quem dera fosse tão simples.

vocês acompanham a gravidez desde o começo, e sabem que já entrei nessa prevenida. fui procurar médicos alinhados com minha convicção (parto natural, mínimo de intervenção, etc.). o comecinho da gravidez é tenso, pelo risco alto de aborto, mas não tem nenhum tipo de stress em relação ao parto, esse é um assunto que só aparece muito depois. até chegar ao terceiro trimestre, confesso que achei que não seria um grande problema manter nossa opção sobre parto natural, a menos dos trâmites de maternidade que viabilizassem o que queríamos. eu não podia estar mais enganada…

hoje percebo que pra quem quer fazer parto domiciliar ou em casa de parto (SUS), a coisa é mais simples. todos que estão ao seu redor partilham das mesmas convicções e estão acostumados a lidar com as inúmeras variações que envolvem um parto natural (tempo, sinais do corpo, imprevistos, etc.). a indústria do parto “padronizado” é outra realidade completamente diferente, eles não sabem lidar com exceções e ficam extremamente tensos quando as coisas saem do roteirinho que a grande maioria segue. o roteiro do parto padrão é simples: vários exames pra livrar a cara do médico em caso de problemas, parto com data marcada no máximo até a 38 semana e o parto de 20 minutos seguindo procedimento básico.

por um lado, entendo que os médicos fiquem preocupados com processo, caso alguma coisa dê errado. estamos falando do nascimento de um bebê, afinal, talvez o maior dos acontecimentos na vida de casa ser humano diretamente envolvido (pai, mãe, bebê). mas eu esperaria que médicos fossem melhor preparados para dominar o apoio a esse processo que é puramente fisiológico e, exatamente por isso, um tanto imprevisível. aprendi nestes meses que a maioria dos médicos desta área não quer (e pior, não sabe!) lidar com o imprevisível.

minha gravidez foi absolutamente padrão e perfeita. todos os fatores foram acompanhados de perto, sem surpresas: peso, pressão, glicemia, urina, sangue, possíveis doenças pré-existentes, crescimento do bebê, placenta, líquido. tudo o que vocês puderem imaginar foi medido e verificado, e não houve nada fora do normal. um dos fatores é realmente motivo de atenção, embora não haja evidência de influência por enquanto: minha idade. estou com 38 anos e meio, e meu corpo de fato não é mais o mesmo de 10 anos atrás. talvez esses anos a mais pesem no momento do parto, depois conto pra vocês.

depois de todos os dramas relacionados ao meu plano de saúde e a falta de cobertura na maternidade que eu queria, conseguimos uma médica aqui na região alinhada com o que queríamos (ótima, aliás), e tudo corre bem até o momento. mas…

… acho importante compartilhar com vocês que essas últimas 3 semanas da gestação têm sido difíceis e os porquês. pra vocês que ainda vão passar por isso, talvez seja útil pensar nisso antes e se prevenir…

em primeiro lugar, tem a cobrança do “está na hora de nascer!”. por mais que a gente explique que o bebê pode nascer entre a semana 38 e 42 e que não dá pra prever, as pessoas não conseguem se segurar. elas ficam perguntando dia sim e outro também “e aí? já nasceu? como está?”. eu sei que as perguntas têm a melhor das intenções, mas só fazem aumentar a ansiedade dos pais (ou pelo menos da mãe). cada vez que me ligam aqui em casa é a mesma coisa: tenho que explicar que não, não nasceu ainda. (como se eles não fossem saber, caso tivesse nascido, mas enfim…). e pra mim pelo menos fica uma sensação de que o atraso é culpa minha, é como se eu estivesse fazendo algo errado. eu sei que não faz sentido nenhum, racionalmente, mas é assim que me sinto.

se pudesse mudar alguma coisa, hoje eu mentiria sobre a data prevista do parto, divulgaria pras pessoas a data de completar 42 semanas ao invés de 40.

em segundo lugar, a partir das 38 semanas começam exames intermináveis e sempre com ar de “vamos ver se o bebê está bem”. a gente que carrega o bebê ouve isso assim: “vamos ver se o bebê está VIVO ou não está SOFRENDO”. não é divertido ficar ali aguardando resultados de exames que precisam verificar se o seu filho está vivo e confortável. a impressão que dá é que o normal é o bebê sofrer ou estar em risco. dá um medo danado, mesmo pra pessoas bem informadas e racionais como eu. é todo um trabalho interno pra não entrar na pilha, e isso também estressa a gente.

em terceiro lugar tem o corpo pesado, a preocupação e os hormônios. diferente do que ouço de algumas mulheres, não me senti mais bonita na gravidez (mas também não me senti muito feia, o que é um alívio). também não senti melhora na libido, pelo contrário. ou seja: nenhum efeito positivo na auto-estima, além é claro de receber mais atenção graças ao bebê. as costas me matam um pouco por dia, graças à barriga enorme (isso porque engordei pouquíssimo), é um terror sentar e levantar. as preocupações com os “parâmetros” da gravidez por 9 meses também não são a coisa mais divertida do mundo, a gente vive em função do hóspede (já disse que me senti a ripley?) e acaba pensando nisso muito mais que em qualquer outra coisa. parei de trabalhar a partir da semana 38, e se pudesse mudar alguma coisa ficaria trabalhando até a 40. e tem os hormônios, né. no primeiro trimestre eu me sentia doente (enjôo, mal estar) e no final do terceiro eu me sinto louca. choro por qualquer motivo (dia sim e outro também), me sinto cansada e frustrada com a demora, como se fosse minha culpa.

racionalmente é possível passar por tudo isso sem grandes dramas, e a verdade é que acho que estou me saindo bem dentro do possível. consegui trabalhar muito bem por 8 meses e acho que não incomodei meu marido e família além do normal com meus pitis. mas confesso que esse final está punk, e já não vejo a hora de passar para a próxima fase do videogame.

**

sobre o andamento do final: perdi o tampão no fim da semana 40, estou atualmente com 41 semanas + 2 dias e esperaremos até amanhã pra ver se o menino nasce. se ele não quiser nascer por conta própria, decidimos com a médica que vamos induzir o parto natural. apesar de tudo estar bem, com a minha idade começa realmente a ficar chato esperar mais, e eu não quero mais passar por exames com médicos pró-cesárea.

a indução do parto normal é um procedimento comum nos hospitais públicos (nos privados, simplesmente fazem cesárea), e não é necessário usar ocitocina sempre. neste caso, será feita a aplicação de um medicamento direto no colo do útero (um comprimido, parece), que provoca o trabalho de parto. esperamos que a indução funcione bem e que apesar da intervenção eu consiga fazer o parto da forma que planejei.

então a partir de amanhã estou passando pra próxima fase, de uma forma ou de outra, e dou notícias assim que possível. desejem-me sorte!

38 semanas: agora qualquer hora é hora :)

bom, cheguei na reta final. a partir desta semana, a qualquer momento o menino pode chegar. todo mundo me pergunta se estou ansiosa, e pra dizer a verdade não estou não. estive bem tranquila a gestação toda, e continuo tranquila. durmo bem, como bem, faço quase tudo da mesma forma, e não penso no bebê 24h/dia. é difícil não falar sobre o assunto quando a barriga tá desse tamanho: todo mundo só quer saber sobre a gravidez e sobre o bebê. mas procuro dosar, é muito chato falar só sobre isso.

uma das expectativas de mim pra mim mesma no futuro próximo, aliás, é não me tornar mais uma daquelas mães chatas que só falam de criança. não suporto essa coisa “clube das mães”, e “só quando você for mãe é que vai entender” e etc. e pra quem ia comentar que eu vou ficar assim também, nem comente. não vou ficar não, porque não quero, acho cafona, chato e principalmente ridículo. afinal, ser ou não ser mãe não me define (e não devia definir ninguém), eu sou mais que isso.

todo mundo me pergunta se não tenho medo do parto. não, nenhum medo. aliás, cada vez mais acho que dor não é sinônimo de sofrimento. não tenho dúvida que o processo de dilatação pra passagem do bebê dói, afinal é uma movimentação muscular poderosa (se alongar dói, pô…). fazer exercício causa dor e desconforto muscular, o que não quer dizer que você precise sofrer. sofrimento implica julgamento, e é exatamente isso que se trabalha na ioga: desassociar o sentir (dor, desconforto, tensão, relaxamento) do pensar (classificar e julgar). basta sentir, mergulhar na sensação sem julgar se é bom ou mau. o exercício real de estar presente passa por aceitar as sensações, reconhecê-las e ter a certeza que absolutamente tudo passa. as sensações são só mensagens do seu corpo, não há necessidade da mente julgando. basta sentir e observar.

creio que será possível fazer meu parto da forma mais natural possível, por enquanto não há nenhum impedimento. não houve nenhum incidente nestas 38 semanas, pouco ganho de peso (3,5kg somente. mas eu já estava gorda, afinal), pressão normal/baixa, sem inchaço ou qualquer desconforto, durmo muito bem, o bebê mexe muito, tem o tamanho esperado e está ótimo. todos os exames estão OK (glicemia, clamídia, strepto, toxo). a médica está nos apoiando no parto natural com mínima intervenção (pra mim e para o bebê), e já falamos com a enfermeira-chefe e o chefe da pediatria sobre isso. todos estão OK com nosso plano e vão dar apoio.

mas se no final das contas por qualquer motivo não for possível fazer o parto do jeito que eu quero, também está tudo bem. pelo menos eu sei que fizemos (todos) o que era possível e o que achamos correto, estou 100% tranquila. decidi que não vou entrar na neurose de controle, aceito sem problemas que há coisas que não posso controlar. eu me adapto se for necessário.

enfim, está tudo pronto: mala com roupas do bebê, minhas camisolas (um drama pra comprar, praticamente só tem coisa cafona com abertura no peito pra amamentar), documentos necessários, o quarto, bercinho pro nosso quarto, bebê conforto, ufa!

levamos a preta no vet, pra conferir se está tudo bem (e fora os dentinhos com tártaro, ela parece bem apesar da idade avançada). arrumamos as coisinhas quebradas na casa, lavamos os carros, coloquei as contas pra pagar no agendamento, tudo pra evitar stress no próximo mês. estamos preparando as lembrancinhas pros visitantes (weno e denize nos ajudando um monte), que vai ser um CD com músicas que escolhemos pra homenagear a chegada do nosso filho (afe, como é estranho escrever isso!)

agora é só esperar e ir fotografando a barriga, semana a semana. nesse momento, essa é a barriga:

A louca do roxo

mais notícias em breve 🙂

reta final

bom, está chegando! bem que dizem que passa mais rápido do que a gente pensa… mal posso acreditar que em 5 semanas (mais ou menos) teremos um novo morador na casa, um novo membro da família. caramba.

o dragão e o bebê

por enquanto o terceiro trimestre está bem tranquilo, só a azia mesmo é que pegou mais pesado (mas basta comer pouco e mais vezes ao dia, evitar frituras e doces) e o intestino ficou mais preguiçoso. mas nada grave, só inconvenientes leves e contornáveis.

ainda durmo tranquilamente, até porque sempre dormi de lado. levantar/sentar ou deitar virou uma comédia, me sinto uma tartatuga virada 🙂 e andar… tá ridículo. ando feito uma pata profissional, todo um charme (not).

o otto está posicionado pra nascer, do tamanho certinho pra idade e eu engordei 3,5kg até o momento, ou seja, muito pouco. isso me deixou bem feliz, não por questões estéticas propriamente (já que antes de engravidar eu estava gorda mesmo), mas porque quanto mais pesada mais riscos há de ter hipertensão e de complicar o parto natural.

estou gostando da nossa médica, a priscila huguet (a quem interessar, atende em campinas), senti firmeza que ela vai nos apoiar para que parto tenha o mínimo de intervenção possível no hospital. fiz todos os exames que ajudam a evitar algumas intervenções, especialmente com o bebê (clamídia, etc.) e estou ótima. glicemia 70, pressão 10/6, tudo como manda o figurino!

além disso, conversando com minha mãe fiquei mais animada ainda com o parto natural: ela teve nós 3 de parto normal e tudo correu lindamente. os partos foram rápidos e sem drama, e segundo ela a família toda é assim. as únicas que tiveram dificuldades e optaram pela cesárea foram minha tia e a keké, pois as meninas estavam sentadas. ou seja: tem tudo pra dar certo 🙂

o quarto do menino não está pronto, é claro 🙂 quando arrumarmos tudo publico fotos. já compramos tudo que será preciso (e coisinhas não necessárias também, como vocês devem imaginar…) e ganhamos MUITA coisa. não tenho como agradecer o carinho de tanta gente que nos ofereceu doações ou vendeu as coisas por um preço legal. além é claro dos montes de presentes pro piolho… ele nem chegou e já é um serzinho tão amado! é muito fofo isso.

esta é minha última semana no trabalho, tenho milhões de coisas pra resolver, mas já estou me sentindo mais livre. vou ter essas semanas restantes pra pensar em mim, no piolho, no fer e nas mudanças. vou me preparar pro furacão que virá, e estou animada com ele!

vou procurar manter o blog atualizado até o otto chegar, e depois conto tudo com detalhes, ok?

me desejem sorte 😀

oitavo mês, oitavo passageiro

entrando no oitavo mês esta semana, e ainda não passou a sensação de carregar um alien na barriga, admito. e quanto mais a criatura cresce e se remexe, mais estranho fica. antes era uma sensação de “peixe vivo”, depois os chutes e cambalhotas, agora parece que o serzinho que sair, empurra, dá quase pra ver se é um pé, mão, cabeça ou cotovelo. scary 🙂

o fer tá já surtado, contando os dias pro menino nascer. eu estou aos poucos me acostumando com a idéia de ter mais um ser aqui em casa. confesso que a idéia me apavora. como será nossa vida com ele? nós dois que estamos tão acostumados um com o outro, com nossa rotina. além da apreensão de ter nova companhia, vem uma nostalgia antecipada de não ser mais o centro das atenções, admito sem nenhum pudor. acho que esses foram os meses mais gostosos da minha vida, deste ponto de vista. nunca me senti tão mimada, cheia de carinhos e cuidados. vai ser uma transição difícil, principalmente porque vai virar de cabeça pra baixo: após o parto, toda a atenção vai pra ele, o menino que mora dentro de mim agora.

uma parte de mim quer que ele vá ficando, sabe? não dá nenhum trabalho, e uma boa parte do amor que direcionam pra ele eu posso aproveitar. as semanas passam, e eu só consigo pensar nele fora da barriga em sonhos. parece que meu inconsciente está mais preparado para o depois que meu consciente 🙂

eu sei que o parto vai ser um divisor de águas, e até por isso continuo torcendo pra que seja natural, que eu possa passar por todas as etapas sem nenhuma pressa. sinto que esse processo de separação gradual não é importante só fisicamente, mas também emocionalmente. todo o protocolo de separação dos nossos corpos, por fases, com nosso esforço conjunto, vai me ajudar também a dar boas-vindas, e principalmente ceder espaço pra mais um nessa vida tão auto-centrada de só nós dois. acertadamente dizem que ao nascer uma criança nascem também o pai e a mãe ao mesmo tempo. nós 2 ainda não existimos como pai e mãe, é ainda o vir-a-ser. junto com o otto, nasceremos nós dois de novo, em novos papéis.

me pergunto como será nosso casamento depois do nascimento dele. temos um casamento muito bom, cheio de carinho físico e emocional, somos mesmo grudados. adoramos a presença um do outro, somos amigos, gostamos de morar juntos, dividir. ficamos horas juntos sem dizer nada, fazendo a mesma coisa ou não. compartilhamos muito o silêncio, rimos das mesmas piadas idiotas, desarrumamos nossa não-rotina. não fazemos programas de “família”, é muito incomum. assumimos depois de um tempo que nenhum de nós de fato gosta de programas familiares, e simplesmente declinamos, sem dramas. preferimos nossa própria companhia ou escolhemos cuidadosamente aqueles poucos amigos pra estar conosco.

é assustador pensar que teremos muito menos tempo sozinhos em pouco tempo. sabemos que haverá um laço novo e forte relacionado ao nosso filho, não temos dúvida disso. mas e os demais laços, como ficam? e os inevitáveis desacordos sobre como criar filhos, o cansaço, o saco cheio, a falta de tempo pra nós mesmos?

não tenho dúvidas que é possível superar tudo isso, ainda mais depois de 6 anos de casados e com muito amor e desejo de estar juntos sempre. nossa admiração mútua, o amor e a amizade vão nos ajudar, é claro. mas não me iludo: não vai ser fácil.

o que me consola e motiva é que passar por essa experiência vai nos tornar pessoas melhores e certamente um casal melhor. não deixo de pensar que é um enorme privilégio ter com quem dividir esse momento tão especial na vida. privilégio não: é mérito mesmo. afinal, tanta gente por aí engravida de qualquer um e depois reclama das dificuldades. nós nos escolhemos, investimos no nosso relacionamento e decidimos juntos que seria legal ter um filho. e estamos juntos no propósito de trazer para o mundo alguém legal ao mesmo tempo que nos tornamos nós mesmos pessoas melhores.

só mais 8 semanas, pessoal, para a mudança radical de estação. estamos ansiosos!

o parto do parto

eu já tinha explicado que faria meu acompanhamento e parto com a equipe da primaluz, lembram? pois graças ao meu maravilhoso (NOT) plano de saúde da empresa, no fim das contas não vai ser viável fazer o parto com eles. explico melhor, mas antes deixa eu contar um pouco sobre o meu “plano de parto”.

sou da opinião que parto normal é muito melhor que cesariana. o ministério brasileiro da saúde concorda, assim como todos os países de 1o mundo. isso não quer dizer que sou contra cesariana. só acho injusta (e sinal de ignorância por parte dos pais) a pressão dos médicos e hospitais particulares para realização da cesariana. os índices no brasil são assustadores (mais de 80% dos partos são cesariana, proporção inversa em relação aos países de 1o mundo), e quanto mais pergunto sobre o assunto, mais descubro que a maior parte das cesarianas é uma questão de conveniência do médico e/ou da mãe.

visitei uma maternidade semana passada (a que pretendo ter o piolho) e a enfermeira-chefe nos contou que o índice de cesarianas deles é enorme, principalmente porque as mães preferem. seja porque não querem sentir dor, seja porque querem estar “bonitas” no nascimento do filho. ou seja: marcam horário no salão e na sequência vão para a maternidade para sair nas fotos com o bebê de cabelo e unhas feitas. e os bebês dormem no berçário no seu primeiro dia de vida, longe das mães, porque elas precisam descansar. os médicos até tentam convencer as mães que o parto normal é melhor pra ela e para o bebê, mas não adianta. elas preferem não sentir nada e estarem montadas pras fotos.

essa forma de encarar o nascimento dos filhos combinada com médicos preguiçosos (não querem ficar de plantão esperando o bebê nascer naturalmente) ou incompetentes (sabiam que muitos não sabem como proceder com parto normal? só sabem fazer a cirurgia!) dá nisso: nascer no brasil é mais ou menos como fazer cirurgia de implante de silicone.

as opções estão aí pra quem quiser escolher, e francamente não me importo tanto assim que tantas mulheres escolham abrir mão de passar pelo processo do parto, que é tão ou mais fascinante que a própria gravidez. acho uma perda pra elas e para o bebê, mas enfim, problema delas. o que me irrita MUITO é que graças a estas mães e estes médicos, as opções pra quem deseja fazer um parto natural ficam extremamente limitadas. apesar de todas as recomendações do ministério da saúde, não é simples optar pelo parto normal.

pra vocês terem idéia, as únicas casas de parto que existem no brasil são na periferia, em lugares bem difíceis de chegar para nós que não moramos lá. ok, então que tal parir numa maternidade particular, que faz parte do seu plano? só se quiser fazer cesariana, amiga. os médicos que dão preferência ao parto natural são discriminados pelos demais e pelos hospitais, são poucas maternidades que permitem que você faça seu parto do jeito que você prefere, com sua equipe.

dito tudo isso, aqui em SP funciona assim pra quem quer fazer parto natural sendo tratada com um ser humano: você contrata sua equipe (a primaluz, por exemplo) e faz seu parto em casa, no einstein ou no são luiz, que são os locais que permitem que você leve sua equipe e siga seu plano de plano.

meu plano A era fazer o parto no são luiz, mas… meu plano corporativo maravilhoso não inclui este hospital. ou seja: até teria uma segunda opção, mas precisaria me submeter às rotinas de hospital padrão e provavelmente encarar algum stress por estar levando pra dentro do hospital um médico que não é da “patota” (e o territorialismo dos médicos é assunto pra outro post).

não quero fazer o parto em casa porque minha casa é muito isolada e o acesso não é fácil caso eu precise me deslocar numa emergência. se eu morasse em SP, faria em casa sem dúvida (caso tudo estivesse 100%, é claro). dentro das possibilidades, a maternidade com alguma flexibilidade e uma médica que parece legal já está OK. não vou também entrar numa viagem errada de me stressar nessa altura da gravidez por causa de tudo. estou disposta a abrir mão de algumas coisas, no fim das contas. não sou e não vou me tornar radical agora.

dito isso, seguimos para o plano C: procurar alguém aqui na região de campinas que topasse fazer o parto minimamente do nosso jeito. encontramos uma médica que topa nosso plano (e até faz partos em casa, pra nosso espanto), e fomos conhecer a maternidade. gostamos da médica proque ela foi muito direta conosco: optar por parto natural em maternidades não é simples. os protocolos dos hospitais são rígidos, é preciso se preparar com bastante antecedência para mudá-los e nem tudo é possível mudar. ela falou a mesma coisa que a enfermeira: ela própria prefere fazer partos naturais, mas a grande maioria das mulheres não quer. elas querem conveniência e nada de dor antes (optam por sentir dor depois do parto, já com o bebê pra cuidar. essa idéia me parece idiota, mas enfim, quem sou eu pra falar…)

como forma de contribuição pra quem tiver interesse no assunto, vou explicar de que pontos do “plano de parto” estamos falando e precisamos decidir a respeito (e como isso é tratado nas maternidades), seja por curiosidade ou porque vai ter seu filho em breve.

quando e como decidir se será possível fazer o parto natural. neste caso, a recomendação que dou é que o médico seja 100% da sua confiança e concorde com sua opção (tem uns que falam “se der a gente faz normal…” e nunca dá. tome cuidado). se você quer tentar parto normal, precisa estar segura que o médico vai apoiá-la de verdade, e não achar uma desculpa esfarrapada pra marcar a cesárea (tipo “você não vai conseguir”)

com ou sem anestesia (aparentemente não é um problemão optar na hora)

posição/forma que você quer parir (cócoras, na água, semi-reclinada, etc. nem todas as opções estão disponíveis em todas as maternidades)

quem pode estar com você na sala de parto (nesta maternidade que estamos considerando, só o pai pode entrar)

pode filmar/tirar fotos (nesta maternidade que estamos considerando, nem o pai pode fotografar ou filmar, só a “equipe credenciada”. acreditam?)

o bebê fica com você no quarto ou no berçário (as maternidades mais decentes deixam o bebê ficar com você, mas recomendo verificar)

fazer ou não episiotomia (eu prefiro que não me cortem, apesar de alguns médicos acharem que é melhor cortar que lacerar naturalmente. eu prefiro a laceração, ele que se vire pra consertar SE for o caso 🙂 é importante se informar, porque tem médicos que não fazem o parto sem cortar você)

vacinas e colírios no bebê (são procedimentos padrão das maternidades, pra proteger o bebê. a questão é que o colírio por exemplo protege o bebê de clamídia, e se você não tem clamídia… pra quê pigar o negócio, certo? parece que de forma geral você pode optar por não seguir estes procedimentos, mas precisa negociar antes pra não ter stress na hora)

por enquanto é o que eu me lembro de ser mais importante no meu parto. existem planos de parto por aí, vou pesquisar e ver quais itens eu poderia adicionar à lista.

amigas que já fizeram seus planos de parto, deixem suas próprias dicas!

29 semana e contando (ou 72% de progresso físico)

entrei no terceiro trimestre, e preciso então atualizar minha listinha de sintomas/sensações, não é? vamos lá!

3o trimestre (29 semana and beyond)

a principal mudança pra mim é o desequilíbrio físico. com o crescimento da barriga, o corpo fica todo estranho, e coisas simples como andar, sentar e deitar se tornam novas.

alguns agravantes me preocupam neste momento: tenho hérnia de disco (lombar) há anos, mas sob controle graças à postura; meus peitos são bem grandes e pesados, e ficaram maiores; a barriga crescente me projeta pra frente, atrapalhando minha postura normal. ou seja: estou reaprendendo a viver com meu corpo sem comprometer minha coluna, e não está divertido. a coluna dói, porque ainda não sei andar e nem me movimentar neste corpo.

nada de novo além da postura. ganhei pouco peso, e pretendo continuar muito atenta a isso, exatamente pra evitar mais sobrecarga para minha coluna. tenho tido mais vontade de comer doces, e está difícil controlar. os exames estão todos ótimos: glicemia 80, pressão 10/6, nenhuma doença e nem problema no caminho. o bebê está grande, eu não incho, durmo bem (até porque já dormia de lado por conta da lombar) e como bem. digestão lenta, desde o início, mas isso consigo administrar bem.

estou preocupada com o impacto do aumento de peso/volume na minha coluna. principalmente porque quero fazer o parto normal sem anestesia – preciso estar dominando minimamente meu corpo!

aliás, dicas de postura e exercícios de preparação para o parto são bem-vindos. mandem 🙂