o 1o dia na escola

decidimos desde que o otto nasceu que ele ficaria em casa, com a babá, até completar 2 anos. a decisão foi tomada junto com o pediatra, que nos aconselhou a evitar escola antes dessa idade principalmente porque o sistema imunológico do bebê não está completamente desenvolvido até os 24 meses e a incidência de doenças é muito grande, dando um trabalho danado para os pais (lembre que a maior parte das escolas e creches não aceitam crianças doentes, elas precisam ficar em casa quando estão com febre, por exemplo).

mas só pra esclarecer: nós somos adeptos da filosofia de que a exposição aos germes é importante para a saúde, deixamos o menino lamber o chão, beijar o cachorro, comer terra, enfim. nossa decisão tinha mais a ver com comodidade que qualquer outra coisa.

além disso, a maior parte das crianças toma iniciativas de socialização com outras crianças por volta de 2 anos somente. antes disso, elas brincam fisicamente juntas, mas cada uma no seu próprio mundinho, sem de fato socializar. ou seja — ele não estaria perdendo muita coisa nesse aspecto.

chegando perto dos 2 anos, percebemos que o otto começou a se interessar mais por outras crianças, e principalmente que estava ficando mimado demais (tudo é dele, não aceita ser contrariado, etc,.). sabemos que faz parte da idade, e sendo filho único fica complicado não dar atenção excessiva e mimar. mas ficar o dia todo com uma babá que é praticamente avó dele (faz tudo que ele quer e mais um pouco) estava nos preocupando. somos bastante rígidos com ele (ou pelo menos tentamos!) e temos horror de crianças mimadas. colocá-lo na escola logo que completasse 2 anos era essencial pra nós.

depois de uma pequena pesquisa na cidade (moramos em vinhedo), optamos por uma escola waldorf. vimos opções construtivistas também, que achamos interessantes, mas além da abordagem pedagógica (da qual falo daqui a pouco), o que mais nos encantou na escola que escolhemos foi o espaço físico, com poucas crianças e o menu de almoço. a escola é uma pequena chácara, com 2 turmas somente (maternal e jardim) e 1/2 período. muito espaço verde, todos os brinquedos de madeira e pano (materiais naturais) e um cardápio orgânico muito próximo da forma como alimentamos o otto em casa até o momento: nada industrializado no dia a dia, sem temperos excessivos, sem açúcar e doces. muitas frutas, comidas preparadas em casa.

novamente, não somos radicais-odara. o otto come pipoca, feijoada, bolo, chocolate, já comeu salsicha e linguiça, mortadela, enfim. mas nada disso é regra, é sempre exceção. no dia a dia, ele come arroz, feijão, proteínas variadas na semana (frango e ovo só orgânico), verduras e legumes orgânicos na sua maoria (quando não tem também não estressamos, come o que tem), sem sal e sem açúcar, pouco tempero, muitas frutas e de vez em quando bolo simples feito em casa. ele não come “sobremesa”, somente frutas depois das refeições, não come frituras e nem embutidos. suco só damos de laranja natural (feito na hora) e de uva orgânico (ele nem gosta tanto assim de suco, na verdade). mas quando comemos fora damos batata frita, bolo. o que nunca demos e não pretendemos dar antes que ele seja bem maior é refrigerante (tratamos como bebida alcoólica — é de adulto e ponto final) e balas/pirulitos. de resto, é isso: fazemos o melhor no dia a dia, e concedemos exceções sem problema.

voltando à escola: a alimentação segue os mesmos princípios que nós seguimos, com a vantagem de colocá-lo pra comer na mesa, junto aos coleguinhas (seja o que zeus quiser quando ele começar a almoçar lá… a bagunça vai ser épica). uma das coisas que nos animou quanto ao sistema waldorf foi que eles não têm “aulas” para crianças até os 6 anos completos. eles não ensinam letras, números, absolutamente nada que se pareça com alfabetização ou coisa assim. as crianças aprendem atividades manuais e criativas somente, são livres para brincar e desenvolver outras habilidades tais como pintar, cantar, tocar instrumentos, desenhar e até cozinhar.

quem tem a expectativa de ver seu prodígio fazendo contas e lendo antes dos 7 anos não deve ficar muito contente com a abordagem, mas pra nós ela pareceu perfeita. somos muito mentais, eu e o fer. fomos alfabetizados muito cedo, somos ambos excelentes em matemática e sempre estivemos entre os primeiros das nossas turmas. valorizamos bastante o intelecto, e exatamente por isso achamos que precisamos balancear de alguma forma esse nosso modus operandi inconsciente para com nosso filho. é natural que o otto aos 2 anos conte até 40 (e aumentando a cada semana…) e já saiba todas as letras do alfabeto. isso aconteceu sem que a gente percebesse, mas certamente tem influência nossa, mesmo que inconsciente.

sabemos que nosso filho não é um gênio (esses são gênios, vejam os números 8 e 9. o número 8 aos 2 anos fazia operações algébricas…), ele simplesmente responde ao ambiente em que vive. queremos que ele tenha oportunidade também de ser exposto e experimentar coisas que nós não oferecemos de forma natural (aquarela, e outras atividades criativas) simplesmente porque somos quem somos. nós vamos querer ensinar o otto a andar de bicicleta, plantar, cozinhar, ver filmes, ler livros e gibis, fazer contas e jogar jogos. são as coisas que nós gostamos de fazer, nossa zona de conforto.

não sabemos ainda se essa pedagogia vai nos deixar confortáveis depois dos 6 anos. pretendemos visitar as opções de escolas waldorf na região para crianças maiores, e então decidir. mas por enquanto estamos confiantes que essa é a melhor opção pra ele, que já se mostra um menino bastante organizado e um tanto perfeccionista (impressionante como isso já se manifesta aos 2 anos!).

**

é claro que estávamos tensos com sua primeira experiência na escola. ele sempre foi muito mimado e protegido, não só por ser filho único mas porque nasceu numa circunstância muito preocupante. ainda há o fantasma de possíveis seqüelas do parto (por mais que os pediatras que consultamos tenham nos assegurado que tudo está indo muito bem), qualquer bobagem que todo mundo diz que é normal, como ele começar a falar somente aos 20 meses, nos preocupa.

e existem as outras crianças do mundo, aquelas que podem morder, bater ou simplesmente chatear nosso filhinho querido. ele vai chorar? vai sofrer? como podemos poupá-lo, afinal?

não sou uma mãe diferente das outras, é claro que me preocupo com meu filho. mataria e morreria por ele. mas quando me comparo ao pai dele, percebo que não sou superprotetora, e que desejo com certa ansiedade que ele comece a enfrentar dificuldades típicas de tornar-se um ser humano: confrontar diferenças, lidar com a frustração, aprender a dividir, aprender a defender-se, entender que o mundo não gira em torno dele, aprender a negociar e lidar com o outro.

por mais que eu vá sofrer quando ele sofrer (é inevitável. não é possível ser mãe e não se doer pela dor do seu filho), estou absolutamente certa que enfrentar frustrações e dificuldades o quanto antes fará dele um adulto melhor, vai ajudá-lo a lidar melhor com as adversidades para o resto da vida. minha missão como mãe é prepará-lo para ser um adulto independente, que sabe ultrapassar obstáculos porque tem confiança em si mesmo e sabe que é sempre possível tentar de novo, mudar, adaptar-se. se conseguir isso, considero minha missão como mãe e educadora cumprida.

e parte dessa missão é deixá-lo responder do jeito dele às barreiras e desafios. orientando e acolhendo, sempre, mas sem sufocá-lo ou protegê-lo da realidade.

e foi com esse espírito que no 5o dia da adaptação na escolinha eu coloquei ele no chão, ajeitei a mochilinha nas suas costinhas pequenas e deixei andar SHOJINHO (sozinho, como ele pediu, e eu respeitei) até sua professora. lá dentro, eu o convenci a guardar a mochila e entrar na sala (ele queria ir para o quintal, claro), avisei que iria trabalhar e que ele ficaria lá com os amiguinhos e as professoras. e ele me deu um beijo contrariado (não por eu ir embora, mas por ele não poder ir para onde queria) e saiu andando, sem nem olhar pra trás.

tive tanto orgulho dele! e tive orgulho também de mim, porque não sofri nem um pouco e fui muito feliz naqueles instantes de demonstração da independência dele. tive toda a certeza de que sou e serei uma boa mãe, que não sufocarei meu filho e nem terei crises de depressão no dia em que ele for viver sua vida independente da minha.

foi só um instante, um beijo e um tchau, mas foi também a projeção de um futuro possível e totalmente coerente com tudo que acredito. que ser mãe não é padecer no paraíso, nem sofrer. ser mãe é contribuir para um mundo melhor através da criação de pessoas cada vez melhores, mais felizes, confiantes e independentes.

vá ser feliz, chorar, sofrer e descobrir as maravilhas do mundo, meu filho querido. não estarei sempre do seu lado fisicamente, mas estarei sempre junto cada vez que você virar as costas e andar sem mim, pois minha missão foi muito bem cumprida se você simplesmente souber que é capaz de tudo que quiser.

PS 1: a propósito, hoje cedo deixei ele de novo na escolinha e fui embora (desta vez ele fica a manhã toda). novamente ele fez questão de usar a mochila ele mesmo, mas me deu a mão para entrar. entrou sozinho, me deixou ajudar com a mochila e me deu um beijão e um sorriso de tchau, antes de ir cuidar da sua vidinha.

PS 2: ele agora não pode entrar no carro que quer ir para a “ecolinha”. voltou ontem da escola sorrindo e repetindo o caminho todo “tá feliz! tá feliz!”. como não ser feliz junto?

das coisas todas

mais 4 dias e meu bebezinho faz 1 ano! mal consigo acreditar. em alguns momentos parece que os dias não passam, e tudo é cansativo e difícil, mas chega esse momento em que parece que voou (provavelmente porque as coisas ruins e difíceis ficam esquecidas, como convém à perpetuação da espécie :))

já são quase 6 meses de volta ao trabalho, o menino tá quase andando sozinho, creio que em breve vai começar a falar também, come feito um dragão e é constantemente feliz, sorridente e capeta. ou seja: tudo nos eixos. não fosse o desmame precoce e auto-imposto do menino e as doencinhas da estação, teria sido tudo perfeito.

a partir do primeiro aniversário vamos começar a alimentar o otto com a nossa comida, e pra isso eliminaremos o sal e reduziremos a quantidade de tempero. o sal cada um coloca no próprio prato (o que aqui entre nós eu achei bom, pois as meninas que trabalham aqui em casa carregam mais no sal e tempero do que eu gostaria). a vantagem é que nossa alimentação é bem balanceada e toda preparada em casa, sempre com legumes e verduras, carne, arroz e feijão, muitas frutas. comida simples e caseira, que é o melhor tipo.

bem, açúcar ele nunca comeu, e vamos continuar evitando. não quero ser absolutamente radical, porque acho que comida não é só combustível, é também ritual. não quero que o otto se sinta excluído quando todos estiverem comendo o bolo de aniversário dele, por exemplo, e ele não. vou evitar ao máximo o açúcar no dia a dia, mas quando o doce em questão for parte importante da refeição, se ele quiser vou deixar provar. refrigerante, só quando ele for bem maior, e ainda assim como exceção também. e se possível quero evitar que doces se tornem prêmio. odeio a idéia de comida como recompensa, ou associada com chantagem emocional (ai, meu filho, fiz esse pudim com tanto amor e você neeeeem ligou… eca!).

nossa rotina diária é muito bem estabelecida, e funciona bem: saio de segunda a sexta entre 7:30h e 8h, quando a babá chega, e volto às 17:30h, horário que ela vai embora. nos fins de semana costumo pedir ajuda à minha cunhada ou minha mãe, pra que eu tenha tempo de dormir umas horas a mais ou ir à manicure. mas no fim de semana, aproveito o máximo de tempo que tenho com o otto, e tem sido cada vez melhor. às vezes uma amiga ou minha mãe ficam com ele à noite pra gente poder jantar fora ou resolver algum assunto na rua, e ele fica super bem. o otto nunca chora quando eu ou o pai saímos, adora a babá, as avós e avôs, as tias. a partir dos 9 meses ele começou a estranhar pessoas que não conhece e ambientes estranhos e muito lotados (aí ele chora de dar pena, e se agarra na gente, tadinho). mas basta passar o tempo e acostumar, e ele volta a ser o bebê sorridente e sem vergonha de sempre, rindo pra todo mundo e brincando.

acho que o fato de termos sempre deixado ele ir pro colo de todo mundo ajudou a torná-lo sociável e amigável, mesmo sendo tão desconfiado como ele é (observa MUITO tudo ao redor, as pessoas, a comida, a roupa, os brinquedos. não pega nem come nada antes de olhar muito bem). estamos felizes em observar como ele é feliz e gosta de conhecer pessoas novas (mas não gosta, definitivamente, de gritos e bagunça).

o sono dele melhorou bastante, mas ainda está longe de ser uma maravilha. já não preciso mais ir pra bola de pilates niná-lo pra dormir, basta sentar no sofá com ele no colo e balançar de leve. ele costuma dormir sem muito drama em 10-20min. ainda não conseguimos fazê-lo dormir sozinho, mas confesso que não tentei a sério :) tenho gostado de fazer ele dormir no colo, aproveitar pra mimá-lo e mantê-lo bem perto enquanto ele ainda cabe no colo e é bebê. sei que vou sentir falta disso no futuro, e aproveito ao máximo. ele acorda 2x para mamar depois de dormir (por volta de 19h), e chora 3 a 4 vezes (o fer vai lá, consola ele no berço mesmo, e ele dorme de novo). e nos últimos tempos, depois das 5h trazemos ele pra nossa cama, que assim ele dorme mais tempo (até umas 7h, às vezes).

ele ficou resfriado 2 vezes até hoje (nariz entupido), e teve otite/amidalite/conjuntivite neste último mês. os resfriados são chatos, porque o nariz entope e ele dorme muito mal, mas basta lavagem nasal com soro e paciência pra passar. as -ites foram realmente muito chatas, e decidimos tratar com antibiótico e colírio, porque 3 infecções simultâneas pra um adulto já são incômodas; pra um bebê, seria cruel demais esperar passar no dobro do tempo. mas se por um lado o remédio faz a infecção desaparecer rapidamente, por outro tem o custo no corpinho novo do bebê – o otto teve alergia ao veículo do remédio, empipocou todo. então além de -ites, ele teve reação ao remédio. mas foi 1 semana somente (que pareceu durar uma vida), e passou. o primeiro ataque de vírus e bactéria que o corpinho dele sofreu, que dó!

e mesmo doente o menino sorria, brincava e até comia (nos dias ruins só mamava e comia pedaços de fruta). e deu seus 2 primeiros passos no meio da crise de -ites!

enfim, ainda vou escrever o post de diário do otto no fim de semana que vem, mas queria registrar aqui pras amigas mães ou futuras mães que há esperança. é difícil no começo, a gente fica exausta e desesperada, parece que nunca vai melhorar, mas melhora e fica cada vez mais divertido e gostoso.

respirem, se acalmem e relaxem, que no fim tudo dá certo :)

(sempre procurando rir dos obstáculos, inevitáveis. bom humor é essencial)

a mãe que trabalha

durante a gravidez eu tive sentimentos controversos sobre voltar a trabalhar. sempre trabalhei muito, como todo profissional da área de TI, e sempre gostei muito de trabalhar. sou super empolgada com meu trabalho, falo dele durante horas a fio se tiver uma alma pra ouvir :) mas com o bebê na barriga e toda a aura da maternidade pairando ao meu redor (e comentários, conselhos, opiniões), cheguei a pensar que poderia ter vontade de ficar com o bebê mais tempo, depois de nascido.

digo que os sentimentos foram controversos porque além de gostar de trabalhar, nunca fui muito chegada em cuidar de crianças, essa é a verdade. e pra quem pergunta “então por que ter filhos?”, blé. você não entende nada sobre o que move pessoas a procriar conscientemente, não é? não tive filho porque gosto de criança, mas porque desejo a experiência, que é riquíssima. e não é que eu odeie crianças, veja bem, eu acho o ser humano de forma geral muito interessante, seja adulto ou criança. mas criança cansa, gente! cansa muito, e enche o saco. mesmo sendo nosso o filho.

fui bombardeada, como todas somos, de chavões do tipo “só quando você for mãe vai entender” (ainda não entendi nada), o tal “amor incondicional” (ainda desconheço), ou “ser mãe é padecer no paraíso” e etc. e acabei achando que um bit ia se ligar em mim quando o bebê nascesse, e de repente eu me tornaria uma mãe de propaganda de margarina, adorando estar com o bebê e de repente ia querer abandonar minha carreira. juro, isso me ocorreu.

o bebê chegou, e não ligou bit nenhum. nada de amor incondicional (já falei sobre isso: tá mais pra cuidado incondicional e amor que se constrói dia a dia), nada de desejo de não me afastar dele por nada no mundo. e ai de mim quando falo esse tipo de coisa: a patrulha da mãe-perfeita-e-sofredora cai de pau em cima de mim. umas não acreditam (acham que estou mentindo, que no fundo sinto isso tudo e nego) e outras me acham uma monstra.

pois que quando começou a chegar a época de voltar a trabalhar eu já estava com a babá cuidando do otto em casa há 3 meses, todos completamente adaptados, mas fiquei apreensiva. será que as coisas mudaram muito nos 8 meses que fiquei fora? será que vou conseguir trabalhar da mesma forma? e se eu ficar culpada, ou pensando no bebê o tempo todo?

voltei a trabalhar numa quarta-feira, com rotina de ordenha (pois continuei a dar só o peito, e tirava leite 2x por dia) e totalmente perdida depois de meses sem trabalhar. os primeiros dias foram de socialização, pra dizer a verdade, mas aos poucos fui retomando minhas atividades e descobri que em grandes corporações 8 meses não é nada :) honestamente, vários problemas que eu tinha deixado para o meu backup resolver continuaram até a minha volta. até algumas contratações ainda estavam pendentes!

além da boa surpresa de conseguir retomar as atividades sem grandes dramas, percebi também que o novo ritmo (chegar no horário, sair no horário, tirar leite no meio do dia) era totalmente administrável, e que eu não preciso trabalhar 12h por dia pra ser produtiva. estou conseguindo produzir bem e com eficiência nas 8h do dia. estou priorizando melhor as atividades, e me preocupando menos em fazer mais do que o necessário. tenho me concentrado no possível, e é mais que suficiente.

e a saudade do otto? nenhuma. e cada vez que falo isso as mulheres ao redor se arrepiam e morrem por dentro, fazendo cara de horror. como assim, não tem saudade? corrijo: tenho saudade e penso nele, sim, mas isso não ocupa meu dia e nem me atrapalha. não sofro com a saudade, ela simplesmente faz parte de mim. ele agora é a pessoinha de mais importância na minha vida, e é claro que penso nele. mas isso não causa sofrimento algum e nem atrapalha nada do que preciso fazer.

e quando chego em casa, pra liberar a babá pra ir embora, é uma delícia. o tempo que gasto com ele é precioso, divertido, gostoso. bem diferente do fim de semana, que preciso estar com ele o tempo todo e vira e mexe enche o saco. quando preciso cuidar dele o tempo todo, me pego desejando estar em outro lugar, fazendo outra coisa. é fato. nem todas gostamos de estar com bebês o tempo todo, mesmo quando somos mães das criaturas. e por isso valorizo ainda mais meu trabalho, meu tempo longe dele, porque quando posso estar junto dele, é um tempo importante e realmente DELE.

tenho certeza que sou uma mãe melhor pro otto quando estou envolvida em outras atividades e quando tenho ajuda pra cuidar dele. porque cada gesto, carinho, atenção são realmente dedicados a ele, são legítimos e intensos.

voltar a trabalhar foi essencial para o relacionamento com meu filho, pra que eu seja uma mãe melhor; ser mãe foi essencial pra que eu me tornasse uma profissional mais focada, que sabe priorizar atividades, hoje sou uma profissional melhor.

e de quebra virei toureira, né, dando olé do maremoto de críticas veladas e culpa que as outras mulheres tentam me afogar :) mas não cedo, resisto firme no intento de ser presente e responsável primária na educação do meu filho sem precisar abrir mão da minha própria vida.

amamentação: voltando ao trabalho

graças às dicas essenciais da raquel_ny e bianca do posso amamentar, tudo está correndo muito bem!

o otto se alimentou exclusivamente de leite até completar 5 meses, quando comecei a introduzir outros alimentos na dieta e mantive as mamadas a cada 3 ou 4 horas. quando ele completou 6 meses, aluguei uma máquina de ordenha dupla e comecei a tirar o leite 2 vezes por dia (fim da manhã e início da tarde) e oferecer no copinho de suco. as demais mamadas continuaram normalmente. ele reclamou um pouco de tomar leite no copinho por 1 ou 2 dias, mas depois acostumou e toma com muito gosto.

eu já tinha experiência com ordenha, pois precisei ordenhar quando o otto nasceu por 5 dias até que ele pudesse mamar. fazia a ordenha manual na UTI e comprei uma máquina simples de ordenha, que usava quando ia descartar o leite. ordenhar manualmente é muito difícil, e na máquina eu achava fácil (além de sair mais leite). no início achei que não teria dificuldade de usar a máquina e tirar o leite, mas estava enganada…

depois do terceiro mês, o peito já não enche tanto e fica mais “murcho”. aprendi que nesta época o corpo já voltou ao normal (hormonalmente), se adaptou à rotina e à quantidade normalmente necessária de leite. o leite é produzido enquanto o bebê suga, e atende exatamente à demanda que ele faz. é por isso que temos a sensação de “descer o leite” alguns segundos depois que o bebê começa a mamar.

pois que quando fui ordenhar (com a máquina) depois de 6 meses, simplesmente não saía NADA. ou quase nada. fui no kellymom.com (site excelente, recomendo muito) calcular a quantidade de leite necessária para o otto a cada mamada (espante-se como eu: não depende da idade dele e tampouco do peso!), e descobri que podia variar de 76-112ml (para o otto especificamente). apavorei!

a raquel_ny me salvou, compartilhando a experiência dela ordenhando e mandando os links da kellymom, que ajudaram muito. a primeira dica dela foi: a máquina da medela, pump in style, é essencial. procurei para alugar no brasil (porque comprar é caríssimo) e achei no cantinho da mamãe. aluguei sem dificuldade, com os frascos, frasqueira e tudo (R$108 por mês) e experimentei. sucesso absoluto! de primeira consegui ordenhar cerca de 120ml, mais que suficiente para a mamada do otto. a babá dava o leite no copinho de suco, e congelei o que sobrava.

continuei nessa rotina (ainda em casa) durante a semana, e de fim de semana voltei a dar o peito somente, normal. não vi diferença na forma dele mamar, mas percebi que ele ficou mais dengoso quando estava no peito, mais grudadinho :) uma graça!

quando voltei a trabalhar, tinha 3 dias de leite (2 mamadas por dia) já congelado, para emergências. então no primeiro dia ela descongelou (dentro da geladeira – tirou do freezer para a geladeira normal), aqueceu em banho-maria e deu o leite congelado primeiro. quando eu chego em casa, junto o conteúdo dos frasquinhos em potes de vidro (de geléia, cerca de 250ml) e congelo, identificando a data na tampa. assim, mantemos sempre um estoque, e ela vai dando o leite que está congelado há mais tempo.

no trabalho tenho conseguido tirar cerca de 100ml (a quantidade varia conforme o dia, a hora), e tem sido suficiente. bloqueei minha agenda duas vezes por dia por 30min, vou para uma sala fechada e ordenho por 10min (o leite acaba depois disso, que é o tempo que ele normalmente mama). fecho os vidros, guardo, seco as conchas. guardo os frascos na frasqueira, que fica no frigobar, lavo as conchas com água, seco e guardo num ziploc para a próxima ordenha.

deixo a máquina no trabalho, só trago pra casa os frascos (dentro da frasqueira, com aqueles “gelos de plástico”) para manter gelado e congelo o leite do dia quando chego. só na sexta-feira trago as conchas para ficar secando ao ar livre.

tudo funcionando perfeitamente, nesta primeira semana. espero conseguir manter a rotina!

da volta ao trabalho e outras coisas

voltei essa semana ao trabalho, depois de longos 8 meses: tirei 15 dias de licença médica, pois não conseguia dirigir mais, a licença maternidade, 1 mês de férias vencidas e mais 10 dias de férias normais. desse tempo, passei 6 meses e meio com o otto em casa, com ajuda do fer e da maria (a babá dele).

diferente do que muitas mães relataram, minha volta foi tranquilíssima. cheguei ao trabalho com quase 3000 parados na minha caixa postal (já mandei pro arquivo morto – nem sei quando e se vou voltar a lê-los), mas tive uma recepção muito calorosa dos meus funcionários e colegas, falei bastante sobre estes meses e sobre o otto. mostrei fotos, corujei bastante o menino e tals. aos poucos vou me ambientando novamente e pegando pé das coisas.

não fiquei pensando no otto a ponto de me distrair no trabalho e não fiquei nada preocupada com ele. voltei 100% tranquila de que estamos numa situação ótima: saio às 7:30h e volto às 17:30, a maria cuida dele neste período e o fer está em casa com frequência pra dar atenção de pai. a rotina dele está bem estabelecida, e estamos mantendo “o diário do otto” em papel, num caderninho. (falo mais disso no próximo post sobre a rotina de alimentação que estamos seguindo)

todo mundo me pergunta se eu não morro de saudade, oh meu deus, e a resposta é não. nada diferente da saudade que tenho quando ele está dormindo, por exemplo :) lembro dele, da carinha, das gracinhas, dá vontade de apertar, mas não é algo que “doa”, ou que me incomode. ele é alguém que eu amo, e quer estar junto, mas não precisa ser o tempo todo. no horário de trabalho, estou trabalhando e pensando em outras coisas, sem precisar fazer esforço algum.

o melhor de ter voltado a trabalhar é que tenho outras atividades, convivo com outras pessoas e não estou 100% observando e convivendo com o bebê. além de amenizar meu lado controlador, isso também serve para que eu aprecie mais e melhor as poucas horas que tenho com ele. fico com ele 30min de manhã (além dos minutos de mamar) e 2,5h à tarde (ele dorme pontualmente às 20h), e essas horas têm sido preciosas.

estou adorando ficar com ele, e isso nem sempre era verdade quando eu TINHA que ficar com ele o dia todo. eu ficava de saco cheio várias vezes ao dia, querendo descansar ou fazer outra coisa (ler, tomar banho, fazer nada!). agora eu curto muito essas horas com ele, e é óbvio que isso vale pra nós 2. ele abre os bracinhos quando eu chego, e dá um sorrisão que me derrete toda :) lindo demais, cheio de dengo, brincalhão. mesmo quando ele fica com sono ou fome e começa a resmungar, fica mais chatinho, eu não ligo. tenho mais paciência, e dou mais atenção a ele.

em suma: melhorou pra nós 2! o pai tem observado o comportamento dele de dia, pra ver se ele sente minha falta, e a verdade é que não sente. ele tem pessoas legais cuidando dele, brincando e conversando. ele não precisa de mim o tempo todo, e eu percebi que também não preciso estar com ele o tempo todo.

foi bom voltar a trabalhar e perceber que ser mãe não precisa necessariamente ser refém do bebê, e que ele se vira muito bem sem minha presença. meu menino ficando independente! <3

aproveitando o ensejo…

uma mãe odara anônima resolveu deixar comentários no post anterior porque se sentiu ofendida pelas minhas opiniões. segundo ela, eu (1) estou generalizando, (2) estou incomodada com o fato de haver mulheres que adoram viver para seus filhos, (3) estou dizendo que minhas verdades são únicas e (4) estou me contradizendo no assunto “babá” por exemplo.

não publiquei o comment porque não gosto de bater palma pra louco dançar. aprendi depois de 10 anos de blog que os anônimos gostam de criar caso, mas não querem se comprometer com nada, ficam escondidinhos no anonimato só jogando lenha na fogueira e saem de cena intactos quando convém. não curto, acho covarde e deixo pra lá.

mas gostei da provocação dela, especialmente porque é fácil de provar que ela está errada :) está errada porque me lê com má vontade e se entrega ao rancor. eu chutaria que isso se dá porque toquei em algum ponto dolorido dela, sem saber. não fosse assim, ela não se daria ao trabalho de vir aqui deixar 2 comments enormes… alguma coisa pegou. aprendi uma coisa nos meus anos de terapia, que vou compartilhar por pura generosidade: quando algo que alguém diz/escreve (e não é direcionado pessoalmente a você e não ofende uma raça, gênero, etc.) ofende e magoa você como se fosse pessoal, faça uma auto-análise. algo no que foi dito está ressoando algum problema SEU escondido. o autor não tinha intenção de magoar você, já que ele sequer o conhece, perceba.

convenhamos, a pessoa vestiu uma carapuça ENORME. e veio aqui tentar diminuir a importância da minha opinião e vivência pra se sentir melhor. já vi esse filme, e não caio mais. sigamos.

não vejo generalização nenhuma aqui nesse blog quando falo das MINHAS experiências. e por favor, não vamos cometer erros primários de interpretação de texto, tais como achar que “você vai sentir arrependimento por X ou Y” é uma generalização. isso é recurso de narrativa, ok? não vou nem explicar, isso é básico.

eu não me incomodo em absoluto com mulheres odara (embora ache esquisito). eu me incomodo muitíssimo com o discurso xiita e ditador destas mulheres espalhado pela web, que massacra as demais mulheres, acusando-as de serem mães piores e prejudicarem seus filhos por não corresponderem ao ideal de perfeição. isso está claríssimo em todos os meus textos, só não entende quem está de má vontade mesmo.

acho que sobre verdades únicas nem preciso comentar. se tem alguém no mundo dos blogs pessoais que já acertou e errou (mais que acertou), mudou de idéia e admitiu ter mudado de idéia sou eu. nunca tive medo disso, ainda não tenho, e nunca digo que há verdade única. esse discurso é típico de quem está na defensiva e sem argumento. vou pular.

e aí tem a acusação de eu ser contra babá e agora achar certo e defender. tenho excelente memória, e pra quem não tem meu post sobre o assunto está aqui. eu sei no que acredito, sou uma mulher muito inteligente e não há contradição nenhuma no meu discurso antes e depois de parir. não que fosse um problema haver contradição, isso não invalidaria minha opinião anterior e nem a atual (de novo, recurso pobre pra diminuir a opinião do outro…). continuo sendo contra as babás de uniforminho, que acompanham bebês com os pais em lugares públicos e dormem no emprego. nada mudou. a nossa babá é como uma creche de luxo, porque podemos pagar, oras. ela trabalha de segunda a sexta das 7:30h às 17:30h (horário em que estou fora trabalhando), é registrada, ganha um ótimo salário e é muito bem tratada, como profissional que é. e quando necessário eu contrato folguista de fim de semana, para poder fazer outras atividades, já que não conto com família disponível pra me ajudar com o bebê quando quero por exemplo cortar o cabelo e meu marido está ocupado.

(me ocorreu que talvez as mães-odara não cortem cabelos, não se depilem, por isso não precisam de ajuda extra quando querem se cuidar ;) ou são das mães sem noção que deixam seus filhos chatos soltos e incomodando as pessoas em salões, que deus nos livre!)

bom, odara, viu como eu fico feliz em responder? não tenho nada a temer, estou tranquila com minha opinião e a forma como a expresso. estou aqui, exposta, colocando às claras várias opiniões e sentimentos que muitas mulheres têm medo de admitir (tipo querer devolver o bebê pra fábrica) graças às supostas “mães perfeitas” que fazem tudo parecer tão fácil e simples e gostoso. continuarei firme e forte aqui, baby. as mães e mulheres que ficam aliviadas em ler opiniões aqui são motivo suficiente pra que eu continue, e não me deixe abater por provocações como a sua.

porque faço questão de comentar

estou trocando emails com a bianca balassiano do possoamamentar.com.br, e ela tem dado ótimas dicas sobre como ordenhar quando voltar ao trabalho. dicas práticas, que venho experimentando, e agradeço a ela pela boa vontade, educação e disposição em ajudar alguém que não só não conhece como também é em muitos aspectos avessa às suas crenças. recomendo procurá-la quando precisarem de apoio individualizado na amamentação.

começo com essa breve introdução porque respeito a bianca, e agradeço sua gentileza, mas também discordo de algumas coisas que ela gosta e divulga, esse texto aqui por exemplo e tudo que ele implica.

considero esse texto um total desserviço às mulheres que se tornam mães e desejam amamentar, e vou usar trechos para explicar meus motivos (grifos meus):

Para dar de mamar deveríamos passar quase o tempo todo nuas, sem largar a nossa criança, imersas num tempo fora do tempo, sem intelecto nem elaboração de pensamentos, sem necessidade de defender-se de nada nem de ninguém, senão somente sumidas num espaço imaginário e invisível para os demais.

(…)

Isto é possível se se compreende que a psicologia feminina inclui este profundo afinco à mãe-terra, que o ser uma com a natureza é intrínseco ao ser essencial da mulher, e que se este aspecto não se põe de manifesto, a lactância simplesmente não flui.

faço antes um comentário breve mas importante: dou muito valor ao instinto, pois creio que são parte da nossa herança genética e nos direcionam para o caminho correto. entendo portanto que seja incentivado que cada mulher encontre seus instintos maternos, eventualmente escondidos pelo verniz da modernidade. isso é especialmente precioso para mulheres que, como eu, são excessivamente racionais. entrar em contato com seus instintos, seu eu-interior e tal é salutar e importante. mas, quero frisar com negrito, isso é assunto individual para ser tratado em terapia!

textos genéricos, apelativos e “definitivos” como esse são um banho de água fria em qualquer mulher que tenha dúvidas sobre sua capacidade de ser mãe e/ou amamentar. bem, vamos aos grifos.

passar quase todo tempo nuas é obviamente inviável, a menos que você seja naturista. e tem o inverno. e a convivência com outras pessoas, já que vivemos num mundo no qual não é natural andar pelado, por mais que seja gostoso. então já partimos da impossibilidade, o que me leva a perguntar qual é o benefício de escrever essa frase… vamos fazer então uma interpretação figurada, e torcer para que as demais coitadas que lêem esse texto tenham essa capacidade e não levem as coisas tão a sério. ela quer dizer que contato pele-a-pele com seu bebê é importante, talvez? genial, tenho certeza que é importante. por que então não dizer exatamente isso, já que estamos falando com mulheres procurando apoio para serem melhores mães? por que não falar sobre coisas possíveis, tais como massagem no bebê, banho conjunto, olho no olho, carícias durante o amamentar, etc.? não, vamos falar de coisas impossíveis, pra que a leitora não se identifique e se sinta inadequada.

imersas num tempo fora do tempo, sumidas num espaço invisível para os demais talvez se trate de desligar das outras coisas, cuidar somente do seu bebê e esquecer de todo o resto do mundo. é, talvez isso faça sentido nos primeiros dias depois que seu bebê nasceu, porque o tsunami de hormônios mais todas as novidades (sentimentos, pensamentos, rotina, etc.) mais a privação de sono realmente deixam a gente num outro universo, paralelo. fato é que passado esse choque inicial, a vida continua acontecendo ao seu redor. a roupa não se lava sozinha, as contas não se pagam, a comida não se apronta e você continua sendo parte de um sistema. o mundo não fica restrito a você e ao seu bebê. e não conta pra ninguém, mas você vai MORRER de saudade da sua vida anterior. você vai se arrepender de ter decidido ter um bebê, vai achar que não vai dar certo, que você não é capaz e que sua vida piorou pra sempre. e logo no mesmo segundo vai MORRER de culpa por pensar tudo isso, porque afinal você já ama aquela criatura mais que tudo na vida, e desejou muito ser mãe, quis e quer fazer o melhor por ela. por mais que as mães-odara tenham dito pra você que sua vida vai mudar pra melhor pra sempre, e que você será uma mamífera-empoderada, você vai se sentir mesmo é uma merda, e pior: sequer vai ter coragem de admitir. porque alguém fez a gentileza de escrever um texto deste tipo, dizendo que o certo é ficar nua, imersa num outro espaço-tempo, se dedicando à sua cria. e ai de você se sentir diferente. não é uma mãe perfeita, claro, e vai se sentir uma mãe de merda.

ser uma com a natureza é a melhor. por mais que eu creia (e creio) que precisamos sim nos conectar mais com nosso lado animal e natural, pois é benéfico em todos os aspectos da nossa vida (alimentação, comportamento, atividades fisiológicas, etc.), “ser um com a natureza” não quer dizer absolutamente nada. na-da. não consigo crer que exista uma pessoa com o racional e emocional em dia que possa dizer que é “um com a natureza”. primeiro porque não vivemos na natureza. eu não conheço uma única pessoa que viva na natureza, que só come o que planta/caça/colhe, que viva em meio à natureza de fato. só isso já é suficiente pra não permitir nenhum de nós ser “um com a natureza”. quando a autora diz que isso é intrínseco ao ser essencial da mulher, danou-se. porque se é intrínseco e você sequer entende o que isso significa e não sente isso, já se lascou toda sua capacidade de ser mãe, mulher, de amamentar. e a autora, ditatorialmente, ainda complementa dizendo que se esse não for seu caso (“ser uma com a natureza, como é intrínseco da essência feminina”), a lactância não flui. sério, gente? quem precisa ler isso? (eu já digo quem precisa ler isso, a pergunta foi retórica)

cara amiga autora, caras mães-odara que gostam muito desse texto, vou dar meu depoimento. eu não sou “uma com a natureza”; não passo o tempo todo nua e nem passei desde que meu filho nasceu; não fiquei num tempo-espaço diferente. inclusive assisti muito friends e tuitei enquanto amamentava meu filho a cada 2 horas. pois meu filho mamou lindamente até agora (está completando 6 meses), em livre demanda, e meu leite sempre fluiu firme e forte desde o dia em que ele mamou. e ele mamou de primeira, sem esforço. e foi na UTI, não numa caverna com sua mãe pelada e bem louca da cabeça, viu?

caras amigas leitoras que se sentem inadequadas com esse texto e essas idéias, eu explico como foi possível amamentar meu bebê sem ser essa mãe-gaia-telúrica perfeita: muita água, alimentação adequada, descanso (conforme possível), fé na fisiologia humana e força de vontade. o negrito na força de vontade, amiga, não é à toa. todas nós viemos prontas de fábrica pra amamentar, basta ter estímulo físico e psicológico. eu comecei a produzir leite DEPOIS que meu filho nascer e ANTES dele mamar. meu corpo estava lotado de prolactina, como é normal para as grávidas recém-paridas, prontinho pra produzir leite. eu ordenhei, e o leite começou a aparecer. aos pouquinhos, gotinhas, e foi aumentando conforme eu insisti. ou seja: fisiologia pronta + força de vontade = sucesso. não é fácil, e às vezes dói (seja ordenhar, seja o bebê mamar), mas dá certo. insista, beba água, SAIBA que você é perfeita e está pronta, pois a natureza fez você assim. não é necessário ser uma com a natureza, nem ficar pelada ou trancada numa caverna. a “lactância” vai “fluir”, sim. e se não fluir? é porque alguma dessas coisas deu errado – às vezes as coisas dão errado, porra! – e também não será o fim do mundo. seu filho vai viver, e você pode ser sim uma boa mãe a despeito (ha) desse episódio.

se você ainda não entendeu meu incômodo com esses textos depois disso tudo, eu resumo: eles fazem a maioria das mulheres se sentirem inadequadas porque não se identificam com a imagem de mãe-telúrica pintada como ideal. ao sentir-se inadequada, a mulher se enche de medos e dúvidas, e esses sentimentos são um veneno para quem precisa de segurança e estímulo para cuidar do seu filho e amamentar. desserviço absoluto.

bem, agora eu respondo minha própria pergunta: quem precisa ler isso? quem se identifica com essa imagem e quer se auto-afirmar. as mulheres que por algum motivo encarnam a mãe-gaia quando engravidam e dão seus filhos à luz gostam de se ver como provedoras absolutas, necessárias, mágicas e especiais. por mais que remetam à natureza, elas não se vêem como meros animais com tetas, não senhores. elas se vêem como deusas superpoderosas, sobrenaturais. a maternidade dá a elas uma dimensão que antes não existia, dá SENTIDO às suas vidas e as definem. antes de serem mães elas eram meras mortais; depois do parto, se tornam algo especial, fora do alcance dos que não passaram por essa experiência, são mamíferas (todos somos, os homens inclusos, dã), gaia. em bom português, elas piram na batatinha.

volto ao título: faço questão de comentar sobre isso, porque estou muito bem resolvida com meu papel como mãe e ser humano, com todas as minhas falhas. ser mãe, ou dar a teta pro meu filho, não define quem eu sou nem me torna melhor ou pior que ninguém. até porque já passei pela experiência e vi que sou capaz (a despeito de não ser “uma com a natureza” e tal), isso já não me afeta. mas e as muitas mulheres que vão passar ou estão passando por isso? espero que encontrem esse post e suspirem aliviadas. que digam “graças a GAIA tem mais gente nesse mundo que não pira na batatinha quando vira mãe”.

amigas mães-não-telúricas, esse post é pra vocês: vocês não estão sós! se precisarem de um conselho ou uma história que não passe por soluções mágicas e elfos na floresta, deixa um recado que se eu não souber, consulto as minhas amigas mães de verdade.

sobre tudo OU o post mais longo ever!

estou usando o calendário (papel) no quarto do otto pra registrar algumas coisas, mas acho que vale também registrar aqui. como pretendo organizar as informações a respeito de amamentação exclusiva e transição para outros alimentos, esse post pode ser reaproveitado.

desde que engravidei decidi que amamentaria o bebê por quanto tempo fosse possível, com ênfase nos 6 primeiros meses. inicialmente pensei em amamentar exclusivamente até o sexto mês, mas conversando com o pediatra decidimos começar o processo de oferecer outros alimentos a partir do quinto mês, para que eu ficasse mais tranquila quando voltasse a trabalhar (o otto vai estar com 6 meses e meio).

lendo sobre amamentação na internet parece que iniciar alimentação para o bebê antes do sexto mês é uma heresia. escolhi o pediatra do otto a dedo, ele é chefe da pediatria da UNICAMP, universidade que admiro muito. é um médico de meia-idade, com enorme experiência nesta área. as consultas são longas, e ele explica absolutamente tudo que queremos saber com riqueza de detalhes para não-leigos. ele nos trata como iguais e não como “pai e mãe”, respeitando nossa inteligência. em suma: confio no profissional que escolhi para nos aconselhar, e estou satisfeita com as explicações para as decisões tomadas. e posso estar errada, mas tenho a impressão que os sites de amamentação que vejo por aí pecam pelo excesso (entendo a radicalização pra mudar um quadro desfavorável, mas não vou entrar nessa), propõem uma abordagem que transforma a mãe em uma teta ambulante, que precisa estar 100% engajada e à disposição do bebê.

sim, eu acho que quem decide ter um filho precisa se engajar e estar à disposição dele o máximo possível. ênfase no POSSÍVEL, por favor. porque amamentar e cuidar do bebê precisam ser atividades com as quais a mãe tem algum prazer e recompensa, nenhum bebê se beneficia de uma mãe estressada, chateada ou arrependida de ter parido. e não me venham com papo moralista de “pariu agora aguenta”, guardem esse discurso pros seus pastores e equivalentes.

me parece (pelos inúmeros blogs e sites por aí) que existe algo como um “movimento de mães-odara” que se pauta numa “volta às origens” (se dedicar exclusivamente ao bebê, fazer tudo da forma mais “natural”). fala-se sobre amamentar por 2 anos, ou mais, adiar a inserção da alimentação para o bebê, etc. apesar de todas as boas intenções, vejo alguns pontos problemáticos (que vou detalhar) quando me deparo com esses discursos: elas falam como se tudo fosse fácil, intuitivo e lindo. e se você não consegue ou não quer “fazer sacrifícios” para atender seu filho, é uma mãe de merda. existem as mães de merda, sim, mas há todo um gradiente de mães humanas e possíveis entre as mães doriana e as mãe de merda!

vamos aos problemas que eu identifico:

cenário 1 – supondo que você seja uma das que tem emprego formal, sua licença foi recentemente estendida para 6 meses. se você conseguir trabalhar até o dia de ter seu bebê, voltará a trabalhar quando ele completar 6 meses. é possível mantê-lo mamando no peito este tempo, mas [problema 1] você não conseguirá acompanhar a transição para os alimentos, pois precisa voltar a trabalhar. e enquanto alguém [problema 2] faz a transição para alimentos sólidos, você precisa [problema 3] ordenhar leite para o seu bebê (falo disso daqui a pouco).

cenário 2 – você não tem emprego formal, não tem licença maternidade e vai ficar sem trabalhar pelo tempo que for possível para continuar sobrevivendo. supondo que seja possível ficar sem trabalhar e sem receber por 6 meses, enfrentará os mesmos problemas do cenário 1, e se não puder parar de trabalhar de jeito nenhum, terá que ordenhar leite para o seu filho loucamente, já que é a única alimentação dele.

cenário 3 – você consegue trabalhar meio-período ou em casa, e portanto consegue continuar suas atividades sem precisar ordenhar, deixar seus filhos com outras pessoas e delegar a transição. neste caso, precisará administrar seu tempo [problema 4] para adicionar à sua agenda todas as novas atividades que a maternidade traz consigo e ainda viver!

cenário 4 – você não precisa trabalhar ou se parar de trabalhar continua vivendo porém com menos “luxos”. pode amamentar seu filho quantos meses forem necessários e fazer a transição para alimentos sólidos com acompanhamento de perto. lucky you! caso você tenha condições de ter funcionários, sequer enfrentará o problema 4.

não vou comentar o problema 4, pois não é meu caso por enquanto. vamos aos demais:

problema 1: podem me chamar de controladora, mas faço questão absoluta de acompanhar de muito perto a iniciação do meu filho aos alimentos, observando sua reação, as mudanças que causam no corpinho e comportamento dele e principalmente a preparação e rotina. quando eu voltar a trabalhar (sou a mãe do cenário 1), a babá é quem vai alimentá-lo (com a supervisão ocasional do pai, que trabalha em casa), portanto quero garantir que ela faça como eu faria.

queria ver com meus próprios olhos essa transição, esse foi um dos motivos de antecipá-la para os 5 meses: quando ele estiver com 6 meses e meio e eu voltar ao trabalho, a transição está praticamente completa e eu já saberei como ele se comporta, o que gosta, como aceitou os alimentos e como está a digestão. ficarei mais tranquila e consequentemente serei uma mãe melhor pra ele.

o outro fator para o início da alimentação foi uma dica do pediatra: o otto aumentou a frequência de mamadas à noite a partir do quarto mês (3 em 3, ao invés de 4 ou 5 horas de intervalo enquanto dormia). o menino cresceu mais do que engordou, e parece que alguns bebês realmente precisam mamar mais para manter o ritmo do seu crescimento. a sugestão dele foi oferecer suco e fruta, pois se ele estivesse mesmo precisando de mais alimento, aceitaria bem e “aliviaria” essa maior frequência durante a noite. pois foi exatamente o que aconteceu: ele aceitou muito bem o suco e as frutas, e voltou a aumentar o intervalo de mamadas à noite. além disso, ele continua mamando de 3 em 3 horas de dia, o alimento novo é suplementar. não sei quando exatamente vamos começar a substituir, mas por enquanto ele toma suco E come E mama o dia todo e à noite.

e tem outra coisa: acho que se o alimento for ofertado e o bebê aceitar, é porque está pronto. o desenvolvimento dos bebês não é idêntico para todos eles, e 6 meses é somente uma data. não há nenhum marco de desenvolvimento humano que seja tão preciso. a data de aniversário é só uma data! não creio nessas “datas místicas”, prefiro experimentar e ver como o MEU bebê reage aos estímulos.

problema 2: “alguém”, ou “algum lugar”, é a grande questão que tira o sono das mães que precisam trabalhar. eu tenho uma sorte enorme, pois a maria que cuidava de nós e da casa também foi babá por muitos anos, cuidou de crianças a vida toda e AMA ser babá. ela nos ensina sobre como cuidar do otto, e estou 100% tranquila com ela assumindo os cuidados dele. mas e quem tem pouco dinheiro para pagar e não tem ninguém de confiança, faz como? antigamente as mulheres eram essencialmente donas de casa, as poucas que trabalhavam contavam com parentes e vizinhas que assumiam o cuidado das crianças. agora temos creches (péssimas, ouvi dizer) que cuidam das crianças “em lote” e babás que custam muito dinheiro.

financeiramente, no meu caso, compensa ter babá. o que ela ganha é muitíssimo menos do que eu ganho trabalhando fora, portanto a equação é positiva pra mim. além disso, prefiro trabalhar a cuidar da casa e de criança.

(pausa para as mães-odara se juntarem pra jogar um feitiço wicca pela blasfêmia)

e brincadeiras à parte, creio que é importante para toda criança conviver com outras pessoas que não somente os pais. especialmente quando se trata de filho único, os pais podem ser excessivamente protetores ou criar expectativas irreais. tou cansada de ver crianças totalmente dependentes dos pais, com dificuldade de socialização e com alto grau de ansiedade pra corresponder às expectativas dos pais (ou seja: com medo de errar e arriscar). gosto de ver meu filho brincando com a babá, o jardineiro, a faxineira e se divertindo um monte. espero que ele continue convivendo com pessoas diferentes de nós, que não esperam tanto dele e portanto vão cobrá-lo muito menos.

voltando ao problema: e as mães que trabalham e não têm esse suporte todo que eu tenho? precisam se adaptar e abandonar o medo e a culpa. seus filhos e elas mesmas terão outros obstáculos pra superar, mas a verdade é que no fim as coisas se ajeitam. o ser humano é muito adaptável e – na minha opinião – se beneficia de situações que requerem flexibilidade. aprendemos mais e mais rápido quando há barreiras a superar. não há porque se sentir culpada por não poder estar o tempo todo com seu filho, sua onipresença não é essencial para que ele seja feliz e cresça saudável.

é, mãe-odara, no fundo eu tou dizendo que seu filho superprotegido e que só ouve mozart e palavra cantada pode sim acabar se tornando um mala anti-social, enquanto o filho da sua empregada é feliz e sociável, apesar dos pesares. é claro que seu filho terá mais chances, porque é mais rico e mais bem-relacionado, mas talvez não seja tão feliz…

o que me leva a tópico que pretendo detalhar em outro post: é mais importante ser bem-sucedido ou ser feliz? (supondo que algumas opções inviabilizam os 2 ao mesmo tempo)

problema 3 – a ordenha. o processo é chato, um pouco doloroso e cansativo. só muita vontade de alimentar seu filho com seu leite motiva uma mãe a fazer isso, acreditem. não é preguiça nem má vontade, caso isso tenha passado pela cabeça de vocês. é dureza.

suponha então que você esteja muito disposta a manter seu bebê mamando do seu leite, e vai voltar a trabalhar. percebam os problemas logísticos e qual é o tamanho da vontade que uma mãe tem que ter pra conseguir o feito:

- é preciso ordenhar pelo menos 2 vezes por dia no trabalho, para manter o fluxo do leite e conseguir volume. isso significa pausas de pelo menos 30min. e reze para seu empregador liberar você, pois as pausas de amamentação previstas por lei valem somente até o sexto mês do bebê;

- é preciso armazenar o leite ordenhado em vidros estéreis, na geladeira, até a hora de voltar pra casa. e para transportar de volta, é preciso bolsa térmica. pense em esterilizar os vidros diariamente e armazená-los sabe deus onde na sua empresa;

- é preciso privacidade para a ordenha, ou seja, sala fechada. todos os dias, 2 vezes por dia;

- é preciso uma máquina elétrica de ordenhar, ou você pode subir para 2 pausas de 1h por dia;

é claro que você pode ordenhar e jogar o leite fora, mas só funciona se seu filho não mamar mais durante o dia… ainda assim, precisa das pausas, da privacidade, etc.

agora faça assim: encaixe mais essa função no seu dia, e pense se os ambientes de trabalho facilitam o procedimento. pense com calma, e pense de novo na próxima vez que criticar as mães que não querem ou não conseguem manter essa rotina para os seus filhos.

resumindo…

tem que ter muito boa vontade. e mesmo com boa vontade, precisa também de condições favoráveis e muita, muita ajuda. e nada disso adianta se a mãe em questão está estressada, infeliz, culpada e se martirizando porque não é perfeita. e adianta menos ainda se a mãe não tem condições de se alimentar direito ou dormir porque não tem dinheiro e nem tempo.

cada vez mais creio que mães felizes, realizadas (pessoal e profissionalmente) e tranquilas são as melhores mães que existem. amamentar até os 7 anos no peito e estar presente 100% do tempo na vida do seu filho não fazem de você uma mãe melhor necessariamente e nem tornam seu filho necessariamente uma criança feliz. o vínculo com seu filho não se dá no parto, nem na amamentação, mas no dia a dia, no decorrer dos anos. é preciso parar com essa história da carochinha que “amor de mãe é imediato e incondicional”, que surge como num passe de mágica quando o bebê passa pelo canal vaginal ou quando mama no seu peito. isso é um desserviço à saúde mental da mulher. já existem hordas de mulheres deprimidas porque não conseguem corresponder a esse ideal de mãe perfeita. esse tipo de discurso é tão nocivo quanto as capas de revista com mulheres perfeitas. não basta ter que ser a mulher perfeita, agora tem a patrulha da mãe perfeita. chega!

e se você tem dúvidas sobre isso ser balela de mãe-odara doida que precisa ir pra terapia, voltemos às origens da nossa espécie: humanos são gregários, vivem em grupo sempre. as crianças não ficam grudadas em suas mães o tempo todo, elas passam de colo em colo, com outras crianças maiores ajudando a cuidar inclusive. logo que conseguem colocar coisas na boca já começam a ser alimentadas, e o leite do peito é dado sempre que possível pois é mais prático. nenhuma mãe humana, na sua essência, amamenta porque “é lindo e é bom para o bebê e cria vínculo”. amamenta porque é PRÁTICO (e por isso é bom, e perfeito. a natureza é sábia). tão logo a crianças começam a andar e pegar coisas, começam também a ter funções PRÁTICAS. crianças sempre foram mão de obra, essa coisa de “proteger a criança” é coisa muito, muito recente. crianças humanas não ficavam sendo paparicadas por adultos e nem “se dedicando a atividades lúdicas”. elas aprendiam enquanto brincavam, ajudando os adultos. todos os animais são assim, aliás. e os papais não ficavam trocando fraldas, iam caçar; as mamães iam colher comida, cuidar das coisas, revezando a função de cuidar das crianças. até porque se não fosse assim, todo mundo morria de fome, percebe?

OU SEJA: essa romantização toda do parto, da amamentação e da criança é recentíssima e na minha opinião uma PUTA viagem errada. tem gente que precisa arranjar um tanque de roupa pra lavar, um quintal pra varrer, sabe, se ocupar. façamos as coisas da forma mais natural, sim, até porque é comprovadamente bom, pela evolução. o que não dá é essa viagem errada, não senhores.

cada vez mais estou convencida que esse hype todo sobre parto natural e amamentação xiita (à revelia das condições existentes) tem a ver única e exclusivamente com a necessidade de algumas mulheres de encontrarem seu lugar no mundo. várias delas só se definem como “mães” e “mamíferas”, e se apegam a isso com unhas e dentes. a falta de outras realizações relevantes (na cabeça delas, claro. o resto do mundo doesn’t give a flying crap a respeito) faz com que elas fiquem cegas e radicais. como faz? vai pra terapia. pára com essa maluquice de tentar provar que existe algo como a maternidade perfeita.

da minha parte, me esforçarei pra fazer o melhor e o possível, sem me violentar ou sacrificar. tenho certeza que serei uma mãe melhor se for feliz e não me sentir cansadíssima e/ou culpada. tudo o que eu mais quero é que meu filho seja INDEPENDENTE de mim, e não o inverso. portanto, farei o que estiver ao meu alcance pra que o otto tenha condições de ser independente, e quando ele estiver pronto, assim será.