sobre tudo OU o post mais longo ever!

estou usando o calendário (papel) no quarto do otto pra registrar algumas coisas, mas acho que vale também registrar aqui. como pretendo organizar as informações a respeito de amamentação exclusiva e transição para outros alimentos, esse post pode ser reaproveitado.

desde que engravidei decidi que amamentaria o bebê por quanto tempo fosse possível, com ênfase nos 6 primeiros meses. inicialmente pensei em amamentar exclusivamente até o sexto mês, mas conversando com o pediatra decidimos começar o processo de oferecer outros alimentos a partir do quinto mês, para que eu ficasse mais tranquila quando voltasse a trabalhar (o otto vai estar com 6 meses e meio).

lendo sobre amamentação na internet parece que iniciar alimentação para o bebê antes do sexto mês é uma heresia. escolhi o pediatra do otto a dedo, ele é chefe da pediatria da UNICAMP, universidade que admiro muito. é um médico de meia-idade, com enorme experiência nesta área. as consultas são longas, e ele explica absolutamente tudo que queremos saber com riqueza de detalhes para não-leigos. ele nos trata como iguais e não como “pai e mãe”, respeitando nossa inteligência. em suma: confio no profissional que escolhi para nos aconselhar, e estou satisfeita com as explicações para as decisões tomadas. e posso estar errada, mas tenho a impressão que os sites de amamentação que vejo por aí pecam pelo excesso (entendo a radicalização pra mudar um quadro desfavorável, mas não vou entrar nessa), propõem uma abordagem que transforma a mãe em uma teta ambulante, que precisa estar 100% engajada e à disposição do bebê.

sim, eu acho que quem decide ter um filho precisa se engajar e estar à disposição dele o máximo possível. ênfase no POSSÍVEL, por favor. porque amamentar e cuidar do bebê precisam ser atividades com as quais a mãe tem algum prazer e recompensa, nenhum bebê se beneficia de uma mãe estressada, chateada ou arrependida de ter parido. e não me venham com papo moralista de “pariu agora aguenta”, guardem esse discurso pros seus pastores e equivalentes.

me parece (pelos inúmeros blogs e sites por aí) que existe algo como um “movimento de mães-odara” que se pauta numa “volta às origens” (se dedicar exclusivamente ao bebê, fazer tudo da forma mais “natural”). fala-se sobre amamentar por 2 anos, ou mais, adiar a inserção da alimentação para o bebê, etc. apesar de todas as boas intenções, vejo alguns pontos problemáticos (que vou detalhar) quando me deparo com esses discursos: elas falam como se tudo fosse fácil, intuitivo e lindo. e se você não consegue ou não quer “fazer sacrifícios” para atender seu filho, é uma mãe de merda. existem as mães de merda, sim, mas há todo um gradiente de mães humanas e possíveis entre as mães doriana e as mãe de merda!

vamos aos problemas que eu identifico:

cenário 1 – supondo que você seja uma das que tem emprego formal, sua licença foi recentemente estendida para 6 meses. se você conseguir trabalhar até o dia de ter seu bebê, voltará a trabalhar quando ele completar 6 meses. é possível mantê-lo mamando no peito este tempo, mas [problema 1] você não conseguirá acompanhar a transição para os alimentos, pois precisa voltar a trabalhar. e enquanto alguém [problema 2] faz a transição para alimentos sólidos, você precisa [problema 3] ordenhar leite para o seu bebê (falo disso daqui a pouco).

cenário 2 – você não tem emprego formal, não tem licença maternidade e vai ficar sem trabalhar pelo tempo que for possível para continuar sobrevivendo. supondo que seja possível ficar sem trabalhar e sem receber por 6 meses, enfrentará os mesmos problemas do cenário 1, e se não puder parar de trabalhar de jeito nenhum, terá que ordenhar leite para o seu filho loucamente, já que é a única alimentação dele.

cenário 3 – você consegue trabalhar meio-período ou em casa, e portanto consegue continuar suas atividades sem precisar ordenhar, deixar seus filhos com outras pessoas e delegar a transição. neste caso, precisará administrar seu tempo [problema 4] para adicionar à sua agenda todas as novas atividades que a maternidade traz consigo e ainda viver!

cenário 4 – você não precisa trabalhar ou se parar de trabalhar continua vivendo porém com menos “luxos”. pode amamentar seu filho quantos meses forem necessários e fazer a transição para alimentos sólidos com acompanhamento de perto. lucky you! caso você tenha condições de ter funcionários, sequer enfrentará o problema 4.

não vou comentar o problema 4, pois não é meu caso por enquanto. vamos aos demais:

problema 1: podem me chamar de controladora, mas faço questão absoluta de acompanhar de muito perto a iniciação do meu filho aos alimentos, observando sua reação, as mudanças que causam no corpinho e comportamento dele e principalmente a preparação e rotina. quando eu voltar a trabalhar (sou a mãe do cenário 1), a babá é quem vai alimentá-lo (com a supervisão ocasional do pai, que trabalha em casa), portanto quero garantir que ela faça como eu faria.

queria ver com meus próprios olhos essa transição, esse foi um dos motivos de antecipá-la para os 5 meses: quando ele estiver com 6 meses e meio e eu voltar ao trabalho, a transição está praticamente completa e eu já saberei como ele se comporta, o que gosta, como aceitou os alimentos e como está a digestão. ficarei mais tranquila e consequentemente serei uma mãe melhor pra ele.

o outro fator para o início da alimentação foi uma dica do pediatra: o otto aumentou a frequência de mamadas à noite a partir do quarto mês (3 em 3, ao invés de 4 ou 5 horas de intervalo enquanto dormia). o menino cresceu mais do que engordou, e parece que alguns bebês realmente precisam mamar mais para manter o ritmo do seu crescimento. a sugestão dele foi oferecer suco e fruta, pois se ele estivesse mesmo precisando de mais alimento, aceitaria bem e “aliviaria” essa maior frequência durante a noite. pois foi exatamente o que aconteceu: ele aceitou muito bem o suco e as frutas, e voltou a aumentar o intervalo de mamadas à noite. além disso, ele continua mamando de 3 em 3 horas de dia, o alimento novo é suplementar. não sei quando exatamente vamos começar a substituir, mas por enquanto ele toma suco E come E mama o dia todo e à noite.

e tem outra coisa: acho que se o alimento for ofertado e o bebê aceitar, é porque está pronto. o desenvolvimento dos bebês não é idêntico para todos eles, e 6 meses é somente uma data. não há nenhum marco de desenvolvimento humano que seja tão preciso. a data de aniversário é só uma data! não creio nessas “datas místicas”, prefiro experimentar e ver como o MEU bebê reage aos estímulos.

problema 2: “alguém”, ou “algum lugar”, é a grande questão que tira o sono das mães que precisam trabalhar. eu tenho uma sorte enorme, pois a maria que cuidava de nós e da casa também foi babá por muitos anos, cuidou de crianças a vida toda e AMA ser babá. ela nos ensina sobre como cuidar do otto, e estou 100% tranquila com ela assumindo os cuidados dele. mas e quem tem pouco dinheiro para pagar e não tem ninguém de confiança, faz como? antigamente as mulheres eram essencialmente donas de casa, as poucas que trabalhavam contavam com parentes e vizinhas que assumiam o cuidado das crianças. agora temos creches (péssimas, ouvi dizer) que cuidam das crianças “em lote” e babás que custam muito dinheiro.

financeiramente, no meu caso, compensa ter babá. o que ela ganha é muitíssimo menos do que eu ganho trabalhando fora, portanto a equação é positiva pra mim. além disso, prefiro trabalhar a cuidar da casa e de criança.

(pausa para as mães-odara se juntarem pra jogar um feitiço wicca pela blasfêmia)

e brincadeiras à parte, creio que é importante para toda criança conviver com outras pessoas que não somente os pais. especialmente quando se trata de filho único, os pais podem ser excessivamente protetores ou criar expectativas irreais. tou cansada de ver crianças totalmente dependentes dos pais, com dificuldade de socialização e com alto grau de ansiedade pra corresponder às expectativas dos pais (ou seja: com medo de errar e arriscar). gosto de ver meu filho brincando com a babá, o jardineiro, a faxineira e se divertindo um monte. espero que ele continue convivendo com pessoas diferentes de nós, que não esperam tanto dele e portanto vão cobrá-lo muito menos.

voltando ao problema: e as mães que trabalham e não têm esse suporte todo que eu tenho? precisam se adaptar e abandonar o medo e a culpa. seus filhos e elas mesmas terão outros obstáculos pra superar, mas a verdade é que no fim as coisas se ajeitam. o ser humano é muito adaptável e – na minha opinião – se beneficia de situações que requerem flexibilidade. aprendemos mais e mais rápido quando há barreiras a superar. não há porque se sentir culpada por não poder estar o tempo todo com seu filho, sua onipresença não é essencial para que ele seja feliz e cresça saudável.

é, mãe-odara, no fundo eu tou dizendo que seu filho superprotegido e que só ouve mozart e palavra cantada pode sim acabar se tornando um mala anti-social, enquanto o filho da sua empregada é feliz e sociável, apesar dos pesares. é claro que seu filho terá mais chances, porque é mais rico e mais bem-relacionado, mas talvez não seja tão feliz…

o que me leva a tópico que pretendo detalhar em outro post: é mais importante ser bem-sucedido ou ser feliz? (supondo que algumas opções inviabilizam os 2 ao mesmo tempo)

problema 3 – a ordenha. o processo é chato, um pouco doloroso e cansativo. só muita vontade de alimentar seu filho com seu leite motiva uma mãe a fazer isso, acreditem. não é preguiça nem má vontade, caso isso tenha passado pela cabeça de vocês. é dureza.

suponha então que você esteja muito disposta a manter seu bebê mamando do seu leite, e vai voltar a trabalhar. percebam os problemas logísticos e qual é o tamanho da vontade que uma mãe tem que ter pra conseguir o feito:

– é preciso ordenhar pelo menos 2 vezes por dia no trabalho, para manter o fluxo do leite e conseguir volume. isso significa pausas de pelo menos 30min. e reze para seu empregador liberar você, pois as pausas de amamentação previstas por lei valem somente até o sexto mês do bebê;

– é preciso armazenar o leite ordenhado em vidros estéreis, na geladeira, até a hora de voltar pra casa. e para transportar de volta, é preciso bolsa térmica. pense em esterilizar os vidros diariamente e armazená-los sabe deus onde na sua empresa;

– é preciso privacidade para a ordenha, ou seja, sala fechada. todos os dias, 2 vezes por dia;

– é preciso uma máquina elétrica de ordenhar, ou você pode subir para 2 pausas de 1h por dia;

é claro que você pode ordenhar e jogar o leite fora, mas só funciona se seu filho não mamar mais durante o dia… ainda assim, precisa das pausas, da privacidade, etc.

agora faça assim: encaixe mais essa função no seu dia, e pense se os ambientes de trabalho facilitam o procedimento. pense com calma, e pense de novo na próxima vez que criticar as mães que não querem ou não conseguem manter essa rotina para os seus filhos.

resumindo…

tem que ter muito boa vontade. e mesmo com boa vontade, precisa também de condições favoráveis e muita, muita ajuda. e nada disso adianta se a mãe em questão está estressada, infeliz, culpada e se martirizando porque não é perfeita. e adianta menos ainda se a mãe não tem condições de se alimentar direito ou dormir porque não tem dinheiro e nem tempo.

cada vez mais creio que mães felizes, realizadas (pessoal e profissionalmente) e tranquilas são as melhores mães que existem. amamentar até os 7 anos no peito e estar presente 100% do tempo na vida do seu filho não fazem de você uma mãe melhor necessariamente e nem tornam seu filho necessariamente uma criança feliz. o vínculo com seu filho não se dá no parto, nem na amamentação, mas no dia a dia, no decorrer dos anos. é preciso parar com essa história da carochinha que “amor de mãe é imediato e incondicional”, que surge como num passe de mágica quando o bebê passa pelo canal vaginal ou quando mama no seu peito. isso é um desserviço à saúde mental da mulher. já existem hordas de mulheres deprimidas porque não conseguem corresponder a esse ideal de mãe perfeita. esse tipo de discurso é tão nocivo quanto as capas de revista com mulheres perfeitas. não basta ter que ser a mulher perfeita, agora tem a patrulha da mãe perfeita. chega!

e se você tem dúvidas sobre isso ser balela de mãe-odara doida que precisa ir pra terapia, voltemos às origens da nossa espécie: humanos são gregários, vivem em grupo sempre. as crianças não ficam grudadas em suas mães o tempo todo, elas passam de colo em colo, com outras crianças maiores ajudando a cuidar inclusive. logo que conseguem colocar coisas na boca já começam a ser alimentadas, e o leite do peito é dado sempre que possível pois é mais prático. nenhuma mãe humana, na sua essência, amamenta porque “é lindo e é bom para o bebê e cria vínculo”. amamenta porque é PRÁTICO (e por isso é bom, e perfeito. a natureza é sábia). tão logo a crianças começam a andar e pegar coisas, começam também a ter funções PRÁTICAS. crianças sempre foram mão de obra, essa coisa de “proteger a criança” é coisa muito, muito recente. crianças humanas não ficavam sendo paparicadas por adultos e nem “se dedicando a atividades lúdicas”. elas aprendiam enquanto brincavam, ajudando os adultos. todos os animais são assim, aliás. e os papais não ficavam trocando fraldas, iam caçar; as mamães iam colher comida, cuidar das coisas, revezando a função de cuidar das crianças. até porque se não fosse assim, todo mundo morria de fome, percebe?

OU SEJA: essa romantização toda do parto, da amamentação e da criança é recentíssima e na minha opinião uma PUTA viagem errada. tem gente que precisa arranjar um tanque de roupa pra lavar, um quintal pra varrer, sabe, se ocupar. façamos as coisas da forma mais natural, sim, até porque é comprovadamente bom, pela evolução. o que não dá é essa viagem errada, não senhores.

cada vez mais estou convencida que esse hype todo sobre parto natural e amamentação xiita (à revelia das condições existentes) tem a ver única e exclusivamente com a necessidade de algumas mulheres de encontrarem seu lugar no mundo. várias delas só se definem como “mães” e “mamíferas”, e se apegam a isso com unhas e dentes. a falta de outras realizações relevantes (na cabeça delas, claro. o resto do mundo doesn’t give a flying crap a respeito) faz com que elas fiquem cegas e radicais. como faz? vai pra terapia. pára com essa maluquice de tentar provar que existe algo como a maternidade perfeita.

da minha parte, me esforçarei pra fazer o melhor e o possível, sem me violentar ou sacrificar. tenho certeza que serei uma mãe melhor se for feliz e não me sentir cansadíssima e/ou culpada. tudo o que eu mais quero é que meu filho seja INDEPENDENTE de mim, e não o inverso. portanto, farei o que estiver ao meu alcance pra que o otto tenha condições de ser independente, e quando ele estiver pronto, assim será.

12 thoughts on “sobre tudo OU o post mais longo ever!

  1. Clap Clap! E vale lembrar que tem sempre a chance da mulher não conseguir amamentar, daí vem a orda de mães xiitas condenando a pobre mãe cheia de culpa.

    Lembrei de um post interessante q chama

    “Amamentar não é um ato de amor”, vou por um trecho aqui:

    “Amamentar é dar alimento. O melhor alimento. O mais completo e o que melhor nutre o bebê. Já amar é outra coisa. As pessoas que confundem as duas coisas, sem querer, estão fazendo um desserviço ao aleitamento, pois as mães ficam mais ansiosas, culpadas e cheias de temores. Todos sabem que uma mãe tranquila amamenta melhor. E como uma mãe pode amamentar tranqüila se ela acha que estará dando menos amor para seu bebê se fracassar? Olha o peso deste sentimento!”

    No texto tem mais – http://ombudsmae.blogspot.com/2009/04/amamentar-nao-e-um-ato-de-amor.html

  2. Muito bom, Zel.

    Concordo que “proteger a criança” é algo recente, mas nem por isso pode ser ignorado. É algo recente, mas adequado à sociedade de hoje. E penso também que isso está ligado a uma perda: hoje as crianças parecem cada vez mais dos pais e não da sociedade, o que, para mim, é uma perda para todos. Pais sozinhos não dão conta, sociedade culpa pais sozinhos por não dar conta, e tudo só piora. Tanto é assim que ninguém aceita bem um adulto não-pai-mãe dando uma bronca em criança que faz uma coisa errada, não é? Já tentou dar bronca em criança mal educada cujo pai não está nem aí?

    A gente perdeu essa rede de apoio de irmãs e vizinhas que cuidavam das crianças, essa “aldeia”, mas também não aceitamos que outros adultos venham dar pitaco na educação dos nossos filhos. Equação complicada, né?

  3. Zel, genial.

    Lia foi para a creche (aqui no Rio é comum) com cinco meses de idade. Fundamental para que a vida pudesse ser normalizada em casa. Em São Paulo não existia esse conceito de creche o dia inteiro na escolinha e Dora demorou a “sair de casa”. Foi complicado.

    Essa invenção moderna do conceito de criança, que tiraniza modelos de maternidade ligados à vida moderna não melhora em nada a vida dos pequenos e pouco prepara essa turminha para um mundo movido a desafios e descobertas.

    Cada mãe sabe o que faz com seus filhos, e, salvo os extremos de conduta que ponham a vida dos mesmos em risco, devem ser respeitadas em suas escolhas.

    Afinal, cada um constrói seu núcleo familiar como lhe convém.

    Ao bancarem as xiitas e ditarem modelos que seriam os ideais, algumas mães (e outras que nunca parira diga-se de passagem…conheço bem algumas dessa turma) perdem a oportunidade de pensar de forma plural e espalharem o bichinho da inteligência coletiva.

    Beijo gigante.

  4. Zel, é isso aí, falou tudo!

    Por favor, qual o nome do pediatra do Otto, moro em Campinas e estou achando a pediatra da minha filha meio xiita…tenho até medo da mulé!! rsrsrs

    Abraço!

  5. Ila: li esse texto e acho importante. Realmente não se pode confundir amamentação e amor. É falso, além de criar uma enorme pressão sobre a mãe.

    Ticcia, alguém precisa falar às claras sobre isso, não? 🙂

    Maíra, muito bom seu ponto. Realmente hoje em dia pega mal repreender os filhos dos outros, diferente da época em que eu era criança… Crianças aliás se tornaram o centro do universo e bibelôs. Tudo pode traumatizar, ó deus…

    Felipe, veja só como a Lia é “traumatizada” por ter ido à creche, ahn? 🙂 É legal ver exemplos como esses e constatar que não há modelo “certo”!

    Elaine, Dr Emilio Baracat. Ele atende na Policlínica da Unicamp, e é ótimo! Tel: (019) 3521-8046

  6. Zel,

    o post tá grandão mesmo, mas tá tudo ai! 🙂

    vc sabe como é o nosso esquema, diferente do seu, mas eu penso e faço examente como vc: organizo o melhor que eu posso para manter níveis altos de satisfação, felicidade e contato social para mim e a minha família. Sem viver na bolha, sem me colocar sob outros modelos que não se aplicam a nós, todos os 4, como família.

    e eu sempre falei desse lance de romantização de parto, amamentação e criação de filhos em tempos modernos. É igual casamento. É bom? é ótimo! mas não é porque é bom que é fácil e auto-explicativo. Depende de muita sensibilidade, adaptação e vontade de ser feliz. 🙂

    Que bom que a gente vai se encontrar!

    força na peruca aí na transição, querida, estamos aqui na transição fralda-calcinha rs

  7. Esperando a chegada do meu filho para as próximas semanas, comecei a entrar em vários blogs maternos e me assustei ao ver como existem mães radicais do parto natural e amentação até sei lá quando!

    Quero sim ter um parto normal e quero muito amamentar no peito, mas não acho que seja isso que vai me definir como mãe. É um alívio ver que ao menos uma mãe na blogosfera pensa assim. Ufa!

    PS. e eu só terei 4 meses de licença maternidade…

  8. Aplausos, aplausos, aplausos!

    Desde o primeiro post, só leio opiniões com muito bom senso! Pelo menos para o “meu senso”, hehe. Parabéns!

    Em relação a esse texto, tenho observado que as mães que acham um horror colocar os filhos em creches e/ou amamentam durante anos na verdade precisam de uma “justificativa” para a sua vida ou para a falta de ocupação profissional.

    Eu amamentei meus filhos gêmeos até o quarto mês, mas foi uma luta, porque eles tomaram mamadeira desde o início e se acostumaram com essa “facilidade”. Chegou uma hora em que amamentar era tão estressante (gritavam horrores) que eu me convenci (não sem sentir culpa) de que era melhor abrir mão…

    A culpa passou, os meus filhos são super saudáveis e tenho certeza de que a nossa serenidade e tranquilidade foi melhor prá eles do que mais uns dias amamentando.

    Abraço,

    Sabrina.

  9. Lendo seu blog agora, nossa! Me identifiquei totalmente com voce!
    Temos experiencias parecidas! Fui mãe tarde (34 anos), me realizei profissionalmente e conheci o mundo antes da maternidade, não consegui ter parto normal por problemas de saúde que nem sabiam que existiam, nao consegui amamentar além dos 4 meses pois voltei a trabalhar (e adorei voltar!), e não sabia nada sobre o universo materno. Quando recentemente começei a ler listas de discussão e blogs sobre a maternidade ativa, me sentí muito discriminada. Até então eu era uma ótima mãe, e “descobri” que na verdade eu era um “lixo” pois minha filha de quase 4 anos não mama no peito e eu não tive um parto na água, com muita dor.
    Até que cansei, mandei todas as maes-odara aquele lugar e voltei ao meu trabalho e a felicidade com minha filha e minhas crenças pessoais. Sinceramente acho bizarro uma criança com 2 anos e cheia de dentes mamando no peito, só na roça isso é normal. Eu sou uma pessoa que precisa de anestesia para fazer uma limpeza de dentes ou um exame ginecológico. Por que raios teria um parto natural? Eu me conheço bem. E sentir dor não me faz uma pessoa melhor. Mas não tem absolutamente nada a ver com a criação da minha filha nem muito menos meu amor por ela, não sei de onde relacionam isso!!!! AFE! Parei de ler este tipo de blog, que só existe para ocupar a cabeça de umas desocupadas que escrevem neles.
    Falta a muitas destas mulheres “perfeitas” o trabalho, a utilidade na sociedade. Ser mãe é a única coisa que fazem e por isso querem mostrar ao mundo que o fazem excepcionalmente bem, se dedicando a atormentar aquelas que são mais do que isso.
    Parabéns pelo blog, voltarei sempre aqui!
    Beijos

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