apanhado do facebook: março

Antes que fique muito longe, vou contar uma das histórias engraçadas da viagem com o Otto. Nos USA é bem comum todo lugar turístico ter lojas de bugigangas. Camiseta, pedra, canivete, tudo que é coisa. E bem no meio da passagem, tornando a tentação grande demais. Na região da Rota 66 e Grand Canyon, tinha demais, e a gente sempre parava pra ver porque as coisas eram muito legais. Até que.


Numa das lojas, num hotel, deixamos o Otto solto, ela estava vazia, que mal tem né? Orientamos pra não pegar coisas e boa. Daqui a pouco escutamos ele berrando, vamos lá — tem uma senhora conduzindo o menino (fisicamente, mas daquele jeito distante de americano) pra fora do escritório, restrito a funcionários. Ele tentou entrar, ela não deixou, e gentilmente levou ele pra fora.

O menino odeia contato físico de desconhecidos (às vezes até de conhecidos) e fez um drama digno de novela. Choroooooou, no colo, de soluçar. A senhora ficou até sem graça, coitada. Enfim, passou.

Pois depois, cada vez que avisávamos que íamos parar num hotel o Otto fazia uma cara séria, e perguntava “mas não tem LOJA esse hotel né?”, numa entonação que dizia LOJA = CÂMARA DE TORTURA.

Pobre dele, ficamos com pena, mas foi inevitável gargalhar todas as vezes que ele perguntava se ia ter LOJA.

(Ou — como ensinar o não-consumismo pavlovianamente)

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A Nai tá de férias com a tia Paula desde que viajamos, e como o Otto não é muito fã de cães, achamos que ele não ia ligar. Mas ele ligou  Depois de uns dias, e até na viagem, ele perguntava: “onde tá a Nai?” — “de férias com a tia Paula!”. Ele pensa, e fala bem sério “mas eu quero que ela volte, tá?” <3

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Hoje ele me ajudou (mesmo!) a fazer o jantar: picou pimentão e cogumelo (esse último fez direitinho), tomate, pepino. E agora tá felizão, comendo <3

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E para registro, o Otto experimentou pela primeira vez na vida bala (PEZ – roubou da prima e amou) e mc lanche feliz NUM MOTEL EM VEGAS.

Comeu a maçã (quantidade ridícula de pouca), descartou o pão do hambúrguer e comeu a carne e o queijo, só. Ignorou a batata. Jantar sensacional! #paisdecesárea

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Sou super extrovertida, e sou mãe de uma criança introspectiva. É super difícil, porque além de ter expectativa de que ele seja como eu, fico preocupada achando que algo está errado com ele por não ser como o mundo espera que todos sejam.

Ele não é de conversar e gostar de contato físico com a maioria das pessoas, inclusive e principalmente as da idade dele (na escola por exemplo), o que me deixa apreensiva e preocupada (o que será dele, com esse comportamento, mais tarde?!). Mas esses dias aqui com ele me deixaram mais tranquila, pois ele é uma matraca com a Júlia e a Kelly, e até brincou com a Viv da Raquel, mesmo tendo encontrado e ficado só um pouco com elas.

Como é difícil aceitar e conviver com pessoas diferentes de nós, afe. Quando são nossos filhos então, o desafio é ainda maior.