diário do otto: 3 anos e 3, 4 e 5 meses

otto,

agora parece que realmente perdeu o sentido escrever a cada mês, seja porque a fase mais intensa dos grandes marcos de desenvolvimento passaram, seja porque estou também envolvida com tantas outras coisas que o tempo me atropela. pode ser também que eu é que tenha deixado de me importar tanto em prestar atenção às “novidades” e aproveitar sua companhia, cada dia mais deliciosa <3

reiniciamos seu desfralde pela 2a vez há menos de 2 meses, e já considero como um sucesso. o xixi foi muito fácil, em 2 semanas estava resolvido, já o cocô demorou mais um pouco, com alguns episódios de fazer na roupa ou no chão <o>, mas hoje completamos 1 semana inteira sem nenhum incidente, inclusive saindo para passar o dia fora sem fralda! estamos muito orgulhosos de você. pode parecer uma coisa boba, mas é um controle importante do corpo, que sequer lembramos que aprendemos (depois de adultos, parece que sempre soubemos né?). agora você avisa que quer ir, e já sai correndo com a gente pra fazer direitinho. um moço!

nestas férias algumas coisas mudaram bastante — você começou a dormir um pouco mais tarde (porque nós deixamos, claro) e começou também a acordar BEM mais tarde (9h, 9:30h!), o que é uma maravilha para os seus pais que adoram dormir, mas será certamente um problema quando as aulas voltarem. teremos que fazer uma transição pra evitar choro e ranger de dentes na hora de acordar…

algumas coisas mudaram bastante nestes meses, você tem se interessado mais por histórias diferentes (novos filmes, ufa), mas continua encantado com o wall-e, a ponto de desenhar o robô o dia todo, de todas as formas. aliás, seus desenhos estão cada vez melhores e mais complexos, é muito legal de observar. e você adora desenhar, se deixar passa o dia todo com papel e caneta.

você também tem se desenvolvido bem na parte física, que nunca foi exatamente seu forte — já está andando de bicicleta direitinho (com as rodinhas) e sobe nas coisas de um jeito que não fazia antes. procuramos continuar incentivando você, que precisa mesmo ganhar mais confiança e testar seus limites!

a coisa mais linda que aconteceu esse mês foi seu interesse pela “ode à alegria” de beethoven, graças ao curta do burn-e, que nos emocionou muito. ver você apreciando música é a realização de um sonho nosso como pais, sendo o assunto tão importante pra nós. você nem sabe o quanto sua alegria nos faz felizes. aliás, acho que é impossível explicar para quem não tem filhos o que significa ver nossos filhos felizes — é uma alegria multiplicada por milhares, fogos de artifício imaginários, o que pode haver de mais delicioso na vida.

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sua rotina só mudou quanto ao sono, cada vez melhor, e ainda dormindo conosco (não canso de dizer o quanto é gostoso dormir com você, tão pequeno e carinhoso nos abraçando…), acordando com seu sorrisão de feliz <3

continua comendo tudo e mais um pouco, se interessando por coisas novas, sem medo de provar nada. mas também continua nos enfrentando bastante e colocando seus quereres, o que é muito legal e nos deixa felizes. você é um menino sensível e tranquilo, mas com bastante personalidade, que sabe se posicionar quando é necessário. bem melhor que seus pais, inclusive :D

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nosso amor só cresce, e a cada noite depois que você vai dormir seu pai e eu nos olhamos e dizemos, como um coro: “como ele é querido, que menino mais especial!”. a gente procura sempre dizer o quanto ama você, espero que isso nunca seja fonte de dúvida pra você, mas que também fique registrado aqui, preto no branco: amamos você demais, e admiramos sua personalidade, seu jeito doce e ao mesmo tempo determinado. que você se mantenha assim, pois será de grande valia na sua vida para ser feliz <3

aqui estão fotos destes seus meses, todas tiradas e guardadas com muito amor: 3 anos e 3 meses, 3 anos e 4 meses, 3 anos e 5 meses.

um beijo maior que o mundo da sua mamãe que adora você mais que tudo.

ode à alegria

chamar essa peça de “ode à alegria” fez todo o sentido depois de assistir ao vídeo que o Fernando fez do Otto ouvindo a peça toda pela 1a vez. ele conheceu o coro da música graças ao lindo curta da pixar, burn-e, e se apaixonou. quando o Fer resolveu mostrar a peça inteira, foi isso que aconteceu :)

(se já viram, vejam de novo, que ver gente feliz faz a gente feliz também!)

a experiência antropológica mais completa

A Maria, nossa mais que querida funcionária que é mãe-avó-amiga-babá-etc. agora está com um problema pra sair com o Otto e passear no condomínio: ele só quer andar pelado. No meio do passeio ele decreta “tou com calor, vou tirar a roupa!”

Com muito custo ela convence o menino a pelo menos vestir uma cuequinha (ele cedeu sob protestos, parece), e ele anda de cueca pelo condomínio.

Pra além da graça toda da situação, e o fato dela agora chamar o menino de “curumim” , fiquei pensando no quanto a nudez é tabu. Ele e nós andamos sem roupa na casa com frequência. Eu inclusive ando sem roupa até quando temos visitas (evito quando tem homens, por pura convenção social), não tenho vergonha nenhuma.

Quando adultos, respeitamos as convenções sociais sem nem prestar atenção. Quando criamos uma criança, nós confrontamos com algumas regras que, pensando bem, não fazem sentido algum.

Pra que usar tanta roupa no verão? Por que não podemos andar pelados quando a roupa não serve para proteger? Por que tanto incômodo sobre o que vão pensar sobre nossos corpos?

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E percebo, encantada, que minha maior expectativa em relação a ser mãe se cumpriu: é a melhor experiência antropológica que pode haver.

sobre sua mãe

Achei linda essa carta da moça para sua mãe que já se foi, por vários motivos, mas achei especialmente bonito a filha (que perdeu a mãe tão cedo) admirar nela o ímpeto de ser independente e fazê-lo. A mãe, uma vez por ano, a deixava com parentes para fazer viagens só.

Em tempos de tanta cobrança para que as mães sejam onipresentes e as crianças sejam o centro do universo é bonito ver um contraponto exatamente de quem perdeu a mãe.

O pouco tempo que ela teve com a mãe serviu também pra levar um exemplo de auto-suficiência, independência e desejo de realizar seus sonhos individuais. Porque tornar-se mãe não é necessariamente igual a viver em função dos filhos. Há quem viva, há quem não, não existe regra, colega. Sua opção não é melhor nem pior que a dos outros.

rasgando livros e corações

estávamos lendo o livro fofo da coruja com o otto (“um tanto perdida”) antes de dormir, e na empolgação de passar a página (a história é cheia de surpresas) ele arrancou um pedaço dela fora, meia página! <o> (mesmo a gente tendo avisado mil vezes, antecipando o ocorrido). minha reação foi espontânea e tão de choque com o livro rasgado (como é impactante rasgar livro, não? que coisa!) que mesmo eu não tendo gritado e nem brigado com ele o menino ficou paralisado, coitado, olhando, mexendo na página rasgada com aquela cara de “OPS!”.

“dá pra consertar, mamãe?” — “dá sim, mas nunca vai ficar igual, meu amor”.

continuamos a história, mas ficamos todos meio chateados. acabou, guardou, vamos dormir, beijos, abraços, etc. a gente sempre dá a opção de escolher quem fica com ele para dormir, e surpreendentemente hoje ele escolheu o Fer (ele SEMPRE quer que eu fique, é um grude comigo nessa hora), e ficou repetindo “você me desculpa, papai?”, com aquela carinha de quem fez bobagem.

AI, GENTE. destruiu nosso coração. a gente não brigou com ele, nem gritou, nem NADA, mas não precisa fazer nada disso pra criança perceber que algo errado aconteceu, e tentar consertar. e convenhamos, é só um livro né?

o que reforça pra mim 2 coisas:

1) nenhuma criança precisa apanhar. a gente consegue transmitir a mensagem, eles entendem TUDO!

2) é preciso todo cuidado, amor e respeito do mundo ao lidar com crianças. elas sentem demais a nossa decepção, raiva, medo, apreensão, tensão, etc.

o Fer ficou lá, e eu vim aqui terminar um trabalho pra ver se meu coração cresce e fica do tamanho normal de novo, que agora ele está do tamanho de uma uva passa.

desfralde — 2a tentativa ou AGORA VAI

sei que todo mundo fala sobre não voltar atrás quando começar o desfralde, mas nós voltamos e acho que nossa decisão foi acertada.

iniciamos o desfralde observando o menino — aos 2 anos e pouco ele começou a reclamar da fralda, não queria colocar, e já falava super bem. achamos que podia ser uma boa hora, já que era mesmo verão (ou seja, dá pra deixar sem roupa ou se molhar/sujar a roupa não é um problemão). nos demos mal: ele aprendeu a fazer xixi na privada ou nas plantinhas super rápido, mas por 7 meses vários “acidentes” de xixi e o cocô nunca aconteceu na privada ou no penico. só na roupa, e com muito stress (sujeira, não queria tirar, chorava pra limpar, um horror). quando o inverno chegou de vez, resolvemos desistir depois de conversar com ele, e voltar à fralda.

e conversamos de forma bem simples mesmo — explicamos que a gente estava voltando pra fralda (porque houve o discurso de tirá-la, porque já era um menino crescido, etc.) porque parecia que ele preferia usar a fralda, então que íamos esperar quando ele estivesse com vontade de usar a privada. perguntamos várias vezes, nos meses seguintes, se queria usar a privada e a resposta era sempre NÃO.

nos meses que seguiram, compramos e lemos vários livrinhos pra ele sobre o cocô, e ele amou esse aqui (que recomendo demais, além de super legal ele é bonito). lemos inúmeras vezes, e o livro explica que todos os seres que comem fazem cocô, e direciona para a forma que humanos fazem cocô, comparando com outros bichos. muito legal, ele adorou, e foi um gancho pra falar que ele era menino (ele não se considera mais bebê, e reclama se chamamos de “bebê”) e podia começar a fazer no penico ou na privada.

quando começou dezembro, ele já estava com 3 anos e 3 meses, acabou a escola e o calor voltou, resolvemos tentar de novo. ele foi um pouco resistente no início, mas explicamos que estava tudo OK, que a gente ia tentar, que não fazia mal se não desse certo. retomamos o xixi nas plantinhas (ele ama), no ralinho do quintal, e também no penico e na privadinha (compramos uma de apoiar no chão, além da privada redutora e do penico. apelamos geral, hahahhahahaha).

o xixi em 1 semana resolveu. ele teve 1 acidente só e nunca mais. e melhor — pede pra fazer xixi ou vai por conta própria, ele tomou pra si o processo, a gente não precisa “levar”. ao mesmo tempo já parou de fazer xixi na fralda à noite e à tarde (colocamos sempre pra dormir, ainda), ela acorda sequinha.

quando está de fralda na rua (dependendo de onde vamos, se é algum lugar que não conhecemos a infra ainda deixamos de fralda por causa do cocô) ele também já pede pra ir ao banheiro, o que nos surpreendeu.

o cocô foi outro processo — não conseguimos que ele pedisse (ou seja, que identificasse que queria fazer), e ele acabava fazendo na cueca, e o processo de limpeza é muito chato (pra ele e pra nós). aí tive uma ideia: já sabemos os horários que ele faz cocô, então resolvemos deixá-lo pelado, pois percebemos que ele não faz cocô no chão (ou seja, algum tipo de controle ele tem!).

deixamos pelado, e ficamos observando. o que acontece é que ele começa a ficar inquieto quando tem vontade de fazer cocô, e ele confunde com vontade de fazer xixi (vai várias vezes, tenta, e não tem mais nada). conseguimos convencê-lo então a sentar e esperar um pouco, pra fazer o cocô, e na 1a vez que deu certo ele ficou completamente surpreso, como se “entendesse” o processo!

e aí deu certo também na segunda vez, quando ele fez o cocô, olhou bem depois e disse “olha, mamãe, o cocô parece uma cobra!” HAHHAHAHHAHA :)

agora ele aceita com frequência quando convidamos para fazer cocô, já pediu pra fazer e já foi até fazer sozinho! mas ontem por exemplo tivemos um acidente — depois de perguntar várias vezes se ele queria fazer cocô, sem sucesso, de repente ele fica aflito — “quero fazer cocô, quero fazer cocô!” — e não deu tempo de chegar.

suponho que acidentes ainda devem acontecer periodicamente, mas ele já entendeu e aceitou o processo, e estamos caminhando para o desfralde definitivo.

DEPOIS DE UM ANO DE SAGA.

mas tudo bem. cocô e xixi são importantes o suficiente pra gente dedicar 12 meses a eles no prazo de uma vida toda :)

criação com apego

Com algumas diferenças, essa foi a opção que fizemos aqui na forma de criar o Otto. Ele sempre odiou sling, então ficava muito no colo. Sempre pegamos no colo quando chorava, nunca deixamos chorando. Mamava quando queria. Dorme na nossa cama até agora. Sempre escutamos o que ele quer, e negociamos o que fazer e não fazer os 3, ele não é menos considerado por ter 3 anos.

E não, ele não pode fazer tudo o que quer. Aqui adotamos o castigo (sentamos junto com ele pra pensar e conversar sobre o que aconteceu). Quando ele não é legal conosco ou com outras pessoas, procuramos fazer com que haja consequências que ele entenda. Tiramos coisas que ele gosta, por exemplo. Pedimos que ele diga obrigado e por favor, aqui, porque é assim que o tratamos e queremos tratamento igual da parte dele. Não gritamos com ele e não deixamos que ele grite conosco.

E por enquanto estamos contentes com o resultado. Alguns dias são mais difíceis que outros, mas no geral o comportamento dele é bem alinhado com o nosso, a convivência com as outras pessoas também é boa e tranquila. As pessoas elogiam o comportamento dele, que é uma criança bem querida.

Cada família tem uma dinâmica, não acho que exista forma “certa” de educar. Importante é ter mais gente feliz, confiante e boa com seus semelhantes neste mundo. Essa é a nossa meta pra ele, e esse caminho eu acho que leva pra lá :)

gênio pra quê?

Pensei tanto nessa notícia — a primeira reação é achar incrível, UAU, que máximo. Mas logo depois pensei: e quando essa criança brinca e socializa? Qual a vantagem de ler tantos livros e não dividir com ninguém? Pra quê contar até 200?

Li em algum lugar a respeito de crianças-gênio que chegam à vida adulta e se tornam simplesmente adultos acima da média, e não transformaram sua capacidade excepcional em nada significativo. E pior — tem problemas sociais.

Por que valorizamos tanto estes marcos e métricas individuais (ler, contar, quantos livros) e tão pouco as habilidades sociais e criativas?

apanhado do facebook: janeiro

Usei o aspirador portátil pra limpar o sofá onde o Otto comeu (tava uma coisa), e de preguiça deixei o aspirador no chão pra guardar depois.
Ele olhou, pegou o aspirador e me disse “mamãe, você sabe onde guarda o aspirador? Vem cá que eu vou mostrar!”. Foi lá e guardou.

Achei fofo porque ele quis guardar \o/ mas também porque ele me “corrigiu” sem brigar comigo. Bom sinal né?

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Ontem foi ultrapassado mais um marco na alimentação do Otto — ele comeu (e adorou) lasanha de berinjela.

Berinjela sempre foi complicado com ele, graças à textura moleguenta. Quando era servida mais firme (tipo caponata, ou coisa assim) ele comia legal. Se fosse mole, cuspia. O mesmo pra banana amassada e purê de batata (ambos ainda não são bem aceitos).

\o/

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O que me leva a insistir com os cuidadores de crianças para que não decidam o que a criança gosta ou desgosta em função do próprio gosto (ela será diferente de você, acredite) e nem em função da recusa. Às vezes a criança não gosta da textura, e depois de acostumar aprende a gostar; às vezes o gosto muda. Não deixe de tentar nunca, não julgue o gosto da criança, mantenha as opções sempre à disposição.

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Aniversário da Bia no radar, pergunto pro Otto: “o que vamos dar de presente pra Bia?”. Ele pensa um pouco e responde com o maior ar de certeza: “uma LUNETA!”.

E agora eu tenho 2 problemas  (achar a tal e convencer a amiga a fazer cara de “AMEI, OTTO!”)

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Assistindo “a close shave”:

Otto: “mamãe, vamos fazer uma máquina de mingau?”
Eu: (FERROU) “vamos! E como faz? Eu não sei.”
Otto: “Ué: a gente faz o mingau e aí faz a máquina!”

UÉ. E agora estamos aqui fazendo o projeto :)

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Lendo o lindo livro do Morris Lessmore pro Otto antes de dormir, chego na seguinte passagem:

Eu: “… com as páginas abertas, na expectativa de ser lido…”
Otto: “O que é ‘expectativa’”?
Eu e Fer: (!!!!!!) “hmmmm. É quando a gente espera que alguma coisa aconteça, quando a gente quer que aconteça, sabe?”
Otto: a-ham

E seguimos. Foi a primeira vez que ele pediu explicação sobre algum conceito! Ficamos emocionados.

Como é difícil explicar as coisas de um jeito simples, não? Muito, muito legal.

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Hoje fiquei tão feliz de ver o Otto andando de bicicleta (com rodinha) direitinho!

Ele é um menino bem esperto, mas as habilidades físicas não são exatamente seu forte :D

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Criança do interior é assim: na estrada, indo pra Souzas, tem um condomínio de prédios na beira da estrada (20 andares cada, 4 ou 5 torres meio amontoadas).

Otto olha o condomínio e pergunta: “mamãe, o que é aquilo? Um castelo?”
<3

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the important thing about yelling.

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artigo genial sobre nomes em geral e em especial sobre escolher nomes para crianças.

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Levamos o Otto para almoçar pela primeira vez numa churrascaria esquema rodízio, e ele achou o máximo os rapazes servindo, queria experimentar TUDO que chegava, hahhahahha (não foi possível, para desapontamento dele e dos garçons).

Ele comeu bastante salada, como sempre, e provou várias carnes (e queijo, e pão), gostou de tudo, inclusive — pasmem — coração na brasa! <o>

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Nós: “Otto, o que você tá fazendo?”
Otto: “Abaixando o volume das crianças fazendo barulho”

"Otto, o que você tá fazendo?" -- "Abaixando o volume das crianças fazendo barulho" =O

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Na noite de ano novo, Otto desmaiou cedo, depois do dia na piscina. Mas meia-noite não teve jeito: acordou com rojões, o Fer foi lá acalmar, mas ele quis ir ver os fogos, e foi, achou bonito até que o barulho ficou demais e quis voltar pro quarto.

Deitei com ele, e os rojões continuaram. Expliquei “é o ano novo. Que barulhão né?”. Ele pensou um pouco, levantou as mãozinhas pro alto, espalmadas, e gritou: “oba! E vai ter bolo pra mim?”

Claro que vai, meu amor. Se depender de mim, você faz aniversário todo dia, com bolo e parabéns. 

Que em 2014 a gente também ache que todos os fogos de artifício são pra nós, com direito a bolo!

<3

apanhado do facebook: dezembro

E aí que o Otto ganhou de Natal uma bicicleta (“UMA MOTO!” ♥), eu ganhei uma lomo e o Fer ganhou uma miniatura do US-P40 (Pearl Harbor, 1941). E o Otto gostou da bike mas gostou MUITO MAIS dos nossos presentes 

Vamos ter que esconder, pode?!

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Estava eu tomando banho hoje cedo, e o Otto aparece com uma colher de pau na mão e bate (forte) na porta do box pra chamar minha atenção.

Eu, P da vida, abro a porta e grito com ele: “OTTO! Não pode bater nas portas e janelas, o vidro pode quebrar e machucar você!”

Ele, mui calmamente responde: “eu não escuto e não entendo quando você grita, tá, mamãe?”. E sai.

TOMA.

#orgulho

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Estava vestindo o Otto antes de sair e expliquei que a gente estava indo pra Marília, pro Natal na casa da vovó.

Eu: “tá com saudade da vovó e do vovô?”
Otto: “tou com saudade. E da minha Paula também! Eu vou ABRAÇAR elas quando chegar lá!” (CAPS dele mesmo, tamanha a intensidade)

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Ser pai deve ser difícil, eu admito. Otto chora dormindo, o Fer  vai consolar e o menino avisa: “mas eu tou chamando A MINHA MAMÃE!”.

E lá vou eu…

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Enquanto eu respondia emails e lia e escrevia aqui no FB a quiança via Wall-e pela milionésima vez e COMIA UM CARIMBO AZUL.

E eu comprei o carimbo tão feliz, pra carimbar os postaizinhos que vou mandar pra vocês! Era uma pipa…

Menino tá com a boca e mãos azuis (nem olhei os dentes). Dei leite (será lenda que ajuda quando comemos coisas inapropriadas?), dei bronca, lavei a boca com sabão (só fora, pô).

Aí ele diz “desculpa, eu não queria ter comido seu CACHIMBO”, e pede uma cenoura.

Como não amar?
<3

Quando eu disse que o Otto comeu o carimbo, não é que ele colocou na boca; ele MASTIGOU e ENGOLIU a parte do carimbo que tinha tinta. Era uma camada porosa, tipo giz.

Já elvis.

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Domingo na casa da Cle o Otto começou a desenhar, fez um A gigante, que eu achei que era uma nave, sei lá, perguntei o que era. “Um A-zão, mamãe”. E fez um A pequeno. E um I. Perguntei de novo “o que é isso que você desenhou, Otto?”. “Eu escrevi pApAI, olha!”

=O

Da direita pra esquerda, como sempre, e sem as consoantes.

Alguém explica o cérebro dessa quiança japonesa?

#waldorfdecesárea

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agora sim o bicho pegou — hoje de manhã o otto me abraça e diz “não vai trabalhar não, mamãe, eu quero muito que você fique aqui comigo”.

ME DIGAM COMO PROCEDER PRA NÃO LARGAR O SELVISSO?

(no caso eu expliquei que voltava no fim do dia, pedi um beijo e abraço bem apertado — e ele deu –, ofereci uma banana de café da manhã, e ele aceitou e me deu tchau)

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Juro que queria entender o cérebro das crianças — mostramos pro Otto o curta do robô que vem junto com Wall-e (a contragosto, ele não quer ver nada novo). Passou o curta todo reclamando e no final começou a chorar, dizendo que não queria ver e que estava com medo (!). OK, tiramos, acabou.

“Vamos ver de novo o do robô que conserta?”

Sim, o que ele acaba de dizer que não queria e que estava com medo.

Estamos na repetição #4.

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Totalmente opinião, achismo mesmo, mas quanto mais observo problemas de cuidadores e crianças que não comem mais acho que a chatice de algumas crianças pra comer tem 2 causas somente (às vezes combinadas):

1) mau exemplo — a criança observa os seus sendo chatos (ou seja “não gosto disso, não como aquilo”) e imita (incrível como as pessoas não se tocam disso)

2) queda de braço — a criança percebe que comer/não comer é uma questão excessivamente importante para os que cuidam dela e usa isso como arma, afinal é uma das poucas situações em que ela pode estar 100% no controle

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Otto aprendeu a dar “beijo de cachorro” e agora somos contemplados com lambidas na bochecha. DILIÇA.

E hoje pela primeira vez ele (depois de me “roubar” um abraço), comemorou com dancinha e NÃ-NÃ-NÃ-NÃ!

Depois a gente aperta e morde e chamam o conselho tutelar :)

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sei que tem quem curta muito bebês (não é meu caso), e talvez ache estranho o que vou dizer, mas quanto mais o otto cresce mais legal fica e mais eu amo esse ogrinho.

já disse uma vez que o amor não-verbal dos nossos filhos, o contato físico, é uma das coisas mais lindas e intensas que já senti. mas confesso, analítica que sou, que o domínio da fala pela criança é um marco excepcional, que muito me toca e faz feliz.

hoje, por exemplo, eu disse pra ele “te amo, gatão!” e ele respondeu “e você é uma mamãe muito especial pra mim!”.

tem como não derreter numa poça de purpurina e morrer de amor?
<3

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Desde que me lembro (e não me lembro de crer ou não em Papai Noel) Natal é sobre estar junto, preparar e repartir aquela refeição especial com pessoas que eram também especiais.

Houve anos em que as pessoas não eram tão especiais, e me ressenti muito. Num ano específico, cuja comemoração foi um completo desastre pra mim, decidi que nunca mais passaria nenhum Natal sem pessoas que eu amo ao meu lado.

De certa forma essa foi uma decisão em relação ao Natal que se estendeu para a vida desde então — não admito mais me cercar de pessoas que não me fazem bem, nem de situações que me incomodam. A vida é curta, os dias passam como furacão, não posso me dar ao luxo de ser infeliz ou me privar da companhia dos que eu amo.

Natal não é sobre consumir (comida ou presentes), pra mim. É sobre dividir e compartilhar a vida. Os presentes são só um detalhe (divertido, eu confesso. Adoro!), importante é a presença.

Sobre Papai Noel não sei se vou ensinar ao Otto, mas sobre a importância de estar entre os que a gente ama pra dividir uma boa refeição eu tenho certeza que vou :)

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Hoje fomos a um pic-nic organizado pela Mawá, Weno e amigos, e tive a experiência mais curiosa: as pessoas chegavam para cumprimentar O OTTO, dizendo coisas como “oi, Otto, você não me conhece mas eu conheço você! Você é uma webcelebridade!”

=O

E eu subitamente virei A MÃE DO OTTO, que todo mundo conhece e adora e quer tirar foto junto.

Morremos de rir com a modernidade e o inusitado, e também com a não-vocação do menino para o sucesso, já que ele recusou beijos, abraços e conversas com basicamente todo mundo e só foi simpático com os amigos que ele conhece e ama.

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[dezembro] O Fer  chegou da rua cheio de amor — pão de semolina quentinho e coxa creme pra nós (Otto já almoçou). Mas não contava com o ataque do ogro, que decretou que a coxa de brontossauro era dele. Dançou, papai (a minha eu comi mais que rápido :D)

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Uma coisa interessante que percebi — eu falo bem sério com o Otto (tom) e às vezes funciona, às vezes não. Mas quando eu estou realmente preocupada com a segurança dele, algo no meu tom de voz se altera e ele me obedece imediatamente.

Perguntei à minha mãe — “você sempre teve essa ‘voz de comando’! Como faz isso? Dá pra treinar?  Eu só faço sem querer.”

Resposta dela: “tenha 3 filhos e a voz de comando vem naturalmente, hahahhahaha”

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Otto hoje tava tão mala de manhã que nem comer quis — almoçou 2 pães sírios e sorvete de banana. Deixei, sou contra insistir pra comer, acho que a fome sempre resolve o problema (nunca soube de criança que morreu de fome voluntariamente).

Depois da soneca da tarde comeu mais sorvete com o Fer, os dois são viciados.

Agora no jantar, então, eu já estava esperando o ataque dos vermes malditos: comeu 2 pratões de arroz integral, feijão, carne com abobrinha, e um prato bem bom de salada de cenoura, beterraba, pepino e coalhada. E DUAS mangas. E agora, 15min depois, quer banana.

A lombriga se ressentiu do almoço espartano, suponho.