criação com apego

Com algumas diferenças, essa foi a opção que fizemos aqui na forma de criar o Otto. Ele sempre odiou sling, então ficava muito no colo. Sempre pegamos no colo quando chorava, nunca deixamos chorando. Mamava quando queria. Dorme na nossa cama até agora. Sempre escutamos o que ele quer, e negociamos o que fazer e não fazer os 3, ele não é menos considerado por ter 3 anos.

E não, ele não pode fazer tudo o que quer. Aqui adotamos o castigo (sentamos junto com ele pra pensar e conversar sobre o que aconteceu). Quando ele não é legal conosco ou com outras pessoas, procuramos fazer com que haja consequências que ele entenda. Tiramos coisas que ele gosta, por exemplo. Pedimos que ele diga obrigado e por favor, aqui, porque é assim que o tratamos e queremos tratamento igual da parte dele. Não gritamos com ele e não deixamos que ele grite conosco.

E por enquanto estamos contentes com o resultado. Alguns dias são mais difíceis que outros, mas no geral o comportamento dele é bem alinhado com o nosso, a convivência com as outras pessoas também é boa e tranquila. As pessoas elogiam o comportamento dele, que é uma criança bem querida.

Cada família tem uma dinâmica, não acho que exista forma “certa” de educar. Importante é ter mais gente feliz, confiante e boa com seus semelhantes neste mundo. Essa é a nossa meta pra ele, e esse caminho eu acho que leva pra lá :)

gênio pra quê?

Pensei tanto nessa notícia — a primeira reação é achar incrível, UAU, que máximo. Mas logo depois pensei: e quando essa criança brinca e socializa? Qual a vantagem de ler tantos livros e não dividir com ninguém? Pra quê contar até 200?

Li em algum lugar a respeito de crianças-gênio que chegam à vida adulta e se tornam simplesmente adultos acima da média, e não transformaram sua capacidade excepcional em nada significativo. E pior — tem problemas sociais.

Por que valorizamos tanto estes marcos e métricas individuais (ler, contar, quantos livros) e tão pouco as habilidades sociais e criativas?

apanhado do Facebook (jan 2014)

Usei o aspirador portátil pra limpar o sofá onde o Otto comeu (tava uma coisa), e de preguiça deixei o aspirador no chão pra guardar depois.
Ele olhou, pegou o aspirador e me disse “mamãe, você sabe onde guarda o aspirador? Vem cá que eu vou mostrar!”. Foi lá e guardou.

Achei fofo porque ele quis guardar \o/ mas também porque ele me “corrigiu” sem brigar comigo. Bom sinal né?

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Ontem foi ultrapassado mais um marco na alimentação do Otto — ele comeu (e adorou) lasanha de berinjela.

Berinjela sempre foi complicado com ele, graças à textura moleguenta. Quando era servida mais firme (tipo caponata, ou coisa assim) ele comia legal. Se fosse mole, cuspia. O mesmo pra banana amassada e purê de batata (ambos ainda não são bem aceitos).

\o/

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O que me leva a insistir com os cuidadores de crianças para que não decidam o que a criança gosta ou desgosta em função do próprio gosto (ela será diferente de você, acredite) e nem em função da recusa. Às vezes a criança não gosta da textura, e depois de acostumar aprende a gostar; às vezes o gosto muda. Não deixe de tentar nunca, não julgue o gosto da criança, mantenha as opções sempre à disposição.

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Aniversário da Bia no radar, pergunto pro Otto: “o que vamos dar de presente pra Bia?”. Ele pensa um pouco e responde com o maior ar de certeza: “uma LUNETA!”.

E agora eu tenho 2 problemas  (achar a tal e convencer a amiga a fazer cara de “AMEI, OTTO!”)

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Assistindo “a close shave”:

Otto: “mamãe, vamos fazer uma máquina de mingau?”
Eu: (FERROU) “vamos! E como faz? Eu não sei.”
Otto: “Ué: a gente faz o mingau e aí faz a máquina!”

UÉ. E agora estamos aqui fazendo o projeto :)

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Lendo o lindo livro do Morris Lessmore pro Otto antes de dormir, chego na seguinte passagem:

Eu: “… com as páginas abertas, na expectativa de ser lido…”
Otto: “O que é ‘expectativa’”?
Eu e Fer: (!!!!!!) “hmmmm. É quando a gente espera que alguma coisa aconteça, quando a gente quer que aconteça, sabe?”
Otto: a-ham

E seguimos. Foi a primeira vez que ele pediu explicação sobre algum conceito! Ficamos emocionados.

Como é difícil explicar as coisas de um jeito simples, não? Muito, muito legal.

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Hoje fiquei tão feliz de ver o Otto andando de bicicleta (com rodinha) direitinho!

Ele é um menino bem esperto, mas as habilidades físicas não são exatamente seu forte :D

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Criança do interior é assim: na estrada, indo pra Souzas, tem um condomínio de prédios na beira da estrada (20 andares cada, 4 ou 5 torres meio amontoadas).

Otto olha o condomínio e pergunta: “mamãe, o que é aquilo? Um castelo?”
<3

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the important thing about yelling.

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artigo genial sobre nomes em geral e em especial sobre escolher nomes para crianças.

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Levamos o Otto para almoçar pela primeira vez numa churrascaria esquema rodízio, e ele achou o máximo os rapazes servindo, queria experimentar TUDO que chegava, hahhahahha (não foi possível, para desapontamento dele e dos garçons).

Ele comeu bastante salada, como sempre, e provou várias carnes (e queijo, e pão), gostou de tudo, inclusive — pasmem — coração na brasa! <o>

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Nós: “Otto, o que você tá fazendo?”
Otto: “Abaixando o volume das crianças fazendo barulho”

"Otto, o que você tá fazendo?" -- "Abaixando o volume das crianças fazendo barulho" =O

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Na noite de ano novo, Otto desmaiou cedo, depois do dia na piscina. Mas meia-noite não teve jeito: acordou com rojões, o Fer foi lá acalmar, mas ele quis ir ver os fogos, e foi, achou bonito até que o barulho ficou demais e quis voltar pro quarto.

Deitei com ele, e os rojões continuaram. Expliquei “é o ano novo. Que barulhão né?”. Ele pensou um pouco, levantou as mãozinhas pro alto, espalmadas, e gritou: “oba! E vai ter bolo pra mim?”

Claro que vai, meu amor. Se depender de mim, você faz aniversário todo dia, com bolo e parabéns. 

Que em 2014 a gente também ache que todos os fogos de artifício são pra nós, com direito a bolo!

<3

apanhado do Facebook (out, nov e dez 2013)

[dezembro] E aí que o Otto ganhou de Natal uma bicicleta (“UMA MOTO!” ♥), eu ganhei uma lomo e o Fer ganhou uma miniatura do US-P40 (Pearl Harbor, 1941). E o Otto gostou da bike mas gostou MUITO MAIS dos nossos presentes 

Vamos ter que esconder, pode?!

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[dezembro] Estava eu tomando banho hoje cedo, e o Otto aparece com uma colher de pau na mão e bate (forte) na porta do box pra chamar minha atenção.

Eu, P da vida, abro a porta e grito com ele: “OTTO! Não pode bater nas portas e janelas, o vidro pode quebrar e machucar você!”

Ele, mui calmamente responde: “eu não escuto e não entendo quando você grita, tá, mamãe?”. E sai.

TOMA.

#orgulho

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[dezembro] Estava vestindo o Otto antes de sair e expliquei que a gente estava indo pra Marília, pro Natal na casa da vovó.

Eu: “tá com saudade da vovó e do vovô?”
Otto: “tou com saudade. E da minha Paula também! Eu vou ABRAÇAR elas quando chegar lá!” (CAPS dele mesmo, tamanha a intensidade)

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[dezembro] Ser pai deve ser difícil, eu admito. Otto chora dormindo, o Fer  vai consolar e o menino avisa: “mas eu tou chamando A MINHA MAMÃE!”.

E lá vou eu…

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[dezembro] Enquanto eu respondia emails e lia e escrevia aqui no FB a quiança via Wall-e pela milionésima vez e COMIA UM CARIMBO AZUL.

E eu comprei o carimbo tão feliz, pra carimbar os postaizinhos que vou mandar pra vocês! Era uma pipa…

Menino tá com a boca e mãos azuis (nem olhei os dentes). Dei leite (será lenda que ajuda quando comemos coisas inapropriadas?), dei bronca, lavei a boca com sabão (só fora, pô).

Aí ele diz “desculpa, eu não queria ter comido seu CACHIMBO”, e pede uma cenoura.

Como não amar?
<3

Quando eu disse que o Otto comeu o carimbo, não é que ele colocou na boca; ele MASTIGOU e ENGOLIU a parte do carimbo que tinha tinta. Era uma camada porosa, tipo giz.

Já elvis.

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[dezembro] Domingo na casa da Cle o Otto começou a desenhar, fez um A gigante, que eu achei que era uma nave, sei lá, perguntei o que era. “Um A-zão, mamãe”. E fez um A pequeno. E um I. Perguntei de novo “o que é isso que você desenhou, Otto?”. “Eu escrevi pApAI, olha!”

=O

Da direita pra esquerda, como sempre, e sem as consoantes.

Alguém explica o cérebro dessa quiança japonesa?

#waldorfdecesárea

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[dezembro] agora sim o bicho pegou — hoje de manhã o otto me abraça e diz “não vai trabalhar não, mamãe, eu quero muito que você fique aqui comigo”.

ME DIGAM COMO PROCEDER PRA NÃO LARGAR O SELVISSO?

(no caso eu expliquei que voltava no fim do dia, pedi um beijo e abraço bem apertado — e ele deu –, ofereci uma banana de café da manhã, e ele aceitou e me deu tchau)

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[dezembro] Juro que queria entender o cérebro das crianças — mostramos pro Otto o curta do robô que vem junto com Wall-e (a contragosto, ele não quer ver nada novo). Passou o curta todo reclamando e no final começou a chorar, dizendo que não queria ver e que estava com medo (!). OK, tiramos, acabou.

“Vamos ver de novo o do robô que conserta?”

Sim, o que ele acaba de dizer que não queria e que estava com medo.

Estamos na repetição #4.

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[dezembro] Totalmente opinião, achismo mesmo, mas quanto mais observo problemas de cuidadores e crianças que não comem mais acho que a chatice de algumas crianças pra comer tem 2 causas somente (às vezes combinadas):

1) mau exemplo — a criança observa os seus sendo chatos (ou seja “não gosto disso, não como aquilo”) e imita (incrível como as pessoas não se tocam disso)

2) queda de braço — a criança percebe que comer/não comer é uma questão excessivamente importante para os que cuidam dela e usa isso como arma, afinal é uma das poucas situações em que ela pode estar 100% no controle

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[dezembro] Otto aprendeu a dar “beijo de cachorro” e agora somos contemplados com lambidas na bochecha. DILIÇA.

E hoje pela primeira vez ele (depois de me “roubar” um abraço), comemorou com dancinha e NÃ-NÃ-NÃ-NÃ!

Depois a gente aperta e morde e chamam o conselho tutelar :)

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[dezembro] sei que tem quem curta muito bebês (não é meu caso), e talvez ache estranho o que vou dizer, mas quanto mais o otto cresce mais legal fica e mais eu amo esse ogrinho.

já disse uma vez que o amor não-verbal dos nossos filhos, o contato físico, é uma das coisas mais lindas e intensas que já senti. mas confesso, analítica que sou, que o domínio da fala pela criança é um marco excepcional, que muito me toca e faz feliz.

hoje, por exemplo, eu disse pra ele “te amo, gatão!” e ele respondeu “e você é uma mamãe muito especial pra mim!”.

tem como não derreter numa poça de purpurina e morrer de amor?
<3

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[dezembro] Desde que me lembro (e não me lembro de crer ou não em Papai Noel) Natal é sobre estar junto, preparar e repartir aquela refeição especial com pessoas que eram também especiais.

Houve anos em que as pessoas não eram tão especiais, e me ressenti muito. Num ano específico, cuja comemoração foi um completo desastre pra mim, decidi que nunca mais passaria nenhum Natal sem pessoas que eu amo ao meu lado.

De certa forma essa foi uma decisão em relação ao Natal que se estendeu para a vida desde então — não admito mais me cercar de pessoas que não me fazem bem, nem de situações que me incomodam. A vida é curta, os dias passam como furacão, não posso me dar ao luxo de ser infeliz ou me privar da companhia dos que eu amo.

Natal não é sobre consumir (comida ou presentes), pra mim. É sobre dividir e compartilhar a vida. Os presentes são só um detalhe (divertido, eu confesso. Adoro!), importante é a presença.

Sobre Papai Noel não sei se vou ensinar ao Otto, mas sobre a importância de estar entre os que a gente ama pra dividir uma boa refeição eu tenho certeza que vou :)

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[dezembro] Hoje fomos a um pic-nic organizado pela Mawá, Weno e amigos, e tive a experiência mais curiosa: as pessoas chegavam para cumprimentar O OTTO, dizendo coisas como “oi, Otto, você não me conhece mas eu conheço você! Você é uma webcelebridade!”

=O

E eu subitamente virei A MÃE DO OTTO, que todo mundo conhece e adora e quer tirar foto junto.

Morremos de rir com a modernidade e o inusitado, e também com a não-vocação do menino para o sucesso, já que ele recusou beijos, abraços e conversas com basicamente todo mundo e só foi simpático com os amigos que ele conhece e ama.

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[dezembro] O Fer  chegou da rua cheio de amor — pão de semolina quentinho e coxa creme pra nós (Otto já almoçou). Mas não contava com o ataque do ogro, que decretou que a coxa de brontossauro era dele. Dançou, papai (a minha eu comi mais que rápido :D)

OGRO QUÉ

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[dezembro] Uma coisa interessante que percebi — eu falo bem sério com o Otto (tom) e às vezes funciona, às vezes não. Mas quando eu estou realmente preocupada com a segurança dele, algo no meu tom de voz se altera e ele me obedece imediatamente.

Perguntei à minha mãe — “você sempre teve essa ‘voz de comando’! Como faz isso? Dá pra treinar?  Eu só faço sem querer.”

Resposta dela: “tenha 3 filhos e a voz de comando vem naturalmente, hahahhahaha”

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[dezembro] Otto hoje tava tão mala de manhã que nem comer quis — almoçou 2 pães sírios e sorvete de banana. Deixei, sou contra insistir pra comer, acho que a fome sempre resolve o problema (nunca soube de criança que morreu de fome voluntariamente).

Depois da soneca da tarde comeu mais sorvete com o Fer, os dois são viciados.

Agora no jantar, então, eu já estava esperando o ataque dos vermes malditos: comeu 2 pratões de arroz integral, feijão, carne com abobrinha, e um prato bem bom de salada de cenoura, beterraba, pepino e coalhada. E DUAS mangas. E agora, 15min depois, quer banana.

A lombriga se ressentiu do almoço espartano, suponho.

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[novembro] Fer tentando acordar o menino da soneca, delicadamente. Menino replica:

“Você para de falar, por favor, para?”

Ele parou, né :)

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[novembro] Sábado, dia de estar com a família, certo?

Na livraria cultura: “mamãe, vamos sair? Tem muita gente aqui”

“Otto, olha que legal a moça embrulhando o livro!” “Não achei nada legal!”

“Otto, experimenta isso aqui que tá delicioso” “Ah eu não acho isso NADA delicioso!”

OLHA.

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[novembro] A rotina aqui de segunda a sexta é sempre assim: levantamos 6:50, eu vou pro banho e o Fer tem a tarefa inglória de acordar e arrumar o Otto pro café da manhã. Comemos, e às 7:40 levo o Otto pra escola, depois vou pro trabalho.

Simples, se o Otto acordasse, quisesse colocar a roupa, concordasse em sentar pra comer, entrasse no carro e ficasse na escola numa boa. Alguns dias todos os passos dão certo (raro), alguns dias todos dão errado (mais frequente do que gostaríamos) e tem os outros dias todos.

Hoje o Fer foi acordar o Otto, e no meio da resistência de sempre ele simplesmente fugiu da cama, chorando, e foi pro meio da casa (e o Fer atrás) — “eu quero dormir!!!”.

Olhou em volta com carinha de perdido e perguntou pro Fer “onde eu tava dormindo?!”, “ali naquele quarto, Otto”. Resmungando, ele voltou pro quarto e se enterrou na cama, carinha escondida no travesseiro.

Foi nessa hora que o Fer foi conversar comigo no chuveiro, num misto de riso e pena, pra avisar: “ele não vai pra escola, tá? 

Saí do banho e fui deitar junto com os 2 um pouco antes de sair. Eu sei que a rotina é importante, e que ele devia ir pra escola (quanto mais abrimos exceção, pior fica o esquema). Mas o sorriso dele quando eu deitei ali juntinho e ele me abraçou, aquele corpinho gordinho e gostoso…

Segunda a gente tenta de novo, vai.

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[novembro] E como se não fosse o suficiente a história da canção da Lilo, Otto me “ensinou” hoje a cantar aquela musiquinha do “Sabiá lá na gaiola fez um buraquinho… Voou, voou, voou, voou!”

Ahhhhh eu não aguento essa fase das músicas, gente! É muito amor, vou explodir!

 <3 <3 <3

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[novembro] (Essa é pra quem viu Lilo & Stitch)

Otto quis deitar comigo na rede, e me fez sentar de frente pra ele, como fazem as irmãs no filme, enquanto falam sobre OHANA.

Quando comecei a balançar, ele começou a cantar (com uma letra inventada) a melodia que a irmã maior canta, PERFEITA, e com as mãos fez os gestos de jogar as flores ao vento! E ainda diz “vão lá pras estrelas”.

Derreti e virei uma poça de purpurina!

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“Mamãe, eu quero mais daquela castanha que tem que morder MUITO FORTE pra comer!” = Amêndoa 

(Comendo quantidades industriais. O moleque só gosta de coisa boa e cara, tou ferrada)

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[novembro] “O que você quer de sobremesa, Otto?”

“SALADA!”

E tá aqui batendo mais um pratão depois do macarrão.

Tenho medo dessa adolescência, confesso.

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[novembro] Fui pegar macarrão na despensa pra preparar pro Otto, que me pediu pra comer e desde então tá me perseguindo. Desastrada que sou, derrubei uma meia dúzia de macarrões no chão, e pedi ajuda:

Eu: “Otto, pega pra mamãe os macarrões que caíram no chão, por favor?”

Otto: “Pode deixar que eu COMO ELES TODOS pra você, mamãe!” E aí comecei a escutar aquele barulho de mastigar coisas crocantes, característico.

<o> Não sei o que é pior — ele comer coisas que caíram no chão com tanta naturalidade ou amar comer macarrão cru.

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[novembro] Hahhahahahahahha! Otto vê gente entrando no mar em pranchão, pergunto: “o que eles vão fazer, Otto?”

“Eles vão PRANCHAR!” :D

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[novembro] inclusive espero que minha dificuldade em me manter séria em momentos críticos de chilique do meu filho não impeça o progresso da educação da criança, porque eu tenho SÉRIAS dificuldades em me manter séria enquanto ele chora e argumenta comigo sobre porque não é possível colocar uma camiseta.

resumindo, eu caio na gargalhada em situações em que eu deveria ser a mamãe-séria-dando-bronca.

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(durante uma viagem minha ao Chile…)

Update sobre menino Otto: depois do episódio de vômito inédito e sem explicação aparente*, dormiu e acordou ótimo. Foi pra escola, tudo direito até o momento.

Ufa.

(*) Ele comeu montes de cenoura crua imediatamente antes do evento. E ele come feito pernalonga, sem mastigar muito. Teve um acesso de tosse, voltou um pouco e aí… Gag reflex.

Ah, o lindo mundo da mater/paternidade.

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[novembro] O Fer tava limpando a piscina, enquanto Otto brincava. Quando acabou, pulou na piscina de camiseta e com a bermuda que é daquelas de praia mesmo.

Eu não consigo explicar pra vocês a indignação do Otto quando viu o pai “de roupa” na piscina. Ele ficou até gago de tão chocado, coitado, hahahhahaha 

O que fazer com uma criança naturalmente tão “certinha”? Esse menino vai sofrer muito na vida, afe.

… Aí a mãe também entra de roupa na piscina e explica pro menino que não tem problema, que roupa a gente lava!

Levaremos o caos pra vida desse menino nem que seja na marra!

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[novembro] Todas as fotos do Otto ele tá imundo e com as unhas sujas, impressionante!

#mãedecesárea

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[novembro] Hoje percebemos que o Otto não tinha bonequinhos, resolvemos comprar alguns. Escolhemos 5 bonecos Playmobil: 2 guerreiros, 2 fadas com flores e bichos, e 1 cuidadora com um macaco (e uma mamadeira).

Ele gostou de tudo, mas se apaixonou pela cuidadora e o macaco, e agora só quer dar mamadeira pro macaco <3

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[novembro] Cometi um erro primário — depois de banho tomado é dente escovado deixei o menino ir buscar um boneco “pra dormir”. Ele volta da COZINHA com DUAS ESPIGAS DE MILHO.

Está nesse momento comendo a segunda, e eu aqui esperando pra escovar o dente de novo! <o>

(Viu o que acontece quando você sai, Fer?)

E logo depois de devorar 2 espigas de milho enorme, prontinho pra dormir, vocês acham que aconteceu o quê?

(Uma nota, maestro Zezinho)

Sim, cocô megamaster.

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[novembro] isso.

A parte mais bonita e interessante IMHO de se tornar pai/mãe é exatamente isso: menos foco no EU, e todo um aprendizado de pensar em NÓS.

O exercício da dominação do ego (que considero essencial a todos que pretendem ser seres humanos melhores) é muito mais intenso quando se tem filhos. A empatia aumenta e também a apreciação pelo processo complexo de formação de um ser humano decente. Não é moleza, mas ensina muito.

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[novembro] Criança de menos de 7 anos com “lição de casa” e “agenda”? SOY CONTRA. Tenho absoluta confiança no desenvolvimento intelectual e lógico da criança somente através do brincar. E mais importante que tudo — quero criar uma criança feliz, que saiba como ser feliz. Problemas de dinheiro são facílimos de resolver; problemas de felicidade e ansiedade não são.

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[novembro] Depois de DUAS HORAS tentando fazer o menino dormir (sem sucesso), simplesmente desisti. Avisei — “vou sair e jantar. Você fica aí que eu volto depois”.

20min depois, creio que ele está dormindo, porque não chamou. Mas não volto pra conferir NEM A PAU.

#mãedecesárea

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[novembro] hoje fiquei em casa trabalhando, pra poder pegar o otto na escola. ele dormiu quando chegou, acordou agora, me viu e veio dar oi todo feliz “eu gostei muito da mamãe aqui hoje!”

  <3 <3 <3

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[novembro] hoje o Fer tá fora o dia todo, e eu fui buscar o Otto na escola (normalmente é ele quem vai). aí achei que devia explicar:

eu: “otto, hoje a mamãe que veio te buscar porque o papai tá trabalhando em SP, viu?”
otto: “mas por que ele não pode trabalhar em casa hoje?”
eu: “porque ele precisa ir pra uma reunião!”
otto: “mas por que ele não pode fazer a reunião EM CASA?”
eu: “porque ele precisa encontrar as pessoas assim, cara a cara, entende?”
otto: (não se convenceu)

conclusão: ele é uma criança moderna, que já se acostumou com o esquema de conference call, pai e mãe fazendo reuniões virtuais com frequência. será que estamos diante de uma geração que vai achar DIFERENTE trabalhar fora de casa? quiçá!

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[novembro] Hoje ele tava uma figura lendo história antes de dormir (mas não sem antes nos infernizar durante o banho, jogando água pra todo lado).

Quando comecei a ler a história do saci (ele AMA o saci, não enjoa), ele pergunta pela milésima vez: “quantas pernas tem o saci?”. “Uma, Otto”. “Mas POR QUE ele tem uma perna só?”

(Surpresa pra nós! Ele até hoje só tinha questionado COMO, nunca POR QUE)

E justo pra essa eu não tenho resposta. “Não sei, Otto! Mas ele parece bem feliz com uma perna só, né?” — “É!”

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[novembro] A história do Lobisomem (que ele não quis ler ainda) começa com um uivo, “Aaauuuu!”. Ele ficou olhando, e perguntou “o que tá escrito aqui?”. “É um uivo, assim — aaaauuuuuu!”, imitei. Ele riu, achou o máximo. “Mas tem muito U e muito A aqui né, mamãe?” 

Eu até quis explicar sobre onomatopéia, mas achei cedo demais :)

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[novembro] vocês que não têm filhos, acreditem: é EXATAMENTE ASSIM. vocês que têm e já passaram dessa fase — lembram que delícia? (NOT). pra nós, que estamos passando por isso, só muita VODKA, gente, porque olha…

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[novembro] Otto tem apenas 3a2m e já é melhor que eu em pelo menos uma coisa, vejam vocês:

Molhava as plantas com ele, e sem querer espirrei água demais, molhei o menino também, que reclamou.

Eu: “Ih, Otto, calculei mal! Não queria te molhar, desculpa.”

(Silêncio.)

Eu: “tudo bem, Otto? Desculpa a mamãe?”

Otto: “Desculpo. Mas eu NÃO gostei!”

Ahhhh! <3

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[novembro] Hoje resolvemos fazer um churrasco aqui só pra nós, o Fer foi buscar picanha e linguiça, eu fui preparar as saladas. Colocamos a mesa com vários tipos de salada, e enquanto o Fer preparava a carne, o Otto pegou seu prato, serviu alface, repolho, beterraba, cenoura, brócolis e chuchu, colocou o molho de coalhada, pegou os talheres, sentou sozinho e começou a comer! 

Quando a picanha ficou pronta ele acabou comendo mais que eu (“quero mais dessa carninha!”), além do pãozinho de alho e linguiça pra acompanhar 

Comeu bem como sempre, mas hoje achei graça do nosso mocinho de 3a2m se servindo, sentando e comendo sozinho, tão independente!

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[novembro]

Eu: “Otto, quer comer uma coisinha antes de ir pra casa?”
Otto: “Ahhhh… Eu gosto de comer uma coisinha, sim!”

Hahhahahhahaha <3

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[outubro] Reunião de pais Waldorf na casa de um deles, num condomínio aqui na cidade. Crianças tocam a campainha para pedir doce. Pai Waldorf leva UVA PASSA pras crianças. Crianças ficam tão surpresas que vão embora sem travessuras (e não pegam as uvas, claro).

:D

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[outubro] hoje fomos à reunião periódica com a professora da turma do otto, e foi muito legal aprender um pouco como sobre ele se comporta quando não estamos junto. algumas coisas são exatamente iguais — a tendência de observar muito antes de tentar qualquer atividade, preferência por brincadeiras com poucas crianças e sem muito barulho, a tranquilidade e educação ao falar com as pessoas e explicar o que quer e não quer, todo o jeitão analítico bem caraterístico dele.

mas nos surpreendemos com coisas que ele só faz na escola, como por exemplo perguntar se pode levantar da mesa, se pode começar a comer, se pode pegar coisas que não são dele (nunca fez isso em casa, quem me dera!). soubemos que ele gosta de contar histórias para os amiguinhos, mas que conta com suspense, entonação, do início até o fim, perfeitamente, ao ponto de causar espanto. e que uma das brincadeiras que ele mais gosta é cuidar das bonecas e dos amigos menores, com a maior atenção. nunca imaginamos!

a professora fez piada chamando ele de “pequeno imperador”, dizendo que ele sabe muito bem o que quer e o que não quer, e expressa isso verbalmente sem o menor problema. e que DIRIGE os outros, inclusive os adultos, pra fazer as coisas do jeito dele. reconheceu, Keké?

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[outubro] Otto hoje cedíssimo, logo que amanheceu, ainda dormindo comigo na cama: “de onde vem essa música?”

Eram os pássaros, acordando junto com o sol <3

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[outubro] Otto está apaixonado pela história “o dente de leite de Ganesha”, presente do Weno e Mawá. Aí tem uma parte que tem os desenhos que ele faz com a presa quebrada, e quando ele viu o ratinho amigo do Ganesha e o desenho do rato (bem estilizado, bem hindu), explicou: “olha, é ele desenhando ele mesmo!”

Achei tão legal ele entender a diferença entre o personagem e o desenho do personagem, e o “self”! É tão bonito ver um ser humano aos poucos construindo suas bases, conceitos simples e ao mesmo tempo tão difíceis de explicar.

Fabricar humanos é louco.

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[outubro] Desenterrei um baralho que compramos em Creta, e cada carta tem um personagem da mitologia grega. Mas ele foi escolhido pra brincadeira porque é de papel, e mais fácil de fazer castelos. Aliás, como é difícil fazer castelos de cartas, gente! <o>

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[outubro] A gente não tem pedido prato separado pro Otto, porque: sempre sobra; é caro pra caramba; pratos infantis são ridículos. Aí pedimos entrada e prato pros adultos e dividimos com ele. Mas aí acontece dessas (ele rouba nossa comida).

calendário

há muito tempo eu quis

fazer uma canção

pra gente viver mais.

 

otto,

 

essa é provavelmente a mais importante carta que escrevi aqui nesse espaço até o momento. tenho contado sobre seu desenvolvimento, pequenas histórias que se perderiam no tempo não fossem esses escritos e sobre como me sinto, sempre num esforço de montar o mosaico que é a vida de cada um de nós para sua apreciação um dia. uma experiência única, já que não sei o quanto isso já existe por aí e se haverá alguma outra pessoa contemporânea sua com a mesma experiência de ler os escritos de sua mãe destes anos que a maior parte de nós não lembra, a não ser através das anedotas familiares.

você vai ter mais que as histórias dos mais velhos — família e amigos — pra saber como foi sua infância, e acho que isso é bom. você conta melhor um dia como foi ler tudo isso!

mas hoje queria contar que tive momentos de profunda tristeza e pesar pensando no futuro, e não há absolutamente nada que se possa fazer a respeito. só posso registrar, aproveitando alguns minutos do meu tempo para oferecer mais de mim pra você — tenho hoje 41 anos, e você tem 3. sem nenhuma intenção nem motivo, projetei você para o futuro na idade que tenho hoje (como seria, como será?), e me dei conta que quando você tiver 41 anos eu terei 79 anos. SETENTA E NOVE. com sorte, claro, se eu de fato estiver ainda aqui (é muito provável, mas…). serei uma senhora muito idosa, enquanto você estará no auge da sua vida adulta.

sua avó e avô, meus pais, têm respectivamente 60 e 63 anos neste ano que escrevo. são senhores, claro, mas longe de serem idosos, são muito ativos e têm muitos anos pela frente ainda, tomando a história da família como referência. já têm netas de 12 anos, além de você, e é possível que conheçam seus bisnetos, se eles vierem.

fiquei tão triste, tão profundamente triste em pensar que no momento em que você chegar ao auge da sua vida eu estarei chegando ao fim da minha! queria conhecer você mais velho, meus netos, meus bisnetos. mas minha opção por ser mãe mais tarde, com tudo o que tem de bom, tem isso de mau (e não é pouco). sofri, porque pensei em como seria triste não ter meus pais por aqui em apenas alguns anos, que é o que provavelmente acontecerá com você.

meu filho, saiba que eu daria tudo pra poder ficar mais, o máximo possível, com você. que cada ano, mês, dia será precioso. que se soubesse que assim seria, eu teria trazido você ao mundo antes. mas aí, claro, você não seria você. e nada substituiria você sendo você, se é que me entende.

se cientista eu fosse, faria uma força-tarefa imensa a partir de agora para estender a vida, para chegar não aos 80 mas aos 120 para estar com você até que você fosse um senhorzinho. ver seus filhos e netos, se eles vierem. estar com você só mais um pouquinho.

mas sofrer e reclamar por ações passadas ou possibilidades futuras não faz parte da minha personalidade, e não sofrerei nem pensarei mais nisso. prefiro aproveitar os minutos e segundos agora, e não pensar sobre o que poderia ter sido, ou será. mas queria te contar que jamais senti um amor tão grande que trouxesse essa urgência de mais passado e mais futuro, que me fizesse sonhar com uma solução mágica ou uma máquina do tempo para reorganizar as eras tal que eu pudesse estar mais tempo com alguém no mesmo espaço/tempo.

saiba que amo você e a ideia da sua existência como jamais amei alguma coisa. e saber que você estará nesse mundo depois que eu não estiver mais é muito mais impactante e bonito que a existência de deus, alma, espírito ou qualquer dessas ficções. sua mera existência num mundo sem mim compensa o pesar de não mais ser (ainda que sendo como parte de todo o universo).

viva intensamente, meu querido. faça tudo que deseja fazer imediatamente, sem remorso, sem medo. a vida que existe é aquela desse instante, agora. seja feliz instantaneamente, e não perca tempo jamais elucubrando sobre o que será nem sofrendo pelo que foi.

somos felizes porque somos.

<3

jardim da infância, ano 1

já faz 1 ano que o otto começou na escola, nem acredito. pra nós ainda é tudo novidade, e nem sempre ir e ficar lá são tranquilos, mas tenho certeza que essa atividade é importante pra ele.

hoje fomos à reunião periódica com a professora da turma, e foi muito legal aprender um pouco como sobre ele se comporta quando não estamos junto. algumas coisas são exatamente iguais — a tendência de observar muito antes de tentar qualquer atividade, preferência por brincadeiras com poucas crianças e sem muito barulho, a tranquilidade e educação ao falar com as pessoas e explicar o que quer e não quer, todo o jeitão analítico bem caraterístico dele.

mas nos surpreendemos com coisas que ele só faz na escola, como por exemplo perguntar se pode levantar da mesa, se pode começar a comer, se pode pegar coisas que não são dele (nunca fez isso em casa, quem me dera!). soubemos que ele gosta de contar histórias para os amiguinhos, mas que conta com suspense, entonação, do início até o fim, perfeitamente, ao ponto de causar espanto. e que uma das brincadeiras que ele mais gosta é cuidar das bonecas e dos amigos menores, com a maior atenção. nunca imaginamos!

a professora fez piada chamando ele de “pequeno imperador”, dizendo que ele sabe muito bem o que quer e o que não quer, e expressa isso verbalmente sem o menor problema. e que DIRIGE os outros, inclusive os adultos, pra fazer as coisas do jeito dele. a minha irmã diz que o menino já nasceu gerente, e ela tem toda razão :)

mas a coisa que mais gostamos de ouvir é que ele brinca e se diverte com as demais crianças em atividades conjuntas, diferente do que achávamos (ele nos parece sempre muito isolado quando encontramos com outras crianças). só que não é qualquer criança — ele gosta de algumas (sempre as mais calmas), e simplesmente sai da brincadeira quando começa a virar muvuca.

e, claro, o apetite incansável e disposição para experimentar comidas e bebidas novas é sempre assunto. disseram que atualmente o problema das crianças no almoço é a famigerada beterraba, que todos querem trocar por outra coisa. menos o otto, claro, que além de comer tudo ainda faz questão de afirmar na mesa “eu ADORO beterraba!”

<3

diário do otto: 3 anos e 1 mês + 3 anos e 2 meses

otto,

este foi mais um daqueles meses que viraram 2, seja pela correria do dia a dia ou porque as grandes mudanças já não acontecem mais tão rápido.

a grande mudança que percebo (e também percebe quem vê só fotos) é física — você não se parece mais com um bebê e sim com um menino grande. seu corpinho agora é comprido, mais magro, o rostinho está perdendo aquela gordura dos bebês e a fofura. agora podemos ver um pouco do rapazinho que você vai se tornar em alguns anos. seu cabelinho continua bem claro, mas já não mais loirão como antes (apesar de clarear muito conforme o cabelo pega sol; quanto mais comprido, mais claro), suas perninhas e braço perderam as dobrinhas. e você também já não se comporta como bebê na maior parte do tempo (seu vocabulário e forma de se expressar verbalmente nunca foram de bebê, desde que começou a falar frases, o que é muito interessante).

dizem que a fase que começa aos 2 anos e vai até mais ou menos 5 anos é a “adolescência do bebê”, e a descrição é bem correta. seu temperamento não está nada fácil — discorda de tudo que propomos, nunca quer colaborar com a gente imediatamente (a não ser que seja ideia sua, ou que a gente convença você de que assim é :)), começou a não querer comer algumas coisas (nunca uma coisa só, varia conforme seu humor), briga pra fazer tudo. percebo que é uma queda de braço, a cada decisão a ser tomada. você simplesmente discorda por discordar, pra mostrar que tem vontade, e é um indivíduo independente de nós. acho saudável, e às vezes até engraçado, apesar de ser tão cansativo ter que negociar tudo como se fosse um caso de sequestro :)

a rotina da escola tem sido umas das mais difíceis — você agora não acorda espontaneamente antes de 7h, normalmente (a menos que seja domingo, claro, aí você acorda às 6h), e obrigar você a levantar, trocar de roupa, tomar café, sair, e entrar e ficar na escola tem sido um martírio. tudo acontece à base do choro e ranger de dentes. a mistura de sono/preguiça e ser-do-contra é explosiva, e tem nos estressado a todos. estamos tentando ter paciência nesta fase, porque sabemos que passa, como tudo, mas olha meu amor: tá dose.

o desfralde foi um completo fracasso, e voltamos atrás. mas como começou a esquentar de novo, decidimos comprar uma privadinha pra você, bem bonitinha e que tem até música (a esperança que você se interesse pelo processo e pelo menos TENTE). você achou a privada o máximo, mas quando conversamos sobre o assunto afirmou bem categoricamente: “não quero fazer cocô nem xixi na privada, quero usar a fralda”. não tivemos argumento, vamos precisar pensar um pouco melhor sobre como convencer você. não sei se estamos fazendo certo, mas achamos que você entende perfeitamente o que estamos propondo, e que na hora que estiver pronto você vai iniciar a mudança sozinho. (além do mais, não conheço nenhum ser humano adulto normal que não usa a privada, então tenho fé que há de acontecer em breve)

sua capacidade verbal, argumentação e raciocínio às vezes nos espantam (e não esqueça que eu e seu pai não sabemos muito sobre crianças, você é nossa única referência). você entende ideias muito complexas, coisas abstratas, e fala sobre elas com naturalidade. outro dia, lendo uma história, falou sobre um personagem “olha, ele desenhou ele mesmo!”, e achamos uma graça essa clareza sobre o que é o outro e a representação dele em imagem. você tem completo domínio de esquerdo/direito, e já nos explica caminhos quando andamos de carro em rotas conhecidas, antecipando os próximos passos “vira à esquerda, depois à direita e depois à direta de novo”. melhor que muita gente grande que a gente conhece!

seus desenhos estão melhorando muito também, já se vê algum traço com personalidade, que se repete. e para nosso espanto, você sempre que consegue pinta os desenhos todos dentro do contorno, com o maior cuidado e concentração. mesmo sem nunca termos dito que é “assim que faz” (e temos esse cuidado, seguindo as mesmas diretrizes da sua escola, que é favorável à interpretação livre). você é um menino concentrado, sério, observador, muito analítico. e fazemos de tudo pra que você desenvolva também outros aspectos de personalidade menos presentes naturalmente em você, como a ousadia, as atividades físicas mais intensas.

Desenhando a mamãe! <3

você continua sendo um menino muito carinhoso e sorridente, em especial conosco em casa, mas é mais contido com pessoas na rua e com quem não vê com frequência. procuramos respeitar sua personalidade, mas sempre ensinando que é importante dizer oi, tchau, obrigado. sua socialização com outras crianças é muito tímida ainda, você só interage com tranquilidade e felicidade com as crianças que já conhece, independente da idade. e isso tudo é muito diferente pra mim, meu querido, pois sou e sempre foi uma pessoa extrovertida, seu jeito é muito diferente do meu. mais uma coisa pra mamãe aprender com você — como é o mundo das pessoas introvertidas. e é sempre bom e rico aprender com você, ver o mundo com os seus olhinhos. eu me esforço bastante!

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essa noite você teve febre (passou o dia um pouco diferente, sem querer comer e com sono. foi dormir cedo, e aí — febrão), e nas altas horas você estava acordado, abraçado comigo (ainda dormimos juntos), e suas mãozinhas não paravam de mexer, passando no meu ombro, nas minhas mãos, no braço, mexendo na minha orelha. você costuma fazer isso quando não quer dormir — está quase dormindo e aí começa a mexer pernas e braços, pra “se acordar”.

pedi que você parasse, falei algo como “sossega, bebê, para com as mãozinhas, você precisa descansar!” e você respondeu com uma vozinha bem tranquila pra mim “mas eu só quero fazer carinho em você, mamãe”. e eu derreti feito um picolé na praia, abracei você bem forte, beijei bastante e deixei você fazer seu carinho, até dormir.

e pensei, não pela última vez, que por mais que critiquem pais e mães que permitem que seus filhos durmam na cama do casal, tenho certeza que estou fazendo a coisa certa. não só porque você ainda é muito pequeno (é natural que se sinta só dormindo sozinho no seu quarto) e queira se sentir protegido enquanto dorme, mas também porque esse carinho, essa proximidade física entre filhos/pais é única, e se perde conforme os anos passam. em muito breve você será um menino grande que vai querer experimentar todas as sensações físicas da vida, com outras pessoas. o meu tempo de abraçar seu corpinho, sentir seu cheiro, acariciar seus cabelos e ganhar muitos beijos e abraços vai passar. o carinho não acaba, é claro, desde que mantenhamos a prática de demonstrar nosso afeto fisicamente também, mas as noites dormindo abraçados acabam, e um desses dias vai ser pra sempre, quando você achar que é “crescido demais” pra isso. entendo, ficarei feliz quando esse dia da sua independência física chegar, mas tenho certeza que terei saudade. mas ao mesmo tempo, ficarei feliz porque uma das muitas coisas que pude ensinar a você é que proteger e ser protegido é bom, que demonstrar carinho fisicamente é bom, que é bom ser amado.

enquanto você não decidir que é hora de ter seu próprio espaço pra dormir, aproveitarei pra amar estes momentos de carinho tão único, que só conheci com a maternidade. nada se compara ao abraço e carinho de um filho. aquece o corpo, o coração e forma lembranças capazes de iluminar o dia mais triste.

<3

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nossos dias têm sido puxados graças às quedas de braço, mas muito divertidos também. você está apaixonado por alguns desenhos (cocoricó e wallace& gromit, juro que vi e alguns desenhos do mickey do youtube) e filmes (wall-e, lilo & stitch, detona ralph e ratatouille). vê mil vezes, e quer ver tudo de novo :)

temos muito orgulho do menino feliz e divertido que você é, é um prazer ver você crescer e se tornar uma pessoinha incrível!

beijo enorme da mamãe.

PS: fotos dos seus 37 e 38 meses.

como educar para o NÃO consumo

essa é a pergunta de um milhão de dólares, e para a qual (desculpem) não tenho a resposta. mas tenho minhas reflexões e algumas práticas/fé para compartilhar.

eu consumo muito mais do que devo (ou posso, às vezes) e preciso. acumulo roupas, sapatos, bugigangas, móveis e enfeites, jogos, músicas, filmes, livros. não me engano com o discurso de que algumas coisas são “acervo”. são bens de consumo, são supérfluos, não preciso de 90% do que possuo. mas gosto de consumir, de ter, acumular.

(e não sou, nem de longe, a pessoa mais consumista e apegada que conheço!)

cada vez que faço faxinas na casa me dou conta do quanto eu compro. cada vez que junto o lixo reciclável me assusto com o volume de embalagens que estou descartando. pra que tanta coisa, pra que tanta embalagem?

e sendo assim, consumista, como criar meu filho para ser menos consumista e deixar de querer TER tudo, comprar coisas? é possível na nossa sociedade criar um ser humano que não seja consumista, que seja minimamente blindado contra a propaganda, o apelo de comprar?

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para entender melhor a questão do consumismo e iniciativas de proibir ou pelo menos controlar melhor as propagandas dirigidas para o público infantil, conheçam o movimento infância livre de consumismo.

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acompanho este movimento desde seu nascimento, acho propaganda dirigida a crianças uma coisa execrável, mas sempre fui contrária à intervenção do estado nesta questão. minha lógica é a seguinte: propaganda precisa de veículo, e quem dá acesso a ele são os pais/responsáveis. eliminando o veículo, acaba a influência, certo?

mais ou menos (e por isso cada vez mais acho que seria sim benéfico o estado controlar este tipo de ação de marketing), porque quando a criança é muito pequena é simples “blindá-la”, basta evitar canais de TV e locais de consumo de produtos infantis (parques de diversão, shopping, etc.). conforme a criança cresce e começa a conviver com o restante do mundo fora da sua própria casa, o bombardeio é constante e muito forte. outdoor, folheto, gibi, amiguinhos, familiares, novamente a TV, etc etc etc. quando paramos para prestar atenção a esse assunto, percebemos que somos regidos pelo consumo, o tempo todo. tudo ao nosso redor grita COMPRE COMPRE COMPRE.

nós já estamos embebidos nessa realidade, amortecidos, não percebemos mais (e compramos, compramos, compramos). quando chega um novo humano no mundo e começamos a prestar atenção a esse assunto, é assustador. e avassalador também, é quase impossível evitar a imersão nessa cultura. afinal, precisamos comprar para viver.

precisamos mesmo? é essa pergunta que me faço, e sem entrar em nenhuma onda hippie, que não é meu estilo. não tenho intenção de viver sem dinheiro ou sem comprar. mas venho pouco a pouco (últimos 15 anos) tentando reduzir meu nível de consumo. considerando que meu salário aumentou consideravelmente nestes 15 anos e que continuo gastando praticamente tudo que ganho, fica claro que minha tentativa não é exatamente um sucesso. mas analisando meus gastos, vejo que consumo muito em comida, habitação e… viagens. ou seja — como bem, moro bem e viajo muito, e é aí que vai a maior parte do meu dinheiro (consegui guardar também, pra morar ainda melhor!). já não gasto mais tanto dinheiro em roupas e artigos de luxo pra uso pessoal; mas ainda gasto bastante com transporte (2 bons carros, que nos levam da nossa boa casa pros bons lugares que gostamos de ir) e muito com eletrodomésticos, por exemplo, que poderia reduzir. pouco a pouco, vamos analisando e cortando aqui e ali, focando no que é importante pra nós.

continuo consumindo muito, sim. mas cada vez mais no que é essencial pra mim, pra nós da família. menos “coisas”, e mais vivência (boas refeições, espaço em que convivemos, viagens juntos). chegaremos lá, tenho fé.

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ainda precisamos comprar, sim. não plantamos nossa comida (mas uma parte dela já começamos a plantar), mas preparamos nossas refeições; não construímos nossas coisas, mas procuramos comprar diretamente de quem constrói ou produz; contratamos serviços que não queremos fazer; viajamos de avião, mas também procuramos viajar de carro, dentro do nosso país; os carros ainda são indispensáveis, diante da escolha de moradia que fizemos, mas quem sabe um dia podemos andar a pé, de bicicleta, ou mesmo de moto? uma opção para o futuro.

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com o otto, tomamos algumas medidas que por enquanto têm funcionado bem. conforme ele vai crescendo, o desafio é maior, mas somos criativos e tenho certeza que encontraremos alternativas educativas e saudáveis para lidar com a situação. ele tem 3 anos, e não precisa ainda de “educação para o consumo”. falarei da minha opinião sobre mesada e coisa parecida no próximo bloco.

- não levamos o menino para fazer compras de nenhum tipo, a não ser que seja inevitável. comprar não é “programa”. saímos para comprar somente o que precisamos, e deixamos a criança em casa (ou vamos juntos quando a babá está em casa, ou 1 vai e o outro cuida dele)

- não costumamos falar sobre comprar/ter coisas. procuramos sempre falar sobre usar as coisas, trazer as coisas, emprestar as coisas. por exemplo: “otto, a mamãe TROUXE um presente” (e não COMPROU um presente). pode parecer besteira, mas acho que essa abordagem tira o peso/fetiche da compra

- não falamos sobre dinheiro nem sobre caro/barato com ele ainda, não damos “valor” para nada. e como ele não nos presencia comprando quase nunca, não faz a correlação coisa-dinheiro. se ele vê alguma coisa e quer, e eu considero caro, simplesmente falo que não vamos levar aquilo naquela hora, que aquele item é da loja e fica por lá

- não usamos coisas (trazidas ou compradas :)) como prêmio, é simplesmente uma surpresa, um agrado

- não comemoramos dia de mãe, pai nem criança. não damos importância a presentes no aniversário ou natal, procuramos dar mais ênfase ao evento que aos presentes (a festa, a visita dos amigos e família, a comemoração em si). ou seja — no aniversário, sempre falamos da alegria que é receber a visita de fulano, que veio especialmente para o aniversário, e não que o fulano deu o presente X

- fazemos questão que quaisquer presentes pra ele sejam recebidos diretamente por ele, das mãos de quem deu, e pedimos que ele agradeça. consideramos extremamente importante que ele perceba que a pessoa é mais importante que o presente (ou que o presente é importante porque ALGUÉM pensou nele). somos completamente contra o sistema de colocar os presentes num montão, que ele vai abrir depois. até hoje, todos os convidados são recebidos por nós e por ele, e o presente é dado pra ele diretamente

- ele simplesmente não vê TV. só assiste programas no IPad (youtube ou outros), DVDs, NetFlix, tudo sem pausa ou propaganda. ponto final.

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conforme o menino for crescendo, vamos explicar que as coisas custam dinheiro, e algumas coisas custam mais ou menos. vamos tentar usar a quantidade de unidades de medida de $$ para explicar, mas sempre procurando ensinar sobre querer ou não querer trocar o $$ pelas coisas, e se realmente precisamos daquilo ou se é mero desejo.

acho muito importante ensinar que as coisas têm valor monetário, que trocamos dinheiro por coisas, e em especial que o dinheiro é algo que se ganha. muito me incomoda a ideia de mesada por ser um dinheiro dado, e não ganho. ora, se a ideia é ensinar como funciona o mundo, por que alguém simplesmente dá dinheiro a outro, sem trocar por nada?

também me desagrada dar mesada ou dinheiro à criança em troca de tarefas que ela devia fazer simplesmente por ser parte da família/comunidade. não acho certo dar dinheiro em troca de arrumar a cama, ou ajudar na limpeza e organização da casa. isso faz parte das atividades comunitárias. faz mais sentido pra mim ganhar uns trocados por lavar o carro, cuidar do jardim (coisas que normalmente nós aqui pagamos para outros fazerem). ainda não sei como vamos lidar com essa questão. tanto eu quanto o fer fomos crianças sem mesada, nossos pais davam dinheiro para coisas que precisávamos ou queríamos, sob demanda específica, não tínhamos dinheiro “nosso”, pra gastar ou guardar.

entendo a lógica de dar mesada para ensinar a “administrar o dinheiro”, essa é uma habilidade útil na vida. mas acho que ensinar a consumir minimamente e (por exemplo) convidar a ajudar a administrar as despesas da casa  em conjunto podem ser formas alternativas de ensinar (por que não? eu faço tudo numa planilha excel, e posso perfeitamente convidar o otto mais velho a me ajudar, analisar junto. quem sabe até ele aprende a usar planilha cedo? :D)

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como disse no começo — não tenho respostas definitivas, tenho crenças e ideias. os itens que coloquei ali no meio a gente já pratica, e o otto não simplesmente não pede pra comprar coisas, nunca. ele pede coisas — “mamãe, você me trouxe um presente?” ou “papai, eu queria um chocolate!”. mesmo quando vamos aos lugares que têm coisas à venda, ele não pede pra comprar, ele simplesmente “quer”. e aí, ou levamos ou dizemos que aquele ali não vamos levar agora, quem sabe outro dia.

ele não associa natal, aniversário e nenhuma data com o fato de ganhar presentes ou coisas, por enquanto. por outro lado, procuramos valorizar bastante as festas, as pessoas e as viagens. no aniversário dele e nas festas em geral, costumo preparar tudo em casa, e “fazer” presentes pra ele (cartão, álbum, etc.). também peço que as pessoas não tragam presentes comprados, que façam algo pra ele ou mesmo reciclem coisas das suas crianças. quase ninguém faz isso, mas quando fazem é sempre lindo (e já percebi que ele próprio valoriza muito presentes personalizados).

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mas dizia que mudei de ideia em relação ao controle de propagandas, porque a concorrência é mesmo desleal. e as pessoas que não estão tão engajadas quanto nós nessa cruzada contra o consumismo? e os que precisam da TV como babá pra ter 1h de sossego e cuidar da casa, da vida? e as mães e pais solteiras/os, que precisam levar seus filhos onde vão porque não têm com quem deixar? e quando ele ficar na casa de amigos, ou não estiver numa escola tipo waldorf como o otto?

precisamos de toda a ajuda que tivermos. é sim nossa obrigação como educadores ensinar nossos filhos a ser menos consumistas, e acho que todos os esforços devem ser feitos. mas se não tivemos alguma ajuda, a tarefa fica hercúlea e muito estressante para os pais.

então, continuarei investindo nestas pequenas ações cotidianas e também apoiarei ações maiores para ajudar o mundo a ser menos consumista. no que depender de mim, o otto será muito menos consumista do que eu fui/sou.

apanhado do facebook

[outubro] Vi Lilo & Stitch mil vezes antes do Otto nascer e agora que ele também é fã estou vendo mais mil vezes. E não enjôo. Morro de rir na cena da troca da bomba entre o Stitch e o cientista; choro quando Stitch vai se despedir <3

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[outubro] e agora tudo que a gente pede pro otto fazer e ele não quer (quase tudo, diga-se), ele responde “não! eu vou FUGIR!” e sai correndo.

fico dividida entre rir muito e chinelar o menino. #bodegaiato

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[outubro] me incomodei com a tal tabela de mesada compartilhada esses dias no facebook (tem foto no artigo), e deixei passar. nunca tive mesada e não pretendo dar mesada ao Otto. gostei muito do texto, concordo 100%.

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[outubro] excelente texto (em inglês) sobre obediência, tema que abordei esses dias no blog. concordo muito.

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[outubro] como é maluco o cérebro das crianças — estou em casa, numa conf call com meus colegas nos USA a tarde toda (em inglês). o Otto está por aqui, andando e prestando atenção ao que estou fazendo, quietinho. há poucos minutos ele foi na pilha de livros e trouxe um livro que “fala” os números em inglês, quando aperta no lugar certo, e está aqui brincando do meu lado  incrível né?

detalhe: ele não faz aula de inglês, nem escola bilíngue, nem ensinamos em casa. o livro foi presente da Léa. ainda não estou convencida dos benefícios ou impactos de ensinar outros idiomas tão pequeno, por enquanto ele só é exposto a outros idiomas como parte da vida social (ou indiretamente graças à minha profissão).

livro sobre o assunto que me indicaram:  “Raising a Bilingual Child”, Barbara Zurer Pearlson

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[outubro] Ser mãe de moleque que vive no mato é dar banho, enxugar e CATAR CARRAPATO. <o>

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[outubro] como bem diz o Felipe, é preciso educar nossos filhos sobre os riscos e consequências de vazamento de informação privada na internet. Lamento que ela não tenha sido orientada, ou não tenha percebido o que poderia acontecer.

Já sobre a reação ao vídeo, convido você a pensar qual seria se fosse um homem. Se ele seria xingado, julgado, humilhado.

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[outubro] 74% das meninas acham que têm menos poder que meninos. Sabe quem pode mudar isso? Você, eu. Mudando a forma como tratamos as meninas e os meninos. Pra que em 20, 40 anos as coisas sejam diferentes.

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[outubro] casas perfeitas, pessoas perfeitas, zero bagunça e nenhum sinal da existência de crianças. pra quê?

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[outubro] Ontem o Otto parecia belzebu encarnado pela manhã (duvida? Pergunta proAlexandre ou Fernando, que presenciaram). Levantou, foi vestido e deixado na escola à força, berrando.

Hoje acordou, comeu, vestiu e ficou na escola todo feliz.

Alguém explica?

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[outubro] Sou partidária da rotina rígida para crianças: horário certo pra acordar, comer, dormir. Temos feito assim nestes 3 anos, e acho que ajuda muito. Mas quando a gente abre exceções (e abrimos, porque afinal os desvios são parte do caminho também :D) se lembra porque as regras são tão úteis.

Otto foi o capeta encarnado na sexta e sábado pra dormir. Nível disque-homem-do-saco-litoral-norte. E passou a noite acordando, sonhando (brigando no sonho, reclamando e discutindo), chorando. Acordou ontem e hoje até com olheiras de tanto drama a noite toda.

(Nem conto do estado dos pais, zumbis)

Chegando em casa, mesmo
1h deslocado na rotina, jantou direitinho, tomou banho, escovou os dentes, colocou pijama, deitou e pronto. Sem drama.

Santa rotina, EU TE AMO.

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[outubro] Mostrei essa foto do perfil pro Otto e perguntei quem era. Ele olhou bem e disse: “VOCÊ!” 

Ou seja, tô igual \o/

As 3 graças

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[outubro] Pra quando o Otto quiser saber sobre a morte, é simples: we are made of stardust.

Nem céu, nem alma, nem nada disso. Simplesmente nossa matéria volta ao universo, de onde veio.

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[outubro] (texto do papai)

Otto, 3 anos: “Eu tava tomando banho, tranquilo, quando de repente aconteceu uma coisa muito estranha: acabou a água quente! Não deu tempo de ficar limpinho” (17x)

1. Deu tempo.
2. Com essa pontuação.

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[setembro] Olha, acreditando ou não em astrologia é divertidíssimo observar e comparar os arquétipos. O Otto é virgem com ascendente em virgem. E é completamente hipocondríaco, AMA um remedinho, está achando o máximo ter um curativão no braço.

Hoje o Fernando levou ele na pediatra pra ver o estrago, e ele enrolou ela pra não tirar o curativo externo (e mais chamativo). Quando finalmente ele cedeu, exigiu que colocasse o curativo de volta (foi pro outro braço), e agora ele é um menino contente, com 2 curativos.

(e a lua em Áries dele garante que sempre terá uns machucadinhos pra mostrar, pra desespero da mãe)

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[setembro] No sábado visitamos a Fernanda e Alexei, e a pequena deles, 1a10m, sentou do lado do Otto na mesa pra almoçar. O Otto deu um chilique por motivo X, e começou a chorar. Ela chegou perto dele, passou a mãozinha na cabeça dele e ofereceu COLO com os bracinhos! 

Viramos todos uma poça de baba e arco-íris.

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[setembro] os germes são nossos amigos :) artigo em inglês.

o maior de todos os medos

fui pesquisar no blog se já tinha falado de medo antes, pra não me repetir demais, e descobri que a palavra apareceu bastante. não me espantei, porque uma das coisas que descobri é que depois de ser mãe/pai o medo toma uma proporção completamente diferente e muito maior.

o medo é definido como uma emoção causada pela percepção de perigo ou ameaça, um mecanismo de sobrevivência básico. a menos que você venha com defeito de fábrica, sente medo, a emoção não devia ser novidade pra ninguém. mas eu não sabia o quanto o medo podia ser tão maior, e apavorante, quando se trata dos nossos filhos.

o medo de perder um filho é mais forte que o medo de perder a própria vida. sério: a ideia de morrer é muito melhor que a de perder um filho. se houvesse escolha, estou certa que os pais escolheriam morrer no lugar dos seus filhos.

eu não sentia esse medo antes do otto sair da barriga, quando ele ainda era feto. mas depois que ele nasceu, e vi seu rosto, pele, cabelos bagunçados, ouvi sua voz e senti seu cheiro, um “clic” aconteceu. e não é amor (pra mim, o amor veio gradualmente), é algo como uma pré-programação, é não-racional. no momento em que aquele ser existe e respira, ele é sua responsabilidade, e você moverá montanhas pra que ele sobreviva. está no nosso código genético, na programação do nosso cérebro, e você agirá de forma tal que a prioridade número 1 da sua vida será aquele bebê. mesmo com toda ajuda do mundo, é você o responsável. aquele bebê precisa sobreviver.

a seleção natural é um poderoso instrumento de formação de seres perfeitamente adaptados para garantir que seus descendentes sobrevivam, através do imperativo genético.

antes mesmo de engravidar, quando estava tentando, eu tinha pesadelos recorrentes de que carregava nos braços uma criança imunda, magrinha e chorando, porque eu não conseguia cuidar dela e nem alimentá-la. eu andava desesperada pelas ruas, pedindo ajuda com a criança nos braços, em vão.

e antes de sequer querer engravidar, tive um sonho apavorante que levei pra terapia: eu acordava no meu quarto, na penumbra, e no canto havia uma criança (4, 5 anos) parada, quieta no cantinho, olhando pra mim. não havia nada de mau, feio, sinistro na criança, tipo demian (mas era um menino :)). era só inusitado (no meu quarto, escondida, à noite), mas eu sequer chegava a questionar o motivo — sentia um medo visceral, uma vontade de sair correndo, horrível. e ao elaborar mais a imagem, sobre a criança, veio à tona meu enorme medo de ser mãe, de ser responsável por alguém, de sentir medo pela segurança e saúde de outra pessoa que não fosse eu mesma.

o contexto de nascimento do otto foi muito especial, e apavorante. bem normal que eu tivesse medo dele morrer, ou ter alguma sequela. mas quando ele voltou pra casa, o tempo passou e ficou claro que não havia nenhum problema grave (segundo o pai, só ficaremos 100% tranquilo quando o menino fizer MBA, hahahhaaha!), o medo deveria passar. mas não passou — eu conferia se ele respirava; qualquer suspiro me fazia sentir ansiedade; quando ele chorava eu chorava junto. tinha vontade de fazer ele voltar pra barriga (no meu controle, claro, dentro do MEU corpo), pra proteger, cuidar, preservar.

o tempo passou e descobri que o medo na verdade não passa. o que acontece é que a gente acostuma com ele, e outras coisas práticas e mais urgentes se sobrepõem a ele, ficam mais evidentes. o medo fica em background, é incorporado como parte do dia a dia.

ouvi uma vez uma história muito interessante sobre percepção da realidade, através dos sentidos: alguém que nunca enxergou na vida, se de repente tivesse a capacidade de visão restaurada de uma só vez, enlouqueceria. a quantidade de informação que recebemos é imensa, e só conseguimos lidar com o fluxo de informação porque desenvolvemos a capacidade de filtro, pouco a pouco, desde recém-nascidos. os bebês escutam, vêem e sentem de forma diferente, o sistema neural aprende a captar e decodificar os sinais externos pouco a pouco, é um mecanismo de absorção gradativa, até pra não dar tilt no cérebro. aos poucos, aprendemos a focar no que é importante (ou nos interessa) e “desfocamos” tudo que é segundo, terceiro plano. as coisas continuam existindo, mas com menor importância e impacto, pra que a gente consiga sobreviver num mundo com infinitos estímulos.

já li também que pessoas que têm algum tipo de disfunção de percepção/decodificação e filtro sofrem muito (alguns autistas, por exemplo), e os bebês que mais choram e precisam de colo/conforto nos primeiros meses são justamente os que têm dificuldade de lidar com o excesso de estímulo. ou seja — seus filtros não são formados ainda e eles são sensíveis em excesso.

mas voltando ao assunto: creio que o mesmo se aplica ao medo. ele continua lá, enorme e sempre presente, mas em segundo plano, porque afinal a vida chama e as coisas práticas precisam ser feitas.

no último fim de semana o otto se machucou — andava no nosso terreno, onde construiremos nossa casa, e caiu. eu e o pai estávamos atentos, prestando atenção a onde ele ia, etc., mas não olhamos com tanta atenção assim, assumindo que no chão havia o que há nos chãos: terra, pedras, gramas, insetos. pois que no pedaço de chão que ele caiu, escondidos entre as gramas e as terras e pedras, havia pedaços de ferro de fundação cortados. com pontas. de 10cm. enferrujados, afiados. e ele caiu por cima de 2 destes ferros, quando tropeçou (havia mais). aquele corpinho frágil, fofinho, delicado de criança de 3 anos caiu em cima de ferros afiados e enferrujados. e tudo o que aconteceu foram 2 arranhões — um pequeno, na barriga (a roupa segurou) e o outro enorme, no bracinho descoberto. rasgou a pele, num machucado bem feio mas que aparentemente não doeu e que pouco sangrou. ele foi bem corajoso, não reclamou do machucado (mas reclamou da assepsia no posto de saúde, e muito).

a coragem dele, tão pequenininho, foi o que me sustentou e impediu de chorar, não quando vi o machucado (apesar de ter morrido de pena), mas quando vi os ferros no chão, e pensei nas 1001 possibilidades de terror daquela queda. ferros no peito, na cabeça, no olho, no rosto, no pulmão, e etc. etc. etc. e o medo me invadiu como uma cachoeira, voltando de enxurrada ao primeiro plano. pra me lembrar que não, ele não sumiu, ele está sempre lá, me espreitando, e que vai me pegar cada vez que uma situação de risco normal se transforma em desastre potencial ou real.

abracei aquele corpinho frágil, morrendo de medo e culpa (COMO eu não vi os ferros? como eu deixei meu bebê, minha prole, meu descendente, se arriscar?), e um pouco morta por dentro. fiquei com medo de novo por 1 ou 2 dias, e depois ele voltou ao segundo plano. até a próxima.

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(o assunto abaixo não é diretamente relacionado ao medo, mas acabou aparecendo enquanto escrevia esse texto, resolvi deixar aí)

algumas pessoas comparam o amor/preocupação com filhos e com animais de estimação. tenho ambos, e tive animais antes de sequer pensar em ter filhos, e entendo a comparação. mesmo depois de ter filhos, não me ofendo com a comparação, pois entendo que as pessoas sem filhos querem de alguma forma mostrar que sentem empatia pela sua situação, o trabalho que dá, etc. não é a mesma coisa, isso é fato, mas a correlação ajuda a achar coisas em comum a 2 universos paralelos.

(e ainda acho que ter ferrets dá mais trabalho que ter filhos, em alguns aspectos :))

digo que são paralelos porque, de fato, não dá pra comparar o amor, preocupação (e o medo) que se sente em relação a um filho com aquele que se sente em relação a um animal de estimação. perder um animal é triste, perdi nada menos que 10 nos últimos 12 anos. mas nada, nada sequer se parece com o medo de perder seu filho, é basicamente o fim do mundo e da vida.

se você tem filhos, eu não preciso explicar isso; se você não tem, não adianta explicar.