Ensino fundamental, dia 2

Volta às aulas, dia 2:
Bem-vindo de volta, belzebu-menino!
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Mãe: “Otto, vamos jantar?”
(Leia com a voz da Reagan)
BM: “NÃAAAAOOO. VIDEOGAME.”
(Mais 10 minutos, ok)
Mãe: “Otto, hora de tomar banho.”
BM: “NÃAAAOOOO. BRINCAR.”
Mãe: “oito e quarenta, Belz…Otto. Tá de noite, e você tá cansado…”
(Piscando duro)
BM: “EU NÃO TOU CANSADO. EU **NUNCA** TOU CANSADO.”
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PADRE KARRAS, CHEGA LOGO!

Astronomia 

Pirilampo voltou <3
E as perguntas também:
“Por que a Terra gira?”

“Como é que a Terra virou um planeta?”
(… terei que pesquisar pra ver como responder sem exagerar)
“Eu quero fazer todas as perguntas do mundo!”
❤️❤️❤️

Moana

Acabo de sair do filme, muito feliz e emocionada.

Eu chorei. De emoção mesmo, porque o filme acabou e não tem príncipe, tem só ela descobrindo que ela pode, e deve, salvar todo mundo. Não sem ajuda, porque ter ajuda é muito bom. Mas íntegra, independente.
(ALERTA DE SPOILER)

E o nêmesis final me emocionou DEMAIS. Depois da busca pelo anzol na terra dos monstros vem o confronto final com o monstro de lava. Moana procura o local onde estava o coração que ela precisa devolver e percebe que está vazio, e no peito do monstro tem uma espiral idêntica à do coração.

Ela então vai ao encontro do monstro e devolve o coração perdido, e ele se consolida na deusa que estava desaparecida.

O Otto ficou bastante encanado com o monstro e o fato dele ser também a deusa.

“Ela se perdeu de si mesma sem seu coração, Otto,” expliquei, “e a Moana devolveu o que ela precisava para voltar a si.”

A explicação foi mais pra ele que pra mim, eu acho.

Milagres cotidianos

Pergunta de criança nunca é trivial, né? A de agorinha, olhando “a cidade” pela janela no quarto dele (pelo vidro):
“Por que eu só consigo enxergar lá fora olhando pra sombra que minha cabeça faz na janela?”
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Mais cedo:
“Por que os insetos existem?”
Eu: “Porque eles podem. Tudo que é possível, existe.”
“Pois eu queria que os insetos não existissem”
(Ele se refere aos mosquitos. Eu concordo, desculpem sapos e lagartixas)

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Domingo teve uma sequência boa também:
“Por que a gente precisa respirar pra viver?” 
“Todos os animais têm pulmão?”

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Não é muito amor a gente voltar a observar os pequenos milagres que pra nós ficaram banais?

Receita

Otto queria tanto cupcakes que colocou no calendário dele: BOLO / CUPCAKES (“mas se é um CÃPCAKE, por que escreve com U?!”).
Primeira coisa que ele me fala quando chego do trabalho: “é hoje o dia do cupcake!!!!”, e lá vou eu fazer.
Basicamente o que faço é a receita de banana bread de chocolate que é escândalo de boa, em formas de cupcake. Ele sempre me ajuda, adora. “Mas hoje não quero amassar a banana, só misturar”.
Ok — banana, ovo, manteiga (“por que precisa derreter?”), farinha, sal (“SAAAL?!”), cacau em pó peneirado…
“Olha, é uma farinha de chocolate!”
É, mas mistura com calma que ele tá muito fininho e voa e…
“VOA?! Oba, PFFFF…”
Assopra tudo, achando o máximo que voou mesmo pó de chocolate pra todo lado.
NÃO, meu amor, olha só tudo sujo de chocolate e… (arranca os cabelos por dentro, vendo celular mesa cadeira pano tudo cheio de pó de cacau)
“Ah, desculpa. É que eu queria ver se voava mesmo. Voa.”
Como briga com esse menino, gente? Não dá.
❤️
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“Posso lamber a vasilha??”
Pode tudo, menino, pode tudo.

Astronomia

Na sequência das perguntas malucas…
“Mamãe, por que as estrelas brilham?”
“Existem nuvens no espaço?”
“Por que as estrelas são redondas?”
“Como as estrelas ficam igual ao sol?”

Futuro do presente

No turno da noite…
“Papai, por que fizeram os pratos de um jeito que eles quebram?”
“O ferro quebra?”
“O que é o umbigo?”
“Quando eu crescer eu vou ter a barriga grande e fofinha que nem a sua!” (essa foi pra mim)

“Olha a ‘fundidade’ desse buraco!”

“A parte que eu mais gosto do amor é o beijo!” ❤️
“Mas eu também gosto da parte da flor. Eu quero plantar uma flor pra você, mamãe!”
“Existe alguma coisa maior que o espaço?”
“As luzes quando fica de noite são tão lindas!”
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Escrevo tudo que lembro, todos os dias, porque de um jeito que não sei explicar eu SINTO que um dia vou reler estes escritos e chorar, chorar, chorar de saudade de ver o mundo com estes olhos tão novos.
O que me consola é que sou feliz e sei que sou, nesse exato instante.

Bê-a-bá

Otto é uma criança tão peculiar com a linguagem… me encanta.
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Hoje ele deitou nas minhas costas, na banheira, e falou “mamãe, os seus pêlos estão arranhando!”. Expliquei que não eram pêlos, era a pele que estava seca, ÁSPERA, e esfregando com bucha ficaria macio. Ele amou a ideia, pegou a bucha e lavou minhas costas!
Enxaguou (existe essa palavra?!) e testou com as mãos — “olha, sumiu a ASPEREZ!”
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Eu lia agorinha pra ele a história do Homem da Lua, li o nome do autor, William Joyce. Ele, que vem acompanhando as palavras escritas e comparando com o que falamos, comentou: “mas eu falaria JOY-KE, e não JOYCE.”
Expliquei que o C quando antes de I e E tem som de SS. E quando antes de A, O e U, som de K.
“Eu escreveria VOCÊ com S e não com C. Por que é assim?”
Aí você me pegou, moleque. Toca estudar pra explicar amanhã.
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“Mas mamãe, por que o moço que escreveu essa história conta ela desse jeito, e não de outro? Eu faria o começo igual, mas o meio e o fim diferentes.”
E discorre sobre sua versão — obviamente melhor <3 — da mesma história.
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Não sei se é porque o menino fala pouco, mas nunca me canso de ouvir as coisinhas que passam pela cabeça dele.
Acho que ser mãe é encontrar poesia e cor nas coisas mais mínimas da vida de uma criança.
❤️