indiana jones

Tomei uma decisão impulsiva e coloquei “Caçadores da Arca Perdida” pra ver com o Otto.

Gente, tem sangue pra caramba, piada inapropriada pra idade e bebida a rodo; nunca tinha percebido e nao lembrava! Bom, ele resolve depois na terapia né?! 😀

Pergunta do Otto que me deixou rindo aqui e deu uma super oportunidade: “mas ele [Indiana] é mocinho?”

Depende né? 🙂

Muito legal ter protagonistas ambíguos, diferente dos filmes clássicos de bem x mal.

Mas não sei como lidar com o final (que eu tinha esquecido) e o Fernando me lembrou… 😬

 

**

 

Reação do Otto no fim de “caçadores da arca perdida”:

– “Por que vocês me fizeram assistir um filme DE TERROR?!”

– “essas caixas… podiam mandar todas pro espaço né?”

– “o que são nazistas?”

 

Prêmio de piores escolhas em entretenimento para crianças <== podem me mandar todos. Ganhei.

peter pan

Otto ontem deitado na cama (“a hora da filosofia”) me disse, chorando — “mamãe, eu não quero crescer. Os adultos trabalham mais do que brincam, e eu quero continuar brincando mais do que trabalho!”.

 

😞

 

Expliquei, claro, que ele vai ter oportunidade de trabalhar com algo que o divirta também, é uma questão de escolha. Dei seu exemplo, Elias, que trabalha fazendo algo que adora e o diverte.

 

Mas ele tem tanta razão. A gente não pode esquecer de que é preciso se divertir, não deixar a vida adulta nos embotar.

usá-lo-ei

[maio, 2016]

Otto, 5a9m, e as construções linguísticas mais improváveis na boca de uma criança:

 

Pai: “otto, onde você vai com isso?”

 

Otto: “vou guardar, CASO EU QUEIRA usar mais tarde”

 

Pode ser presidente interino, já, ou devo ensinar mesóclise antes?

universo

Que lindo esse vídeo sobre as distâncias entre os planetas no sistema solar!

 

A pergunta do Otto hoje, no jantar: “qual é a importância do espaço, do planeta, de tudo?”

 

Como responde esse tipo de pergunta?

 

Falamos que a importância é relativa; e conversamos sobre o Big Bang. Comentário dele sobre o assunto:

 

“Explosões não CRIAM coisas; elas DESTROEM coisas.”

 

Ah, mas não é justamente esse o grande mistério e encanto no início de tudo, que já era tudo antes da explosão?

 

Explicamos que o Big Bang é como se espalhássemos uma caixa lotada de legos pelo espaço, e no decorrer de muito MUITO tempo as coisas fossem se encaixando infinitamente.

 

“Os números são infinitos né? Mas existem muitos mil legos.”

 

Existem. E aqui estou eu, pensando sobre a finitude dos legos e a infinitude do espaço.

 

Tenha filhos, e jamais deixe de se espantar com a capacidade deles de fazer perguntas absurdamente profundas.

aos poucos, nasce um vegetariano

Lição de casa do Otto, de ciências (uma delícia <3), tinha uma questão pra classificar os bichos em carnívoros (onça), herbívoros (coelho) ou onívoros (porco).

Ele fez direitinho, pensou e me disse: “sabe qual o meu favorito? É o HERBÍVORO”.

Já vi tudo.

introvertidos, esses seres de outro planeta

Achei que entendia introvertidos até o Otto crescer e se manifestar com a sinceridade mais pura, e percebi que os introvertidos mentem pra sobreviver.

 

Eu: “Otto, qual a coisa que você mais gosta de fazer no mundo?”

 

Otto: “ficar sozinho.”

 

Eu: “como assim?! Mas e brincar com os amigos, não é legal?”

 

Otto: “é sim, mas eu acho brincar sozinho mais legal.”

 

Um ser de um planeta diferente do meu. Me ensina todo dia que é fundamental admitir e respeitar que existem formas de viver e ser feliz diferentes das minhas.

dia das mães

Numa das minhas séries de livros favoritas da vida, Duna, estão as Bene Gesserits — um coletivo exclusivo de mulheres, pautado por questões sociais, religiosas e políticas. Elas são uma força poderosa desse universo (literalmente, já que existe viagem espacial, e elas vão a todos os lugares), temidas e reverenciadas.

 

Além de terem desenvolvido técnicas de controle dos seus corpos e mentes, que as transforma em humanas sobrenaturais — têm poder de autocura, sintetizam antídotos, lêem expressões corporais sutis, controlam a própria ovulação e qualquer outra função corporal — essas mulheres têm domínio consciente das suas memórias genéticas. Através de um ritual de alto risco, elas restauram as memórias de todas as mulheres da sua linhagem genética, acumulando o conhecimento de todas as suas gerações.

 

A combinação dessas duas coisas — autocontrole e conhecimento ancestral — faz delas a maior força do universo.

 

Elas controlam quando procriam, só se submetem se assim o desejarem e escrevem sua própria história, influenciando e desenhando a história do universo.

 

**

 

Hoje é dia das mães, e não há uma sequer entre nós que não traga consigo a mãe, e seu legado. Esteja sua mãe presente ou não, uma versão dela vive em você. É a ela que você recorre quando precisa fazer esse papel — tendo filhos ou não.

 

Minha mãe está viva e forte dentro e (sorte minha; vida longa a ela) fora de mim. Mais que cuidado e proteção, ela me entregou (e ainda entrega) uma história de tantas mulheres que vieram antes de nós, que erraram e acertaram para que estivéssemos aqui. Ela me ensina sobre não ser eu, mas uma multidão de outras que vieram e virão.

 

Amigas, irmãs: a mãe que existe em mim saúda a mãe que existe em vocês. Sobrevivemos. Vamos mudar o mundo, com amor e força.

 

❤👊🏻

a auto-estima do seu filho ;)

Otto hoje teve que escrever e ler a letra de uma música que ele gostasse muito para os amigos (todas as crianças apresentaram). Ele escolheu “peixinhos do mar” (a do Milton, linda, amo). Eu quis saber como foi:

 

Eu: “e aí, amor, me conta como foi a leitura pros amigos!”

 

O: “eu só li a primeira parte, mas os amigos gostaram mesmo assim!”

 

Eu: “puxa, que legal! E você, de qual música mais gostou?”

 

O: “bem, pra ser sincero eu gostei mais da minha própria.”

 

Eu: “HAHHAHAHAHA [eu ri alto mesmo, não deu] bom, te entendo…”

 

O que fazer com essa criança?

melhor assim

Cheguei na escola pra buscar o Otto falando no celular com a Kelly.

Errei feio, errei rude — o menino me viu no telefone e fez cara de muito puto. Mesmo eu indo dar beijo e falando com ele enquanto falava com a tia.

Desliguei, perguntei umas coisas e depois já no carro perguntei:

 

Eu: “você ficou bravo que a mamãe tava no celular?”

O: “é, fiquei sim.”

Eu: “é porque não te dei atenção?”

O: “é.”

 

Eu: “você tem razão — quando for te pegar não vou mais estar no telefone, tá?”

 

O: “é, eu acho que assim é melhor mesmo.”

 

JESUSMARIAEJOSÉ, essa criança.

meleca

Antes de ser mãe, eu pensava: nossa, tomara que meu filho não seja essas crianças melequentas e ranhentas, acho nojento!

 

(Há muitas coisas que a gente acha a respeito de crianças e maternidade antes de ter filhos que depois só consegue pensar: 🙄)

 

Primeiro que o conceito de “nojento” foi bastante modificado depois do processo de cuidar de um bebê. Bastante MESMO.

 

Segundo que o nariz do Otto simplesmente não escorre. Acho que vi o nariz dele escorrer uma, duas vezes, em quase 8 anos.

 

Que sonho né? Não. Porque não é que não tem meleca, ela tá lá dentro. E ele aspira, mantendo tudo lá dentro e contaminando o canal do ouvido (ouvido e o nariz são conectados por canais finíssimos, que quando entupidos por UMA GOTA de meleca… infecção).

 

Ou seja — menino com infecção de ouvido desde terça (a boa notícia é que quanto mais a gente cresce, menor a incidência desse tipo de doença).

 

Cuidado com o que deseja.

 

Bom dia!