respira!

Gente, que dó. É o Otto *todo santo dia*.

 

Ontem peguei ele na escola 10min mais cedo (eles têm o final do período pra brincar no pátio):

 

O: “ahhh mamãe, eu queria brincar mais um pouco!”

 

Eu: “não tem problema! Se quiser ficar mais a mamãe espera você, pode brincar e depois vamos.”

 

O: “mas eu não quero chegar em casa depois que o sol sumiu…”

 

Eu: “hmmm. Entendi. Mas aí tem que escolher né? Ou brinca mais aqui ou aproveita o sol lá em casa. As duas coisas não dá.”

 

Não pode brincar pra sempre? 💔

dirty job

Toda uma DR sobre hora de assistir desenho, comportamentos mais ou menos adequados e a importância da tarefa para a boa manutenção do relacionamento filho <> pais. Tudo aparentemente OK.

 

Eu: “ótimo, Otto! Então vá lá fazer sua tarefa e depois jantar.”

 

O: (bufando) “ain. O trabalho sujo sempre sobra pra mim!”

 

🙄😂

vocês sabiam?

Otto acordou verborrágico. Parou só depois do almoço (tá lá em silêncio brincando de Lego há umas 2 horas); passou a manhã contando histórias (pro meu pai, que suportou estoicamente as elucubrações e explicações do humaninho) e fazendo perguntas.

 

“Vocês acreditam em aliens?”

 

“Peixes têm cérebros?”

 

“Vocês sabiam que o cérebro dos robôs é uma placa inteligente?”

 

“Vocês sabiam que o cérebro dos robôs não é na cabeça?”

 

“Todos os planetas giram em torno de um sol?”

 

“Esse peixe [do prato] já foi um peixe de verdade?” (TENSO)

 

Ele tá ligado nas grandes questões atuais da humanidade, esse menino 😀

boolean

Otto fazendo lição hoje cedo, tinha uma questão que era escrever 5 palavras com V ou F. 🙄

 

Depois de muita negociação ele escreveu. Vou conferir… 5 palavras com V.

 

Eu: “Otto, mas tudo com V? Precisava colocar F também!”

 

O: “mamãe, é V *ou* F, e não V *e* F.”

 

Eu: (…) “… verdade. BOTA UMA COM F AÍ PRA ME AGRADAR ENTÃO, VAI!”

 

O: “F-L-O-R”

 

🙄❤

um príncipe na família ogra

Pai e mãe #decesárea sentam na mesa, jantam, conversam, comem sobremesa e o pai subitamente percebe que a quiança…

 

não jantou.

 

😱

 

E #paisdecesárea comeram quase toda comida.

 

Mas sobrou, ufa, faz um ovo.

 

F: “Otto, a janta tá pronta, vem comer!”

 

(alguns minutos passam, escuto passos na escada)

 

O: “oi, desculpem a demora. Estava vendo desenho.”

 

Não sei como esse menino cresceu assim polido, sendo filho do Shrek e da Fiona.

 

😬

a morte, ela.

SOCORRO, FEYSSE!

 

Otto neste momento fazendo lição:

 

O: “papai, a morte é gostosa?”

 

F: “explica melhor a pergunta, pra eu poder responder”

 

O: “quero saber se a morte é ruim ou gostosa, porque se eu morrer antes dos cientistas descobrirem como não morrer, eu quero saber como é”

 

Os dois pais, silenciosamente:

 

AHHHHHHHHHHHHH MEODEOS.

 

Como lidar?

 

**

 

UPDATE: ele queria saber sobre depois da morte mesmo, como nos sentimos.

 

Explicamos que depois da morte, ninguém sabe. Mas que uma parte interessante da morte é que nosso corpo se transforma em outras coisas, e voltamos pro universo.

 

E que muita coisa pode mudar até à época dele morrer, que ainda temos muito que descobrir.

 

Ele ficou interessado nos cientistas, e nas descobertas. Menos mal, parece mais curioso que preocupado.

 

Aguardemos até o próximo capítulo…

não lidamos bem com mudanças

Tou aqui, mas acompanhando. Todo dia é uma. Mudou a professora do Otto, avisaram hoje. Fernando lidando com a mudança:

 

F “Otto, qual o nome da outra professora que está na sua sala e que vai ficar no lugar da Ana Paula?”

O: “Eu não sei”

 

(Escrevi Pamella em um papel e entreguei para ele ler. Ele leu em voz alta)

 

F: “Otto, você já ouviu esse nome antes? Conhece alguém que tem esse nome?”

O: “Não”

 

*HAHAHAHA* (risos histéricos)

 

F: “Otto, esse é o nome da sua professora nova!”

 

E fiz ele repetir 7 vezes para decorar. 

 

Mais 7 e a gente conjurava ela aqui na cozinha mesmo

5min!

Eu: “Otto, quando tempo você ainda precisa?!” (Segunda vez que pergunto; ele não respondeu a 1a)

 

O: “eu tou pensando! Você tá sem paciência né?”

 

Eu: *rolling eyes*

 

O: “5 minutos, ó”

maternidade não deve ser obrigação

[fev-2016]

Eu coloquei foto sobre ser mãe, quando azamiga convocaram [a respeito de uma corrente de Facebook mostrando fotos dos filhos, e de como é bom ser mãe]. Porque, meu, ser mãe é louco: eu reclamo muito, puxo os cabelos, acho muitos momentos insuportáveis. Porque a gente é julgada o tempo todo, e a gente se julga também. A carga é pesada (física e emocional), e sempre tem alguém pra dizer que a gente tá fazendo errado, pouco, muito. Nunca tá bom. Aí achei legal olhar do lado positivo né? Me animei.

 

E levei um balde de água fria porque ouvi dizer que essa “campanha” era uma resistência à descriminalização do aborto! Fiquei chateadíssima, porque eu, mãe, sou 100% a favor da descriminalização do aborto. Quem faz aborto não é SÓ porque não quer ser mãe. Tem mãe que faz aborto. Tem não-mãe que faz aborto. Aborto não diz nada sobre seu caráter nem sobre seu desejo / capacidade de ser mãe. Não diz nada sobre o quanto você gosta ou desgosta da função, não diz nada sobre o quanto você é boa mãe.

 

Descriminalizar o aborto é questão de saúde pública e de direitos da mulher!

 

Mas voltando:

 

Inicialmente achei meio estranho algumas mulheres resistindo em compartilhar aspectos positivos de ser mãe. Mas percebi que achei estranho porque eu reclamo bastante 😀 e consigo me posicionar muito bem sobre tudo que me incomoda. Sou privilegiada, neste aspecto entre tantos outros, essa é a verdade, e não tinha me tocado disso.

 

Vendo a reação que teve o post da mãe que disse amar o filho e odiar a maternidade (I HEAR, YOU, SISTER), ficou claro que nossa sociedade é escrota com as mães que não atendem ao padrão propaganda de margarina e não têm lastro pra lidar com isso.

 

Eu lido com os mesmos dramas, mas tenho uma condição que me permite passar por eles e mandar um foda-se pra quem me encher o saco. O pai do meu filho é um parceiro, e não mais um fardo pra eu carregar. Minha família não me enche o saco (e se encherem eu tenho como mandar catar coquinho).

 

Dito isso tudo, não podia deixar de colocar esse texto pra complementar as lindas fotos com o Otto. Não existe nada mais incrível que amor de filho, pensando no aspecto puramente afetivo, é verdade. É lindo!

 

Mas a maternidade é foda, sim. E um mundo mais feminista vai ajudar muito a tornar essa experiência mais plena e mais leve.

 

**

 

E tem a obrigação de ser mãe, pra completar.

 

Não tem. Ninguém precisa ser mãe. Ser mãe não torna ninguém melhor que ninguém. Não ser mãe é uma ótima opção (mais sustentável inclusive). E você pode ser mãe sem ter filhos, sabe? Pode sim. Tem gente que é mãe dos pais. Do amigo.

 

Ser mãe não é nada além de desempenhar (mais uma) função. Às vezes será feliz e às vezes não. E nem todos precisam desempenhar a função. O mundo não será melhor nem pior.

 

É totalmente legítimo e lindo não ser mãe. Chega de mais essa cobrança.

P I Z Z A

[fev-2015]

A gente não ensina o Otto a ler, porque achamos que não precisa e que ele terá todo tempo do mundo pra aprender, mas preciso contar pra vocês que hoje ele “leu” (reconheceu, né) a 1a palavra da sua vidinha! (Além de OTTO que ele conhece há um bom tempo, claro)

 

***

 

PIZZA.

 

Hahahhahahahahha 🙂 Atestado de ogro assinado e carimbado, junto com a confirmação de DNA.

 

Parabéns, papai Fernando, excelente trabalho! \o/