apanhado do facebook: abril

A lógica imbatível das crianças 


Fernando: “já demos tchau pra vó Maria Lucia, pra tia Paula e até pro vô Gê. Agora já vamos voltar pra casa, pode dar tchau pra Marília!”

Otto: “não, pra Marília não!”

Fer: ” por que não?”

Otto: “Porque Marília não tem OLHO, papai!”

<3

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Otto hoje estava insuportável. Chorão, manhoso, reclamando de tudo. Estava já perdendo a paciência, quando chegou o motorista e fui me trocar, avisei ele que estava saindo, e tudo ficou claro: “eu não quero que você vá pro Chile, mamãe” 

Foi a 1a vez que ele reclamou, desde que nasceu. Nunca chorou quando eu saí, e nunca saí escondido. Ele me beijou e abraçou, deu tchau e desejou boa viagem, sem chorar ou reclamar. Mas explicou antes que eu saísse: “eu não gosto que você vá pro Chile”.

Eu também não gosto, pequeno.

Suponho que vocês tenham ouvido daí o barulhinho do meu coração se partindo. <\3

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Temos um problema de Páscoa: dei pro Otto um coelho de chocolate e ele se recusa a comer, porque “o coelho não quer ficar sem alguma parte, mamãe!”

A sugestão do Fernando é guardar até ele esquecer, e esquartejar o pobre tal que o Otto não reconheça os pedaços e coma sem culpa.

Me pergunto como será quando ele se der conta de onde vêm o salame, o frango, o bife…

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E hoje logo cedo teve mais um round da mãe-palhaça versus menino-pé-no-chão.


Hoje na entrada da escola teve teatrinho de Páscoa, e eu fui. Mas eu queria fazer uma brincadeira, e decidi prender o cabelo com “orelhinhas”. Fiquei na dúvida entre uma orelhinha toda presa no alto ou prender tipo maria-chiquinha estilo orelhão de cocker. Deixei uma de cada tipo pra ver se o Otto tinha opinião. Ele tinha.

(Fernando me viu de orelhas e riu, claro, como uma pessoa normal)

Eu: “Otto, a mamãe vai fazer orelhas no cabelo pra ir ver o teatro de Páscoa!”

Otto: “mamãe, você já tem duas orelhas!” (ele foi inclusive conferir com as mãos, as duas estavam lá)

Eu: “eu sei, meu amor, mas é de brincadeira. Qual delas você prefere — a pequena ou a grande?”

Otto: “mamãe, eu prefiro sem orelhas.”

Fui sem, né. Fuén.

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hoje percebemos um problema no delicado equilíbrio familiar: toda sexta (ou véspera de feriado, claro) é dia de pizza aqui em casa, desde que casamos. e a pizza é de 3 sabores: são 2 ou 3 pedaços pra mim (depende da fome), os demais pro Fernando.

só que agora o Otto também quer comer pizza no nosso ritual sagrado, e nós estamos felizes por incluí-lo nessa importante tradição da família paulistana, mas… o menino come TRÊS PEDAÇOS DE PIZZA. sozinho (se desse mais, acho que comia mais).

o Fer está de dieta, portanto. ou teremos que pedir 2 pizzas 

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Morrendo de rir aqui com Fernando — Otto passou o dia cantarolando “down to earth” do Peter Gabriel (ele ama Wall-e, lembrem), mas do jeito dele, já que não fala inglês, né. SUPER gozado (filmei, depois subo).

Acabamos de vir conferir o menino, que cantava DORMINDO a música!

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Hahahhahahaha (morrendo de rir) do Otto:

– “TRIIIM-TRIIIM!”
(Pega uma embalagem de brilho labial que estava em cima da pia e coloca NO OUVIDO, à guisa de telefone)
– “Alô, controle de pragas! Como posso ajudá-lo?”

x


DESSE JEITO. Um patrocínio de Wallace & Gromit n’A batalha dos vegetais! :D

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Não acho que encontrar crianças que gostem de vegetais seja uma missão impossível, conheço várias. E cada vez mais acho que os primeiros meses de alimentação são essenciais para “moldar” a relação da criança com a comida.

(Lembrando que pais neuróticos com alimentação ou cheio de restrições eles mesmos = … Adivinha?)

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levamos (significa — o Fernando levou, eu só agendei :D) o Otto no dentista pela 1a vez esse ano, com 3a7m. morríamos de medo, porque ele é daquele jeito, né (“NÃO ME PEGA!”). na 1a visita ele obviamente soltou um “NÃO ME PEGA” pra pobre dentista, mas logo ficou amigo dela e amou a cadeira cheia de funções. incrivelmente ele já deixou olhar os dentes todos na 1a vez, e pra nossa tranquilidade está tudo ótimo, só precisava mesmo limpar, já que aparentemente nem a escovação nem a pasta-placebo da Weleda estão dando conta.

ele voltou então pra limpeza, e depois de inspecionar TODO o equipamento, ficou encucado com a água que sai do caninho: “mas de ONDE vem essa água?” perguntou pra dentista, encantada com a lógica do menino analítico.

também aproveitamos pra perguntar sobre o uso da chupeta (ele ainda usa pra dormir, somente), e pelo menos nele não teve efeito absolutamente nenhum: nenhuma alteração, tudo perfeito.

agora é planejar pra tirar de vez, ainda esse ano. ele não é exatamente dependente da chupeta (dorme sem, às vezes esquece de pedir), mas tem um relacionamento ali… e do jeito que ele sempre foi chato pra dormir, morremos de medo de mudar qualquer coisinha na rotina.

a ver. vamos lá pra mais uma mudança 

(mas pelo menos os dentes estão perfeitos. segundo a dentista, o fato de não comer doces quase nunca, se alimentar bem e escovar pelo menos 2x/dia é o segredo. e olha que ele tem dentinhos desde 5 meses e meio!)

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Otto: “Mamãe, você sabia que ontem eu fiz cocô no chão?”
Eu: (PAVOR) “Não! Mas onde foi?”
Otto: (rindo) “No chão da sala de brincar!”
Eu e Fernando: (AHHH! <o>) “Que sala de brincar?!”
Otto: “A da tia Kelly! Mas foi muito mais ontem!”

3a7m, aprendendo a posicionar fatos no tempo.

(Em tempo: Ufa.)

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Eu não sei onde o Otto aprende essas coisas, sério. Hoje passei na saída da escola dele pra dar um beijo (estava indo pra Valinhos), ele ficou todo feliz. Aí expliquei que ia embora, até mais tarde, beijo e “Tchau, amor!”. Estava saindo e ele me solta essa: “Tchau nada, vem aqui!”. Assim, bem mandão (como sempre, né, Kelly?)

Pior que eu voltei  #mãemole

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Descobri uma coisa que eu odeio mais que acordar cedo — acordar o Otto cedo.

O menino acorda devagar, e gosta de dormir até umas 8h (isso porque vai dormir normalmente às 20h). O processo é lento e doloroso. Além de não ter ideia de quando vamos ensinar o rapazinho a se vestir, porque se fosse depender disso pra sair de manhã teríamos que acordar às 5h pra sair 7:30h.

Se naquela época de bebê pequeno alguém me dissesse que eu ia preferir ele acordando às 6h a ter que acordá-lo, eu teria rido. (E eu preferiria)

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Ensinando pro Otto a respeitar o NÃO alheio, o que o outro gosta / não gosta, o limite físico do outro, o desejo de não querer alguma coisa.

Como é difícil! Porque a única coisa que recebemos em troca ao abrir mão do nosso desejo é a apreciação do outro. Mas isso também é tanto, e tão grande. Quero que ele perceba, logo que possível. Mas o mundo-umbigo dele ainda não permite, acho.

E enquanto isso ele chora e me explica que “quando alguém fala que não quer uma coisa, mas EU QUERO uma coisa!”.

É bonito ver um humano se formar, mas aprender a escolher dói. A gente acostuma, mas dói.

diário do otto: 3 anos e 6, 7 e 8 meses

otto,

parece que agora minhas cartinhas serão a cada 3 meses, pelo menos. suponho que quanto mais você crescer menos terei a atualizar e contar pra você, e desconfio do porquê: agora converso com você, e consigo expressar em cada momento como me sinto, e escrever aqui parece um pouco redundante (embora não seja, já que você não vai se lembrar de muita coisa dessa época). por mais que você não compreenda a dimensão de alguns assuntos que conto por aqui, e do seu próprio desenvolvimento, cada dia mais você interage como um ser humano :D

farei um esforço pra manter as cartinhas, pois acho que será super legal você ler depois, mais velho, sobre seu próprio desenvolvimento e personalidade nessa idade.

sempre leio o diário anterior pra ver como as coisas estavam na última vez que escrevi, e uma mudança importante que percebi (e seu pai também, e ele está muito contente com isso) é como ficou mais fácil cuidar de você, agora que já é um menino mais crescido. já não usa fralda, come sozinho (demora e faz uma bagunça, mas…), conversa com a gente, explica como quer brincar, entende quando explicamos as coisas. no fundo, agora é possível negociar com você — mesmo que não goste do que estamos falando, você ouve e muitas vezes entende. muito diferente de lidar com sua versão pequeno-homem-das-cavernas :)

ainda temos episódios de homenzinho-das-cavernas, mas somente quando você está cansado ou com fome (o que é totalmente compreensível, pois até a mamãe com 42 anos é assim até hoje quando está cansada ou com fome!). no mais, conviver com você e estar ao seu lado tem sido muito divertido.

tiramos nossas sonhadas e aguardadas férias para os Estados Unidos com a tia Kelly e a Julia, e foi muito legal. fomos para NYC com você, mas apesar de ter gostado de várias coisas (caminhar no parque, ir aos museus, andar de táxi e de metrô), essa parte da viagem foi um pouco difícil pra você, e pra nós. o frio estava ainda muito intenso (mas você não reclamou de nada, e até disse que gostou do frio), e a cidade é muito cheia. andar com uma criança do seu tamanho em NYC não é tarefa fácil, e seu pai teve que carregar você muitas vezes. o que você mais gostou, de longe, foi estar com sua tia e prima, e andar de táxi e metrô. trouxemos de lá vários carrinhos (sua nova paixão) e em especial o táxi amarelo, que você adorou e carregou pra todos os lados (e te conto um segredo: sua prima de 12 anos gostou tanto do táxi também que demos uma miniatura de presente pra ela!).

dali fomos para o grand canyon, que foi mais gostoso pra todos nós — mais aberto, mais quente. pudemos caminhar bastante, andar de ônibus e carro, vimos paisagens incríveis e muito pouca gente. mais silêncio e um visual inesquecível. a viagem de volta foi muito cansativa (saímos do hotel de las vegas às 9:30 da sexta e chegamos na nossa casa em Vinhedo ao meio-dia do sábado), mas você não reclamou nenhuma vez. não deu trabalho nenhum em especial na 2a parte da viagem (em NYC você estava mais irritado, eu acho), e foi um amor. as pessoas inclusive elogiavam você no meio da viagem, vendo como você convive com as demais pessoas da forma que sempre ensinamos você: com respeito, com educação. temos muito orgulho de você ser essa pessoa tranquila e educada que você é <3

vou escrever um post separado sobre a viagem, mas foi muito legal e você gostou. nós também adoramos sua companhia!

na escola você está ótimo, a gente nem acredita — você agora ama ir para a escola, apesar da resistência inicial. o ambiente é ótimo, você gosta e está aos poucos se soltando. até o momento você mantém seu jeitão introvertido, não gosta muito de muita gente junta (nem crianças), e nem de crianças que gritam, ou fazem muita algazarra. você prefere brincar com as crianças mais velhas, e ainda assim desde que não sejam agitadas demais. aos poucos estamos tentando ensinar você a conviver com as outras crianças, incentivar a chamá-las pra brincar (e é curioso que você chama — não é tímido. a questão não é timidez, parece que não quer mesmo se envolver em certos tipos de brincadeiras). acredito que nosso maior desafio atualmente é integrar você nas brincadeiras com outras crianças, e ver se você prefere mais a companhia de crianças que de adultos.

seu interesse pelas letras, números e até pelos desenhos diminuiu, agora você quer brincar com suas coisas, e com as pessoas, criando suas próprias brincadeiras, o que é bem legal. você começou a inventar histórias, cenários, diálogos, e é muito divertido observar como funciona sua cabecinha. agora conseguimos entrar nas suas brincadeiras, e nos divertir bastante juntos.

a alimentação continua ótima, mas um pouco mais difícil de administrar em função das distrações — agora você quer brincar, e não sentar pra comer :) mas o apetite continua ótimo, e o gosto pelas comidas mais saudáveis também. mês passado você foi ao dentista pela 1a vez, e tudo está OK com seus dentes. a única coisa que precisamos fazer é uma limpeza, que seu dentinho está amarelinho (não sabemos se é comida, ou escovação pouco eficiente. vamos limpar e depois observar). estávamos preocupados pois você ainda usa chupeta pra dormir, mas como é só pra dormir, aparentemente não fez nenhuma diferença! \o/

seu sono está excelente, ainda dormindo com a gente, e com planos de ir dormir no seu quarto assim que mudarmos para a casa nova (e você tá empolgado com o “seu quarto”). mas confesso que não tenho pressa, porque dormir e acordar com você é muito gostoso e eu sei que quando eu menos esperar você vai estar se mudando de casa e indo pra faculdade… :)

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menino, o tempo voa, e só vejo seus cabelos crescendo como grama, suas perninhas ficando mais fortes, o rosto menos bochechudo, os pezinhos criando calos. você já pula com os 2 pés fora do chão (e eu que nunca soube que isso era importante?), ensaia escovar os dentes, e quer fazer coisas sozinho. mas se recusa a colocar roupas e sapatos, um curumim. bem ou mal, eu gosto de ajudar você. acho que é meu jeito disfarçado de esticar o máximo possível sua dependência (que é pouca) de mim, curtir meu bebê-que-não-é-mais-bebê, e aproveitar cada minuto do seu cheirinho, seu corpinho fofo e seu riso que ilumina os dias mais nublados, que faz a noite virar dia.

espero que um dia você leia estes escritos e consiga capturar uma faísca do tamanho do meu amor, do encantamento que é assistir sua vida desenrolando, seus caminhos se fazendo conforme você anda. mesmo quando minha mão já não estiver mais segurando a sua e você andar só pelo mundo, estarei presente quando você escolher ovos mexidos pro café porque “lembra a casa da mamãe”.

amo você, pirilampo!

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aqui tem fotos desses meses deliciosos: 3 anos e 6 meses3 anos e 7 meses3 anos e 8 meses.

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esqueci de contar uma coisa super legal que começou a acontecer nesses meses: você está cantando “em outros idiomas”, é de morrer de rir (e de fofura). a primeira música que você cantou foi “down to earth” (peter gabriel), e depois deslanchou e começou a cantar outras, inclusive em italiano (“fui no tororó”, que você adora uma animação que tem no youtube). claro que você não fala esses idiomas — mas você repete as palavras direitinho (nem todas, o que deixa tudo mais engraçado), e pronuncia muito bem grande parte delas! super interessante de observar.

da páscoa e outras tradições familiares

Antes de ser mãe eu não percebia tão bem as pequenas nuances da criação da memória, e das lembranças afetivas. Não me dava conta da maravilha do ritual da preparação das refeições em família — porque no dia a dia era mecânico, prático, mas nas festividades, estar junto fazendo algo em comum era a essência da comemoração. O resultado (a comida, comer) era só mais uma coisa. O sabor daquelas refeições era maravilhoso porque o processo todo de preparação alimentava o coração. O estômago e a boca só acompanham e reverberam o amor e a felicidade de estar junto, mãos com mãos, fazendo um pouco da nossa história conjunta.

Faço absoluta questão de construir para o Otto essas memórias conjuntas. O preparo de um peixe, a poda das plantas, a canção cantada em coro. Porque nada do que eu deixar pra ele vai ser mais importante ou duradouro que as memórias profundas, aquelas que assaltam a gente no domingo de manhã ao provar um pedaço de chocolate.

Te amo Mami VeraKellyKitoArina. Mandem um beijo pro meu Papi aí. Manhãs de Páscoa me lembram vocês.

happiness only real when shared.

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Esse ano, ao invés de patinhas, resolvi fazer charada  Como foi a 1a vez que o Otto teve contato, tivemos que dar dicas de como funciona. Quando ele entendeu, adorou, e correu pro castelo pra achar a cesta de ovos 

(E esse ano ele adorou a cenoura mas quis comer o chocolate! Hahahhahaha)

apanhado do facebook: março

Antes que fique muito longe, vou contar uma das histórias engraçadas da viagem com o Otto. Nos USA é bem comum todo lugar turístico ter lojas de bugigangas. Camiseta, pedra, canivete, tudo que é coisa. E bem no meio da passagem, tornando a tentação grande demais. Na região da Rota 66 e Grand Canyon, tinha demais, e a gente sempre parava pra ver porque as coisas eram muito legais. Até que.


Numa das lojas, num hotel, deixamos o Otto solto, ela estava vazia, que mal tem né? Orientamos pra não pegar coisas e boa. Daqui a pouco escutamos ele berrando, vamos lá — tem uma senhora conduzindo o menino (fisicamente, mas daquele jeito distante de americano) pra fora do escritório, restrito a funcionários. Ele tentou entrar, ela não deixou, e gentilmente levou ele pra fora.

O menino odeia contato físico de desconhecidos (às vezes até de conhecidos) e fez um drama digno de novela. Choroooooou, no colo, de soluçar. A senhora ficou até sem graça, coitada. Enfim, passou.

Pois depois, cada vez que avisávamos que íamos parar num hotel o Otto fazia uma cara séria, e perguntava “mas não tem LOJA esse hotel né?”, numa entonação que dizia LOJA = CÂMARA DE TORTURA.

Pobre dele, ficamos com pena, mas foi inevitável gargalhar todas as vezes que ele perguntava se ia ter LOJA.

(Ou — como ensinar o não-consumismo pavlovianamente)

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A Nai tá de férias com a tia Paula desde que viajamos, e como o Otto não é muito fã de cães, achamos que ele não ia ligar. Mas ele ligou  Depois de uns dias, e até na viagem, ele perguntava: “onde tá a Nai?” — “de férias com a tia Paula!”. Ele pensa, e fala bem sério “mas eu quero que ela volte, tá?” <3

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Hoje ele me ajudou (mesmo!) a fazer o jantar: picou pimentão e cogumelo (esse último fez direitinho), tomate, pepino. E agora tá felizão, comendo <3

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E para registro, o Otto experimentou pela primeira vez na vida bala (PEZ – roubou da prima e amou) e mc lanche feliz NUM MOTEL EM VEGAS.

Comeu a maçã (quantidade ridícula de pouca), descartou o pão do hambúrguer e comeu a carne e o queijo, só. Ignorou a batata. Jantar sensacional! #paisdecesárea

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Sou super extrovertida, e sou mãe de uma criança introspectiva. É super difícil, porque além de ter expectativa de que ele seja como eu, fico preocupada achando que algo está errado com ele por não ser como o mundo espera que todos sejam.

Ele não é de conversar e gostar de contato físico com a maioria das pessoas, inclusive e principalmente as da idade dele (na escola por exemplo), o que me deixa apreensiva e preocupada (o que será dele, com esse comportamento, mais tarde?!). Mas esses dias aqui com ele me deixaram mais tranquila, pois ele é uma matraca com a Júlia e a Kelly, e até brincou com a Viv da Raquel, mesmo tendo encontrado e ficado só um pouco com elas.

Como é difícil aceitar e conviver com pessoas diferentes de nós, afe. Quando são nossos filhos então, o desafio é ainda maior.

apanhado do facebook: fevereiro

O: “você quer um pedacinho do meu pão, mamãe?”

Eu: “quero, dá!”
O: (impish smile) “eu não vou te dar NADA!” (E enfia tudo que tinha na boca)

Lembrei de você, Arina! (Cc Vera e Kelly)

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Hoje quando fui tirar o menino do banho ele abriu os braços, sorriu e disse “sabe que eu gosto MUUITO de você, mamãe?” e eu virei uma poça de purpurina derretida. #caiuumcisco

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Ótimo texto sobre carregar o bebê (inclusive os maiores) junto ao corpo e principalmente sobre a descoberta das coisas pelos pais, junto dos filhos.

Eu pensava, imediatamente antes de ler esse texto, no quanto o Otto (e nós, claro) é privilegiado e feliz por viver todos os dias em contato constante com a natureza. A exploração das plantas, terra, pedras, areia, bichinhos, sempre foi a diversão preferida dele, desde de 3 ou 4 meses. A gente andava com ele pelo jardim e ele olhava e tocava tudo, encantado. A lua, contei outro dia, sempre foi um espanto. E as estrelas, as flores, folhas, frutos, sementes, formigas, besouros. Carros, caminhões, bicicletas e skates (já maiorzinho) são incríveis, e ele ama.

Como as pessoas criam seus filhos em apartamentos é algo que me escapa. Eu sei que é possível, claro, a questão é: o que essas crianças FAZEM, sem estímulo da natureza, que ajuda tanto a despertar os sentidos e a curiosidade?

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Fiquei aqui pensando que uma coisa que ajudaria muito a diminuir a misoginia no mundo seria parar de ensinar nossos meninos que ser machão agressivo tosco é legal.

Uma das coisas que tenho adorado na pedagogia Waldorf é que as brincadeiras e atividades envolvem atividades cotidianas como limpar, cozinhar, consertar, costurar, construir, fazer artes manuais. Pra meninos e meninas, igualmente.

Os meninos cuidam das bonecas, as meninas constroem, e vice-versa.

O mundo seria mais igual se fôssemos ensinados igualmente desde sempre.

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Eu não aguento as conjugações verbais, juro. É muito  (cc Anna)

Eu: “Otto, vou sair do banho e colocar pijama enquanto você brinca na água mais um pouco. O que você acha?”

Otto: “Ah, eu acho muito estranho, mamãe. Eu preferia que você ficasse aqui comigo brincando!”

Desse jeitinho, tudo certinho. E eu fico, né.

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gente, o Otto hoje cantando a música do jumento, TODA, quase morro de fofura 

(e lembrei de você, Eliana)

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Otto ama a lua desde bebezinho, ele ficava encarando a lua no céu mesmo de dia, com um sorrisão e falava “uáá!”

Hoje deixei a janela aberta até anoitecer, e a lua nasceu bem na linha de visão da minha cama, onde ele dorme.

De pijama, pronto pra dormir, fui fechar a janela e ele pediu: “mamãe, deixa a janela aberta que eu quero ver a lua só mais um pouquinho!”

Como negar? 

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Meu filho lindo de 3 anos pede com cara de gato de botas: “mamãe, posso comer uns biscoitos com leite?”

Menino jantou direitinho, por que não?

Não. Porque o #paidecesárea COMEU TODOS OS BISCOITOS! <o>

Fim.

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O Otto com 3 anos entende, e o Facebook não:

(Tomando banho comigo)

Otto: “você tem teta, né mamãe?”
Eu: “tenho sim, amor! Tenho DUAS! 
Otto: (olhando pro próprio peito) “olha! Eu também tenho teta!”

É tudo teta, gente. Larga de frescura.

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gente, o otto aprendeu o método/formato “quando as pessoas dizem pra gente fazer X, eu NÃO QUERO fazer X, você entendeu?”. e tá usando pra tudo.

por exemplo: “quando as pessoas dizem pra gente TOMAR BANHO, eu não quero tomar banho, você entendeu?”

é engraçado nas primeiras vezes, mas depois começa a irritar, sabe? 

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Decreto para todos os fins encerrado o desfralde do Otto \o/

São três semanas sem nenhum incidente, usando banheiro em tudo que é lugar e fraldas secas depois de 10, 12h durante a noite, dormindo. (Agora resta criar coragem e não colocar mais a fralda preventiva :D)


Nós tentamos o desfralde a 1a vez 1 ano atrás (ele estava com 2a3m) e desistimos, porque ele claramente estava resistente. Deixamos chegar o próximo verão e começamos de novo, e aí foi tranquilo. Realmente a criança precisa estar pronta e disposta, não adianta forçar.

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Vou compartilhar de novo, com um recado pra quem tem desejo de ter filhos: esses momentos de observação das pequenas e grandes descobertas do ser humano em desenvolvimento são absurdos de tão mágicos. A gente fica “cego de tanto ver”, e as crianças que vemos crescer de perto nos curam da cegueira.

E é dessa experiência antropológica que eu falo quando digo que nunca sonhei ser mãe, mas ISSO me interessa.

E é MEGA foda. Vale o trabalho animal que dá criar criaturas.

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Fora a fase do “quando um adulto diz…”, que tá hilária. Hoje foi “quando um adulto diz que a gente tem que fazer alguma coisa, a gente não PRECISA fazer, sabe?”

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Otto tava a pura inspiração hoje <3

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“A Eva é muito brava, e o Wall-e é feliz”, explicando pra avó sobre os personagens do filme.

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Maria: “meu amor, vem cá!” (chamando o menino)
Otto: “o amor saiu!”

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Otto chamando a avó Maria Lucia e eu: “olha aqui, MEMINAS!”

Eu não sei o que é mais fofo — ele chamando a gente de “meninas” ou o meMinas.

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Eu: “gato, tá bem tarde, o desenho não acabou mas a gente precisa parar e amanhã continua, tá bom?”

Otto: “tá bom.”

(5 segundos depois…)

Otto: “já tá amanhã?”

Ô PECADO. </3

apanhado do facebook: janeiro

– “Otto! Dá um abraço na mamãe? Eu tava com muuuuita saudade de você.”

– “Mamãe, e o que é saudade?”

Ahhhhhhhhhh  <3

(Estou amando a fase das perguntas!)

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Tou amando os desenhos do Otto!

Esq: saci no redemoinho (!); Dir: Curupira

 Esse é um saci à esquerda, dentro de um redemoinho (idéia dele!); à direita é o Curupira, e eu amo o cabelo (e UM dente, hahhahaha)

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Minha mãe Vera pediu ontem um pedaço de melancia do Otto, e ele me saiu com essa:


“Quando gente grande fala pra gente dividir as coisas, a gente NÃO É OBRIGADO a dividir!”

E não dividiu :D

diário do otto: 3 anos e 3, 4 e 5 meses

otto,

agora parece que realmente perdeu o sentido escrever a cada mês, seja porque a fase mais intensa dos grandes marcos de desenvolvimento passaram, seja porque estou também envolvida com tantas outras coisas que o tempo me atropela. pode ser também que eu é que tenha deixado de me importar tanto em prestar atenção às “novidades” e aproveitar sua companhia, cada dia mais deliciosa <3

reiniciamos seu desfralde pela 2a vez há menos de 2 meses, e já considero como um sucesso. o xixi foi muito fácil, em 2 semanas estava resolvido, já o cocô demorou mais um pouco, com alguns episódios de fazer na roupa ou no chão <o>, mas hoje completamos 1 semana inteira sem nenhum incidente, inclusive saindo para passar o dia fora sem fralda! estamos muito orgulhosos de você. pode parecer uma coisa boba, mas é um controle importante do corpo, que sequer lembramos que aprendemos (depois de adultos, parece que sempre soubemos né?). agora você avisa que quer ir, e já sai correndo com a gente pra fazer direitinho. um moço!

nestas férias algumas coisas mudaram bastante — você começou a dormir um pouco mais tarde (porque nós deixamos, claro) e começou também a acordar BEM mais tarde (9h, 9:30h!), o que é uma maravilha para os seus pais que adoram dormir, mas será certamente um problema quando as aulas voltarem. teremos que fazer uma transição pra evitar choro e ranger de dentes na hora de acordar…

algumas coisas mudaram bastante nestes meses, você tem se interessado mais por histórias diferentes (novos filmes, ufa), mas continua encantado com o wall-e, a ponto de desenhar o robô o dia todo, de todas as formas. aliás, seus desenhos estão cada vez melhores e mais complexos, é muito legal de observar. e você adora desenhar, se deixar passa o dia todo com papel e caneta.

você também tem se desenvolvido bem na parte física, que nunca foi exatamente seu forte — já está andando de bicicleta direitinho (com as rodinhas) e sobe nas coisas de um jeito que não fazia antes. procuramos continuar incentivando você, que precisa mesmo ganhar mais confiança e testar seus limites!

a coisa mais linda que aconteceu esse mês foi seu interesse pela “ode à alegria” de beethoven, graças ao curta do burn-e, que nos emocionou muito. ver você apreciando música é a realização de um sonho nosso como pais, sendo o assunto tão importante pra nós. você nem sabe o quanto sua alegria nos faz felizes. aliás, acho que é impossível explicar para quem não tem filhos o que significa ver nossos filhos felizes — é uma alegria multiplicada por milhares, fogos de artifício imaginários, o que pode haver de mais delicioso na vida.

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sua rotina só mudou quanto ao sono, cada vez melhor, e ainda dormindo conosco (não canso de dizer o quanto é gostoso dormir com você, tão pequeno e carinhoso nos abraçando…), acordando com seu sorrisão de feliz <3

continua comendo tudo e mais um pouco, se interessando por coisas novas, sem medo de provar nada. mas também continua nos enfrentando bastante e colocando seus quereres, o que é muito legal e nos deixa felizes. você é um menino sensível e tranquilo, mas com bastante personalidade, que sabe se posicionar quando é necessário. bem melhor que seus pais, inclusive :D

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nosso amor só cresce, e a cada noite depois que você vai dormir seu pai e eu nos olhamos e dizemos, como um coro: “como ele é querido, que menino mais especial!”. a gente procura sempre dizer o quanto ama você, espero que isso nunca seja fonte de dúvida pra você, mas que também fique registrado aqui, preto no branco: amamos você demais, e admiramos sua personalidade, seu jeito doce e ao mesmo tempo determinado. que você se mantenha assim, pois será de grande valia na sua vida para ser feliz <3

aqui estão fotos destes seus meses, todas tiradas e guardadas com muito amor: 3 anos e 3 meses, 3 anos e 4 meses, 3 anos e 5 meses.

um beijo maior que o mundo da sua mamãe que adora você mais que tudo.

ode à alegria

chamar essa peça de “ode à alegria” fez todo o sentido depois de assistir ao vídeo que o Fernando fez do Otto ouvindo a peça toda pela 1a vez. ele conheceu o coro da música graças ao lindo curta da pixar, burn-e, e se apaixonou. quando o Fer resolveu mostrar a peça inteira, foi isso que aconteceu :)

(se já viram, vejam de novo, que ver gente feliz faz a gente feliz também!)

a experiência antropológica mais completa

A Maria, nossa mais que querida funcionária que é mãe-avó-amiga-babá-etc. agora está com um problema pra sair com o Otto e passear no condomínio: ele só quer andar pelado. No meio do passeio ele decreta “tou com calor, vou tirar a roupa!”

Com muito custo ela convence o menino a pelo menos vestir uma cuequinha (ele cedeu sob protestos, parece), e ele anda de cueca pelo condomínio.

Pra além da graça toda da situação, e o fato dela agora chamar o menino de “curumim” , fiquei pensando no quanto a nudez é tabu. Ele e nós andamos sem roupa na casa com frequência. Eu inclusive ando sem roupa até quando temos visitas (evito quando tem homens, por pura convenção social), não tenho vergonha nenhuma.

Quando adultos, respeitamos as convenções sociais sem nem prestar atenção. Quando criamos uma criança, nós confrontamos com algumas regras que, pensando bem, não fazem sentido algum.

Pra que usar tanta roupa no verão? Por que não podemos andar pelados quando a roupa não serve para proteger? Por que tanto incômodo sobre o que vão pensar sobre nossos corpos?

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E percebo, encantada, que minha maior expectativa em relação a ser mãe se cumpriu: é a melhor experiência antropológica que pode haver.

sobre sua mãe

Achei linda essa carta da moça para sua mãe que já se foi, por vários motivos, mas achei especialmente bonito a filha (que perdeu a mãe tão cedo) admirar nela o ímpeto de ser independente e fazê-lo. A mãe, uma vez por ano, a deixava com parentes para fazer viagens só.

Em tempos de tanta cobrança para que as mães sejam onipresentes e as crianças sejam o centro do universo é bonito ver um contraponto exatamente de quem perdeu a mãe.

O pouco tempo que ela teve com a mãe serviu também pra levar um exemplo de auto-suficiência, independência e desejo de realizar seus sonhos individuais. Porque tornar-se mãe não é necessariamente igual a viver em função dos filhos. Há quem viva, há quem não, não existe regra, colega. Sua opção não é melhor nem pior que a dos outros.