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benjamin button

November 3, 2017 · Leave a Comment

[nov-2016]

Estávamos em silêncio comendo, e ele começa:

O: “Papai, o que é o seu trabalho?”

Fernando: “nossa que pergunta legal, Otto! Eu entrevisto pessoas sobre alguns assuntos e faço um resumo pra outras pessoas sobre o que elas pensam.”

O: “eu não quero trabalhar. Trabalhar é chato!”

(Tão novo, tão acordado)

Eu: “por que você acha chato? Você já trabalhou?”

O: “eu fiz um trabalho na escola e não gostei, achei chato”

(Só porque você está atento, meu querido. I feel your pain)

Eu: “que parte foi chata? Conta mais?”

O: “sabe, eu só brinco com os amigos pra você ficar feliz Papai, porque eu não gosto de brincar com eles”

(Podiam ter arrancado meu coração batendo nessa hora e tava OK, ia doer menos)

Eu: “ô meu amor, a gente é feliz com você de qualquer forma. Você não precisa tentar fazer a gente feliz tá?

Mas me diz qual é o problema com os amigos — por que você não gostou de brincar e fazer o trabalho?”

O: “eu não gosto do LF. Ele não ouve a prof, não faz as coisas que precisa fazer e faz bagunça”

(Meu filho, bem vindo ao mundo. Lamento que você tenha vindo pra organizar e não pra bagunçar. Sua vida será difícil)

Eu: “ele é uma criança, meu amor. Ele tá aprendendo — ele vai aprender a seguir as regras e fazer as coisas junto. É questão de tempo, tem que ter paciência”

(Ou não, né. Tá aí um monte de mané que só faz merda, mas o menino já tá desanimado o suficiente e não precisa de mais realidade na vida)

**

Não lembro como a conversa terminou. Sei que morri um pouco com a seriedade e clareza dele sobre o que incomoda. Eu me senti assim várias vezes em relação às pessoas de forma geral (em especial na escola, já na pós graduação), mas eu tinha 30 fucking anos. O menino tem SEIS.

Me dá uma tristeza enorme ele observar o mundo desde ângulo, e não se encaixar.

Uma professora Waldorf, quando ele estava com 2 anos, nos falou “esse menino é muito pequeno pra ser tão ‘acordado’,” como eles falam. Acordado = entendendo o mundo como ele é, sem a lente da infância. Ele não sente / se comporta como uma criança pequena que é.

Espero de coração que ele encontre sua criança interna com os anos 💔

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lista de Natal

November 3, 2017 · Leave a Comment

[nov-2015]

Esse dia chegou e me pegou despreparada (mas não mudaria a resposta). Otto começou a negociar presentes de Natal, falei que ele podia fazer uma lista e a gente ia ver como ficava.

Otto: “mamãe, eu vou pedir os mecanimais pro Papai Noel! Será que ele traz?”

Eu: “acho que sim, amor, quer fazer uma cartinha e a mamãe manda?”

Otto: “quero. Mas, mamãe: o Papai Noel existe DE VERDADE?”

(!!!! PQP, e agora?!)

Eu: “não, Otto, ele é um personagem.”

Otto: (… pensou uns segundos) “tá bom; eu vou fazer a lista do que eu quero e a gente manda!”

**

Nunca mentimos pra ele sobre a existência de seres imaginários, não ia começar agora. Super incentivo a imaginação e brincamos com saci, curupira, superman, coelho da Páscoa e, bem, Papai Noel. Ele parece lidar bem com a existência fictícia de todos eles, se diverte e entra no jogo.

Mas me impressionou a especificidade da pergunta: ele existe de verdade? É diferente de “existe papai noel”. Acho que de alguma forma ele já sabia que ele existe, mas não como uma pessoa, é uma ideia, uma fantasia.

Esse menino é bem louco.

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uma coisinha

November 3, 2017 · Leave a Comment

[nov-2013]

Eu: “Otto, quer comer uma coisinha antes de ir pra casa?”

Otto: “Ahhhh… Eu gosto de comer uma coisinha, sim!”

 

Hahhahahhahaha <3

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