“Não mata ninguém”

(tradução de Grace Martins)

“Meus pais me batiam quando eu criança e não estou traumatizado”, disse o homem cuja ex-companheira o denunciou por violência física.


“Quando eu era criança, me deixavam chorando sozinha até adormecer, e era tão ruim que eu não saía do quarto”, disse o homem que passa longas horas nas redes sociais, prejudicando o seu sono.


“Me castigaram quando eu era criança, e estou bem”, disse o homem que, sempre que comete um erro, se autodeprecia como forma de se punir.


“Quando eu era criança pegavam pesado comigo, e eu sofro de um trauma chamado ‘educação’”, disse a mulher que ainda não entende por que todos os seus parceiros acabam sendo agressivos.


“Quando me tornei uma criança teimosa, meu pai me trancou em uma sala sozinha para aprender, e hoje eu agradeço”, disse a mulher que sofreu ataques de ansiedade e não consegue explicar por que tem tanto medo de ficar fechada em espaços pequenos.


“Meus pais me disseram que iriam me deixar sozinha ou me dar para um estranho, quando eu fazia birras, e eu não tenho traumas”, disse a mulher que rezou pedindo amor e perdoou repetidas infidelidades, para não se sentir abandonada.


“Meus pais me controlaram só com o olhar, e veja como eu me saí bem”, disse a mulher que não consegue manter contato visual com figuras de ‘autoridade’, sem se sentir intimidada.


“Quando criança, eu levei até com cabo de aço, e hoje sou um homem bom, inclusive profissionalmente”, disse o homem cujos vizinhos o denunciaram à polícia por embriaguez, destruição de bens e agressão verbal à esposa.


“Meus pais me forçaram a estudar para uma carreira que me traria dinheiro, e veja como estou bem de vida”, disse o homem que sonha com a sexta-feira todos os dias, porque trabalha todos os dias desesperado, fazendo algo que ele nunca quis.


“Quando eu era pequena me forçavam a ficar sentada até acabar tudo o que estava no prato, e até me forçavam a comer, não eram como aqueles pais permissivos”, afirmou a mulher que não entende por que não consegue ter uma relação saudável com a comida, e que desenvolveu um transtorno alimentar na adolescência.


“Agradeço à minha mãe e ao meu pai por cada bofetada e cada castigo, porque senão, não sei o que teria sido de mim”, disse o homem que nunca foi capaz de ter um relacionamento saudável, e cujo filho constantemente lhe mente por medo.


E assim levamos a vida, ouvindo pessoas que se dizem pessoas boas sem traumas, mas paradoxalmente, numa sociedade cheia de violência e de pessoas feridas.
(…)


É tempo de quebrar ciclos de traumas geracionais. Se isso faz sentido pra você, pesquise sobre parentalidade gentil e parentalidade pacífica, para construir uma relação baseada na confiança, amor e orientação. Comunicação não-violenta e a OSNP (Observação, Sentimentos, Necessidades e Pedido) lhe dá o roteiro exato para começar a se comunicar de uma maneira amorosa e aberta.

Such a good lad

Eu sei que vocês vão dizer que essa pertence ao **That child didn’t say that**, mas nós 2 juramos de pé junto 🤣🤣🤣

Na hora de dormir, depois de lermos juntos um capítulo do livro “Esperanza Rising” em que a protagonista, Esperanza, conta que ganhou uma piñata tão linda da sua mãe que não teve coragem de quebrar e guardou ❤️, Otto comenta, sobre a passagem:

“When I saw she didn’t break the pinata because there was candy in it, I felt so much passion for such innocence.”

Quem é o equivalente do José de Alencar em inglês, gente?! 🤣