rasgando livros e corações

estávamos lendo o livro fofo da coruja com o otto (“um tanto perdida”) antes de dormir, e na empolgação de passar a página (a história é cheia de surpresas) ele arrancou um pedaço dela fora, meia página! <o> (mesmo a gente tendo avisado mil vezes, antecipando o ocorrido). minha reação foi espontânea e tão de choque com o livro rasgado (como é impactante rasgar livro, não? que coisa!) que mesmo eu não tendo gritado e nem brigado com ele o menino ficou paralisado, coitado, olhando, mexendo na página rasgada com aquela cara de “OPS!”.

“dá pra consertar, mamãe?” — “dá sim, mas nunca vai ficar igual, meu amor”.

continuamos a história, mas ficamos todos meio chateados. acabou, guardou, vamos dormir, beijos, abraços, etc. a gente sempre dá a opção de escolher quem fica com ele para dormir, e surpreendentemente hoje ele escolheu o Fer (ele SEMPRE quer que eu fique, é um grude comigo nessa hora), e ficou repetindo “você me desculpa, papai?”, com aquela carinha de quem fez bobagem.

AI, GENTE. destruiu nosso coração. a gente não brigou com ele, nem gritou, nem NADA, mas não precisa fazer nada disso pra criança perceber que algo errado aconteceu, e tentar consertar. e convenhamos, é só um livro né?

o que reforça pra mim 2 coisas:

1) nenhuma criança precisa apanhar. a gente consegue transmitir a mensagem, eles entendem TUDO!

2) é preciso todo cuidado, amor e respeito do mundo ao lidar com crianças. elas sentem demais a nossa decepção, raiva, medo, apreensão, tensão, etc.

o Fer ficou lá, e eu vim aqui terminar um trabalho pra ver se meu coração cresce e fica do tamanho normal de novo, que agora ele está do tamanho de uma uva passa.