sobre o andamento da carruagem

resolvi fazer um resumo da gravidez até o momento, caso alguém chegue aqui procurando sobre dicas, sintomas e coisas assim. em primeiro lugar, recomendo fortemente o site babycenter (eu assino o brasileiro e o americano), que tem dicas ótimas e manda emails semanais pra gente.

1o trimestre (semana 1 a 13)

percebi que estava grávida nos primeiros dias de atraso por causa dos peitos, que ficaram gigantes e muito doloridos e da azia quando consumia cafeína. fiz teste de farmácia e fui à minha primeira consulta de gravidez na 7a semana. com 9 semanas fiz o primeiro ultrassom e ouvi os batimentos do feto.

saber que estava grávida e que ia prosseguir com a gravidez foi um tanto irreal. passei anos me recusando a ser mãe, pensei que nunca ia ter filhos. me acostumar com a idéia foi (ainda é) estranho, ainda estou em adaptação.

quisemos descobrir o sexo o quanto antes, e fizemos o exame de DNA (sexagem fetal) na 9a semana. era menino!

fiz o segundo ultrassom na 13a semana, que eles chamam de translucência nucal. aparentemente é neste ultrassom que você pode descobrir se o feto tem alguma má formação ou tendência a ter problemas. felizmente no meu deu tudo normal!

os sintomas que tive neste período:

– enjôo constante (sem vômito), causado por fome (aprendi a comer de 3 em 3 horas pra amenizar) e cheiros fortes. perfume, tempero e produtos químicos se tornaram muito insuportáveis pra mim neste período.

– sensação de “estar cheia” o tempo todo. a digestão ficou mais lenta, então não conseguia comer muito e nem coisas pesadas.

– um tico de prisão de ventre, que passou em poucas semanas. acredito que meu corpo estranhou a infusão de hormônios, mas se adaptou bem depois.

– leve sangramento na 7a/8a semana, que descobri ser o tal sangramento de nidação, absolutamente normal.

– aumento da lubrificação vaginal (super chato, a gente se sente úmida o tempo todo)

– peitos muito doloridos. sequer dava pra tocar!

– aversão completa e absoluta ao alho. não dava nem pra passar perto dele no supermercado, eu quase vomitava.

– sensibilidade enorme ao cheiro das pessoas (hálito e corpo), mesmo sem cheiro ruim. sentia o cheiro das pessoas a uma distância muito maior que o normal. o marido teve que me aguentar pedindo que ele ficasse longe, pra eu não enjoar.

– falta de apetite enorme, perdi 2,5kg nestes meses. comia só porque era obrigada.

– xixi constante, inclusive à noite. desde então acordo às 4h para fazer xixi.

2o trimestre (semana 14 a 28 – ainda em andamento)

minha médica avisou que todos os sintomas desagradáveis iam passar quando chegasse à 13a ou 14a semana, e felizmente ela estava certa. o enjôo passou, a sensibilidade exagerada aos cheiros também. o ódio ao alho permanece…

até a 21 semana eu não percebia nenhuma diferença visível na barriga. eu sentia a barriga diferente (as calças justas não dava mais pra usar e nem deitar de bruços), mas nada que fosse possível ver.

só depois do ultrassom do segundo trimestre (morfológico, cujo objetivo é analisar todas as dimensões e órgãos do feto) é que comecei a atinar que tem um bebê aqui na minha barriga e ele vai nascer 🙂 acreditem em mim: é bizarro.

os sintomas que estou tendo neste período:

– azia e queimação quando como coisas pesadas (frituras, gorduras) ou refrigerantes. aliás, aboli refrigerantes!

– o peito melhorou muito, mas aumentou um pouco mais. estou seguindo dicas de amigas e lavo os mamilos com bucha vegetal todos os dias, com vontade.

– minha pressão baixou bastante. o normal agora é 10/6. sinto mais cansaço e um pouco de sono por volta de 18h (fico segurando pra não dormir muito cedo. quando mais durmo, mais tenho que levantar pra fazer xixi…)

– sinto uma dor constante na região da virilha (em volta da vulva) quando fico muito sentada ou em pé, que segundo a médica é circulatória. pés pra cima se transformaram em necessidade pra mim! melhora muito. nada grave, mas é chato.

– lubrificação excessiva permanece… chato.

– a barriga começou a crescer e sinto o bebê chutar desde a semana 13 ou 14. no começo é uma sensação de “peixe vivo” dentro da barriga, um leve tremor. depois vira chute mesmo, profissional. é divertido, e dá pra outras pessoas sentirem se colocarem a mão na barriga.

por enquanto é isso – vou atualizando o post conforme o tempo passa 🙂

o nome da rosa

ô coisa difícil essa de escolher nomes de pessoas, não? é uma decisão que impacta a criatura pro resto da vida, e na minha opinião até define (ou influencia fortemente) algumas características nossas. eu verdadeiramente acho que o nome que carregamos nos modifica e carrega em si o nosso “vir a ser”, sim. não é à toa que nos ritos mágicos os nomes próprios são importantes.

antes de sequer levar a idéia de ter filhos a sério, morremos de rir com algumas opções de nome. desde os ridículos ajustes de grafia para “enchiquetar” os nomes (vi ontem na net mães que batizaram seus pobres filhos de jhulia marya e wessney) até os problemas de rimas e pronúncia (joão cara de mamão, aRtuR pronunciado com o R do interior de SP, e por aí vai), desfiamos uma série de nomes e descartamos praticamente todos. esse é o problema de pessoas excessivamente criativas: sempre é possível encontrar uma forma de sacanear o próximo…

mas tem aqueles pais desgraçados que nem precisam da ajuda alheia, e colocam nomes do tipo “himen” (he-man), “vaginovúlvica”, “bicicletildes” e “antônimo” dos seus filhos. todos verdadeiros, não inventei não. fora apple e amora, né.

além das barbaridades acima, não gostamos de nomes compostos nem de nomes longos (que afinal acabam virando apelidos) e temos uma preocupação típica da geração globalizada: como o nome será pronunciado em outros idiomas? parece bobagem, mas eu passo por isso todo santo dia: não é simples explicar a pronúncia do meu nome para quem não fala idiomas latinos. em francês, espanhol e italiano até que vai; em inglês, alemão e outros é dose: ivanise, pronunciado ee-vã-nee-zi. amo meu nome, e acho que boa parte do que sou se deve a ele, mas convenhamos: é chato ninguém conseguir falar seu nome.

depois de muita deliberação, dúvida e ranger de dentes, escolhemos: o piolho se chamará otto. se fosse menina, já estava escolhido sem dúvida: olívia. quem sabe nossa menina poderá ainda se chamar assim? 🙂

no entanto, continuaremos a chamá-lo de piolho ou hugolauro, seguindo a tradição chinesa de espantar os maus espíritos antes do nascimento, ok? 🙂

do que me apavora em ser mãe

blog também serve pra gente desopilar medos e incômodos, não é? vamos aos meus, no que diz respeito a ser mãe (nenhum sem conclusão ou resposta, é claro):

escolinha

muitos sentimentos controversos. afinal, escola pra criança serve exatamente pra quê? lugar pra ficar enquanto os pais trabalham, espaço de socialização ou investimento de educação a longo prazo? (ou todas as alternativas?)

se eu fosse pobre, o problema não existiria: coloca o moleque na escola/creche pública e pronto. temos grana pra pagar escolinha, mas eu realmente não gosto da idéia do meu filho se relacionando com montes de criancinhas “de posses” com seus pais “de posses” e sem noção. não quero que meu filho cresça achando que é normal ir pra miami nas férias e nem que se pode comprar absolutamente tudo. mesmo se eu tivesse dinheiro pra ir pra miami (ou esquiar na suíça) todas as férias, eu não iria. mesmo que eu tiver grana pra comprar um carro de presente pro meu filho quando ele fizer 18 anos, não comprarei. acho essencial aprender o valor das coisas, e dar valor ao que se tem. não me agrada pensar que meu filho vai achar que faz sentido ter tudo de mão beijada, sem nenhum esforço. e odeio pensar nele convivendo só com os riquinhos ou classe média. odeio.

conheci uma figura que pagava pela escolinha da filha de 5 anos o equivalente a uma mensalidade de faculdade de medicina. tolinha que sou, perguntei qual era o sentido de gastar tanto dinheiro na escolinha de uma criança tão pequena… a resposta? networking. *ânsias de vômito* francamente, se meu filho precisar tanto assim de networking pra ser alguém na vida é porque eu fiz um péssimo trabalho como educadora.

festa de criança

a-bo-mi-no a instituição festa infantil, principalmente em buffet. odeio música alta e gente gritando. normalmente odeio as decorações de festa. e acho descabidas festas megalomaníacas, principalmente para crianças muito pequenas (desculpem aí, viu? espero que esse tiro não saia pela culatra). sempre me parece uma realização para os pais muito mais que para os pequenos. alguém me abata a tiros se eu fizer megafesta pra 100 pessoas no aniversário de 1 ano do piolho.

me recuso a ir a festas tipo buffets. já sei que em algum momento o piolho terá amiguinhos que vão convidar e eu vou ter que ir, mas irei sob protestos e rangendo os dentes. espero que ele por conta própria uma hora também considere essas festas menos legais que outras mais criativas e gostosas.

pais e mães das outras crianças

atualmente eu escolho as pessoas com as quais quero conviver, e sei que vai chegar o momento de ter que conviver compulsoriamente com pais/mães dos coleguinhas do piolho. esse momento me apavora! como vou fazer pra não chutar a boca das pessoas, ou dizer exatamente o que eu penso e causar problemas?

com a quantidade de pais e mães sem noção ou simplesmente chatos que tem por aí, antevejo anos de muita paciência pela frente… acho que vou usar o blog pra reclamar e evitar o confronto.

imagino que reunião de pais deve ser mais ou menos como reunião de condomínio: certeza de passar raiva. muita passiflora antes das reuniões, e vambora.

os outros

ah, as pessoas que se sentem no direito de dar palpite na sua vida e na criação do seu filho… cara, eu super tenho opinião sobre TUDO, e por isso mesmo escrevo loucamente no blog: pra evitar dar minha opinião não solicitada pra você, cidadão. eu acho seu cabelo feio, seu filho mal-educado e detesto a música que você escuta, mas nem por isso me sinto no direito de dar palpite na sua vida, sacou?

se sem criança o povo já se mete na vida alheia, calculo quando a criaturinha chegar. vai ser um tal de gente dizendo como vestir, alimentar e educar… tenho medo de me tornar mais ogra do que já sou. fazendo inimigos e desagregando pessoas.

o casamento

fazemos 7 anos de casados esse ano, e ambos casamos com mais de 30 (ou seja: já cheios de manias e opiniões). passamos estes 6 ou 7 anos fazendo tudo o que dava na telha, sem grandes planejamentos ou preocupações. sem horários, sem compromisso. não somos de convivência muito estreita e frequente com a família, no máximo uma visita ou outra, e ainda assim sem nenhum compromisso.

o que será de nós com alguém pra cuidar que precisa de horários, rotinas e certamente vai trazer mais compromissos familiares à nissa vida? de verdade eu tenho medo. não é medo de não conseguir, porque tenho certeza que a gente se adapta e a coisa funciona, mas medo de ser menos feliz!

minha esperança é que ter um filho traga sensações de “cumprimento de função” e alegria muito profundas. afinal, a natureza é sábia, e se não houvesse uma recompensa basal muito boa a humanidade não teria prosperado 🙂

o trabalho

minha vida profissional é parte essencial da minha vida. além de ser meu sustento, é claro, também me traz muita satisfação. gosto do que faço, fico feliz com os resultados que obtenho e não pretendo parar de trabalhar. mas… como será que vou me sentir voltando ao trabalho pós-piolho? será que vai ser a mesma coisa, terei a mesma dedicação e prazer, ou será que o trabalho vai se transformar naquela parte da vida que eu suporto por falta de opção?

gostaria de encontrar um bom equilíbrio entre as duas coisas. pra quem trabalha em esquemas como o meu, não é simples conciliar casa / marido / família / trabalho / interesses individuais. creio que terei um desafio de balanceamento grande pela frente, e não quero me deixar dominar pela culpa de gostar de trabalhar.

pra quem não dá bola pro trabalho ou consegue trabalhar quase exclusivamente em casa deve ser mais fácil. mais uma das coisas que vou precisar reinventar na minha vida…

50% de progresso físico (*)

20 semanas, pessoal. tenho um indício de barriga, que me deixou animada. eu não sabia que demorava tanto pra gente se ver grávida, afe. quando pensava em grávida, pensava em barrigão. mas ela só chega pelo jeito lá pro sexto mês…

piolho continua dando cambalhotas, e eu sinto como um peixe vivo na barriga. super interessante! espero que logo dê pro fer sentir, pra ele se divertir também. ando mais cansada, com mais sono, mas tudo controlável. continuo minhas atividades de forma quase normal, só parei com o espanhol à noite, porque meus neurônios não estão dando conta de trabalhar E ter aula depois. tou culpando a gravidez, mas acho que sou eu mesma que tou com preguiça 🙂

não me sinto mais gorda, aliás, ao contrário – me vejo e sinto mais magra que antes de engravidar, apesar da barriga. acho que o moleque tá queimando minhas gordurinhas 😀

continuo com ódio do alho e amando tomate com sal e limão. e completamente carnívora, preferindo coração de galinha e picanha no espeto. se a vontade vem dele, hugolauro é definitivamente filho dos seus pais 🙂

em uns 10 dias faço o ultrassom do segundo trimestre, e estou super curiosa! não vejo a hora de ver o bebê maiorzinho.

e nada de reação à vacina da gripe, viu? estou ótima, como sempre.

de resto? esperando. e teremos festa da barriga! vou abrir pra quem quiser vir e nos conhecer, se prepare – é em maio!

(*) título dedicado aos meus colegas gerentes de projeto 🙂